ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

QUESTÕES DE SOLIDARIEDADE

- João, leva estes lençóis ao asilo. São para a cama do teu avô.
-Sim meu pai, respondeu o rapaz que fingiu corresponder ao pedido, mas escondeu os panos brancos debaixo da cama.
Quando disso se deu conta, o pai perguntou-lhe porque procedera assim. A resposta do João surpreendeu-o: – guardei-os para um dia pedir ao meu filho que lhos leve a si.
Pouco depois, o avô estava de volta a casa!
Histórias ingénuas como esta que tinham por objectivo transmitir valores sociais, eram as avós quem as contava. Hoje, raramente terão essa oportunidade e muitas já nem saberão fazê-lo. Compram-se por aí aos montes, em livros que muitos escritores, alguns de talento duvidoso, escrevem para ganhar dinheiro. Por vezes até fortunas enormes se conseguem quando, em vez das histórias simples de outrora que instruíam e faziam sonhar jovens, adormeciam crianças e passavam de geração em geração, se criam figuras cada vez mais estranhas e violentas que as perturbam e excitam.
Naquele tempo, não cuidar dos seus idosos era atitude incompatível com os bons preceitos familiares. A casa da família era a do idoso até ao fim dos seus dias. Cuidar dos mais velhos era dever dos que eles trouxeram ao mundo.
Hoje as coisas são diferentes. Por força da dureza da vida que assim o impõe, diz-se por aí. Por força de falsas necessidades que a ganância criou, digo eu.
A falta da solidariedade que novos objectivos colocaram no plano inferior das preocupações, destrói os laços de família. Os idosos tornaram-se inutilidades que perturbam carreiras; são despesa excessiva no orçamento familiar; são gastos que muitas futilidades disputam; ocupam espaços pelos quais os mais novos impacientemente esperam; são um fardo para quem deles tem de cuidar, um estorvo para aqueles de quem, durante muito tempo, eles cuidaram; são uma obrigação que os mais abastados podem cumprir pagando a quem, melhor ou pior, deles cuide e os menos abonados podem abandonar na rua, nos hospitais, seja lá onde for.
Um Relatório de Prevenção contra os Maus-Tratos a Idosos da OMS (Organização Mundial de Saúde) afirma que, em Portugal, quase 40 por cento de idosos são vítimas de abusos. A maioria sofre abusos psicológicos, quase um terço é vítima de extorsão e de violação de direitos, além de outros que são vítimas de negligência, de abusos sexuais e físicos. São factos preocupantes que, em mais um aspecto infeliz, colocam o nosso país nos lugares cimeiros das estatísticas europeias. Também não são poucos os que, sentindo-se sós e inúteis, desistem de viver.
São ditames de um tipo de vida em que a ambição sufoca o amor, o dinheiro pode comprar a ilusão do dever cumprido, a insensibilidade e o desespero inspiram barbaridades, a solidão faz apressar o fim.
Também as crianças sofrem as agruras de uma sociedade permanentemente atarefada e sem tempo para elas. Os filhos deixaram de ser fruto de um momento de amor ao qual nada se sobrepôs para se tornarem num empecilho que um desleixo causou e se pode descartar ou, pelo melhor, num evento fixado num ponto preciso de um plano de vida cuidadosamente definido em função de valores que outros objectivos ditaram. Decide-se se devem ou não nascer, quando nascem e quantos serão os filhos de quem lhes consente que nasçam. Podem atrapalhar a vida a quem cada vez menos pode descuidar-se na competição feroz em que se envolve e, tal como aos idosos acontece, são, eles também, vítimas de tenebrosos desmandos. Abandono, maus-tratos, inenarráveis abusos…
Nascem menos crianças nas sociedades que a competição controla que, por esta razão, se não conseguem renovar. É o que se passa em Portugal onde, desde 1982, se atingiu um índice de envelhecimento excessivo. Depois de termos sido mais de dez milhões, estima-se que no final deste século não sejamos mais de seis, o que é pouco mais do que éramos no início do século que passou. Uma óbvia recessão!
Seja pelo que for, a vida mudou. Mudou muito, por certo! Mas irá mudar ainda muito mais, não tanto por iniciativa do Homem como pelas consequências de decisões que já tomou e não consegue reverter.
Quando aquela história do João era contada, os idosos não passavam de uma bem pequena parcela da população total, mesmo da população jovem, e apenas se tornavam inúteis quando já não podiam trabalhar e pouco tempo mais viviam depois disso.
Agora, aumentada a longevidade e controlada a natalidade, os idosos são uma parte cada vez maior da população total e o seu número ultrapassa já, em Portugal e desde 2000, o que corresponde aos jovens! É uma alteração que, aos poucos, dá à “pirâmide etária” uma forma que cada vez mais se afasta de um triângulo para se assemelhar a uma “árvore” com o tronco cada vez mais longo.
A extrapolação que a evolução dos diversos “índices” demográficos permite não nos pode deixar sossegados porque a redução sucessiva da faixa etária ativa coloca em causa a suficiência dos meios indispensáveis à solidariedade social de que tanto os jovens como os idosos necessitam. Em consequência, uns e outros enfrentam problemas muito sérios, o que significa que toda a sociedade os enfrenta também.
Aos mais velhos será cada vez mais difícil assegurar a qualidade de vida que a sua contribuição no passado tornou devida, enquanto aos mais novos não será fácil garantir a formação e o trabalho que o seu direito ao futuro reclama.
O número de jovens sem emprego, sem perspectivas, cresce a cada dia. Os efeitos puderam ver-se nos gravíssimos distúrbios em França e, mais recentemente, na Inglaterra e levaram a já muito célebre “troika” a considerar escandaloso o número de jovens sem emprego em Portugal.
São sintomas doentios que denunciam a insistência irracional num modelo sócio-económico irrecuperavelmente falido porque não pode ser estável uma sociedade sem a solidariedade que não consegue gerar.
Rui de Carvalho
17 Julho 2011
Notas: 1. Consideram-se idosos os indivíduos com idade acima de 65 anos;
2. O índice de envelhecimento mede-se pelo número de idosos por cada 100 jovens (menos de 15 anos);
3. O índice de envelhecimento médio da Europa é idêntico ao de Portugal.

