É cada vez mais evidente que os partidos políticos clássicos se encontram em fase de profunda agitação, com divergências profundas e com interesses díspares em evidente oposição.
O que se passa ou passou no PSD, onde uma corrente mais moderna continua a ser mal vista e criticada pelos “barões” que ela “desinstalou”, incluindo Rui Rio que, por vezes, toma atitudes que levam a pensar que já entendeu que a sua oportunidade passou, mostra bem como este partido está em transformação, passando de um conceito social-democrata que nunca foi capaz de materializar para uma posição neo-liberal que a situação do país e do mundo pode levar a ser repensada.
O PS ainda não entendeu que o socialismo é uma miragem e que até, na era de Sócrates, não passou de uma ideia bizarra que julgou poder praticar um “capital-socialismo” que quase levou o país à bancarrota. Hoje é um partido dirigido por um Secretário Geral carente de ideias, sem força e sem carisma que, tenta, a todo o custo, ter um lugar próprio, mas a quem os “socratistas” tornam a vida difícil.
O CDS adopta uma atitude dúbia que pretende abranger todas as áreas “nobres” do espetro político, enquanto os outros desperdiçam energias a tentar controlar os seus problemas. Porém, a indefinição não se pode manter eternamente...
Lá para os lados da auto denominada esquerda, o PCP vai estiolando, afundando-se numa ideologia caduca e já proscrita pela História, com ideias que a mais singela provação desmonta, enquanto o BE se desentende e divide numa via rápida para a desintegração que o cada vez mais diminuto apoio popular justifica.
Além de tudo isto, já não há ideologia que responda às necessidades de uma nova realidade que cada vez menos permite as loucuras de que a imaginação é capaz e os espetáculos políticos exigem.
A realidade exige a passagem para um patamar superior da política onde o faz-de-conta não tem lugar, onde não adianta fingir que as coisas são como desejamos e não como são, onde não adianta ignorar que o ambiente necessário à vida e muito sensível e que os recursos de que necessitamos para viver são escassos e cada vez menos abundantes.
Há teorias a abandonar, conceitos a rever e, sobretudo, um ambiente a preservar para que a Humanidade possa sobreviver.
Os resultados esperados da Conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, a decorrer em Durban, não serão animadores, continuando o Protocolo de Quioto a ser desrespeitado por quem mais polui para não prejudicar o crescimento da sua economia. Mas como poderá ter futuro uma economia que faz do ambiente o seu caixote do lixo?
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sábado, 10 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
AGORA SÃO OS JUÍZES...
Eu gostaria de ver os homens das leis a preocuparem-se com as razões que levaram o país a esta crise que amargamos de forma tão dura. Gostava de vê-los discutir se há matéria para julgar os responsáveis por esta tragédia que nos obriga a medidas excecionais para a podermos ultrapassar.
Sempre ouvi dizer que em tempo de guerra não se limpam armas, o que me leva a crer que em tempo de emergência nacional também não!
Privilegiados, nada fizeram até que lhes doeu no bolso, como me doi a mim e a muita gente que terá cortados os subsídios de férias e de Natal nos próximos dois anos, mas que prefere que seja assim a andarmos permanentemente a perder o pouco que temos até não termos nada para além das leis!
De uma classe da qual esperaria uma visão das coisas acima da média, vem agora uma atitude que dizem ser de imperativo legal, a qual tem em vista impedir que o governo tome as medidas indispensáveis á recuperação da credibilidade do país perante os seus credores. Se lhes fosse dada atenção, Portugal não cumpriria os compromissos que assumiu e isso traduzir-se-ia em mais austeridade que, queira Deus que não, faria perigar o pagamento dos vencimentos e não apenas dos subsídios.
A Constituição é, sem a menor dúvida, muito importante, mas não é ela quem paga as dívidas que fizemos e teremos de pagar se desejarmos continuar a pertencer ao mundo dito evoluído.
Se o momento é de emergência, as medidas terão de o ser, também.
