O Orçamento de Estado (OE) para 2012 é preocupante. Mas, mais preocupante ainda é a polémica que, por conta dele, se instalou.
Não se entendem os economistas que ainda não perceberam bem o que se passa nem são unânimes quanto ao modo de fazer seja o que for que remedeie as deploráveis condições em que vivemos. Não se unem os políticos a quem confiámos a responsabilidade de cuidarem do que é nosso e eles tomam como seu, tornando mais difícil ou inviabilizando a solução para a qual todos deveríamos trabalhar. Não nos entendemos todos nós que, seja porque estamos eufeudados a uma partidarite qualquer seja porque não nos dispuzémos, ainda, a pensar sobre o que se passa, sofremos as agruras de uma austeridade que, deste modo, poderá vir a ser muito maior.
Dentro dos próprios partidos há confrontos, atitudes estranhas, ressentimentos e picardias que, por certo, os enfraquecem, com prejuízo de todos nós.
No PS, os “socratistas” tentam recuperar do afastamento púdico a que foram condenados, confundindo factos claros dos quais fazem interpretações maquiavélicas que têm em vista o “renascimento” de Sócrates em todo o seu esplendor de disparates; O PS de Seguro tenta fazer como Pilatos, lavando as mãos das porcarias que, num passado muito próximo, empolgadamente louvou; No PSD os “barões” de antanho que tentaram evitar a “renovação” que Passos Coelho acabou por impôr, vomitam disparates que em são juízo nem se atreveriam a balbuciar; O CDS mantem-se discreto e os demais partidos representados na AR não vão além da leitura da “cartilha” que não dá margem à inovação!
Fora do areópago de S. Bento que já foi mais prestigiado, não admira que, pelos milhões de afectados por medidas de austeridade que se não esperavam tão severas, as queixas se façam ouvir das mais diversas formas. Assiste-lhes todo o direito à indignação por terem sido enganados pelo modo de viver desafogado que lhes disseram terem preparado para si; sentem-se desesperados na incerteza de um futuro que de risonho nada tem.
Mas logo estas manifestações genuínas e legítimas são alvo do aproveitamento oportunista dos mestres da contestação, dos que nada fizeram pelo bem comum mas se sentem no direito de falar em nome dos fracos e dos oprimidos e de por eles decidirem as formas de luta porque de cooperação nada sabem.
Compreende-se a ansiedade dos que penam, mas nem todos os remédios se podem tomar ao mesmo tempo nem de uma vez só.
Por mim, atingido, também e severamente, pelas medidas de austeridade para cujas causas não contribuí, não vejo que seja hora de reclamar porque sei que é mais fácil dar o nó do que desatá-lo. Desejo, até, que nunca o seja e que as medidas que agora me atingem sejam, no momento possível, substituídas pelas que poderão garantir a estabilidade que hoje não temos.
Não será uma terefa fácil para quem tenha de a levar a cabo, tendo em conta que o anterior governo deixou buracos e encargos que, para além de nós, castigarão os nossos filhos e netos ao longo de muito tempo.
Quinze mil milhões de euros é o buraco que corresponde às PPP – parcerias público privadas – que tornaram milionária muita gente.
Se a isto juntarmos os organismos fantasmas criados para arranjar “jobs for the boys”, poderemos avaliar quanto iremos penar pelas consequências dos erros que Sócrates e o seu Partido Socialista nos deixaram por legado!
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sábado, 22 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
ESTA NECESSIDADE DE PENSAR…
(Texto publicado no Notícias de Manteigas de Outubro 2011)
Depois de falar de solidariedade, uma virtude indispensável ao equilíbrio social que o atual modo de viver cada vez menos consente, era minha intenção falar este mês de ambiente, outra questão muito importante que já condiciona e acabará pondo fim ao crescimento económico suportado pelo consumismo excessivo.
Às agressões ambientais que esta economia selvagem que se diz civilizada provoca, responderá a Natureza de forma demolidora, com fenómenos e alterações que os nossos filhos e netos terão de suportar mais do que nós que somos a causa desses males. É o egoísmo na sua expressão mais refinada e que, tal como a inveja, o humaníssimo pecado que nos faz desejar não ter menos do que os outros, nos faz correr de um modo incauto para o abismo fundo que nos engolirá.
Ficará, quem sabe, para o próximo mês porque me parece mais oportuno falar hoje da necessidade absoluta da tomada de consciência da situação que vivemos se não quisermos cair na situação deplorável de outros que, sem consciência do mal que a si próprios causam, se revoltam contra o que os seus erros tornaram inevitável. Depois espero, se o puder fazer, falar de recursos naturais, aqueles que a Natureza nos permite utilizar de um modo equilibrado mas em cuja exploração nos excedemos, completando um conjunto de questões que, tenho por certo, estão entre as mais importantes das que vão moldar o futuro próximo da Humanidade e orientar a procura de formas mais naturais e seguras para uma vida menos materialista mas mais feliz.
