A propósito de grandes números, pela primeira vez me senti seguro do que lia. Foi a propósito de uma notícia sobre a monstruosa dívida pública norte-americana que se lê em “biliões”. Mas de que “biliões” se trata?
O próprio autor do texto teve o cuidado de esclarecer o que dizia ao falar de biliões, colocando entre parêntesis “milhão de milhões”.
Pois é, em Portugal e nos restantes países de língua portuguesa, com excepção do Brasil, é a chamada “escala longa” que se adopta. Assim e segundo a norma portuguesa, a seguir aos milhares vêm os milhões a que se seguem os milhares de milhões, os biliões, os milhares de biliões, etc…
Nos Estados Unidos e na Inglaterra é como no Brasil onde aos milhões se seguem os biliões, depois os triliões, etc. Isto significa que um bilião nos Estados Unidos e no Brasil são um milhar de milhões em Portugal.
Como a confusão, a havê-la, conduz a enormíssimas diferenças, era bom que todos conhecêssemos a norma portuguesa e a adoptássemos, para sabermos do que falamos. É para isso que servem as normas que também falam da vírgula que muitos substituem por ponto!
Sobretudo os especialistas em finanças e os jornalistas da “bolsa” que falam “portinglês” preferem dizer “dois ponto oito” - que não significa nada - porque não será de bom tom dizer “dois vírgula oito” que talvez julguem demasiado saloio. O mesmo que talvez pensem quando utilizam diversas outras expressões inglesas que têm perfeitas correspondências em português mas que nunca utilizam. Talvez seja um modo de parecer que sabem qualquer coisa que eu, como qualquer português vulgar, não sei…
Não raramente se vêm pessoas de grande responsabilidade social, figuras públicas com funções de elevada responsabilidade cometerem esses erros que considero grosseiros mas que talvez sejam “finos”!!!
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quinta-feira, 28 de julho de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
EXTRAS FOR THE MASTERS
Todos nos lembramos daquela vitória do PS em cujas comemorações a tónica foi “jobs for the boys”.
De facto, o que depois se passou foi um “fartar vilanagem” com lugares e lugares à medida de “manadas” – ou será melhor chamar-lhes “varas” – de “boys” que, sem outras qualificações do que as da “militância”, viram as suas carreiras lançadas, sem obstáculos, no caminho do sucesso financeiro.
Foi então que o país abriu os olhos para os clientelismos alternativos que a nossa democracia gerou e para o modo como os “fiéis” eram recompensados pelo entusiasmo oco, sem qualquer ideologia ou devoção, com que apoiam este ou aquele partido. E não pareceu importar-se com este fenómeno que atingiu o seu máximo nos últimos anos!
Também noutros tempos era assim. Tenho a certeza disso pelos convites que recebi e não aceitei, um dos quais de um querido amigo que Deus já lá tem e, por mais de uma vez, me disse assim: “eu sei que não vais aceitar, mas se quisesses…”.
Mas tempos houve, também, em que assim não era. Depois de todo o tempo em que, com todo o mérito, desempenhou as funções que o Primeiro-Ministro, seu tio, lhe cometeu, a minha mulher viu terminar as suas funções sem que lugar algum tivesse na função pública!
Quando me lembro de quanto tive de batalhar para poder ombrear com os “boys” do meu tempo – alguns o foram deste tempo também - avalio bem a raiva que pode sentir quem, sem razão que o justifique, se veja preterido por “figuras” que os “nomes” ou as “amizades” privilegiam para entrar no “clube dos iluminados”, aqueles que, supostamente, são os únicos capazes de coisas de que ninguém mais o é.
Portugal é um país pequeno em território mas com uma alma imensa que os governantes parecem desconhecer. Por esse mundo fora, quantos portugueses se distinguem nas mais diferentes áreas das artes, do comércio, da indústria ou da ciência? Quantos, que a maioria de nós desconhece, são admirados e respeitados pela sua competência e pelo seu saber por esse mundo fora? Muitos, muitos mais do que possamos pensar. Por isso saíram desta ”aldeia” onde “santos da terra não fazem milagres”.