Sem me sentir responsável pela situação que vivemos, tanto porque me insurgi contra as loucuras de gastos do Estado como os incentivos despudorados a um consumo excessivo que já levou à falência milhares e milhares de famílias, sinto que terei de aceitar as medidas que visam combatê-la, sem pruridos de legitimidades que tanto poderiam ser estas como outras quaisquer.
Mas o Presidente da República deu o mote e agora vai ter de se haver com isso. Veremos.
Sempre ouvi dizer que em tempo de guerra não se limpam armas, o que me leva a crer que em tempo de emergência nacional também não!
Privilegiados, nada fizeram até que lhes doeu no bolso, como me doi a mim e a muita gente que terá cortados os subsídios de férias e de Natal nos próximos dois anos, mas que prefere que seja assim a andarmos permanentemente a perder o pouco que temos até não termos nada para além das leis!
De uma classe da qual esperaria uma visão das coisas acima da média, vem agora uma atitude que dizem ser de imperativo legal, a qual tem em vista impedir que o governo tome as medidas indispensáveis á recuperação da credibilidade do país perante os seus credores. Se lhes fosse dada atenção, Portugal não cumpriria os compromissos que assumiu e isso traduzir-se-ia em mais austeridade que, queira Deus que não, faria perigar o pagamento dos vencimentos e não apenas dos subsídios.
A Constituição é, sem a menor dúvida, muito importante, mas não é ela quem paga as dívidas que fizemos e teremos de pagar se desejarmos continuar a pertencer ao mundo dito evoluído.
Se o momento é de emergência, as medidas terão de o ser, também.
Sem me sentir responsável pela situação que vivemos, tanto porque me insurgi contra as loucuras de gastos do Estado como os incentivos despudorados a um consumo excessivo que já levou à falência milhares e milhares de famílias, sinto que terei de aceitar as medidas que visam combatê-la, sem pruridos de legitimidades que tanto poderiam ser estas como outras quaisquer.
Mas o Presidente da República deu o mote e agora vai ter de se haver com isso. Veremos.
domingo, 4 de dezembro de 2011
INDIGNAÇÃO, PARA QUE?
É desagradável, mesmo mais do que isso até, não receber os subsídios de férias e de Natal em 2012 e em 2013. E eu não vou receber!
É desagradável, diria até que frustrante ter reclamado tantas vezes pelas atitudes irrefletidas de um governo gastador e perdulário e agora, ao ser penalizado, de nada me valer reclamar de uma austeridade cuja alternativa seria não me pagarem a pensão que mais de quarenta e cinco anos de contribuições justificam.
Sinto-me indignado, pois claro! Mas de que me serviria reclamar se não há condições para ser de outra maneira?
Se me conformo? Claro que não! E ainda mais quando não tenho assim tanto tempo para esperar por uma recuperação económica que, por este andar, pode até nem chegar.
De que me adianta apelar à possível inconstitucionalidade da medida ou, como hoje li, algures no face book, que Sá Carneiro tenha dito que os subsídios de férias e de Natal eram impenhoráveis e inalienáveis? Será que o disse? Nem isso me interessa.
O país julgou que estava rico, o crédito fácil dava para tudo. Era uma grande farra e a quem chamasse a atenção para os riscos destas fantasias, logo alguém dizia “lá está este com o discurso da tanga”!
Tudo isto me faz lembrar uma anedota muito antiga, daqueles tempos em que a visita de marinheiros americanos era uma festa e uma oportunidade para alguns fazerem bons negócios. Foi o caso de um comerciante espertalhão que vendia leitões e conseguiu impingir, a dois marinheiros, um dos seus bichos por quinhentos escudos, um “monte” de dinheiro naqueles tempos e mais do que o triplo do preço justo. Fazendo aquela cena de estarem “desprevenidos” mas que iriam ao navio buscar o dinheiro e voltavam já, pegaram no leitão e lá convenceram o homem que, plantado no cais, ficou à espera do dinheiro. Mas em vez do regresso dos marujos, o homem viu o barco zarpar!!! Primeiro danou-se mas, depois, reconhecendo a inutilidade da sua indignação confortou-se pensando “não mo pagaram, mas vendi-o bem vendido!”