Evitarei envolver-me em temas mais transcendentes de que outros bem melhor do que eu podem e devem falar, mas não consigo calar que espero há tempo demais por uma “Boa Nova” atual, com as palavras certas para o melhor entendimento dos problemas que, sendo de sempre, assumem formas próprias dos tempos e, por isso, exigem soluções a condizer com elas. Nesta espera pergunto-me, por vezes, que “cartas” escreveria hoje S Paulo aos falhados da História que fizeram vista grossa à realidade e não respeitaram a dignidade humana. Talvez nelas dissesse que a intolerância, o egoísmo e a inveja que “governam” este mundo são a súmula de todos os pecados que nos afastam de uma vida melhor. Sei lá!
Porém, se sinto o dever de contribuir, na medida em que posso faze-lo, para a formação de uma consciência coletiva esclarecida sobre as questões mais importantes para um futuro global, juntando a minha voz à de tantos que a erguem também e à de muitos que já a perderam no esforço inglório de alertar para perigos que apenas a ganância leva a ignorar, também me quero contar no número dos que, perante o que se passa, participam no esforço para esclarecer e desmistificar questões e ultrapassar os problemas que Portugal enfrenta.
Há muito que me deixei de partidarismos sem sentido, que me excluí dos manipuladores ou manipulados para me poder entregar ao “luxo” de ter ideias próprias, de poder ajustar o que penso quantas vezes entender dever faze-lo, de me não rever em estereótipos que ao longo do tempo perderam o sentido, de poder caminhar por e para onde quiser sem ter de seguir as pisadas de qualquer grupo a que pertença.
Apesar disso e pelas circunstâncias, creio chegada a hora de remarmos todos para o mesmo lado, num esforço conjunto para vencer, abdicando, de boa mente, de alguma liberdade de escolha, de alguns direitos que a situação de penúria não permite garantir e, também, de algumas comodidades para que seja menos longo este tempo de dolorosos sacrifícios que disparates demais nos obrigam a viver.
Não me parece que seja o que fazem dirigentes de sindicatos e partidos quando colocam interesses corporativos, partidários e projetos pessoais acima do interesse global para fazer de Portugal um país melhor e evitar os problemas que ainda possam complicar mais a vida de todos nós. Pelo contrário, parecem-me apostados em aproveitar as dificuldades que todos devíamos ajudar a resolver, para conseguirem uma promoção mais fácil e aumentar os ganhos políticos que, para além dos incondicionais apoiantes, outros incautos lhes possam proporcionar.
Esquecem-se os aspirantes ao poder e os reivindicadores oficiais dos muitos mais do que eles que não têm voz, dos que não têm quem por eles fale porque não pagam quotas para sindicatos, nem têm, senão a caridade, quem os defenda da miséria em que se caíram.
Não me parece ser esta a altura certa para promoções pessoais, para instigar tumultos e provocar o caos, sobretudo do modo capcioso e arrogante como o fazem, que dá má imagem de Portugal e prejudica o esforço para recuperar o bem-estar de todos nós.
Parecem-me ridículos os que, depois das burradas que fizeram, criticam quem ainda mal teve tempo de se aperceber de todas elas para, depois, as tentar corrigir. A seu tempo e pelo que fizerem serão avaliados.
Apesar de tudo, não seria adequado, seja o objetivo qual for, fazer um parêntesis na democracia nem abdicar dos direitos que a Constituição consagra, ainda que seja necessário adequá-los às circunstâncias dos tempos atuais numa revisão que afaste os preconceitos que ainda contém. Porém, reconhecer os limites das nossas possibilidades e não exigir mais do que as disponibilidades permitem, é a atitude certa e mais urgente quando o país está financeiramente exausto e em difíceis condições de financiamento.
Tem lugar destacado entre os pensamentos que me têm norteado, este que, porventura, alguma vez aqui já aqui terei citado: “se estamos com problemas, temos de pensar mais” porque pensar é uma ação pessoal e íntima, qual crivo pelo qual se faz passar tudo de que se tenha a perceção, mesmo o que pareça óbvio, a fim de o validar e tornar base para encontrar as respostas e as soluções necessárias. É uma atitude bem diferente da de aceitar as ideias que nos impingem como verdade e desejam ver aclamadas por multidões incapazes de as avaliar; é uma atitude indispensável de confirmação porque a verdade definitiva não existe neste mundo.
É pelo pensamento que o Homem se liberta e, livre, adquire consciência da realidade, faz as suas escolhas e decide como proceder. De outro modo não passará de alguém que aceita o que outros escolham para si.
