ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 12 de março de 2011

SÓCRATES HIPOTECA O PAÍS

Já não dá contas ao Conselho de Ministros, à Assembleia da República, ao Presidente da República nem ao país para negociar com a Srª Merkel e com a UE os PEC com que nos vai brindando.
A soberania portuguesa, já tão ratada, fica agora reduzida a praticamente nada quando são outros a ditar o que devemos fazer.
Para reduzir a despesa, Sócrates e o seu ministro das Finanças corta nos rendimentos das pessoas. Ora, igual resultado se alcançaria aumentando os impostos… Logo, é um falso corte na despesa este do qual Sócrates tanto se orgulha.
Aos poucos vamos passando de pobres a vagabundos sem eira nem beira, a povo esfomeado, a país humilhado pela subserviência deste que se diz engenheiro.
É mais do que altura para perguntar a Sócrates onde está o seu Estado Social. Estará nas auto-estradas, em milhares de jobs for the boys, no TGV que o ministro das Obras Públicas não desiste de construir?
Na Segurança Social é que não está, como não está na Saúde e no Ensino!
Alvíssaras a quem o encontrar.

terça-feira, 8 de março de 2011

POR QUE NÃO SE CALA?

Como nunca, tornou-se óbvio que, em questões de finanças, cada um tem a sua opinião. Dizem uns que Portugal deveria pedir ajuda ao Fundo de Intervenção ou ao FMI, enquanto outros pensam não ser esse o melhor caminho. Mas, no fim, digam os “sábios” o que disserem, quem tem razão são os “mercados” aos quais Sócrates se não cansa de mandar “recados”.
A questão é que, sempre que Sócrates opina, os juros da dívida portuguesa sobem!
Para mim que, de finanças, sei tanto como Jesus Cristo, era óbvio que as taxas de juros só poderiam subir porque os “mercados” sempre procuram tirar o máximo proveito das situações e, como diz o velho ditado, quando se encontra mole… carrega-se!
Ora a “força” ou o prestígio de Sócrates de pouco ou nada valem, tantas fraquezas já mostrou e de tantas mentiras já se serviu.
Sócrates tornou-se, aos olhos de todos, um oportunista que sempre procura tirar proveito das situações e sacudir a água do seu capote, tal como recentemente o fez com a declaração de ter portajado as SCUT porque teve de negociar com o PSD.
Na teimosia de lutar contra a maré, a Sócrates junta-se Durão Barroso, o português que abandonou o seu país para ser o Secretário Geral da UE, na teimosia do “mais vale só”.
Eles falam mas os “mercados” vão subindo os juros que já estão quase um ponto acima do máximo fixado pelo Ministro das Finanças.
Porque não se calam?

terça-feira, 1 de março de 2011

CONTINUAMOS ESTUPIDAMENTE ESBANJADORES

O Ministro da Obras Públicas não resiste à tentação de gastar milhares de milhões em investimentos não reprodutivos quando a maioria dos portugueses faz autênticos malabarismos para sobreviver.
Aproximam-se tempos mais difíceis ainda, o que não faz estes socialistas/capitalistas falhados terem agora as atitudes de prudência que nunca foram capazes de ter.
Será que os socialistas só sabem gastar dinheiro?
Este poder extraordinário do sector da construção civil e obras públicas sobrepõe-se ao governo, com prejuízos graves para todos nós!
Um governo que tanto fala de Estado Social, parece não compreender o que isto seja! Temos milhares de milhões para gastar em obras sumptuosas e vamos, ter, também, as ruas cheias de jovens que não conseguem integhrar-se na sociedade porque não consegue o primeiro emprego.
1 Fevereiro 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

CRESCIMENTO ZERO, RUÍNA OU SUCESSO?