Só aqui neste cantinho parece terem ficado não mais do que uns poucos, porque ou são sempre os mesmos a serem escolhidos ou é gente já bem instalada que ocupa lugares que muitos outros com igual competência (pelo menos) poderiam ocupar e sem o fazerem no “part-time” e com os laços de interesses venais com que alguns os vão ocupar.
Depois de se dar a entender que os “jobs for the boys” eram coisa de um passado para não repetir, eis que aparecem, sempre pelas mesmas vias, mais uns quantos que podem acrescentar, aos bons rendimentos que já têm e às influências que detêm, os bons salários que a Caixa Geral de Depósitos lhes pagará para serem administradores não executivos. Em tempo parcial, obviamente!
Seria preciso muito cuidado com o que se faz num país onde a maioria da população sofre tormentos para sobreviver. É desumano confrontar tantos desempregados com as acumulações de salários principescos que alguns auferirão por participações mitigadas em tarefas a que outros, tão bem quanto eles ou ainda melhor, poderiam dedicar-se a tempo inteiro.
Estas nomeações de administradores da Caixa Geral de Depósitos poderão não ser “jobs for the boys” mas não deixarão de ser “extras for the masters”!
De facto, o que depois se passou foi um “fartar vilanagem” com lugares e lugares à medida de “manadas” – ou será melhor chamar-lhes “varas” – de “boys” que, sem outras qualificações do que as da “militância”, viram as suas carreiras lançadas, sem obstáculos, no caminho do sucesso financeiro.
Foi então que o país abriu os olhos para os clientelismos alternativos que a nossa democracia gerou e para o modo como os “fiéis” eram recompensados pelo entusiasmo oco, sem qualquer ideologia ou devoção, com que apoiam este ou aquele partido. E não pareceu importar-se com este fenómeno que atingiu o seu máximo nos últimos anos!
Também noutros tempos era assim. Tenho a certeza disso pelos convites que recebi e não aceitei, um dos quais de um querido amigo que Deus já lá tem e, por mais de uma vez, me disse assim: “eu sei que não vais aceitar, mas se quisesses…”.
Mas tempos houve, também, em que assim não era. Depois de todo o tempo em que, com todo o mérito, desempenhou as funções que o Primeiro-Ministro, seu tio, lhe cometeu, a minha mulher viu terminar as suas funções sem que lugar algum tivesse na função pública!
Quando me lembro de quanto tive de batalhar para poder ombrear com os “boys” do meu tempo – alguns o foram deste tempo também - avalio bem a raiva que pode sentir quem, sem razão que o justifique, se veja preterido por “figuras” que os “nomes” ou as “amizades” privilegiam para entrar no “clube dos iluminados”, aqueles que, supostamente, são os únicos capazes de coisas de que ninguém mais o é.
Portugal é um país pequeno em território mas com uma alma imensa que os governantes parecem desconhecer. Por esse mundo fora, quantos portugueses se distinguem nas mais diferentes áreas das artes, do comércio, da indústria ou da ciência? Quantos, que a maioria de nós desconhece, são admirados e respeitados pela sua competência e pelo seu saber por esse mundo fora? Muitos, muitos mais do que possamos pensar. Por isso saíram desta ”aldeia” onde “santos da terra não fazem milagres”.
Só aqui neste cantinho parece terem ficado não mais do que uns poucos, porque ou são sempre os mesmos a serem escolhidos ou é gente já bem instalada que ocupa lugares que muitos outros com igual competência (pelo menos) poderiam ocupar e sem o fazerem no “part-time” e com os laços de interesses venais com que alguns os vão ocupar.