Por isso devemos pensar!
A propósito, vem-me à lembrança algo que há muito me não acontece. Era frequente, quando conduzia por estradas de pouco tráfego, aparecer um cão correndo e ladrando furiosamente ao lado do carro, até se cansar. Um dia resolvei parar. O bicho parou também e, já mudo, olhou-me como que a perguntar “agora o que é que faço?”. Lançara-se numa aventura sem causa, sem consciência do que fazia!
Rui de Carvalho
26 setembro 2011
Depois de falar de solidariedade, uma virtude indispensável ao equilíbrio social que o atual modo de viver cada vez menos consente, era minha intenção falar este mês de ambiente, outra questão muito importante que já condiciona e acabará pondo fim ao crescimento económico suportado pelo consumismo excessivo.
Às agressões ambientais que esta economia selvagem que se diz civilizada provoca, responderá a Natureza de forma demolidora, com fenómenos e alterações que os nossos filhos e netos terão de suportar mais do que nós que somos a causa desses males. É o egoísmo na sua expressão mais refinada e que, tal como a inveja, o humaníssimo pecado que nos faz desejar não ter menos do que os outros, nos faz correr de um modo incauto para o abismo fundo que nos engolirá.
Ficará, quem sabe, para o próximo mês porque me parece mais oportuno falar hoje da necessidade absoluta da tomada de consciência da situação que vivemos se não quisermos cair na situação deplorável de outros que, sem consciência do mal que a si próprios causam, se revoltam contra o que os seus erros tornaram inevitável. Depois espero, se o puder fazer, falar de recursos naturais, aqueles que a Natureza nos permite utilizar de um modo equilibrado mas em cuja exploração nos excedemos, completando um conjunto de questões que, tenho por certo, estão entre as mais importantes das que vão moldar o futuro próximo da Humanidade e orientar a procura de formas mais naturais e seguras para uma vida menos materialista mas mais feliz.
Evitarei envolver-me em temas mais transcendentes de que outros bem melhor do que eu podem e devem falar, mas não consigo calar que espero há tempo demais por uma “Boa Nova” atual, com as palavras certas para o melhor entendimento dos problemas que, sendo de sempre, assumem formas próprias dos tempos e, por isso, exigem soluções a condizer com elas. Nesta espera pergunto-me, por vezes, que “cartas” escreveria hoje S Paulo aos falhados da História que fizeram vista grossa à realidade e não respeitaram a dignidade humana. Talvez nelas dissesse que a intolerância, o egoísmo e a inveja que “governam” este mundo são a súmula de todos os pecados que nos afastam de uma vida melhor. Sei lá!
Porém, se sinto o dever de contribuir, na medida em que posso faze-lo, para a formação de uma consciência coletiva esclarecida sobre as questões mais importantes para um futuro global, juntando a minha voz à de tantos que a erguem também e à de muitos que já a perderam no esforço inglório de alertar para perigos que apenas a ganância leva a ignorar, também me quero contar no número dos que, perante o que se passa, participam no esforço para esclarecer e desmistificar questões e ultrapassar os problemas que Portugal enfrenta.
Há muito que me deixei de partidarismos sem sentido, que me excluí dos manipuladores ou manipulados para me poder entregar ao “luxo” de ter ideias próprias, de poder ajustar o que penso quantas vezes entender dever faze-lo, de me não rever em estereótipos que ao longo do tempo perderam o sentido, de poder caminhar por e para onde quiser sem ter de seguir as pisadas de qualquer grupo a que pertença.
Apesar disso e pelas circunstâncias, creio chegada a hora de remarmos todos para o mesmo lado, num esforço conjunto para vencer, abdicando, de boa mente, de alguma liberdade de escolha, de alguns direitos que a situação de penúria não permite garantir e, também, de algumas comodidades para que seja menos longo este tempo de dolorosos sacrifícios que disparates demais nos obrigam a viver.
Não me parece que seja o que fazem dirigentes de sindicatos e partidos quando colocam interesses corporativos, partidários e projetos pessoais acima do interesse global para fazer de Portugal um país melhor e evitar os problemas que ainda possam complicar mais a vida de todos nós. Pelo contrário, parecem-me apostados em aproveitar as dificuldades que todos devíamos ajudar a resolver, para conseguirem uma promoção mais fácil e aumentar os ganhos políticos que, para além dos incondicionais apoiantes, outros incautos lhes possam proporcionar.
Esquecem-se os aspirantes ao poder e os reivindicadores oficiais dos muitos mais do que eles que não têm voz, dos que não têm quem por eles fale porque não pagam quotas para sindicatos, nem têm, senão a caridade, quem os defenda da miséria em que se caíram.
