ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

TÊM AS CRISES UM LIMITE?

Esta crise que parece não ter mais fim possui, para além do seu tempo de duração que ainda ninguém foi capaz de determinar, a característica de ser mundial! Nenhuma outra crise anterior o fora.
Do que me pude aperceber ao longo do muito tempo que já por aqui ando e que a história das crises pode confirmar, é que o intervalo entre crises foi decrescendo ao longo do tempo, enquanto as áreas abrangidas se foram ampliando até que, como nesta, a crise abrange o mundo inteiro.
Outro pormenor a ter em conta é que o “mundo” directamente afectável por crises financeiras se foi tornando maior, com um enorme crescimento na última década quando países tão populosos como a China e a Índia se tornaram economias com muito peso no contexto mundial, mesmo que a maior parte das suas populações ainda não tenha sentido os seus benefícios.
O consumo crescente de recursos que uma população cada vez maior reclama e que tende a duplicar nos próximos anos, coloca outra questão que terá de voltar à ribalta das preocupações: a capacidade de suporte do nosso planeta.
Sendo que todos os recursos naturais são finitos, não será possível promover continuadamente o seu consumo como o actual modo de viver consumista exige. Este factor de desequilíbrio acentuar-se-á à medida que o número de consumidores e os níveis de consumo aumentam.
Por outro lado, como a “riqueza” global não pode exceder o valor dos recursos disponíveis há, necessariamente, um limite para o nível médio de consumo que, sem uma contenção que o racionalize, acabará, fatalmente, por decrescer, eventualmente através de um colapso desestabilizador.
Começa a ficar cada vez mais evidente a escassez de recursos, bem como os danos ambientais resultantes do consumo excessivo. Não tardará muito tempo para ficar provado que também as crises foram provocadas pelo consumismo que é indispensável ao crescimento.
Se for assim, será o fim da sociedade de consumo como a conhecemos, em consequência de uma crise global que apenas artificialmente poderá ter um fim.

domingo, 7 de novembro de 2010

CIRROSE HEPÁTICA

Segundo Carlos Monteverde, até há poucos dias coordenador do Núcleo de Estudos das Doenças do Fígado da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, agora substituído por José Presa, a cirrose é uma doença que começa a afectar pessoas cada vez mais jovens.
A doença afecta já jovens com 13 e 14 anos, mostrando, assim, como o consumo precoce de álcool é perigoso.
São demasiadamente frequentes os casos em que a lei do consumo do álcool em lugares públicos não é respeitada, muitas vezes à frente de todos e sem que quem de direito intervenha como deve intervir.
Mas não é apenas o perigo de cirrose que torna o consumo de álcool perigoso, porque está provado ser a droga mais perigosa nos seus efeitos sociais.
Os fins de semana regados a álcool são uma praga em cuja eliminação cabe ao Estado, através dos agentes fiscalizadores, a responsabilidade maior.
Todos conhecem os lugares em que tais desmandos ocorrem e já tarda a intervenção dura que a situação exige.
Será que, neste país, as cabecinhas governantes não conseguem ocupar-se com mais nada para além do défice e da crise financeira?

sábado, 6 de novembro de 2010

UM MUNDO OU UM MODO DE VIDA EM EXTINÇÃO?

Que uma em cada cinco espécies de animais e de plantas estão em risco de extinção, é o alerta das Nações Unidas.
Esta situação é preocupante, pois não corresponde à normal evolução mas sim à perda sistemática de condições de habitat pela qual a intervenção humana é responsável.
A sobre-exploração de recursos que o crescimento económico continuado impõe, o constante acréscimo das áreas de ocupação humana em consequência da “explosão demográfica” que num curtíssimo período de tempo fez duplicar a população mundial e a poluição do ar, da terra e do mar afectam as condições de vida das espécies.
Apenas a decidida correcção das causas de extinção poderá dar esperança de recuperação das espécies ameaçadas, o que as meritórias acções isoladas de reprodução de animais em cativeiro ou de plantas em condições de protecção especial nunca conseguirão.
É o confronto entre o hiper-consumismo insaciável de recursos e um estilo de vida compatível com exploração sustentável que a continuação da vida impõe.
A actual crise económica mundial, não comparável a qualquer outra que jamais tenha ocorrido, é a prova da incompatibilidade entre um modo de vida de consumo despreocupado e o equilíbrio ambiental que a continuação da vida na Terra exige.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A RESSACA