Infelizmente, ainda não consegui reorganizar muitos documentos desde a minha última mudança. Naquela confusão está um livro que comprei há cerca de cinquenta anos, de cujo autor não consigo agora recordar o nome, mas cujo tema os tempos que vivemos me têm feito recordar. Tem por título “crescimento zero”, situação que sendo para os economistas a “estagnação” que não desejam era, para quem o escreveu, a atitude que poderia ter salvo o Homem de muitos dos problemas que agora o atormentam.
Então, para um jovem engenheiro convencido das virtudes do quanto mais e mais moderno melhor, o título era, no mínimo, intrigante. Por isso o comprei, pois sempre me seduziram ideias diferentes por saber que é com elas que posso corrigir ou fortalecer as minhas. Defendia o autor, ao contrário do que eu pensava, que a pretensão de “crescer” indefinidamente iria produzir desequilíbrios dos quais resultaria, a prazo, uma situação descontrolada e difícil de resolver. Era um visionário lúcido em contra-ciclo com as ideias em voga e de cuja intuição o tempo tem revelado a sensatez. Naquela época de grande euforia do crescimento económico, não acredito que, sequer, a primeira edição do livro se tenha esgotado e, talvez por isso, nunca o vi referenciado em parte alguma. Porém, a sua leitura fez nascer em mim uma inquietação profunda, um receio enorme pela harmonia natural que a ambição humana poderia destruir.
Hoje pergunto-me como, perante a clarividência de alguém que, há tantas dezenas de anos, previu que este tipo de crise aconteceria, ainda possa haver quem corra a comprar o último êxito de vendas do “único economista que previu a crise”, na esperança de mais rapidamente a superar ou dela tirar proveitos. A verdade, porem, é que os economistas não prevêem nem resolvem as crises. Provocam-nas, porque a escassez e a exaustão dos recursos naturais, a degradação ambiental e a exclusão de milhares de milhões de seres humanos do direito à fruição dos bens do mundo não fazem parte dos parâmetros que estruturam os “modelos futurológicos” em que baseiam as suas previsões nem dos princípios de “justiça social” que regulam as decisões que tomam. Ao contrário, considerar que sempre haverá o necessário para crescer mais e mais é, para eles, uma verdade axiomática que a Natureza desmente nas rupturas dos ciclos naturais que, há tempo demais, estão a ser excedidos. Tivemos professores que nos ensinaram – ou obrigaram a saber de cor – os ciclos do azoto, do carbono, da água e outros, conhecimentos que se perderam naquele “ligar à terra” após os exames porque, por mal esclarecidos, os julgámos inúteis. Poucos, se alguns, os relacionaram com o “ciclo global da vida” que, por mais que o queiramos desdizer, é o que está em causa neste Século XXI que, tudo o indica, será da maior importância para o futuro da Humanidade, em consequência dos fenómenos perturbadores que teremos de enfrentar. Problemas climáticos e energéticos, rápido acréscimo da população mundial, escassez de alimentos e aumento da fome e de doenças nas regiões mais populosas, poluição generalizada, redução drástica da biodiversidade, destruição da camada de ozono, entre outros, poderão atingir dimensões difíceis de conter pacificamente num futuro relativamente próximo.
Mal avisados ou insensíveis às suas responsabilidades sociais, também alguns engenheiros, aqueles para quem quanto mais e maior melhor, acompanham de perto os economistas na sua ânsia de crescimento sem limites. Que melhor prova dos excessos que cometem do que o moderníssimo e insustentável Dubai com a sua gigantesca Torre Khalifa, o mais alto edifício do mundo com 828 metros de altura e uma vista espectacular sobre um deserto escaldante? Toda esta grandiosidade, inútil perante as necessidades reais da Humanidade, faz lembrar a “fase barroca” que prenuncia o fim do “estilo” que já nada mais permite inovar.
Apesar de todo o optimismo dos que persistem na recuperação do actual modelo económico da crise em que mergulhou, cada vez se torna mais evidente a sua insustentabilidade e, em consequência, a necessidade de um outro que acautele os equilíbrios naturais que garantem a vida. Adoptar um modelo que não provoque rupturas, um modelo sustentável, será o grande desafio deste século do qual, em atitudes estéreis, já se perdeu mais de uma década.
Parece-me oportuno relembrar os “limites do crescimento” a que já aqui me referi, o Relatório do Clube de Roma que, no início da década de setenta do século passado, chamou a atenção para possíveis e próximas situações de ruptura a que o excesso de consumo conduziria. Apesar do esforço dos defensores do consumismo para as desacreditar, as conclusões a que Forrester, Meadows e outros chegaram, embora quase silenciadas ao longo de décadas, continuam válidas. Assim o comprovam análises recentes como a publicada na “Scientific American” - Maio/Junho de 2009 - “Revisitando os Limites do Crescimento”. A proximidade entre a evolução da realidade e as previsões feitas mostram que o perigo é real e vai conduzindo às rupturas então previstas.
Uma coisa a investigação do Clube de Roma não considerou: a influência no clima que é uma das preocupações maiores dos tempos que correm. Mas a sua relação com o excesso de consumo parece ser evidente e as suas consequências desastrosas são cada vez mais difíceis de reverter. Porém, tal não foi bastante para evitar o fracasso da Cimeira de Copenhaga tal como o de outras antes dela e, mais recentemente, da Cimeira de Cancun sobre as mudanças climáticas onde, de novo, decisões urgentíssimas foram adiadas em prol de um crescimento económico que ninguém se atreve a conter. Há sempre uns quantos “sábios” infelizmente capazes de compromissos com interesses que não são, de modo algum, os que a Ciência mostra serem os de salvaguarda e de dignificação da Humanidade.
Sem consciência de ser o “elo mais fraco” na cadeia natural, o Homem será quem mais perderá com a “revolta” que a Natureza já iniciou. Ou será que ainda nos não demos conta das mudanças que estão a acontecer?
Rui de Carvalho
11 de Janeiro, 2011
Publicado no Notícias de Manteigas, em Fevereiro 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

