ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

NÃO SE PODE TER TUDO

Há um princípio na vida que nunca vi desmentido: não se pode ter tudo, nem para além do que se pode ter! Todos os que o não respeitaram acabaram por sofrer os efeitos do erro cometido que será o que centenas de milhares de famílias portuguesas cometeram, instigadas por instituições que lhes fizeram crer que tudo estaria ao seu alcance através do crédito que lhes concediam.
Não preciso aqui dizer como este equívoco está causando dores a tanta gente, para além das que terão de sofrer também porque o país cometeu o mesmo erro!
Descobrimos, depois, que as facilidades de crédito nos levaram a gastar mais do que podíamos pagar e, como consequência, a falência foi inevitável, tal como ficámos a saber, também, que para a ultrapassar, temos de pedir dinheiro que aos falidos se não empresta com tanta facilidade e custa bem mais caro.
O remédio é o óbvio: baixar o nível de vida que nos levou à falência para tentar regularizar a situação.
Não é fácil de aceitar esta situação, tal como não é fácil ao governo dizer claramente que terá de ser assim. Diz que sim, que não, que talvez, fazendo crer que, apesar de tudo, tudo será melhor.
Foi o que notei na entrevista de hoje do dr Paulo Macedo, ministro da saúde, que não conseguiu dizer claramente que o Serviço Nacional de Saúde baixará, inevitavelmente, a quantidade dos serviços que tem vindo a prestar, ainda que tente manter a qualidade, porque não tem dinheiro para mais.
Não adianta que a Constituição diga que todos temos direito à saúde se não temos como o garantir, como diz que temos outros direitos não garantidos também.
Não será o agravamento das taxas moderadoras que resolverá a questão, ainda que seja inevitável.
Enfim, passaremos a ter o Serviço de Saúde que podemos ter se quisermos ter algum!
Temos auto estradas a mais e comodidades a menos, porque não se pode ter tudo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A INDEPENDÊNCIA DA MADEIRA!


Está a tornar-se evidente que Alberto João Jardim perdeu a tramontana! Embora me pareça que o homem ainda tem idade para conservar intacta a sanidade mental, as suas atitudes parecem revelar o contrário porque não é atitude equilibrada a de ameaçar com a independência da Madeira cada vez que lhe não querem fazer as vontades ou, sendo mais claro, lhe não dão o dinheiro que exige para o folclore de inaugurações que tanto o faz “inchar”. Parecem coisas de garoto matreiro que chantageia para tentar alcançar os seus objectivos.
Não faz qualquer sentido que o Presidente de um governo de uma Região de Portugal coloque, sequer, a hipótese da intensificação de um movimento independentista que nunca atingiu qualquer amplitude significativa nem tem qualquer sentido histórico, a não ser agora nas suas palavras.
É pena que o governo português não reaja como deveria reagir a atitudes como esta que, em hora de absoluta necessidade de união entre todos os portugueses, agita a ideia de um problema que, a existir, seria muito grave!
Não parece que seja de continuar a permitir a este cavalheiro as atitudes bizarras que adopta, particularmente quando o governo nacional é da responsabilidade do PSD que ele diz ser o seu partido. É mais do que hora de por um fim às diatribes do “eterno senhor” dos madeirenses que, parece que finalmente, mostrou todos os seus podres, os da sua administração ruinosa e do seu carácter manhoso.
Criticou duramente Sócrates pelo despesismo que nos colocou na situação incómoda em que nos encontramos mas que, afinal, parece ter paralelo na situação e que colocou as finanças da Madeira: um profundo buraco.
Não seria hora de reformar o Sr Jardim?

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A GREENPEACE DENUNCIA ABUSOS DE GRANDES MARCAS

A Greenpeace, no seu constante combate aos actos contra a Natureza, prestou mais um excelente serviço a todos nós ao denunciar que em produtos de vestuário de diversas grandes marcas, fabricados na China, na Malásia, no Vietname e nas Filipinas, foram encontrados vestígios de substâncias químicas tóxicas, susceptíveis de afectar os órgãos reprodutivos de seres vivos.
São vestígios de químicos usados como detergentes em processos industriais, especialmente na produção de têxteis naturais e sintéticos.
Para além dos efeitos directos resultantes do uso das peças de vestuário contaminadas, o lançamento dos detergentes no meio natural, directamente ou através de sistemas de esgotos, dá origem a toxinas muito activas.
A facilidade de utilização destes químicos perigosos para a saúde humana e para o ambiente, é uma das razões pelas quais se deslocalizaram indústrias para países permissivos e onde, ao mesmo tempo, se explora a mão-de-obra barata e sem direitos e o trabalho infantil.
É uma das diversas más consequências de uma globalização que, nestes casos, não beneficia ninguém, sobretudo aqueles que se prestam a aceitar assumir mais directamente os riscos dos desmandos para os quais a ganância impele.
Ao comprar estes produtos somos coniventes com estes abusos contra a Terra e contra a Humanidade que ninguém parece estar disposto a enfrentar.