Depois de se dar a entender que os “jobs for the boys” eram coisa de um passado para não repetir, eis que aparecem, sempre pelas mesmas vias, mais uns quantos que podem acrescentar, aos bons rendimentos que já têm e às influências que detêm, os bons salários que a Caixa Geral de Depósitos lhes pagará para serem administradores não executivos. Em tempo parcial, obviamente!
Seria preciso muito cuidado com o que se faz num país onde a maioria da população sofre tormentos para sobreviver. É desumano confrontar tantos desempregados com as acumulações de salários principescos que alguns auferirão por participações mitigadas em tarefas a que outros, tão bem quanto eles ou ainda melhor, poderiam dedicar-se a tempo inteiro.
Estas nomeações de administradores da Caixa Geral de Depósitos poderão não ser “jobs for the boys” mas não deixarão de ser “extras for the masters”!
sexta-feira, 22 de julho de 2011
ELEMENTAR MEU CARO KRUGMAN!
Há, francamente, coisas que me surpreendem.
Acabo de ler que um economista “laureado com o Prémio Nobel da Economia”, Paul Krugman, escreve no “The New York Times” que a “engenharia financeira” que a Cimeira de Bruxelas acaba de definir não é “convincente” porque “…então o que se passa é que vamos exigir uma forte austeridade nos países que se deparam com uma crise da dívida; e no entretanto, vamos ter austeridade também nos países que não têm crise da dívida. Além disso, o Banco Central Europeu está a subir os juros. Assim sendo... a procura irá diminuir nos dois tipos de economias: as que estão actualmente a braços com uma crise e as que não estão”.
Krugman baseia a sua convicção numa comparação com o que sucedeu em 1937 e ele chama o “grande erro da Reserva Federal norte-americana e da Administração Roosevelt”.
Eu que, tal como Jesus Cristo, não estudei economia, não vejo, apesar disso, como alguém inteligente – ou não teria sido distinguido com o Prémio Nobel – compara o que não é comparável!
Uma situação com quase infinitos graus de liberdade, como a de 1937, porque não havia constrangimentos materiais, ambientais, climáticos ou outros que impedissem o crescimento económico, pelo que a contenção não parecia fazer sentido, não pode comparar-se com a que agora acontece e impõe uma austeridade que não é ditada por qualquer engenharia financeira mas pelas circunstâncias de exiguidade, de degradação ambiental e outras que travam o que, ingenuamente, os economistas pensam poder crescer indefinidamente.
Por isso, o que parece engenharia financeira não passa de medidas desesperadas que tentam salvar a “economia” do triste fim que a Natureza lhe impõe: o fim do crescimento!
Nada pode crescer indefinidamente num meio finito. Elementar meu caro Krugman!
Acabo de ler que um economista “laureado com o Prémio Nobel da Economia”, Paul Krugman, escreve no “The New York Times” que a “engenharia financeira” que a Cimeira de Bruxelas acaba de definir não é “convincente” porque “…então o que se passa é que vamos exigir uma forte austeridade nos países que se deparam com uma crise da dívida; e no entretanto, vamos ter austeridade também nos países que não têm crise da dívida. Além disso, o Banco Central Europeu está a subir os juros. Assim sendo... a procura irá diminuir nos dois tipos de economias: as que estão actualmente a braços com uma crise e as que não estão”.
Krugman baseia a sua convicção numa comparação com o que sucedeu em 1937 e ele chama o “grande erro da Reserva Federal norte-americana e da Administração Roosevelt”.
Eu que, tal como Jesus Cristo, não estudei economia, não vejo, apesar disso, como alguém inteligente – ou não teria sido distinguido com o Prémio Nobel – compara o que não é comparável!
Uma situação com quase infinitos graus de liberdade, como a de 1937, porque não havia constrangimentos materiais, ambientais, climáticos ou outros que impedissem o crescimento económico, pelo que a contenção não parecia fazer sentido, não pode comparar-se com a que agora acontece e impõe uma austeridade que não é ditada por qualquer engenharia financeira mas pelas circunstâncias de exiguidade, de degradação ambiental e outras que travam o que, ingenuamente, os economistas pensam poder crescer indefinidamente.