(Publicado no número de Setembro do Notícias de Manteigas)

domingo, 18 de setembro de 2011

UM DOLOROSO ESTERTOR

Nesta fase infeliz da vida do Sporting CP, os “sportinguistas” parecem-me divididos em cinco grupos: os dominadores, os acomodados, os oportunistas, os revoltados e os desiludidos. Poderia acrescentar os que, num faz-de-conta por certo dolorido, tecem loas ao que apenas a imaginação suporta ou procuram na “piada rasca” o conforto que um clube cada vez mais longe dos seus valores não consegue proporcionar-lhes.
O Sporting CP está, hoje, muito longe de ser a grande família que foi até que os interesses financeiros se instalaram quando foi posto em prática o mais danoso projecto para o que foi o maior clube desportivo português e um dos maiores do mundo.
Hoje, o Sporting CP é uma pálida sombra de si mesmo, um enfermo exausto à espera de ser salvo. Talvez inutilmente…
Sem juízos de intenções a que me não permito, parece-me que tudo foi congeminado para despertar cobiças e satisfazer interesses que não são os do Sporting CP e, assim, fazer germinar “sportinguismos” serôdios cuja genuinidade anteriores condutas desmentem.
O Sporting CP deixou de ser dos que o trazem no coração para se tornar presa de dominadores a que uma complexa máquina garante a continuidade, que amorfos acomodados consentem e alguns oportunistas suportam.
Não há “revolta” que valha quando aqueles factores se conjugam para encenar, deixar andar e confundir, enquanto o Clube se afunda em défices insuportáveis e os sócios vão perdendo o domínio do muito que, desde a fundação, foi construído.
Onde estão tantos valores materiais e morais acumulados? Por onde anda a “glória” que tantos esforços, dedicações e devoções permitiram alcançar?
Tecnicamente falido, com o dia a dia suportado por “engenharias financeiras” que não podem deixar de ter um triste fim, o Sporting CP está dramaticamente fora do caminho que para ele traçaram os que com tanto amor o fundaram e fizeram crescer ao longo de muitos anos.
Louvo e desejo a melhor sorte aos que, por certo com enormes sacrifícios e muita dedicação, ainda alimentam a esperança de um Sporting CP com a grandeza de outrora e, por isso, se revoltam e o desejam reconstruir.
Mas, talvez porque a longa vida me permite medir a enorme distância entre o sofrimento de agora e a glória que lhe conheci e ele me permitiu viver, só posso ter lugar no grupo dos desiludidos.