UM CONCELHO COM FUTURO OU UM “TRÁS-DE-SERRA” IGNORADO?

(Publicado no nº de Agosto do Notícias de Manteigas



Reduzir despesas é uma imposição da debilidade das finanças nacionais, sendo a “limpeza das gorduras do Estado” uma das parcelas da redução a fazer.
Já diminuído o número de ministros, desejada a redução do número de deputados e estando em mira a extinção de muitas entidades públicas, é inevitável que alterações ocorram, também, nas autarquias locais. A eliminação de mil a mil e quinhentas Freguesias deve ser o primeiro passo. No que respeita a Concelhos, como o “acordo de ajuda financeira” também exige, ficará para decidir mais tarde.
Muitos pequenos Concelhos do “interior” poderão, pois, ser extintos, o que, a acontecer sem uma reestruturação administrativa global, seria uma solução igual a tantas outras que já por aí se adotaram, grosseira, simplista, impensada, arbitrária e perigosa porque ignora as exigências básicas do desenvolvimento equilibrado, como Portugal não tem, e do aproveitamento benéfico e integral de recursos, como Portugal não faz. Por isso é pobre!
Para justificar o subdesenvolvimento de muitas regiões, põe-se a culpa na “interioridade”, o que não passa de um sofisma que encobre a incapacidade de administrar integralmente o território nacional, consequência de uma visão míope e egoísta que pouco alcança para além das regiões de Lisboa e do Porto e, por arrastamento, do estreito corredor que medeia.
Não faz sentido que num país geograficamente pouco extenso, com a forma de retângulo alongado paralelo ao mar, se considerem “interiores” regiões com uma distância média ao litoral de pouco mais de uma centena e meia de quilómetros. É uma aberração que resulta de um centralismo exacerbado do qual, desde sempre, o poder central não quis abrir mão.
O despovoamento do “interior” que o priva do seu mais valioso recurso, o humano, é consequência inevitável de economias regionais débeis que o poder central descuida e as autarquias locais, sem capacidade financeira e sem competências políticas bastantes, não conseguem desenvolver em conformidade com as potencialidades dos respectivos territórios. As desigualdades regionais resultantes são causa de mais migrações, o que, progressivamente, acentua os desequilíbrios, deixando recursos inaproveitados por falta de meios humanos, de condições financeiras e de competência política. Um empobrecedor ciclo vicioso de que há muito tempo nos damos conta!
Algumas foram já as iniciativas de organização administrativa territorial do país, a última das quais, para além dos “distritos”, criou as “províncias” cujos nomes, do Minho ao Algarve, conseguiram afirmar-se sem que, no entanto, lhes correspondam quaisquer funções ou efeitos administrativos.
Mais do que os distritos, onde um Governador Civil tinha um conjunto restrito de funções burocráticas por delegação de competências do poder central, os municípios têm competências próprias mas limitadas que muito dificilmente os reduzidos peso económico e dimensão geográfica permitirão acrescentar. Apesar disso, são as autarquias que promovem o desenvolvimento local na medida ao seu alcance e pugnam pelos interesses das suas populações, sem o que, para além dos maiores centros urbanos, o desinteresse seria o denominador comum.
Porque os distritos e as províncias são inutilidades administrativas, há uma desmedida lacuna de poder entre a administração central e as centenas de administrações municipais que as “associações de municípios” não conseguem preencher, a qual desprotege os interesses locais e faz desleixar tarefas importantes que competências autárquicas regionais, mais amplas e mais estáveis, deveriam realizar, bem como fariam prevalecer interesses e direitos regionais e locais que agora ninguém tem força para defender e, menos ainda, para impor.
Na árdua batalha para a recuperação, não serão atos de simples poupança que nos farão ser bem sucedidos. Evitar desperdícios, reconhecer, aproveitar e valorizar os recursos disponíveis e potenciais, onde quer que estejam, são o complemento indispensável à criação de riqueza, porém impossível sem uma administração eficaz de todo o território. Não o sendo a que Portugal possui, como o provam os desequilíbrios profundos que gerou, haverá que alterá-la com inteligência e ponderação, o que não será o resultado que se alcança com ações discricionárias que eliminem Concelhos e Freguesias sem outras razões para além da poupança de recursos financeiros insignificantes perante a enormidade do problema que o país enfrenta.