Não me parece ser esta a altura certa para promoções pessoais, para instigar tumultos e provocar o caos, sobretudo do modo capcioso e arrogante como o fazem, que dá má imagem de Portugal e prejudica o esforço para recuperar o bem-estar de todos nós.
Parecem-me ridículos os que, depois das burradas que fizeram, criticam quem ainda mal teve tempo de se aperceber de todas elas para, depois, as tentar corrigir. A seu tempo e pelo que fizerem serão avaliados.
Apesar de tudo, não seria adequado, seja o objetivo qual for, fazer um parêntesis na democracia nem abdicar dos direitos que a Constituição consagra, ainda que seja necessário adequá-los às circunstâncias dos tempos atuais numa revisão que afaste os preconceitos que ainda contém. Porém, reconhecer os limites das nossas possibilidades e não exigir mais do que as disponibilidades permitem, é a atitude certa e mais urgente quando o país está financeiramente exausto e em difíceis condições de financiamento.
Tem lugar destacado entre os pensamentos que me têm norteado, este que, porventura, alguma vez aqui já aqui terei citado: “se estamos com problemas, temos de pensar mais” porque pensar é uma ação pessoal e íntima, qual crivo pelo qual se faz passar tudo de que se tenha a perceção, mesmo o que pareça óbvio, a fim de o validar e tornar base para encontrar as respostas e as soluções necessárias. É uma atitude bem diferente da de aceitar as ideias que nos impingem como verdade e desejam ver aclamadas por multidões incapazes de as avaliar; é uma atitude indispensável de confirmação porque a verdade definitiva não existe neste mundo.
É pelo pensamento que o Homem se liberta e, livre, adquire consciência da realidade, faz as suas escolhas e decide como proceder. De outro modo não passará de alguém que aceita o que outros escolham para si.
Por isso devemos pensar!
A propósito, vem-me à lembrança algo que há muito me não acontece. Era frequente, quando conduzia por estradas de pouco tráfego, aparecer um cão correndo e ladrando furiosamente ao lado do carro, até se cansar. Um dia resolvei parar. O bicho parou também e, já mudo, olhou-me como que a perguntar “agora o que é que faço?”. Lançara-se numa aventura sem causa, sem consciência do que fazia!
Rui de Carvalho
26 setembro 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
HÁ OU NÃO LIMITES PARA AUSTERIDADE?
O Presidente da República, que foi o primeiro-ministro que iniciou a era dos novos-ricos que nos levou aos excessos consumistas que nos trouxe até ao ponto de ruptura financeira em que nos encontramos, manifestou-se de um modo descabido sobre o Orçamento de Estado pois, numa reunião de economistas em que ele não era apenas mais um por força do cargo e não pela qualidade da opinião que possa manifestar, alterou claramente os equilíbrios políticos pelos quais lhe competiria zelar.
Este manifesto público contra o OE só pode significar que não concorda com ele e, consequentemente, o não poderá promulgar. Veremos!
Parece não saber Sua Excelência que, deste modo, deu força ao partido que mais culpas tem na austeridade que sofremos para votar contra um orçamento que, de certo modo, ele próprio negociou com a Troika!
Não são unânimes nas suas opiniões os economistas independentes que, na sua maioria, reconhecem que o estado de “indigência” a que chegámos derrubou todas as barreiras de austeridade que a razoabilidade poderia erguer.
É um orçamento duro, sem dúvida, mas imposto por circunstâncias que nem o próprio Presidente da República foi capaz de prever, diga quantas vezes quiser que “bem avisou”, como é seu hábito fazer. Mas mais vale um orçamento excepcional que resulte do que outro que, por falta de determinação, fracasse porque, se tal acontecer, entraremos numa espiral de desgraças que ninguém controlará.
Mas o que eu gostaria de conhecer são as propostas concretas, inovadores e mágicas que nos permitiriam pagar as dívidas que fizemos e relançar uma economia de base que Cavaco começou a destruir, sem necessidade de medidas de austeridade.
Espero que estas medidas transitórias sejam bastantes para iniciar um processo de recuperação das finanças do país e permita o relançamento de uma economia sã, impossível sem uma mudança profunda nos hábitos de vida de quem alguma coisa terá de aprender com a crise.
Sempre ouvi dizer que quem se cura não se regala, a menos que não queira curar-se.
Os limites para a austeridade pautam-se pelos limites que nos impusermos no equilíbrio das contas e no controlo das despesas, o que não soubemos fazer.
Uma condição, porém, se impõe: que a austeridade, tenha a dimensão que tiver, seja para todos!
Este manifesto público contra o OE só pode significar que não concorda com ele e, consequentemente, o não poderá promulgar. Veremos!