sábado, 17 de setembro de 2011

MAS QUE OPOSIÇÃO!

Em democracia espera-se das “oposições”, consoante as circunstâncias, um papel de fiscalização e de cooperação que me não parece ser o que Seguro é capaz de desempenhar, tanto quanto posso julgar das intervenções que tem tido.
Como um “serafim imaculado”, descarta os erros crassos que o seu partido cometeu, como se nada lhe dissesse respeito e, como político incapaz que revela ser, agarra-se a coisas de somenos importância e em nada participa na cooperação necessária para aliviar os graves problemas que, por sua responsabilidade também, o país enfrenta.
Desde que é Secretário-Geral do PS, Seguro apenas tem revelado o sonho de ser Primeiro-Ministro em 2015 apoiado por um partido cuja incompetência governativa, atitude autoritária e espírito de esbanjamento não poderão ser esquecidos tão cedo.
Os erros cometidos com o seu apoio foram demasiadamente graves para poderem ser ignorados, a menos que o povo português os queira ver repetidos.
Relativamente à Madeira, onde um governante megalómano se comportou do mesmo modo como o governo socialista da República o fez, pareceu-me ridícula a sua atitude de considerar Passos Coelho cúmplice da fraude que o governo do seu partido não foi capaz de controlar.
Seguro tem-me parecido a prova cabal de que os políticos incapazes não conseguem perder de vista o próprio umbigo, ocupando o tempo a engendrar patranhas para denegrir os adversários em vez de o aproveitar para encontrar soluções que ajudem a resolver os problemas para os quais eles próprios contribuíram. Como é seu dever que façam.
Seguro faz-me lembrar aqueles meninos chorões que até tarde mijam na cama mas não ajudam a mãe nem a mudar os lençóis!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

CARAS DE PAU!

Eu sabia que só um povo muito estúpido – que o português não pode ser – permitiria a Sócrates continuar a rebaldaria despesista que nos colocou neste inferno de sacrifícios a cada dia mais insuportáveis. Mais ainda, eu sabia que o Partido que foi responsável pelo individamento insustentável de Portugal ao longo dos últimos quinze anos não poderia continuar a ter a responsabilidade da governação, a menos que todos estivéssemos loucos!
Assim chegámos a um governo que nada de populista pode fazer pois lhe foi deixada por herança uma tarefa duríssima de levar a bom termo, bem como um processo de governação com medidas impopulares bem definidas.
Custa-me a crer que, apesar de tudo isso, tantos portugueses votassem, ainda, em Sócrates, quase todos os que agora o enjeitam!
Estranho povo ou estranho Partido este que agora, com Seguro que tem a seu lado a grande maioria que fez de Sócrates um “herói”, se considera limpo de culpas para criticar seja o que for que o governo faça e pretende governar já em 1915!
Num Congresso de pura “entronização”, o entronizado desfiou um rol de lugares comuns que nada de novo trouxeram, nem poderiam trazer para a salvação do país que arruinaram. É natural, também, porque sempre foram assim os “socialistas” que nada mais alguma vez fizeram do que delapidar o que outros amealharam, porque fazem o socialismo “novorriquista” e não o socialismo que as nossas capacidades nos permitem ter.
Veja-se, por exemplo, o que fizeram do Serviço Nacional de Saúde que agora dizem ser outros quem o quer destruir. Construíram um modelo insuportável que, por isso, se arruinou. Agora outros têm de o salvar.
Não sou um modelo de capitalista, nem poderia sê-lo, e menos ainda sou um consumista que contribui para submergir o mundo numa imensa montanha de lixo e de resíduos que intoxicam o meio ambiente de que depende a nossa vida!
Não sou de Direita nem de Esquerda porque me não deixo conduzir por cardápios fantasistas que pretendem sobrepor-se à minha inteligência ou, até, à minha consciência, nem compreendo como é possível não entender as alterações de valores e de circunstâncias que tornaram obsoletas estas designações que a Revolução Francesa originou. Parece-me tempo de rever ideias, de ter coragem para evoluir.
Mas enfim… a estupidez é a marca dos tempos que vivemos, quando a “esperteza saloia” ofusca a inteligência e leva Seguro a acusar Passos Coelho de nada dizer sobre o “buraco da Madeira” que não passa de um minúsculo buraquinho se comparado com o triplo buracão em que os socialistas enterraram o país!
É, deste modo, que os socialistas pretendem repor a sua credibilidade e serem governo em 2015?