Portugal possui uma enorme riqueza na sua diversidade territorial, a qual justifica um nível administrativo de proximidade como o que corresponde aos concelhos e às juntas de freguesia. Porém, como é fácil de verificar, os limites destas autarquias, tal como os dos distritos e das províncias, não foram estabelecidos segundo critérios de ordenamento do território que visassem a criação de espaços estruturáveis, o aproveitamento racional dos recursos naturais próprios, a constituição de pólos de atracão social e económica e o desenvolvimento harmonioso do país. Daí que tal facto, aliado às insuficientes competências das Autarquias Locais, não permita os resultados que administrações mais competentes alcançariam.
É natural, pois, que a racionalização da administração autárquica seja uma medida necessária ao desenvolvimento económico do país, sobretudo através da melhor definição das áreas de intervenção, dos objectivos e das competências, propósito que se não atinge sem um estudo profundo que abranja todos os aspectos que para ela concorram. Mais uma razão para que se não façam “amputações” e “ajustamentos” arbitrários que, por certo, seriam contraproducentes.
O Concelho de Manteigas é, quanto aos seus limites geográficos, uma área administrativa truncada. O que, para fazer sentido como região homogénea, deveria corresponder à totalidade do troço Superior do Rio Zêzere, não ia, até há bem pouco tempo, além de Sameiro. Alargou-se a Vale de Amoreira, mas ainda ficaram de fora Famalicão, Valhelhas, Verdelhos e Sarzedo que, embora fazendo parte do mesmo espaço, a Bacia Hidrográfica do Alto Zêzere, apenas dão mais área aos já extensos Concelhos da Guarda e da Covilhã, sem que de tal retirem as vantagens que uma administração conjunta com outras áreas afins lhes poderia proporcionar. Redimensionado e com mais adequados planos de gestão, o Concelho de Manteigas teria condições para se desenvolver e se repovoar. De outro modo, a um território confinado e com características singulares apenas lhe restará estiolar ou ser anexado a outro espaço administrativo com características, perspectivas de desenvolvimento e recursos dominantes bem distintos, tornando-se num “trás-de-serra” escondido, ignorado e definhante, em vez de um local de excelência em que uma boa administração certamente o tornaria. Por vezes, mais não será necessário do que de alguma imaginação para transformar em riqueza tantas das coisas que possui, incluído o próprio isolamento que o protege de um mundo menos tranquilo, mais degradado e exaurido. Esta é uma característica cada vez mais rara, por isso cada vez mais valiosa que seria lamentável continuar a desperdiçar.
Do ponto de vista de um ordenamento do território inteligente e, consequentemente, de criação de condições de desenvolvimento económico e social, nada justifica o desaparecimento do Concelho de Manteigas. Pelo contrário, a sua continuidade em condições de aproveitamento das potencialidades da região única que é, evitará que fique abandonada ou seja explorada na medida de interesses bem distintos dos que os seus recursos e as suas caraterísticas justificariam. O que seria mais um erro gritante no aproveitamento dos recursos locais e nacionais!
Mas tenho pouca esperança na sensatez que melhore as condições administrativas do país e, com isso, o seu desenvolvimento harmonioso sem a “regionalização” racional de que carece. Ao contrário, posso imaginar enormes bocarras que já salivam na perspetiva de “ferrar” um território pelo qual os seus naturais pouco têm pugnado como aconteceu, por exemplo, relativamente aos interesses na zona termal das Caldas, no turismo da Serra da Estrela e no “Parque Natural da Serra da Estrela” do qual, pasme-se, Manteigas foi feita sede sem o ser!!!
Vão os manteiguenses continuar a não agarrar o futuro, a ver o seu Concelho mirrar, a não fazer respeitar os seus direitos, a permitir que sejam estropiados os interesses que são seus, a demitir-se das responsabilidades que lhes competem no desenvolvimento da sua região?
Quando, se alguma vez, Manteigas compreenderá que o seu futuro se alcança trilhando caminhos bem distintos dos que outros concelhos percorrem? Parece-me ser bem o contrário do que tem sido feito.
Quando entenderá Portugal que as assimetrias regionais são a prova e a causa da sua fraqueza económica, pelo que é urgentíssimo corrigi-las?
Rui de Carvalho
30 junho 2011
Nota: Escrito antes do XIX Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses cujas conclusões aconselharia a ler.

domingo, 21 de agosto de 2011

A GERAÇÃO DA CORAGEM!