Parece não saber Sua Excelência que, deste modo, deu força ao partido que mais culpas tem na austeridade que sofremos para votar contra um orçamento que, de certo modo, ele próprio negociou com a Troika!
Não são unânimes nas suas opiniões os economistas independentes que, na sua maioria, reconhecem que o estado de “indigência” a que chegámos derrubou todas as barreiras de austeridade que a razoabilidade poderia erguer.
É um orçamento duro, sem dúvida, mas imposto por circunstâncias que nem o próprio Presidente da República foi capaz de prever, diga quantas vezes quiser que “bem avisou”, como é seu hábito fazer. Mas mais vale um orçamento excepcional que resulte do que outro que, por falta de determinação, fracasse porque, se tal acontecer, entraremos numa espiral de desgraças que ninguém controlará.
Mas o que eu gostaria de conhecer são as propostas concretas, inovadores e mágicas que nos permitiriam pagar as dívidas que fizemos e relançar uma economia de base que Cavaco começou a destruir, sem necessidade de medidas de austeridade.
Espero que estas medidas transitórias sejam bastantes para iniciar um processo de recuperação das finanças do país e permita o relançamento de uma economia sã, impossível sem uma mudança profunda nos hábitos de vida de quem alguma coisa terá de aprender com a crise.
Sempre ouvi dizer que quem se cura não se regala, a menos que não queira curar-se.
Os limites para a austeridade pautam-se pelos limites que nos impusermos no equilíbrio das contas e no controlo das despesas, o que não soubemos fazer.
Uma condição, porém, se impõe: que a austeridade, tenha a dimensão que tiver, seja para todos!
INDIGNAÇÃO OU PROTESTO?
Corre por esse mundo fora uma onda de indignação que faz todo o sentido, porque todos temos razões para estarmos indignados pelo modo como os maiores responsáveis pelo destino deste mundo, os senhores desta “aldeia global” em que vivemos, têm cuidado de o tornar menos infeliz. Nada fizeram por isso quando brincaram às guerras e faziam do povo carne para canhão, nem o fazem agora que brincam aos ricos, aos evoluídos, aos mercados e às economias, esquecendo que as pessoas, os seres humanos, deveriam ser a causa das suas preocupações.
Abrem a “economia” a todo o mundo, fazem a “globalização”, mas fecham as fronteiras entre os dois mundos que continuam a existir, o “mundo desenvolvido” onde o consumismo, o motor da sua economia, permite que se tenha muito mais do que o necessário, mesmo que se esbanje, e o “terceiro mundo” onde crianças e adultos morrem de fome aos milhares em cada dia, onde a doença causa sofrimentos insuportáveis por falta de meios para a evitar e para a tratar, onde um simples gole de água custa enormes sacrifícios e pode trazer consigo a doença fatal!
Não repararam esses senhores que uma hora de mudança se aproxima, que a “hora do recreio” está a acabar e têm de voltar à realidade da qual tanto tempo viveram alheados.
Os milhões de frustrados pelos resultados de políticas marginais da única que os políticos e os sindicatos conhecem bem, a financeira, começam a dar mostras da sua indignação à qual muito dificilmente se conseguirá por travão porque conduz ao clímax lógico da série quase infinita de disparates feitos em nome de um futuro melhor nunca alcançado! E a indignação vai continuar à revelia de partidos políticos e de sindicatos que não conseguem entender o que se passa.
Por cá, tal como noutros lugares de um mundo que sem ser terceiro até pode ser bem pior do que isso, os políticos e os sindicatos continuam a brincar com o fogo. Uns não entenderam, ainda, a mudança que acontecerá quer queiram quer não. Os outros apanham a boleia dos “indignados” e transformaram uma manifestação de desejo de mudança de um estilo de vida que já não tem futuro num protesto “capitalista” porque não é mudança que desejam mas melhores salários que o capitalismo esgotado já lhes não pode pagar!
Abrem a “economia” a todo o mundo, fazem a “globalização”, mas fecham as fronteiras entre os dois mundos que continuam a existir, o “mundo desenvolvido” onde o consumismo, o motor da sua economia, permite que se tenha muito mais do que o necessário, mesmo que se esbanje, e o “terceiro mundo” onde crianças e adultos morrem de fome aos milhares em cada dia, onde a doença causa sofrimentos insuportáveis por falta de meios para a evitar e para a tratar, onde um simples gole de água custa enormes sacrifícios e pode trazer consigo a doença fatal!
Não repararam esses senhores que uma hora de mudança se aproxima, que a “hora do recreio” está a acabar e têm de voltar à realidade da qual tanto tempo viveram alheados.