O OE foi viabilizado e, em resposta, os “mercados” aumentaram as taxas para a dívida a 10 anos para um máximo histórico que se aproxima muito dos 7%!
Afinal, a viabilização do Orçamento que, muitos diziam, era indispensável para a nossa imagem perante os que podem emprestar-nos dinheiro, não surtiu o efeito esperado. As pressões de tanta gente e da própria UE, às quais o PSD acabou por ceder, não terão sido os mais sensatos.
De facto, se eu fosse os “mercados” ficaria bem mais tranquilo com a reprovação do OE do que com aquilo que se passou pois, tanto pelos erros que já cometeu como pelo modo como não soube, nem poderia saber, defender o indefensável Orçamento, o governo não dá garantias de ser capaz de levar o país por bons caminhos.
Não sei se Passos Coelho será capaz de fazer tudo o que é necessário para reequilibrar Portugal, o que não é, de todo, fácil. Mas, concordando com a verdade “lapalissiana” de Cavaco Silva quando diz que só uma mudança na orientação económica poderá resolver os problemas concretos das pessoas que não serão solucionáveis com ilusões ou com utopias, ele será uma mudança e, por isso, uma esperança a ter em conta.
É óbvio que sem uma mudança profunda o caminho para o abismo continuará. A teimosia de um governo que se comporta como um poder absoluto mesmo sendo minoritário, não é segurança para ninguém. Porque o seria para os “mercados”?
A Sócrates, porém, é devido o reconhecimento de uma habilidade inigualável para gerir oportunidades, no que foi inexcedível tanto no momento das últimas eleições legislativas das quais saiu vencedor minoritário como no deixar correr do tempo até neutralizar a capacidade presidencial para dissolver a Assembleia da República e, assim, criar a situação insólita que levou tantos a pensar que o melhor seria deixá-lo continuar.
Mas o que nasce torto é difícil de endireitar. Foi evidente o “empenhamento” do ministro das finanças quando rompeu as negociações que retomou forçado. Foi notória a sua revolta interior quando, no Plenário da AR, afirmou o que todos já sabiam mas, simploriamente, esperavam esconder dos “mercados”: este acordo acabará dentro de seis meses.
O PSD também já o tinha dito quando afirmou que Sócrates teria de passar pela humilhação de ser demitido!
Enfim, tudo não passou de um arremedo de paródia que teve como desfecho o que nem PS nem PSD desejavam!
Afinal, quem o desejava?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

OS MELHORES E OS PIORES…

Para quem possa pensar que em Portugal não há gente capaz de fazer tão bem ou melhor do que os outros fazem e quando somos obrigados a reconhecer que, por incompetência de quem governa, estamos em condições de grande penúria financeira, pode ser surpreendente o facto de serem portugueses os responsáveis maiores de instituições financeiras como o FMI Europa e o maior banco inglês, o LLoyds Bank, com 30 milhões de clientes, quase 150 mil trabalhadores e com activos que são cerca de oito vezes o PIB português.
Não são lugares que se alcancem pela cor linda dos olhos, por cunhas ou por favores políticos. São lugares de grande responsabilidade para os quais são convidados os melhores.
Não são lugares que alguém possa alcançar com uma campanha política mais ou menos truculenta, nem para os quais seja convidado alguém pela sua verborreia e capacidade de fazer parecer que é o que lhe convém que fosse para, com isso, convencer os que por si não saibam pensar!

ATÉ QUE ENFIM ALGUÉM O ENTENDEU!

Podia ter dito que Manuela Ferreira Leite afirmou que “o país está em ruptura financeira”, como podia ter recordado que ela também deixou no ar a pergunta "como foi possível que o governo tivesse conduzido o país a um ponto tal?" ou, até, que "a história e os portugueses encarregar-se-ão de julgar quem, cegamente, nos conduziu a este ponto". Mas Sócrates preferiu referir, apenas, que ela afirmou que "é um OE inevitável", tentando que passassem despercebidas as razões para o ser. Assim pode suspirar “até que, enfim, alguém me entende”!!! E, supostamente pela voz de Manuela Ferreira Leite, faz a demonstração da inevitabilidade do orçamento corajoso que apresenta aos indefesos portugueses cuja culpa não é outra senão a de o terem feito Primeiro-Ministro.
Ridícula foi a intervenção final de um tal Santos Silva, conhecido artista da “malhação”, que procurou nas mitologias, citando as características das únicas divindades que parece conhecer, as razões para a viabilização de um OE já viabilizado, ainda que não em nome dos seus méritos mas do país que temos o dever de salvar e de reerguer após o cataclismo que o varreu.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

OS DIREITOS QUE (NÃO) TEMOS

Passos Coelho disse algo que merece ser reflectido: “os direitos apenas existem enquanto o Estado os puder garantir”. Esta é uma verdade que só não entende quem não quiser ou não souber pensar.
A verdade é que nos encontramos numa situação em que a garantia de alguns “direitos” está já em causa, do que é prova o Orçamento do Estado que vai ser aprovado na Assembleia da República.
O pior é que todos os demais “direitos” estão em causa também, enquanto a situação económico-financeira não estiver estabilizada.
É óbvio que a situação grave que nos afecta resulta de um Estado demasiado gastador porque assumiu excessivos compromissos, especialmente com um programa de obras públicas que nem os países mais ricos alguma vez tiveram a ousadia de promover.
Nos últimos anos passados a dívida externa portuguesa mais do que duplicou ultrapassando, em valores líquidos, o PIB anual e mais crescerá, ainda, pelos efeitos de inoportunas decisões que só a incompetência pode justificar.
Os resultados negativos de muitas empresas públicas, as ruinosas parcerias público-privadas, negócios como o do terminal de contentores do porto de Lisboa, a inoportuna adjudicação da construção do troço Poceirão-Caia do TGV Lisboa-Madrid, a negociação das portagens nas SCUT’s e outros muitos problemas que significam prejuízos do Estado, logo, encargos que os contribuintes terão de pagar, são provas concludentes da responsabilidade de quem não soube defender os interesses do país ou, em vez deles, defendeu outros.
Foi por tudo isto que me assustou o discurso que hoje ouvi do líder da bancada socialista na AR, reafirmando a oportunidade e a coragem do OE que o governo propõe e cuja viabilização negociou, em resposta a quem o considera um mau orçamento da responsabilidade exclusiva do governo do partido Socialista.
Será que estão estes senhores convencidos do que dizem? Não terão consciência dos disparates que fizeram? Julgam-se os donos da razão ou julgam-nos a todos parvos?
É, inevitavelmente, um pobre país aquele que tenha dirigentes como estes que vêem virtudes nos seus defeitos e, por isso, defendem a continuação dos erros que são causa das “corajosas” medidas que vão infernizar a nossa vida!