Segui de perto a selecção nacional de futebol na fase final do Campeonato do Mundo de sub 20 e tive pena de ter sido na final que o excelente guarda-redes que é o Mika teve a sua pior noite. Depois de ter conseguido manter inviolada a baliza portuguesa, sofreu três golos, dois por manifesta falta de sorte.
Aqueles jogadores merecem bem ser chamados a geração da coragem, tão bravamente lutaram pela vitória que apenas por pouca sorte lhes fugiu!
Observei uma excelente equipa, coisa que nem todos os jogadores, por melhores que sejam, conseguem formar. Apreciei excelentes jogadores, com boa técnica e muita vontade de vencer. Pude ver o que muito poucas vezes por cá se vê, uma equipa que sabe jogar como tal, com espírito de entreajuda.
Por tudo isto não pude deixar de pensar no futuro destes abnegados jovens. Quais serão os clubes que os vão querer nas suas equipas principais? Que dirigentes desportivos, dentre aqueles que contratam o rebotalho de outras “ligas” como se de craques se tratasse, os vão querer?
Admirei o que aqueles jovens fizeram, por isso lhes desejo a boa sorte que, cá pelo beco, talvez não alcancem.
Perdemos com o campeoníssimo Brasil que, por duas vezes, já havíamos derrotado na disputa deste título. Perdemos o tri-cameponato mundial mas ganhámos a consciência de ter um maravilhoso grupo de jogadores que, quem sabe se por isso, talvez tenham de emigrar.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A CADA CAVADELA... MINHOCAS!

Os ministros das economias portuguesa e espanhola marcaram um encontro em Madrid no qual o governo português anunciaria ao espanhol a sua desistência, por enquanto, da ligação Lisboa-Madrid em TGV, pela simples razão de não haver dinheiro para a construir no prazo previsto.
Curiosamente, na véspera do encontro marcado, o governo espanhol aprova, em Concelho de Ministros, a construção da linha de TGV até ao Caia, o lugar onde o troço português deverá ligar.
Mais curioso ainda é que, depois da reunião entre os ministros, posterior à decisão do governo espanhol, o ministro português da economia, Álvaro Santos Pereira, comunica que, afinal, a decisão do governo português sobre o TGV será tomada em Setembro.
Nestes casos, da transparência prometida pelo governo fica uma enorme confusão pois, depois das notícias sobre a intenção da deslocação do ministro Santos Pereira a Madrid para declarar a incapacidade financeira de Portugal para construir a sua parte e de tanto PSD como CDS se terem pronunciado publicamente sobre quão ruinosa seria a construção desta linha, as declarações de Santos Pereira são estranhas e, a menos que novos e muito relevantes factos se revelem, não vejo como pedir aos contribuintes mais um sacrifício de muitas centenas de milhões de euros!
Continua mini este super-ministro!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A UNIÃO FAZ A FORÇA... OU TALVEZ NÃO?

Estará a Alemanha convencida de que sobreviverá sozinha ao naufrágio desta economia europeia que vai de mal a pior? Uma economia cujos resultados demonstram estar cada vez mais enfraquecida e não pode esperar apoio da economia americana, ela também pelas ruas da amargura!
A Alemanha parece ter esquecido as lições de um passado, ainda não tão distante assim, que lhe fez engolir a arrogância de se julgar superior e capaz de, sozinha, dominar o mundo.
A Srª Merkel e o seu ministro das finanças desconhecem o valor da “união”, a grandeza da força que pode gerar para vencer adversidades. Por isso a desprezam.
Também me não parece que mereçam elogios os outros países europeus que nada fazem para alterar esta situação de subalternidade que os alemães gerem, ao que pensam, a seu bel-prazer.
Pois parece-me chegada a hora de a Europa, em sua maioria, fazer sentir a sua força e encontrar e impor as soluções imediatas que as circunstâncias requerem.
Não faz qualquer sentido que se continue assim, numa via que faz temer os piores resultados, como o demonstram os abrandamentos generalizados das economias, a alemã incluída!
Pese a minha convicção de estar esta organização sócio-económica condenada a um fracasso total que se aproxima a passos largos, isso não significa que deixemos as coisas evoluirem de modo catastrófico, descontrolado. Por isso, há que trabalhar para uma transição que seja o menos dolorosa possível.
Se a Alemanha quiser ficar só... pois que fique, mas os outros não terão de se deixar afundar com ela!