ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

CADA PAÍS TEM O CARVALHO DA SILVA E A COMUNICAÇÃO SOCIAL QUE MERECE!

Num momento em que Portugal necessita de paz e do empenhamento de todos como uma maioria de cerca de 80% dos votantes reconheceu, mal terminou a discussão do programa do governo na AR, logo apareceu Carvalho da Silva a prometer a agitação de que o país não necessita nestes tempos de recuperação das exauridas finanças nacionais.
Em nome de uma luta anti-liberal que o defunto comunismo também travou sem sucesso, promete uma “aliança” para o protesto. Parece agradar-lhe a barafunda do que se passa na Grécia que os barões sindicalistas começaram e agora está completamente descontrolada e à mercê dos caprichos de todos os anti-sociais para quem a insegurança é o ambiente preferido.
Não demonstra inteligência quem antes de ver, na realidade, o que pode resultar de uma nova forma de governar se propõe, desde logo, incitar à luta que a contrarie. Antes revela a prosápia estúpida de quem se julga dono da verdade.
Eu prefiro, na dúvida, manter a esperança de que possamos evitar males maiores que os disparates de uma "vida de lorde" despropositada ainda nos possa trazer.
Mas enfim... cada país tem o Carvalho da Silva que merece!
Mas também a comunicação social, depois de tantas vezes ter ouvido que a sobretaxa no subsídio de Natal apenas seria aplicada ao excesso sobre o rendimento mínimo, o que exclui cerca de 30% dos contribuintes, insiste em publicar apenas que será de 50% do subsídio.
Também, numa atitude de jornalismo oportunista, tinha já preparadas imagens de arquivo que confrontaram a atitude de decidir aquele agravamento com declarações anteriores de não pensar faze-lo, sem referir que foi ditado por factos graves de derrapagem do défice público que antes não poderia prever.
Também cada país tem a comunicação social que merece!
Será disto, será de brigas, de excessos ou de exibicionismos cínicos que Portugal necessita agora?

terça-feira, 28 de junho de 2011

JUSTIÇA PORTUGUESA MERECE O GUINESS! PELAS PIORES RAZÕES, OBVIAMENTE!

Pelo que acabo de ver numa reportagem televisiva, os trabalhadores da empresa Amadeu Gaudêncio, falida há 18 anos, esperam ainda para receber as indemnizações a que têm direito e para as quais os valores à guarda do Tribunal, cerca de 12 milhões de euros, são mais do dobro do que lhes é devido!
Inqueridos, os trabalhadores queixam-se das dificuldades inutilmente sentidas pelos atrasos sucessivos no pagamento do que lhes é reconhecido como devido, causados por pormenores burocráticos irrisórios de um papel que falta ou até de algum que sobeja!
Não faz qualquer sentido que coisas destas se passem nem, sequer, se compreende como as pessoas que cuidam deste processo, o administrador da falência ou os tribunais, sejam tão insensíveis aos problemas que a sua negligência causa aos lesados num acto de falência para o qual não contribuíram.
Não será, não é com certeza, caso único este dos trabalhadores da Amadeu Gaudêncio, uma empresa que ainda conheci nos seus tempos de intensa actividade, sendo numerosas as famílias que sofrem penúrias porque procedimentos judiciais excessivamente burocráticos e indiferentes a tais problemas humanos não procedem como as circunstâncias o exigiriam num país onde as pessoas fossem o mais importante!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