É desagradável, diria até que frustrante ter reclamado tantas vezes pelas atitudes irrefletidas de um governo gastador e perdulário e agora, ao ser penalizado, de nada me valer reclamar de uma austeridade cuja alternativa seria não me pagarem a pensão que mais de quarenta e cinco anos de contribuições justificam.
Sinto-me indignado, pois claro! Mas de que me serviria reclamar se não há condições para ser de outra maneira?
Se me conformo? Claro que não! E ainda mais quando não tenho assim tanto tempo para esperar por uma recuperação económica que, por este andar, pode até nem chegar.
De que me adianta apelar à possível inconstitucionalidade da medida ou, como hoje li, algures no face book, que Sá Carneiro tenha dito que os subsídios de férias e de Natal eram impenhoráveis e inalienáveis? Será que o disse? Nem isso me interessa.
O país julgou que estava rico, o crédito fácil dava para tudo. Era uma grande farra e a quem chamasse a atenção para os riscos destas fantasias, logo alguém dizia “lá está este com o discurso da tanga”!
Tudo isto me faz lembrar uma anedota muito antiga, daqueles tempos em que a visita de marinheiros americanos era uma festa e uma oportunidade para alguns fazerem bons negócios. Foi o caso de um comerciante espertalhão que vendia leitões e conseguiu impingir, a dois marinheiros, um dos seus bichos por quinhentos escudos, um “monte” de dinheiro naqueles tempos e mais do que o triplo do preço justo. Fazendo aquela cena de estarem “desprevenidos” mas que iriam ao navio buscar o dinheiro e voltavam já, pegaram no leitão e lá convenceram o homem que, plantado no cais, ficou à espera do dinheiro. Mas em vez do regresso dos marujos, o homem viu o barco zarpar!!! Primeiro danou-se mas, depois, reconhecendo a inutilidade da sua indignação confortou-se pensando “não mo pagaram, mas vendi-o bem vendido!”
sábado, 3 de dezembro de 2011
A REMODELAÇÃO ADMINISTRATIVA
Continuo a ver no discurso do ministro da Presidência, Miguel Relvas, uma pobreza franciscana, uma ignorância pasmosa do que seja o problema da Administração Local no nosso país.
Um problema mal resolvido ou nem sequer resolvido há demasiado tempo, não pode ser encarado e tratado deste modo e com o simples propósito de reduzir custos.
O propósito da administração é criar condições de desenvolvimento, de prosperidade através da melhor gestão possível dos recursos locais, pelo que a organização administrativa do território deve ser motivo de estudos profundos que envolvem os mais variados aspetos e nunca o resultado de decisões avulsas tomadas por um governo ou de negociações com os autarcas.
Desde 1976 que a Constituição Portuguesa impõe a regionalização administrativa do país, sem que os diversos governos lhe tenham prestado a atenção que deveriam.
Aliás, um lamentável referendo que o Partido Socialista promoveu, mal preparado e mal discutido, provou a falta de visão dos nossos políticos neste domínio da administração territorial, do que resulta a desarticulação territorial que, cada vez mais, acentua desníveis económicos profundos.
Além disso, um inadequado plano rodoviário não favorecerá o desenvolvimento do interior, tendo em conta as elevadas portagens a que a falência do projecto vai obrigar.
Penso que neste aspeto da administração local, ao contrário de outros em que qualquer alternativa é má e os resultados são urgentes, as coisas se deveriam fazer com um pouco mais de tempo e, sobretudo, muita inteligência.
Nota: ver, neste blog, o texto “um concelho com futuro ou um trás-de-serra ignorado”.
Um problema mal resolvido ou nem sequer resolvido há demasiado tempo, não pode ser encarado e tratado deste modo e com o simples propósito de reduzir custos.
O propósito da administração é criar condições de desenvolvimento, de prosperidade através da melhor gestão possível dos recursos locais, pelo que a organização administrativa do território deve ser motivo de estudos profundos que envolvem os mais variados aspetos e nunca o resultado de decisões avulsas tomadas por um governo ou de negociações com os autarcas.
Desde 1976 que a Constituição Portuguesa impõe a regionalização administrativa do país, sem que os diversos governos lhe tenham prestado a atenção que deveriam.