Os milhões de frustrados pelos resultados de políticas marginais da única que os políticos e os sindicatos conhecem bem, a financeira, começam a dar mostras da sua indignação à qual muito dificilmente se conseguirá por travão porque conduz ao clímax lógico da série quase infinita de disparates feitos em nome de um futuro melhor nunca alcançado! E a indignação vai continuar à revelia de partidos políticos e de sindicatos que não conseguem entender o que se passa.
Por cá, tal como noutros lugares de um mundo que sem ser terceiro até pode ser bem pior do que isso, os políticos e os sindicatos continuam a brincar com o fogo. Uns não entenderam, ainda, a mudança que acontecerá quer queiram quer não. Os outros apanham a boleia dos “indignados” e transformaram uma manifestação de desejo de mudança de um estilo de vida que já não tem futuro num protesto “capitalista” porque não é mudança que desejam mas melhores salários que o capitalismo esgotado já lhes não pode pagar!
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
INDIGNADOS PORQUE?
Já não é novidade para ninguém que durante tempo demais vivemos acima das nossas posses, organizámo-nos para um tipo de vida que não poderíamos manter. Nós e o Estado! Foi uma enorme farra na qual todos, uns mais e outros menos, participámos.
Não vale a pena fingir que não demos por nada, que outros tiveram a culpa mas não nós, pois ninguém acredita num milagre que, repentinamente, fizesse de Portugal um país rico onde todos pudessem viver à larga.
Acelerámos no consumo e travámos na produção. Eram direitos que, rapidamente, pensávamos ir conquistando!
SE, em vez disto, tivéssemos evoluído ao ritmo que nos era próprio, aquele que as nossas potencialidades pudessem suportar, não teríamos de voltar, agora, aos níveis de 1975, ou inferiores ainda.
Não me parece que alguém, em consciência, possa não se sentir culpado por este colapso que o simples bom senso poderia ter evitado ou, pelo menos, tornado bem menor.
Direitos foram consagrados sem se avaliar se seriam sustentáveis, regalias foram atribuídas como conquistas que a baixa produtividade não justificava, mordomias dantes não sonhadas tornaram-se próprias de uma nova classe de senhores. Tudo e do melhor, era a regra dos que viram chegada a hora de poderem ter a vida que, antes, noutros invejavam.
Por aqui aconteceu assim. Por outros lados considerados mais evoluídos, a ânsia de enriquecer despoletou artifícios financeiros dos quais resultaram as célebres “bolhas” que provocaram a euforia que também nos arrastou.
Perante esta realidade, rebelamo-nos contra o que? Mostramos a nossa insatisfação porque? Porque os salários terão de ser reduzidos aos valores possíveis? Porque direitos insustentáveis têm de ser ajustados? Porque bens adquiridos sem meios bastantes para o fazer são retirados? Porque teremos de reduzir o nível de vida ao que é possível sem artifícios financeiros?
Ou será que teremos de nos penitenciar porque, distraídos pelos regalos que a abastança nos proporcionava, nem demos conta dos sonhos megalómanos de quem elegemos para nos governar, da corrupção que se instalava, das negociatas descaradas que se desenrolavam diante dos nossos olhos e até dos compromissos pessoais que assumíamos sem condições para o fazer?
É óbvio que estou indignado, que me sinto frustrado, mas também me sinto culpado por me ter servido de um sistema que, tudo me mostrava, não podia ter vida longa.
O egoísmo destroçou a solidariedade, a ganância degradou o ambiente, a ânsia de crescimento exauriu os recursos naturais, circunstâncias que tentamos disfarçar com atitudes que o tempo mostrará não serem mais do que panaceias que apenas atrasarão o inevitável.
A solução? Mudar de vida! É isso que devemos exigir.
Não vale a pena fingir que não demos por nada, que outros tiveram a culpa mas não nós, pois ninguém acredita num milagre que, repentinamente, fizesse de Portugal um país rico onde todos pudessem viver à larga.
Acelerámos no consumo e travámos na produção. Eram direitos que, rapidamente, pensávamos ir conquistando!
SE, em vez disto, tivéssemos evoluído ao ritmo que nos era próprio, aquele que as nossas potencialidades pudessem suportar, não teríamos de voltar, agora, aos níveis de 1975, ou inferiores ainda.
Não me parece que alguém, em consciência, possa não se sentir culpado por este colapso que o simples bom senso poderia ter evitado ou, pelo menos, tornado bem menor.
Direitos foram consagrados sem se avaliar se seriam sustentáveis, regalias foram atribuídas como conquistas que a baixa produtividade não justificava, mordomias dantes não sonhadas tornaram-se próprias de uma nova classe de senhores. Tudo e do melhor, era a regra dos que viram chegada a hora de poderem ter a vida que, antes, noutros invejavam.