FUTUROLOGIA EM TEMPO DE VACAS MAGRAS

(Este texto foi publicado no Notícias de Manteigas de Junho 2011)
Desde todo o sempre que o Homem deseja conhecer o seu futuro, a sua “sorte”. Procura nos astros, nos sonhos, nos búzios ou nas pedras, nas cartas, na palma da mão...
Astrólogos e cartomantes pretendem ter desenvolvido conhecimentos que lhes permitem predize-lo. Os videntes terão nascido já com esse dom.
São muitas as histórias de reis, de imperadores e de generais que, na Antiguidade, consultavam intérpretes de sonhos e de outros sinais, sem cujo aviso não tomavam decisões importantes.
Dentre todas, é bem conhecida a de José, um judeu que, perante a incapacidade dos intérpretes egípcios, é levado à presença do Faraó a quem diz que o sonho no qual sete vacas magras devoravam sete vacas gordas é premonitório de sete anos de fome que se seguirão a sete anos de fartura. Sensato, o Faraó mandou criar reservas para ultrapassar, sem graves danos, os tempos difíceis que mais tarde viriam.
Uma lição magnífica do Antigo Testamento em prol da atenção que a possibilidade de futuras dificuldades deve merecer. Uma lição desconhecida de muitos actuais responsáveis políticos que desacreditam os avisos de quem, analisando o presente e perscrutando o futuro, aponta os riscos que se correm e recomenda a prudência e as soluções que as circunstâncias justifiquem. É a função dos futurólogos que, sem dons divinatórios ou procedimentos cabalísticos, utilizam sensibilidades e, mesmo até, modelos matemáticos onde a aplicação dos conhecimentos que possuem das coisas e dos seus efeitos lhes permitem antecipar as possíveis consequências no futuro, de atitudes, de decisões ou de circunstâncias no presente. Seriam eles os modernos intérpretes dos sinais dos tempos que os governantes deveriam escutar antes de decisões com reflexos importantes nos tempos que virão.
É um bom exemplo o “Relatório do Clube de Roma” que em diversas circunstâncias aqui já referi. Mostrou os riscos de procedimentos excessivos, mas foi ignorado e até considerado injustificadamente alarmista, decerto por afectar interesses aos quais a verdade não convinha.
Infelizmente, sentimos na pele como a falta dos cuidados e da sensatez que acautelam o futuro são causa de dolorosos dissabores.
Não imagino, neste momento em que escrevo, quais terão sido os resultados das eleições legislativas que, quando for lido, todos já conhecerão. Por isso, não sei agora, nem mesmo então saberei, qual será o futuro deste país que se deixou cair tão baixo. Não sou vidente, astrólogo ou cartomante para ter a pretensão de o poder prever, como não sou um futurólogo que o possa, cientificamente, analisar.
Restar-me-á o bom senso e a experiência de vida que me mostra a necessidade de muitas mudanças nos procedimentos e nas mentalidades para que, de novo com a atitude certa perante a realidade e a Natureza, podermos superar os males que nos afectam.
Não há poderes ocultos, magias ou “milagres” que anulem os males causados pelos erros que cometemos ou façam por nós o que deveríamos ter feito para os evitar. Não há “reza” que desfaça o quebranto que em nós próprios provocarmos porque seremos, sempre, responsáveis pelas atitudes que nenhuma sina nos impõe.
Porque a vida não é um fado, o futuro não é uma predestinação, o alinhamento dos astros e os caprichos de cartas e de búzios não são o que determina o que somos, seremos ou como vamos viver, resta a condenação de “comer o pão amassado com o suor do rosto” como princípio inspirador de conduta da qual, para além do que é próprio da Natureza, depende alcançar ou ser o que se deseja.
Em conclusão, neste tempo de vacas magras cuja dureza não se evitou, um só futuro é possível de prever: com dor pagaremos as dívidas que fizemos e apenas o que com trabalho produzirmos poderemos consumir!
Rui de Carvalho
18 Maio 2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A PRIMEIRA LIÇÃO

Cedo se percebeu que Fernando Nobre não havia sido uma boa escolha de Passos Coelho.
Não era este o lugar de quem se candidatou à Presidência da República como um político independente e crítico de um “regime” que não aprecia.
Depois da vitória de Passos Coelho sem maioria absoluta, tornou-se problemática a candidatura de Nobre já que, para além de uma aceitação parcimoniosa do próprio PSD, não colhia a simpatia de qualquer dos demais partidos, incluindo do próprio CDS, parceiro que permite a maioria do governo.
Não me surpreendeu a derrota de Fernando Nobre na primeira volta, mas surpreedeu-me que não tenha desistido da segunda pois que, só muito dificilmente, também desta vez seria eleito.
Entende-se a posição de Passos Coelho que, defensor de uma política baseada em princípios de verdade, manteve o seu compromisso e admito, até, que já esperasse este desfecho depois da sua não inclusão no acordo com o CDS. Mas talvez esperasse que o conhecido presidente da AMI tivesse discernimento bastante para entender que a vitória não estaria ao seu alcance. Desistir e libertar Passos Coelho do seu compromisso seria uma atitude que lhe preservaria algum prestígio. Não o ter feito correspondeu, decerto, a uma grave derrota política pessoal que a desistência da terceira volta e, até, a sua continuação como deputado, não alivia.
Quanto a Passos Coelho, teve a sua primeira derrota depois das eleições e colhe a sua primeira lição pois ficou a saber que, em política, os erros sempre se pagam!
Não me parece que Passos Coelho tenha sofrido uma derrota que tenha repercussões no futuro se, como espero, apresentar agora um candidato alternativo que a AR aceite.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