Por isso, o que parece engenharia financeira não passa de medidas desesperadas que tentam salvar a “economia” do triste fim que a Natureza lhe impõe: o fim do crescimento!
Nada pode crescer indefinidamente num meio finito. Elementar meu caro Krugman!
quarta-feira, 20 de julho de 2011
O RUMO CERTO?
Num mundo instável, onde levantamentos populares fazem cair regimes, radicalismos se instalam aqui e ali e dificuldades que parecem não ter fim vão enfraquecendo países fortes, sobejam as confusões e as incertezas que, não raras vezes, desvalorizam o que se tinha por garantido, tornando difícil decidir o que fazer para cuidar do dia de amanhã. Não é tranquilo viver em condições como estas em que tanta gente se sente desnorteada, não faz ideia do que vai acontecer, teme pelo seu futuro e pouco ou nada confia nas instituições que a deveriam proteger. Se, para além de tudo isso, as circunstâncias impõem sacrifícios não fáceis de suportar, nasce o desespero, instala-se a revolta, tenta-se aliviar a dor em gritos de protesto! Surgem as tensões e os desentendimentos que tantas vezes justificam dizer “casa onde não há pão, todos ralham mas ninguém tem razão”.
Esta será, se a não evitarmos, a mais grave das consequências de uma situação em que as dificuldades já são muitas e apenas possíveis de superar com o empenhamento de todos.
Mas sempre haverá quem se não conforme com as perdas que sofreu, com os ganhos que não conseguiu ou, mesmo, quem não consiga libertar-se de fundamentalismos tacanhos que tolhem o entendimento e se aproveitam das fragilidades sociais para incitar a perturbações que melhores resultados não terão do que mais complicar coisas já difíceis.
Tudo é feito em nome da liberdade democrática cujas virtudes se exaltam. Porém, na hora de aceitar as soluções que a maioria escolheu e quando cooperar e não comprometer a recuperação do país é a atitude que permite encontrar as melhores soluções de que a democracia é capaz, a ambição e as lutas políticas podem acirrar-se, comprometendo esforços e tornando ainda maiores os sacrifícios que para muitos já são demais.
É para evitar tais desmandos e tornar tão curto quanto possível o tempo de privação que o civismo e a solidariedade são o que mais pode ajudar. Porém, dispensáveis na vida descuidada a que durante tempo demais nos habituámos, são virtudes quase ausentes porque pouco cultivadas.
O que se passa na Grécia não é, por certo, modelo que nos possa seduzir. Para trilhar melhores caminhos Portugal precisa de um governo forte mas, sobretudo, precisa de um povo determinado a mostrar as razões pelas quais o seu país tem quase mil anos de História.
Não se trata de revivalismo caduco de uma grandeza que já não temos, mas de recuperação da dignidade perdida em ilusões de grandeza que a nossa actual condição não consente.
Aos que afirmam que o programa do novo governo não é mais do que o acordo assinado com a “troika”, os riscos que o FMI refere quando diz “mesmo que o ajustamento doméstico seja feito segundo os compromissos assumidos ao abrigo do programa, pode haver repercussões decorrentes de agravamento de problemas no resto da periferia” mostram que o não pode ser. Para além da execução das “medidas” que o acordo impõe em contrapartida do apoio financeiro concedido, será necessário muito trabalho para minorar os efeitos negativos que delas podem resultar e, também, para dar dimensão social e tornar economicamente eficazes as reformas que terão de ser feitas.
O acordo com o FMI está, pois, muito longe de ser um programa de governo e as próprias “medidas” impostas não serão bastantes para reerguer o país que se deixou resvalar para uma situação de dependência humilhante, da qual só poderá sair com uma dignidade que reponha os seus créditos de país quase milenário.