domingo, 4 de setembro de 2011

É PRECISO RECUPERAR O SECTOR PRIMÁRIO

Seis mil milhões em importações de bens alimentares, milhares de hectares de terrenos agrícolas desactivados e o atraso do “plano do Alqueva” para irrigar e tornar mais produtivas algumas áreas alentejanas, são apenas algumas das razões por que Portugal anda pelas ruas da amargura e se tornou um “pedinte” da Europa e do FMI.
Se alguma coisa há que seja imprescindível é a alimentação, pelo que ser equilibrado neste sector é condição básica para a sobrevivência de um país.
Porém, movidos por interesses que não eram os nossos e a troco de umas quantas ajudas financeiras que fizeram alguma gente rica, deslumbrados pela perspectiva de uma abastança que não podíamos ter mas que esperávamos a Europa nos proporcionasse, olhámos com desdém para o chamado “sector primário” que considerámos coisa de pobres que não seríamos mais!
Aceitámos os limites de produção que nos foram impostos e, alegremente, destruímos barcos, abandonámos terras e colheitas para nos dedicarmos aos “negócios” que nos colocariam, definitivamente, no “clube dos ricos”.
O que mais me dana é que sejam alguns dos que mais culpas tiveram no disparate que fizemos quem agora eleva a voz para dizer que temos de voltar à terra e ao mar de onde nunca deveríamos ter saído.
Não valerá a pena sonhar com o regresso aos bons tempos de boa-vida porque eles não voltarão. Agora, ou produzimos ou não temos!
O crescimento económico atingiu o “pico” há já bastante tempo, ao que se seguiram as acrobacias financeiras para o disfarçar e de que resultaram as “bolhas” que, aos estoirarem, geraram a “crise” que parece ter-se tornado permanente ou pior até.
Começou por ser o Banco Mundial a alertar para uma desaceleração da economia mundial, no que agora é seguido pelo FMI que chega a falar de recessão!
Vão mal os tempos e pior irão se não entendermos as razões desta crise tão especial.