COMO CUIDA A SOCIEDADE DOS SEUS IDOSOS?

Idosos que morrem em incêndios em lares sem as necessárias condições, idosos que passam o dia na rua, idosa que morre sozinha em casa e só é encontrada 8 anos depois…
É para isto que aumentou a esperança de vida?
Como pode dizer-se que a sociedade cuida dos seus idosos se os trata assim?

sábado, 22 de janeiro de 2011

AMANHÃ TENHO DE IR VOTAR, MAS…

Obviamente que irei cumprir o meu dever de cidadão consciente dos seus deveres, mas gostaria de poder ter outras opções que, sinceramente, não esperava que aparecessem. Mas, se é esta a política e os políticos que temos, será dentre eles que terei de escolher e não adianta votar em branco, abster-me de votar ou, como alguns fazem, riscar ou escrever coisas que ninguém vai ler e não terá qualquer influência nestas eleições ou no futuro.
Não gostei do primeiro mandato de Cavaco Silva. De todo, pois penso que poderia e deveria ter feito muito mais para travar os disparates de um governo de minoria que insistiu em arrogantes erros sucessivos que muito prejudicaram o país.
Sei que o Presidente da República Portuguesa tem muito poucos poderes, mas tem voz que pode esclarecer os portugueses sobre o que se passa de importante na política nacional. Cavaco Silva foi demasiadamente permissivo e não soube evitar as “fintas” de Sócrates que o deixou sem possibilidade de agir quando mais era necessário.
Sócrates manobrou como quis para influenciar o resultado das últimas eleições legislativas que lhe deram uma maioria relativa e lhe permitiu formar novo governo, assim como conseguiu que o tempo passasse até que o Presidente nada pudesse fazer para impedir que continuasse os seus desvarios.
Apesar de tudo isto também não votaria Alegre e nem vou dizer porque!
Aplaudo o Dr Fernando Nobre pela sua determinação mas, quem sabe, nas próximas eleições presidenciais, mais apoiado e melhor preparado, poderá ser a opção.
Quanto aos demais, não chegam a ser opções.
Resta-me uma noite para conversar com o travesseiro e… que Deus ajude Portugal!