O FMI alertou, também, para a “substancial consolidação orçamental” e para a “reforma estrutural” acordadas que requerem, para além de um crescimento económico capaz de sustentar a despesa pública, um “consenso continuado” que evite as crises sociais e a instabilidade política que tendem a acontecer em momentos como o que vivemos.
Acrescente-se a tudo isto uma nova mentalidade de produção e de consumo, inteligente, controlada e sem desperdícios, que permita um melhor aproveitamento dos meios e das potencialidades, do que não resultará uma redução da qualidade de vida porque não afectará mais do que o consumo excessivo e sumptuário, enquanto poupará recursos e permitirá constituir as reservas que protegerão de novas e inevitáveis crises.
Não creio que, por melhor que as coisas corram, seja alcançado o bem-estar a que muitos se julgam com direito sem ter o dever de para ele contribuir. Desta vez o esforço terá de ser de todos, sem falsos direitos, porque a alternativa a abdicar de alguns poderá ser perde-los todos!
O futuro é incerto, complicado e tem de ser conquistado dia a dia, num constante esforço de atenção pelas mudanças que são próprias da vida, no respeito pela dignidade humana, numa continuidade em que os excessos, mais cedo ou mais tarde, serão causa de penosas rupturas como esta que tanto ainda nos vai fazer sofrer.
Porém, esta é uma etapa que a incompetência de um governo e os “descuidos” de um povo tornou inevitável, a de mobilizar, de novo, todos os portugueses, reaproveitar os recursos desprezados, organizar e limpar a casa para, depois, escolher um novo rumo. O rumo certo?
Rui de Carvalho
Lisboa 18 Junho 2011
PUBLICADO NO NÚMERO DE JULHO DO NOTÍCIAS DE MANTEIGAS
Esta será, se a não evitarmos, a mais grave das consequências de uma situação em que as dificuldades já são muitas e apenas possíveis de superar com o empenhamento de todos.
Mas sempre haverá quem se não conforme com as perdas que sofreu, com os ganhos que não conseguiu ou, mesmo, quem não consiga libertar-se de fundamentalismos tacanhos que tolhem o entendimento e se aproveitam das fragilidades sociais para incitar a perturbações que melhores resultados não terão do que mais complicar coisas já difíceis.
Tudo é feito em nome da liberdade democrática cujas virtudes se exaltam. Porém, na hora de aceitar as soluções que a maioria escolheu e quando cooperar e não comprometer a recuperação do país é a atitude que permite encontrar as melhores soluções de que a democracia é capaz, a ambição e as lutas políticas podem acirrar-se, comprometendo esforços e tornando ainda maiores os sacrifícios que para muitos já são demais.
É para evitar tais desmandos e tornar tão curto quanto possível o tempo de privação que o civismo e a solidariedade são o que mais pode ajudar. Porém, dispensáveis na vida descuidada a que durante tempo demais nos habituámos, são virtudes quase ausentes porque pouco cultivadas.
O que se passa na Grécia não é, por certo, modelo que nos possa seduzir. Para trilhar melhores caminhos Portugal precisa de um governo forte mas, sobretudo, precisa de um povo determinado a mostrar as razões pelas quais o seu país tem quase mil anos de História.
Não se trata de revivalismo caduco de uma grandeza que já não temos, mas de recuperação da dignidade perdida em ilusões de grandeza que a nossa actual condição não consente.
Aos que afirmam que o programa do novo governo não é mais do que o acordo assinado com a “troika”, os riscos que o FMI refere quando diz “mesmo que o ajustamento doméstico seja feito segundo os compromissos assumidos ao abrigo do programa, pode haver repercussões decorrentes de agravamento de problemas no resto da periferia” mostram que o não pode ser. Para além da execução das “medidas” que o acordo impõe em contrapartida do apoio financeiro concedido, será necessário muito trabalho para minorar os efeitos negativos que delas podem resultar e, também, para dar dimensão social e tornar economicamente eficazes as reformas que terão de ser feitas.