FERNANDO NOBRE DEVERIA DESISTIR DA PRESIDÊNCIA DA AR

Pesem, embora, todos os méritos que tem, Fernando Nobre não seria, em meu juízo, um bom candidato a Presidente da Assembleia da República, um cargo que exige uma experiência que ele não tem porque se ganha na actividade parlamentar que ele nunca teve.
Sem surpresa, o CDS não se comprometeu com a promessa de Passos Coelho e o PS, naturalmente, não o apoiará, também.
Nestas condições, Fernando Nobre não terá grandes hipóteses de ser eleito, para não dizer que as não tem de todo.
Nestas condições, Passos Coelho iniciará o seu mandato com uma mais do que provável derrota do seu candidato, o que apenas Fernando Nobre poderá evitar desistindo de uma candidatura que, sem fazer sentido, não será, garantidamente, bem sucedida.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

MAGISTRADOS

Não se pede a um pedreiro que seja bom cantor, nem a um alfaiate que seja um grande artista plástico, mas que um magistrado seja íntegro e sério é coisa que nem faz sentido pensar que não seja!
Por isso, uma notícia como a que, desde ontem, a comunicação social não se cansa de revelar, é de espantar: futuros magistrados copiam em exame e, mesmo assim, são classificados com 10 valores, o bastante para prosseguirem na carreira.
E se isto se passa no Centro de Estudos Judiciários, sendo as fraudes praticadas por futuros magistrados e sancionada pelos magistrados que os escolhem... o caso dá que pensar.
Há muito que a Justiça portuguesa se arrasta pelas ruas da amargura, criticada pelos seus atrasos e, não raras vezes, pelas decisões que toma!
Agora, depois deste episódio de copianço, talvez se entenda melhor o porque de, para além do que seja causado por falta de juízes, por excesso de processos, por falta de condições (ninguém acha que tem as que necessita...) e pela necessidade de reestruturação, as coisas andarem tão mal...

MAIORIA PARA A MUDANÇA!

Ficou, finalmente, constituída uma maioria que se propõe mudar Portugal.
Sem me deter em pormenores ideológicos, àcerca do que muito teria para dizer, mudança essencial será dar à política uma transparência que contraste com a forte opacidade que um conjunto de políticos, estranhos como o pós 25 de Abril nunca antes vira, lhe conferiu.
Honestamente, diversos episódios que a comunicação social relatou ao longo dos últimos anos do governo de Sócrates fizeram-me lembrar velhos tempos em que havia uma “verdade” e tudo o mais era “contra a nação”.
Sinceramente, temo que sérios disparates possam perturbar a paz e a cooperação de que o país precisa para levar de vencida as dificuldades. Mas espero que assim não suceda porque a Grécia é a perspectiva horrenda de um futuro agitado e com dificuldades que nenhum português sensato deseja.
Mentirosos, prepotentes, malhadores e ressabiados, há-os muitos por aí. Arranjaram e arranjam as mais estafadas desculpas para as burradas feitas, deram e dão as mais confusas explicações para inexplicáveis atitudes, encobriram e tentam continuar a encobrir decisões e situações gravíssimas com optimismos sem sentido que todas as revelações já denunciaram.
Portugal precisa, para além da maioria do governo, de uma maioria sólida em que o PS deverá participar sem reservas, nem sequer aquelas que, mais do que nas entrelinhas, alguns “socráticos” vão antecipando.
Quanto às demais propostas, para as quais renegar as dívidas contraídas seria a solução, apenas fariam algum sentido em países como Cuba ou Coreia do Norte, já que nos mentores da economia de Estado, a desintegração do regime ou a sua adaptação a economias abertas foi a consequência de uma filosofia de vida sem futuro que, decerto, não desejamos.
Felizmente, a maioria sensata do PS foi capaz de travar uma atitude sem sentido com que a “parte derrotada” pretendia atrasar um processo de recuperação que se pretende e necessita célere.
Para bem de Portugal, espero que seja capaz de regressar o PS sensato de que o país necessita.