Aliás, um lamentável referendo que o Partido Socialista promoveu, mal preparado e mal discutido, provou a falta de visão dos nossos políticos neste domínio da administração territorial, do que resulta a desarticulação territorial que, cada vez mais, acentua desníveis económicos profundos.
Além disso, um inadequado plano rodoviário não favorecerá o desenvolvimento do interior, tendo em conta as elevadas portagens a que a falência do projecto vai obrigar.
Penso que neste aspeto da administração local, ao contrário de outros em que qualquer alternativa é má e os resultados são urgentes, as coisas se deveriam fazer com um pouco mais de tempo e, sobretudo, muita inteligência.
Nota: ver, neste blog, o texto “um concelho com futuro ou um trás-de-serra ignorado”.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
PARA QUE A GREVE?
Infelizmente, desmandos e incompetência de governação levaram-nos a esta condição de dependência que nos custa uma austeridade difícil se suportar.
Está mais do que dito, está mais do que esclarecido porque chegámos a este ponto. Aliás, foi esta situação difícil e complicada que esteve na origem das eleições que levaram à mudança de governo. Mais do que isso, foi antes das eleições que um acordo de ajuda financeira a Portugal, inteiramente negociado pelo anterior governo, foi celebrado. Nele se reconheceu a absoluta necessidade de uma ajuda financeira significativa que, naturalmente, previa condições.
As eleições foram disputadas nestas condições e nelas não era possível escamotear nem a situação difícil que se vivia nem o peso que teriam as medidas de austeridade para a superar. E pareceu que a maioria de nós havia tomado perfeita consciência da situação e, em consequência, havia decidido que era indispensável mudar de rumo e, mais do que isso, que era urgente sanear uma situação financeira pouco esclarecida e por as contas em dia!
Na campanha eleitoral foram confrontadas todas as propostas, desde as do BE às do CDS, incluindo as do partido que então governava, e dela resultou uma vontade política clara que levou os eleitores a entregarem a tarefa de uma governação particularmente especial e difícil a uma maioria.
Depois, democraticamente, deveríamos apoiar todos o governo de Portugal que dela resultasse (assim o consagram os princípios democráticos que todos dizem aceitar), bem como dar-lhe condições para governar.
Porém, em vez disso, não se fizeram esperar as reclamações daqueles que, por decisão do povo perderam as eleições. Foram subindo de tom até ao ponto de levarem a uma greve geral que terá lugar amanhã, dia 24 de Novembro.
Porque qualquer greve significa um protesto contra qualquer coisa, uma medida para tentar alterar uma qualquer situação, eu sinto a necessidade de perguntar contra o que é esta greve e que mudança pretende forçar. E só me ocorre uma explicação: esta greve é contra os resultados eleitorais que a maioria dos eleitores decidiu e contra o governo que a maioria de nós elegeu! Serão as greves mais legítimas e mais democráticas do que as eleições?
Por isso esta greve me parece um contra-senso.
Decerto, nunca pela cabeça dos mentores da greve alguma vez passou a ideia de assumir a responsabilidade de uma governação, nem a maioria de nós alguma vez cometeria a leviandade de lha confiar!
Além disso, nenhuma das razões invocadas são confirmadas por resultados práticos que ainda não foi possível alcançar mas, tão só, por argumentos que nunca serão testados por qualquer ação governativa.
Então, porque a greve? Para pedir ao Otelo que faça outra revolução?
Penso que não deveríamos cair neste ridículo de fazer da greve uma arma política que outros resultados não terá para além de complicar, ainda mais, a vida a quem se esforça por reorganizá-la!
Está mais do que dito, está mais do que esclarecido porque chegámos a este ponto. Aliás, foi esta situação difícil e complicada que esteve na origem das eleições que levaram à mudança de governo. Mais do que isso, foi antes das eleições que um acordo de ajuda financeira a Portugal, inteiramente negociado pelo anterior governo, foi celebrado. Nele se reconheceu a absoluta necessidade de uma ajuda financeira significativa que, naturalmente, previa condições.