O acordo com o FMI está, pois, muito longe de ser um programa de governo e as próprias “medidas” impostas não serão bastantes para reerguer o país que se deixou resvalar para uma situação de dependência humilhante, da qual só poderá sair com uma dignidade que reponha os seus créditos de país quase milenário.
O FMI alertou, também, para a “substancial consolidação orçamental” e para a “reforma estrutural” acordadas que requerem, para além de um crescimento económico capaz de sustentar a despesa pública, um “consenso continuado” que evite as crises sociais e a instabilidade política que tendem a acontecer em momentos como o que vivemos.
Acrescente-se a tudo isto uma nova mentalidade de produção e de consumo, inteligente, controlada e sem desperdícios, que permita um melhor aproveitamento dos meios e das potencialidades, do que não resultará uma redução da qualidade de vida porque não afectará mais do que o consumo excessivo e sumptuário, enquanto poupará recursos e permitirá constituir as reservas que protegerão de novas e inevitáveis crises.
Não creio que, por melhor que as coisas corram, seja alcançado o bem-estar a que muitos se julgam com direito sem ter o dever de para ele contribuir. Desta vez o esforço terá de ser de todos, sem falsos direitos, porque a alternativa a abdicar de alguns poderá ser perde-los todos!
O futuro é incerto, complicado e tem de ser conquistado dia a dia, num constante esforço de atenção pelas mudanças que são próprias da vida, no respeito pela dignidade humana, numa continuidade em que os excessos, mais cedo ou mais tarde, serão causa de penosas rupturas como esta que tanto ainda nos vai fazer sofrer.
Porém, esta é uma etapa que a incompetência de um governo e os “descuidos” de um povo tornou inevitável, a de mobilizar, de novo, todos os portugueses, reaproveitar os recursos desprezados, organizar e limpar a casa para, depois, escolher um novo rumo. O rumo certo?
Rui de Carvalho
Lisboa 18 Junho 2011
PUBLICADO NO NÚMERO DE JULHO DO NOTÍCIAS DE MANTEIGAS
IRÁ A EUROPA, DE NOVO, CAIR NA ESTUPIDEZ DE UMA GUERRA?
“A crise da dívida soberana europeia, o défice norte-americano e a inflação nos países emergentes são os principais factores que desencadearam o caos nos mercados nos últimos meses…”
É assim que o DN Economia justifica a situação de total descontrolo das finanças mundiais.
Também, nas alternativas para a Cimeira Europeia que a Srª Merkel, uma vez mais, dominará, não encontro uma que seja capaz de tirar a Europa das dificuldades em que se encontra, antes me parecendo que delas resultará um “novo isolacionismo alemão” como os que ditaram outras guerras que a soberba Alemanha impôs à descuidada Europa!
Não me parece, de todo, que nos possamos sentir tranquilos com o modo como as coisas decorrem.
A Europa está cada vez mais dividida, enquanto no resto do mundo tudo parece concorrer para uma situação de tamanha instabilidade que pode gerar o furacão do século!
Ainda não encontrei, no mercado nacional, o livro “The end of the growth” que me apetece ler o mais rápido que puder, para poder confrontar o que diga o seu autor com tanta coisa que eu tenho dito, nesta certeza cada vez maior de estarmos a assistir ao estertor de um tipo de vida impossível de manter!
Não serão, porém, as oposições conhecidas – o PCP e o BE – que têm a solução para este problema que extravasa as baias do seu “marxismo” e, por isso, não conseguem enxergar!
É preciso pensar muito para além da crise, muito fora dos princípios desta “economia” que instalou o caos, se pretendermos uma solução, porque ela apenas se encontrará num outro modo de viver, com outra escala de valores, com outro modo de pensar.
Até lá, a Europa e o mundo, correrão os riscos que nem imagino quais serão.
É assim que o DN Economia justifica a situação de total descontrolo das finanças mundiais.