Por aqui aconteceu assim. Por outros lados considerados mais evoluídos, a ânsia de enriquecer despoletou artifícios financeiros dos quais resultaram as célebres “bolhas” que provocaram a euforia que também nos arrastou.
Perante esta realidade, rebelamo-nos contra o que? Mostramos a nossa insatisfação porque? Porque os salários terão de ser reduzidos aos valores possíveis? Porque direitos insustentáveis têm de ser ajustados? Porque bens adquiridos sem meios bastantes para o fazer são retirados? Porque teremos de reduzir o nível de vida ao que é possível sem artifícios financeiros?
Ou será que teremos de nos penitenciar porque, distraídos pelos regalos que a abastança nos proporcionava, nem demos conta dos sonhos megalómanos de quem elegemos para nos governar, da corrupção que se instalava, das negociatas descaradas que se desenrolavam diante dos nossos olhos e até dos compromissos pessoais que assumíamos sem condições para o fazer?
É óbvio que estou indignado, que me sinto frustrado, mas também me sinto culpado por me ter servido de um sistema que, tudo me mostrava, não podia ter vida longa.
O egoísmo destroçou a solidariedade, a ganância degradou o ambiente, a ânsia de crescimento exauriu os recursos naturais, circunstâncias que tentamos disfarçar com atitudes que o tempo mostrará não serem mais do que panaceias que apenas atrasarão o inevitável.
A solução? Mudar de vida! É isso que devemos exigir.
DIA INTERNACIONAL PARA IRRADICAÇÃO DA POBREZA
Num país onde a pobreza cresce a olhos vistos, onde cada vez mais gente sofre as agruras da fome, é uma necessidade urgente tomar providências para que a situação melhore.
Depois das duras medidas de austeridade, transitórias, que o governo decretou, ditadas pela necessidade urgente de poupar meios financeiros de modo a que sejam criadas disponibilidades para equilibrar as nossas contas com o exterior e reduzir o défice do Estado, há muitas outras atitudes, umas transitórias também e outras perenes, que deverão ser cuidadosa mas rapidamente definidas, esclarecidas e tomadas, sem as quais o objectivo de regularizar a economia portuguesa não passará de uma miragem.
Nas mãos do governo está, ainda, a possibilidade de reduzir despesas com a reorganização, fusão ou extinção de muitos organismos públicos que, ao longo de anos, se multiplicaram para criar cargos “adequados” aos “serventuários” dos novos senhores da cena nacional que um dito célebre imortalizou: JOBS FOR THE BOYS”!
Mas pouco mais do que isto poderá o governo fazer sem a colaboração de todos nós que deveremos participar no esforço nacional para recuperação da economia.
Não me parece que apenas as empresas exportadoras sejam importantes neste esforço, porque tão ou mais importante do que exportar é a redução das importações, substituídas por produção nacional que deve ser aumentada, sobretudo no que respeita a bens de alimentação, a par de uma drástica redução de importação de bens sumptuários cujo consumo foi excessivo nos últimos anos.
A crise pode trazer, deste modo, oportunidades em áreas onde, aos poucos e, como muita gente decerto se lembra, por imposição da famigerada PAC – Política Agrícola Comum – reduziu a produção agrícola e as pescas até quase não terem expressão económica.
Seriam movimentos com estas finalidades que gostaria de ver fomentados, em vez das greves gerais de que os dirigentes sindicalistas tanto necessitam para manter os seus privilégios.
Mas tarda o governo em apresentar medidas que complementem as que já tomou e se destinem, efectivamente, a dotar o país do que necessita para viver sem pobreza excessiva!
Depois das duras medidas de austeridade, transitórias, que o governo decretou, ditadas pela necessidade urgente de poupar meios financeiros de modo a que sejam criadas disponibilidades para equilibrar as nossas contas com o exterior e reduzir o défice do Estado, há muitas outras atitudes, umas transitórias também e outras perenes, que deverão ser cuidadosa mas rapidamente definidas, esclarecidas e tomadas, sem as quais o objectivo de regularizar a economia portuguesa não passará de uma miragem.
Nas mãos do governo está, ainda, a possibilidade de reduzir despesas com a reorganização, fusão ou extinção de muitos organismos públicos que, ao longo de anos, se multiplicaram para criar cargos “adequados” aos “serventuários” dos novos senhores da cena nacional que um dito célebre imortalizou: JOBS FOR THE BOYS”!
Mas pouco mais do que isto poderá o governo fazer sem a colaboração de todos nós que deveremos participar no esforço nacional para recuperação da economia.
Não me parece que apenas as empresas exportadoras sejam importantes neste esforço, porque tão ou mais importante do que exportar é a redução das importações, substituídas por produção nacional que deve ser aumentada, sobretudo no que respeita a bens de alimentação, a par de uma drástica redução de importação de bens sumptuários cujo consumo foi excessivo nos últimos anos.