As eleições foram disputadas nestas condições e nelas não era possível escamotear nem a situação difícil que se vivia nem o peso que teriam as medidas de austeridade para a superar. E pareceu que a maioria de nós havia tomado perfeita consciência da situação e, em consequência, havia decidido que era indispensável mudar de rumo e, mais do que isso, que era urgente sanear uma situação financeira pouco esclarecida e por as contas em dia!
Na campanha eleitoral foram confrontadas todas as propostas, desde as do BE às do CDS, incluindo as do partido que então governava, e dela resultou uma vontade política clara que levou os eleitores a entregarem a tarefa de uma governação particularmente especial e difícil a uma maioria.
Depois, democraticamente, deveríamos apoiar todos o governo de Portugal que dela resultasse (assim o consagram os princípios democráticos que todos dizem aceitar), bem como dar-lhe condições para governar.
Porém, em vez disso, não se fizeram esperar as reclamações daqueles que, por decisão do povo perderam as eleições. Foram subindo de tom até ao ponto de levarem a uma greve geral que terá lugar amanhã, dia 24 de Novembro.
Porque qualquer greve significa um protesto contra qualquer coisa, uma medida para tentar alterar uma qualquer situação, eu sinto a necessidade de perguntar contra o que é esta greve e que mudança pretende forçar. E só me ocorre uma explicação: esta greve é contra os resultados eleitorais que a maioria dos eleitores decidiu e contra o governo que a maioria de nós elegeu! Serão as greves mais legítimas e mais democráticas do que as eleições?
Por isso esta greve me parece um contra-senso.
Decerto, nunca pela cabeça dos mentores da greve alguma vez passou a ideia de assumir a responsabilidade de uma governação, nem a maioria de nós alguma vez cometeria a leviandade de lha confiar!
Além disso, nenhuma das razões invocadas são confirmadas por resultados práticos que ainda não foi possível alcançar mas, tão só, por argumentos que nunca serão testados por qualquer ação governativa.
Então, porque a greve? Para pedir ao Otelo que faça outra revolução?
Penso que não deveríamos cair neste ridículo de fazer da greve uma arma política que outros resultados não terá para além de complicar, ainda mais, a vida a quem se esforça por reorganizá-la!
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
COM QUE ENTÃO CAIU NA ASNEIRA...
Eu não tinha quaisquer dúvidas de que estávamos perante uma crise que, com as que a antecederam, apenas tinha de comum o facto de fazer parte de uma série em que a grandeza aumentava e o período de retorno decrescia!
Mas quando a própria diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, o reconhece publicamente no programa 60 minutos da CBS, dizendo que é uma crise “muito grave e sem precedentes”, apenas me pergunto porque não viram logo isto em 2008! Antes de se tornar evidente, a crise deu sinais claros de rara virulência que os especialistas não valorizaram devidamente. Como poderiam, empresas de enorme dimensão, daquelas que se consideram potentados, falir tão rotundamente e sem que nada antes o fizesse prever, como aconteceu com a WorldCom, a Enron Corp e a Global Crossing Co?
Como era possível que as famigeradas empresas de notação financeira colocassem no topo um banco, o Lemhon Brothers, que tinha mais buracos do que um queijo gruyère?
Especialistas conceituadíssimos, alguns Prémios Nobel até, disseram os mais sofisticados disparates, adiantaram as mais variadas causas, propuseram “óbvias” soluções e alguns chegaram a ver a luz ao fundo do túnel! Mas era evidente, pelos sintomas que crise apresentava, pela sequência de eventos em que se traduzia e pelas consequências gravíssimas que tinha, que estávamos numa situação inédita de dimensão incalculável e previsivelmente insustentável, podendo dizer-se, até, que esta crise seria a consequência lógica de um longo período de manigâncias financeiras que a muitos tolos fizeram crer tratar-se de um milagre que a todos faria ricos!
Afinal, grandes empresas não eram mais do que fachadas imponentes, grandes bancos não eram mais do que criativas fantochadas contabilísticas e até a técnica da portuguesíssima Dª Branca, desenvolvida e posta em prática entre nós na década de cinquenta do século passado, teve direito ao reconhecimento mundial que essa “genial artimanha” merecia e... teve o mesmo fim, mas com outro protagonista, Madoff!