Também, nas alternativas para a Cimeira Europeia que a Srª Merkel, uma vez mais, dominará, não encontro uma que seja capaz de tirar a Europa das dificuldades em que se encontra, antes me parecendo que delas resultará um “novo isolacionismo alemão” como os que ditaram outras guerras que a soberba Alemanha impôs à descuidada Europa!
Não me parece, de todo, que nos possamos sentir tranquilos com o modo como as coisas decorrem.
A Europa está cada vez mais dividida, enquanto no resto do mundo tudo parece concorrer para uma situação de tamanha instabilidade que pode gerar o furacão do século!
Ainda não encontrei, no mercado nacional, o livro “The end of the growth” que me apetece ler o mais rápido que puder, para poder confrontar o que diga o seu autor com tanta coisa que eu tenho dito, nesta certeza cada vez maior de estarmos a assistir ao estertor de um tipo de vida impossível de manter!
Não serão, porém, as oposições conhecidas – o PCP e o BE – que têm a solução para este problema que extravasa as baias do seu “marxismo” e, por isso, não conseguem enxergar!
É preciso pensar muito para além da crise, muito fora dos princípios desta “economia” que instalou o caos, se pretendermos uma solução, porque ela apenas se encontrará num outro modo de viver, com outra escala de valores, com outro modo de pensar.
Até lá, a Europa e o mundo, correrão os riscos que nem imagino quais serão.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
SERÁ ESTE UM MUNDO FELIZ?
Talvez com excepção da Alemanha que, embora sendo o maior contribuinte líquido dos fundos de apoio comunitário é o que mais proveitos tira da “comunidade”, todos os chamados países “desenvolvidos” da União Europeia estão com problemas de dívida soberana. Até os Estados Unidos, a maior economia do mundo, têm uma dívida monstruosa que, a não ser aprovada a elevação do seu teto legal, poderá originar incumprimento. Em evidentes dificuldades, o presidente americano precisou de afirmar que os Estados Unidos não são a Grécia ou Portugal! Uma atitude ridícula de quem bem poderia tomar como referência países que conheça melhor como, por exemplo, o Quénia, ou, mesmo até, alguns Estados da Federação Americana que poderão estar pior do que os que desdenhou!
Em outros países, naqueles a que se tornou hábito chamar de grandes economias emergentes, com enormes saldos positivos acumulados, é a maioria da população, sem condições de vida satisfatórias e, muitas vezes, privada de direitos elementares quem suporta o “crescimento” que, já por aí se diz, não será tão forte como esperado.
Há, também, aqueles países onde a miséria e a fome tentam sobreviver, muitas vezes fugindo de bandidos que tudo põem a ferro e fogo, negando às populações o direito a, pelo menos, uma morte pacífica.
É mais ou menos isto que se passa num mundo onde uns gastam demais e outros, a maioria, pouco ou nada têm para comer!
Será feliz o futuro de um mundo onde as coisas são assim?
Não mostrarão estes indícios uma necessidade absoluta de mudar?
Em outros países, naqueles a que se tornou hábito chamar de grandes economias emergentes, com enormes saldos positivos acumulados, é a maioria da população, sem condições de vida satisfatórias e, muitas vezes, privada de direitos elementares quem suporta o “crescimento” que, já por aí se diz, não será tão forte como esperado.
Há, também, aqueles países onde a miséria e a fome tentam sobreviver, muitas vezes fugindo de bandidos que tudo põem a ferro e fogo, negando às populações o direito a, pelo menos, uma morte pacífica.
É mais ou menos isto que se passa num mundo onde uns gastam demais e outros, a maioria, pouco ou nada têm para comer!
Será feliz o futuro de um mundo onde as coisas são assim?
Não mostrarão estes indícios uma necessidade absoluta de mudar?
quinta-feira, 14 de julho de 2011
OU HÁ MORALIDADE OU...
Tanto se tem lido e ouvido sobre os gastos excessivos do Estado, desde alguns milhares até alguns ou muitos milhões que, todos juntos, fariam uma bela quantia.