A FORMIGA E A CIGARRA

São angustiantes as notícias que nos chegam, dando conta das grandes dificuldades de muitas famílias portuguesas por via da situação financeira degradada a que Portugal chegou.
Pessoas que, outrora, foram contribuintes de instituições de auxílio social, recorrem agora a elas para pedir ajuda depois de esgotada toda a sua capacidade para sobreviver sem auxílio.
Dezenas de milhar de crianças que sofrem de fome, muita gente que ainda não conseguiu ultrapassar a barreira da “vergonha” que as faz sofrer as suas mínguas sem queixumes e uma cada vez maior população em miséria extrema, são desgraças que não nos podem deixar indiferentes.
Os portugueses comuns são gente de causas às quais afoitamente se entregam quando confiam em quem as promove e, por isso, têm dado resposta generosa às necessidades de ajuda. Quais formiguinhas, as Instituições de Ajuda Social vão recolhendo as dádivas que atenuarão a fome dos cada vez mais portugueses que a sofrem.
Mau é saber que muito se pode agravar numa situação grave que parece não comover o governo que não reconhece os erros das suas opções já que nelas insiste. Falhou nas suas políticas de modernização que não soube pautar pelas reais capacidades e necessidades do país; Falhou nas políticas de saúde, de educação e de justiça que sacrificou a decisões que privilegiaram o investimento excessivo em infra-estruturas e equipamentos cujos custos arrastarão os encargos financeiros por anos e anos, dificultando o desenvolvimento seguro do país; Falha num “Estado Social” que consagra direitos para cuja garantia não teve o cuidado de, oportunamente, assegurar os meios necessários; Falha quando, mesmo avisado, faz “ouvidos de mercador” e insiste na bondade de projectos excessivamente onerosos e sem proveito oportuno na resolução dos problemas mais prementes dos portugueses.
O crescimento excessivo da dívida externa portuguesa (já referido em outra crónica) a que tanto desnorte conduziu e o excessivo défice orçamental são as razões de ser de um Orçamento de Estado que nos fará “apertar o cinto” como nunca.
Aumenta impostos e corta na despesa, mas fá-lo, sobretudo, penalizando os rendimentos de trabalho, mantendo quase intocáveis os gastos não reprodutivos em estruturas, organismos, benesses e remunerações injustificadas que os contribuintes suportam.
Em quaisquer circunstâncias mas, sobretudo, em tempo de sacrifícios, tornam-se escandalosas as reformas precoces e generosas dos políticos que as vão acumulando e acrescentam com outras remunerações em cargos que facilmente conseguem, os subsídios, as ajudas de custo, as mordomias e outros “extras” que os privilegiados têm, os numerosos institutos e fundações que as suas conveniências foram criando, as incontáveis empresas públicas que inventam sem fins sociais ou económicos que se compreendam e a ridícula e inoportuna insistência do Ministro das Obras Públicas na extravagância do TGV cujo contrato de adjudicação o Tribunal de Contas questionou.
Além disso, a notícia da criação de um organismo, mais um, para controlar as “grandes obras públicas” que a nossa capacidade financeira não comporta e as ruinosas “parcerias público-privadas” que deveriam ser eliminadas ou profundamente corrigidas, soa a irresponsabilidade difícil de aceitar.
Faleceu há poucos dias Errnâni Lopes que, em outros tempos de quase “bancarrota”, foi chamado para gerir as finanças nacionais que recuperou com a ajuda do FMI. Não há muito tempo, ele que conhecia bem as nossas forças e fraquezas considerou Portugal um país em risco de definhar.
Porém, o governo tem dificuldade em conter a sua ânsia de euforia como a demonstrada pelos “grandes feitos” que encheram o país de auto-estradas, de urbanizações e de edificações que ultrapassaram as necessidades, pelos negócios ruinosos em parcerias que apenas foram boas para os seus parceiros, pelo consumo desenfreado que nos tornou esbanjadores, sem cuidar de prevenir as dificuldades que o amanhã poderia trazer.
Sucessivos desvarios de quem governa mas que encantaram muitos eleitores e as “oposições” não tiveram competência para denunciar e travar, são a causa das desventuras que vivemos. Agora, quando a poupança seria útil, apenas há uma dívida monstruosa que obriga, num gesto cada vez mais oneroso, a estender a mão aos agiotas que vão cobrando mais e mais, porque às “cigarras” não se ajuda. Cantaram? Dancem agora!
Por isso, não será 2011 um ano fácil para a maioria de nós mas, se Deus quiser, superá-lo-emos com a força daqueles para quem as dificuldades são estímulos, como outrora o foram.
Um Ano Novo venturoso para todos, são os meus votos.
Rui de Carvalho
Lisboa 9 Dezembro 2010
Publicado no Notícias de Manteigas de Janeiro 2011