A crise pode trazer, deste modo, oportunidades em áreas onde, aos poucos e, como muita gente decerto se lembra, por imposição da famigerada PAC – Política Agrícola Comum – reduziu a produção agrícola e as pescas até quase não terem expressão económica.
Seriam movimentos com estas finalidades que gostaria de ver fomentados, em vez das greves gerais de que os dirigentes sindicalistas tanto necessitam para manter os seus privilégios.
Mas tarda o governo em apresentar medidas que complementem as que já tomou e se destinem, efectivamente, a dotar o país do que necessita para viver sem pobreza excessiva!
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
O ERRO DO SOCIALISMO
Tudo tem o seu custo, mais alto ou mais baixo. É uma outra forma de dizer que não há almoço de graça, uma expressão que anda na boca dos economistas que tantas vezes, por certas decisões que tomam, parecem esquecer-se dela.
Por isso, podemos colocar na Constituição o que quisermos, que a assistência na doença é tendencialmente gratuita, que a educação também o será, que todos têm direito a uma habitação digna e ao trabalho, mais isto e mais aquilo, seja o que for, porque se não houver quem pague os respectivos custos acabará por não se ter nada ou ser cada um a pagar por aquilo de que necessite.
Por mais que o socialismo espere que um “maná” caia do céu para satisfazer as necessidades de todos mesmo as dos que para isso não se esforçam, que se não pode despedir e se deve continuar a pagar o salário a trabalhadores mesmo que não trabalhem, que as crises sempre são culpa dos outros, que reduzir os direitos que a Constituição consagra mesmo que não haja meios financeiros para os garantir é atentar contra o Estado Social, pense o socialismo o que pensar, a verdade é que a realidade, dura e implacável, acaba sempre por mostrar que quando se ultrapassa o que é razoável, vale o ditado que diz “quem tudo quer, tudo perde”! E não é a primeira vez que Portugal sente isso na pele.
É este o erro do socialismo que, talvez por isso, nunca existiu em lado algum porque não conseguiu erradicar a pobreza ou satisfazer as necessidades mais elementares de um povo nem consegue, sequer, ser a miragem que é, senão como “parasita” do capitalismo que, está à vista de todos, também ele se meteu num beco do qual talvez não seja capaz de sair incólume.
O erro do socialismo foi, pois, não ser capaz de criar as condições necessárias à sua própria existência.
Até no modo como Marx o concebeu, foi o capitalismo a sua razão de ser que, por isso, nunca deixou de ser o “pecado original” que o socialismo nunca arranjou modo de esconjurar.
Por isso não houve socialismo na União Soviética, na Polónia, na Hungria, na Bulgária, na Alemanha de Leste ou sei lá onde, como não há na China ou na Coreia do Norte, seja onde for.
Por isso, podemos colocar na Constituição o que quisermos, que a assistência na doença é tendencialmente gratuita, que a educação também o será, que todos têm direito a uma habitação digna e ao trabalho, mais isto e mais aquilo, seja o que for, porque se não houver quem pague os respectivos custos acabará por não se ter nada ou ser cada um a pagar por aquilo de que necessite.
Por mais que o socialismo espere que um “maná” caia do céu para satisfazer as necessidades de todos mesmo as dos que para isso não se esforçam, que se não pode despedir e se deve continuar a pagar o salário a trabalhadores mesmo que não trabalhem, que as crises sempre são culpa dos outros, que reduzir os direitos que a Constituição consagra mesmo que não haja meios financeiros para os garantir é atentar contra o Estado Social, pense o socialismo o que pensar, a verdade é que a realidade, dura e implacável, acaba sempre por mostrar que quando se ultrapassa o que é razoável, vale o ditado que diz “quem tudo quer, tudo perde”! E não é a primeira vez que Portugal sente isso na pele.
É este o erro do socialismo que, talvez por isso, nunca existiu em lado algum porque não conseguiu erradicar a pobreza ou satisfazer as necessidades mais elementares de um povo nem consegue, sequer, ser a miragem que é, senão como “parasita” do capitalismo que, está à vista de todos, também ele se meteu num beco do qual talvez não seja capaz de sair incólume.
O erro do socialismo foi, pois, não ser capaz de criar as condições necessárias à sua própria existência.
Até no modo como Marx o concebeu, foi o capitalismo a sua razão de ser que, por isso, nunca deixou de ser o “pecado original” que o socialismo nunca arranjou modo de esconjurar.
Por isso não houve socialismo na União Soviética, na Polónia, na Hungria, na Bulgária, na Alemanha de Leste ou sei lá onde, como não há na China ou na Coreia do Norte, seja onde for.
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