sábado, 3 de setembro de 2011

AS CAUSAS DAS COISAS


Sempre achei interessante ouvir o que dizem ex-governantes ou, mesmo, os apoiantes de ex-governos quando outros estão no “poder”. É prestando atenção a estas coisas que se aprende o que a política realmente é, um jogo de faz-de-conta em que o povinho, ingenuamente ou não, participa.
Quando se tem a obrigação de governar tem que se justificar o que se faz, enquanto os que se lhe opõem podem ser irresponsáveis no que afirmam, dizendo apenas o que lhes parece que a maioria do povo gostaria de ouvir.
Por isto é muito mais fácil ser oposição do que ter a responsabilidade de governar porque, diga-se o que se disser, apenas os que estão de acordo se manifestam e ficam felizes.
São muitas as barbaridades que se dizem e que, apenas porque se trata de política, não têm, para quem as diz, as consequências que teriam se tivessem de falar a sério! Digo bem, falar a sério e perante quem tivesse capacidade para criticar.
Mas o “jogo” político é e sempre foi isto, fazer parecer que é o que conviria que fosse! Daí que os políticos nem precisem de ser grandes conhecedores seja do que for, bastando que tenham a “arte” de, em cada momento, perceberem o que mais sensibilizará as suas “vítimas” e fazer-lhes crer que seria assim que fariam se detivessem o poder. É o que fazem nas campanhas eleitorais e o que fazem quando não têm de governar. Por isso presto tanta atenção ao que os ex-governantes dizem, sobretudo quando, com a mais cândida desfaçatez, criticam os outros pelos males que eles próprios fizeram. E não abro aqui qualquer excepção!
Foram estes os pensamentos que me assaltaram quando li declarações do actual secretário-geral do PS, afirmando que “estão a dar cabo da classe média em Portugal”, referindo-se ao que o actual governo está a fazer quando aumenta impostos. O que Seguro não diz, porque os políticos nunca o dizem, é por que o governo tem de proceder assim.
Para tudo o que se faz existem dois tipos de causas, as remotas e as próximas, sendo estas últimas as que toda a gente recorda quando as coisas acontecem apesar de as mais importantes serem as primeiras. Por isso, Seguro apenas disse aquilo com que todos ou a maioria de nós está de acordo e, para ele, são as mais convenientes: as medidas do governo para combater a crise estão a deixar-nos cada vez mais pobres! É uma verdade para a maioria de nós. É, por isso, uma verdade que leva os incautos a aplaudi-lo incondicionalmente, sem cuidar de saber de mais nada.
Se estivesse no poder, Seguro diria que as razões destas medidas e, consequentemente, do nosso progressivo empobrecimento estão no estado de falência em que o anterior governo, emanado do partido que agora dirige, deixou o país depois de uma política incautamente despesista que duplicou a dívida nacional em pouco mais de cinco anos, para além de deixar muito lixo debaixo dos tapetes.
É esta a causa que Seguro omitiu mas que é a verdadeira causa dos sacrifícios que teremos de suportar. Outro qualquer político talvez fizesse igual. Naturalmente!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

NÃO SE PODE TER TUDO

Há um princípio na vida que nunca vi desmentido: não se pode ter tudo, nem para além do que se pode ter! Todos os que o não respeitaram acabaram por sofrer os efeitos do erro cometido que será o que centenas de milhares de famílias portuguesas cometeram, instigadas por instituições que lhes fizeram crer que tudo estaria ao seu alcance através do crédito que lhes concediam.
Não preciso aqui dizer como este equívoco está causando dores a tanta gente, para além das que terão de sofrer também porque o país cometeu o mesmo erro!
Descobrimos, depois, que as facilidades de crédito nos levaram a gastar mais do que podíamos pagar e, como consequência, a falência foi inevitável, tal como ficámos a saber, também, que para a ultrapassar, temos de pedir dinheiro que aos falidos se não empresta com tanta facilidade e custa bem mais caro.
O remédio é o óbvio: baixar o nível de vida que nos levou à falência para tentar regularizar a situação.
Não é fácil de aceitar esta situação, tal como não é fácil ao governo dizer claramente que terá de ser assim. Diz que sim, que não, que talvez, fazendo crer que, apesar de tudo, tudo será melhor.
Foi o que notei na entrevista de hoje do dr Paulo Macedo, ministro da saúde, que não conseguiu dizer claramente que o Serviço Nacional de Saúde baixará, inevitavelmente, a quantidade dos serviços que tem vindo a prestar, ainda que tente manter a qualidade, porque não tem dinheiro para mais.
Não adianta que a Constituição diga que todos temos direito à saúde se não temos como o garantir, como diz que temos outros direitos não garantidos também.
Não será o agravamento das taxas moderadoras que resolverá a questão, ainda que seja inevitável.
Enfim, passaremos a ter o Serviço de Saúde que podemos ter se quisermos ter algum!
Temos auto estradas a mais e comodidades a menos, porque não se pode ter tudo.