ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

FALANDO DO PORTUGAL MAL CONHECIDO

Quando, em Bruxelas, um Olli qualquer elogia as medidas de austeridade que a incompetência do governo português tornou necessárias e depois daquele humilhante relatório em que a OCDE nos diz como devemos governar-nos, duas notícias de repercussão mundial, fui procurar aquelas que não são realçadas em títulos de caixa alta.
Dentre as publicadas hoje, três me dão conta de que, para além de políticos desqualificados, há neste Portugal gente de grande mérito e valor que muito poucos louvam e ainda menos conhecem.
Dois jovens estudantes de Odemira alcançaram, na Final Europeia de Jovens Cientistas, um brilhante terceiro lugar; Depois de o ser nos transplantes hepáticos com dador cadáver, Portugal é já, também, líder mundial nos transplantes renais, enquanto se coloca no limiar da auto-suficiência nesta arte cirúrgica; O programa português e-escola, agora denominado e-scholl, vai ser implementado em vinte países, num programa liderado pela União Internacional de Telecomunicações.
Mais ainda, a Entidade Reguladora do Sector da Água e Resíduos comunica que em 98% dos sistemas de abastecimento de água são cumpridas as normas de qualidade impostas, o que, com toda a certeza, nos coloca em plano mundial destacado.
De outras coisas mais poderia aqui falar para mostrar que, para além da política em que a incompetência é distinguida e das finanças onde são as varas podres que mais crescem, somos um povo com méritos que nos permitem ombrear com outro povo qualquer.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

E SE O FMI ENTRAR…

Aparecem, por vezes, nesses programas de “antena aberta” uns “especialistas” que dizem barbaridades, como não poderia ser outra coisa o produto de uma ignorância mal disfarçada em números e datas que possuem às dúzias nas suas bases de dados.
Acabo de ouvir, num desses programas, uma “convidada” afirmar, a propósito da possibilidade de não ser aprovado o OE, que “sendo assim, o melhor seria dizer ao FMI que não somos capazes de nos governar, venham cá fazê-lo por nós”.
Ora, toda a gente deveria saber que o FMI não governa ninguém. Quando entra, o FMI faz o “arresto” dos bens “penhorados” pela dívida soberana que os governos de Sócrates fizeram subir em flecha, pois o seu objectivo não é o de governar e, no que nos impuser, nunca colocará o interesse dos portugueses acima dos de quem se sente obrigado a defender, dos de quem compra “dívida portuguesa” e ate já o faz assumindo, descaradamente, o papel de agiotas que cobram juros elevadíssimos.
Nesta política de querer salvar o país condenando o seu povo, o governo não encontra alternativas à colecta agressiva de impostos que não param de subir, porque não é capaz de acabar com os compromissos de tantos tachos que criou nos tão famosos “jobs for the boys” que tantos milionários sem mérito já produziram.
Parece-me possível dizer não ao “estrangulamento” dos cidadãos por impostos que, relativamente ao seu nível de vida, são os mais penalizadores da Europa, sem que o FMI meta o bedelho na nossa casa já sem crédito.
Afino pelo diapasão de quem diz que não nos será possível perder mais um ano, depois de tantos já perdidos!

A HISTÓRIA DE UM PAÍS QUE QUIS SER RICO!

Nas suas conjecturas sobre os regimes políticos, Aristóteles concluiu que, em teoria, todos eram bons nos seus propósitos mas divergentes nos seus efeitos pela natural tendência do Homem para a prepotência e apego ao poder.
Talvez por isso, o grande político inglês do Século XX, Wistom Churchil, considerou a democracia como o pior dos regimes com excepção dos demais conhecidos.
Passados os tempos aúreos da democracia representativa que privilegia o número, quando as coisas mais importantes se passavam no Parlamento, onde homens como Disraeli se tornaram notados pelo seu poder de argumentação, e quando a convicção era mais importante do que o conhecimento, este regime que tornou infames todos os demais tem sofrido críticas, algumas das quais pela dificuldade que sente de, por vezes, deles se destacar de modo claro.
Hoje, tomar decisões implica estar em dia com o saber sobre as questões a decidir o que, infelizmente, nem sempre é o caso. O estilo “disraeliano” continua a imperar nas atitudes de quem se esforça por fazer crer que é, aquilo que mais lhe conviria que fosse, em vez de procurar conhecer a realidade e decidir em conformidade com ela.
Mas hoje, as margens de erro consentidas são muito menores, pelo que os erros cometidos têm consequências cada vez mais graves e difíceis de reparar.
A democracia necessita de ser renovada juntando à boa cultura democrática os saberes de que necessita para decidir bem, o que conflitua com as disputas de poder que lhe são próprias e, vezes demais, fazem prevalecer o mau princípio de que os fins justificam os meios. A nossa realidade actual bem o demonstra.
Está em cena o “circo da ruína” que vai destruir Portugal.
A continuar assim, um dia se contará a “história de um país que quis ser rico”.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O CINTO BEM APERTADO... AI Ó JOSÉ FICA-TE BEM!