Dirão os macro-economistas que, mesmo assim, não passam de amendoins sem valor perceptível nas grandes contas que o país tem de fazer.
Não me parece que seja tão pouco como eles querem fazer crer que seja porque, como ouvia dizer na minha terra e a matemática nunca o desmentiu, muitos poucos fazem muito, o que, junto com o dito “grão a grão enche a galinha o papo”, nos pode levar a quantias não desprezáveis numa pequena economia como é a nossa.
Para além de factos conhecidos de grandes frotas automóveis ao serviço de chefes, de directores e sabe-se lá mais de quem, haverá viagens a mais e outros desmandos que, quando não sentidos directamente no bolso, todos somos tentados a fazer.
Mas deixemos estes pormenores sem razão de ser como “eles” dizem para olharmos outro aspecto da questão.
Tornou-se evidente que muitos de nós já sentem enormes dificuldades enquanto outros, não tão poucos assim, passam, mesmo, privações e não vislumbram melhores dias. Pelo contrário, piores tempos se espera que venham e mais dificuldades nos farão a vida mais dura ainda.
Não seria, para além de um bom exemplo, uma consolação para os que sofrem ver que os que ganham muito para além do que um bom nível de vida exige também contribuíam, numa medida equivalente à que se aplica aos pequenos contribuintes, para o resgate de um país que também é seu? Ou não será?
Numa mensagem inesquecível, Cristo mediu esta "contribuição" não em função do que se dá mas do que fica. Mas essa é outra moral incompatível com o egoísmo de quem se crê superior...
Para além de tudo isto ainda há milhares de entidades que com mais nada contribuem para as “contas” do país do que com as enormes despesas que fazem. Ainda há gestores que se julgam insubstituíveis. Ainda há quem se considere melhor do que os outros.
Se o governo não puser, muito rapidamente, o dedo nesta ferida, não haverá como estancar a hemorragia nem explicar aos já milhões de portugueses que passam mal porque, em nome de Portugal, o hão-de continuar a passar!
Dirão os macro-economistas que, mesmo assim, não passam de amendoins sem valor perceptível nas grandes contas que o país tem de fazer.
Não me parece que seja tão pouco como eles querem fazer crer que seja porque, como ouvia dizer na minha terra e a matemática nunca o desmentiu, muitos poucos fazem muito, o que, junto com o dito “grão a grão enche a galinha o papo”, nos pode levar a quantias não desprezáveis numa pequena economia como é a nossa.
Para além de factos conhecidos de grandes frotas automóveis ao serviço de chefes, de directores e sabe-se lá mais de quem, haverá viagens a mais e outros desmandos que, quando não sentidos directamente no bolso, todos somos tentados a fazer.
Mas deixemos estes pormenores sem razão de ser como “eles” dizem para olharmos outro aspecto da questão.
Tornou-se evidente que muitos de nós já sentem enormes dificuldades enquanto outros, não tão poucos assim, passam, mesmo, privações e não vislumbram melhores dias. Pelo contrário, piores tempos se espera que venham e mais dificuldades nos farão a vida mais dura ainda.
Não seria, para além de um bom exemplo, uma consolação para os que sofrem ver que os que ganham muito para além do que um bom nível de vida exige também contribuíam, numa medida equivalente à que se aplica aos pequenos contribuintes, para o resgate de um país que também é seu? Ou não será?
Numa mensagem inesquecível, Cristo mediu esta "contribuição" não em função do que se dá mas do que fica. Mas essa é outra moral incompatível com o egoísmo de quem se crê superior...
Para além de tudo isto ainda há milhares de entidades que com mais nada contribuem para as “contas” do país do que com as enormes despesas que fazem. Ainda há gestores que se julgam insubstituíveis. Ainda há quem se considere melhor do que os outros.
Se o governo não puser, muito rapidamente, o dedo nesta ferida, não haverá como estancar a hemorragia nem explicar aos já milhões de portugueses que passam mal porque, em nome de Portugal, o hão-de continuar a passar!
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