As recomendações de austeridade da OCDE não devem ter surpreendido ninguém, tal como não surpreenderam o governo que as negociou.
Naquela sessão de apresentação foi visível a satisfação do Ministro das Finanças por este precioso apoio de uma instituição “credível” – como diz o Presidente da República - e só faltaram as palmas para transformar o evento numa gala!
Não ponho em causa as medidas que a OCDE considera necessárias em função dos objectivos europeus. Nada nem ninguém nos salvará de mais um violento apertão de cinto que as circunstâncias actuais nos impõem.
Neste contexto, porém, não são as medidas sugeridas a questão mais importante de esclarecer porque útil será, em termos de experiência para futuro, saber o que as tornou necessárias.
Os socialistas, os mais hábeis a criar factos políticos e a tirar partido das circunstâncias, não terão dúvidas de que foram Durão Barroso e Santana Lopes os responsáveis.
Mas não será estranho que num breve intervalo de 2 anos, em quinze anos de governo que começaram com António Guterres, tanto se tenham degradado as finanças nacionais?
É altura para recordar o “pântano” em que Guterres disse não querer afogar-se quando se demitiu do seu cargo de Primeiro-Ministro. Então muita gente se interrogou sobre o significado de tal afirmação. Agora parece evidente!
Além disto e seja o que for que tenha acontecido, Sócrates e o seu Ministro das Finanças não foram modestos quando se vangloriaram de haver saneado, definitivamente, as finanças portuguesas ao ser atingido um défice de 3%. Depois disso sabemos o que sucedeu.
Então, para saber no que ficamos, para conhecer a causa de mais este apertão de cinto para que se não repita, uma questão deve ser esclarecida: foi Guterres quem brincou com o país ao demitir-se por um “pântano” que não existia ou foi Sócrates que se vangloriou por um êxito que não alcançou?

sábado, 25 de setembro de 2010

SÓCRATES QUER SAIR PELA PORTA GRANDE!

Depois de tantas ocasiões em que a saída pela “esquerda baixa” era a hipótese mais evidente, Sócrates tenta virar o jogo a seu favor e livrar-se deste “frete” de governar um país exaurido por tantos disparates que fez, saindo pela “porta grande”.
Já terá esgotado todos os truques possíveis, o último dos quais, perante a ingenuidade dos adversários, quase teve a magia das grandes ilusões de David Copperfield ao fazer desaparecer um avião, atravessar a muralha da China, eu sei lá que mais.
Rasteirou o PSD que, sem técnicas de equilíbrio, se espalhou ao comprido, situação de que tenta livrar-se agora.
Montando um sistema de enredadas confusões, apresentadas com a “ingenuidade” de quem apenas diz inquestionáveis verdades, o “Grupo de Sócrates” talvez se tenha inspirado no “bullying” que abusa de vítimas incapazes de defender-se.
Duas realidades lamentáveis pelo abuso de uns e pela fragilidade que outros revelam nesta luta pelo poder que, pelas ambições cada vez mais excessivas, perverte a democracia e prejudica os cidadãos.
Para Sócrates, “o mundo muda numa semana” em vez de ir mudando como o indicam os sinais que os governantes devem ir lendo para, oportunamente, se prepararem para enfrentar as dificuldades que se aproximem. Por isso a insistência deste governo em dolorosas técnicas curativas que a falta de prevenção não permitiu evitar.
Sócrates tenta sair tal como entrou: a aumentar impostos depois de afirmar o contrário!
Faz lembrar as quase desaparecidas “pescadinhas de rabo na boca” que, talvez por serem tão apreciadas, poderão dar-lhe a vitória em eleições que se sigam. Mas será que ele a deseja?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

NO TEMPO EM QUE OS ANIMAIS FALAVAM

Nas cada vez mais chatas, repetitivas e pouco imaginativas discussões na Assembleia da República é mais do que certo, quando o governo é acusado por ter feito (ou não ter feito) isto ou aquilo, ouvir-se uma resposta que, de tão velha, já tem barbas: O senhor não se lembra de, quando o seu partido era governo, ter feito (ou não ter feito), ter dito (ou não ter dito) isto ou aquilo?
Logo me vem à lembrança aquela cena de uma fábula em que o lobo mau, já sem outros argumentos, acaba por acusar o inocente cordeiro: se não foste tu foi o teu pai!
E eu que pensava que já não vivíamos nos tempos em que os animais falavam… ou vivemos?
Que doloroso é ter de escutar estes desagradáveis diálogos de surdos para no fim ficarmos a saber que vamos ter de pagar mais impostos!
Será que estes senhores não sabem, mesmo, fazer melhor?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

QUEM É CULPADO DA CRISE QUE FAZ AUMENTAR O DESEMPREGO, QUE FAZ AUMENTAR A POBREZA, QUE...

É mais do que óbvio que o desemprego vai continuar a aumentar, como diz a Senhora Ministra do Trabalho; E vão continuar as falências de empresas, como poderia dizer o Senhor Ministro da Economia; Como vai aumentar o número dos que a cada dia vão sentindo mais e mais dificuldade em satisfazer as suas necessidades mais básicas, como poderia dizer, também, a Senhora Ministra da Solidariedade Social; Como tantas outras coisas desagradáveis vão acontecer e das quais a “crise” será sempre culpada. E, sendo assim, de quem poderemos queixar-nos? Da Senhora Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social? Do Senhor Ministro da Economia? Do Senhor Ministro das Finanças? Do próprio Senhor Primeiro-Ministro?
Deixem-me pensar… quem será que origina as crises? Os milhões que se deixam seduzir pela publicidade agressiva e enganadora que é consentida e consomem, consomem, consomem, mesmo que disso não tenham necessidade ou aqueles que têm por obrigação estar atentos e não deixar a economia resvalar por caminhos perigosos mas que, por palavras e por obras, até a incentivam a ir por aí?
Portugal, o país com maior densidade de auto-estradas da Europa, quiçá do mundo (!), onde há mais telemóveis a funcionar do que habitantes, que outras estatísticas de grandeza consumista colocam nos topos, está a ficar de tanga.
Por culpa da crise? Obviamente, dirão os Senhores Ministros da Economia, das Finanças, do Trabalho e da Solidariedade Social, o Primeiro-Ministro!
Quem será o “sacristão” que diz “amen”?