A maioria, os que agora se dizem os 99% que têm direito à indignação, também gostou do logro enorme que a fantasia financeira montou e dela se aproveitou descuidadamente, gastando o que não tinha nem podia ter!
Agora está tudo mais claro e, mesmo assim, ouvem-se os estoiros dos últimos foguetes, como se tudo não passasse de um sonho mau que se dissipará quando acordarmos. Mas não será assim.
E só me apetece começar a dizer aquele poema de João de Deus que começa: “com que então caiu na asneira...”
Mas quando a própria diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, o reconhece publicamente no programa 60 minutos da CBS, dizendo que é uma crise “muito grave e sem precedentes”, apenas me pergunto porque não viram logo isto em 2008! Antes de se tornar evidente, a crise deu sinais claros de rara virulência que os especialistas não valorizaram devidamente. Como poderiam, empresas de enorme dimensão, daquelas que se consideram potentados, falir tão rotundamente e sem que nada antes o fizesse prever, como aconteceu com a WorldCom, a Enron Corp e a Global Crossing Co?
Como era possível que as famigeradas empresas de notação financeira colocassem no topo um banco, o Lemhon Brothers, que tinha mais buracos do que um queijo gruyère?
Especialistas conceituadíssimos, alguns Prémios Nobel até, disseram os mais sofisticados disparates, adiantaram as mais variadas causas, propuseram “óbvias” soluções e alguns chegaram a ver a luz ao fundo do túnel! Mas era evidente, pelos sintomas que crise apresentava, pela sequência de eventos em que se traduzia e pelas consequências gravíssimas que tinha, que estávamos numa situação inédita de dimensão incalculável e previsivelmente insustentável, podendo dizer-se, até, que esta crise seria a consequência lógica de um longo período de manigâncias financeiras que a muitos tolos fizeram crer tratar-se de um milagre que a todos faria ricos!
Afinal, grandes empresas não eram mais do que fachadas imponentes, grandes bancos não eram mais do que criativas fantochadas contabilísticas e até a técnica da portuguesíssima Dª Branca, desenvolvida e posta em prática entre nós na década de cinquenta do século passado, teve direito ao reconhecimento mundial que essa “genial artimanha” merecia e... teve o mesmo fim, mas com outro protagonista, Madoff!
A maioria, os que agora se dizem os 99% que têm direito à indignação, também gostou do logro enorme que a fantasia financeira montou e dela se aproveitou descuidadamente, gastando o que não tinha nem podia ter!
Agora está tudo mais claro e, mesmo assim, ouvem-se os estoiros dos últimos foguetes, como se tudo não passasse de um sonho mau que se dissipará quando acordarmos. Mas não será assim.
E só me apetece começar a dizer aquele poema de João de Deus que começa: “com que então caiu na asneira...”
QUESTÕES DE AMBIENTE
(Publicado na edição de novembro do NM)
Não imaginaria Papin, ao reparar como o vapor de água tinha força para levantar a tampa da sua “marmita”, as consequências que teria este seu achado! Foi o ponto de partida para a “Revolução Industrial”, o começo desta corrida louca em que o mundo se lançou, numa velocidade que aumenta a cada passo que dá.
A paisagem vai ficando diferente, mais cinzenta por onde a “revolução” se espraia. Chaminés, cada vez mais numerosas, lançam no céu núvens brancas de vapor de água e fumos negros da queima de madeira ou de carvão. Ao mesmo tempo, as fábricas desembaraçam-se das águas sujas que carreiam resíduos dos processos industriais que se entranham na terra e rios e ribeiras espalham por toda a parte.
Nascem aglomerados urbano-industriais onde as condições sanitárias se degradam à medida que crescem. As linhas de água naturais que os atravessam transformam-se em cloacas pestilentas. A ânsia de produzir mais e mais, de fazer rápida fortuna, não deixa tempo para pensar em mais. Aos poucos, as águas perdem transparência e a pureza natural, o ar perde a leveza que era saudável respirar, o brilho do Sol esmaece filtrado pelos vapores e poeiras que chaminés vomitam, cinzas caídas do céu matam a cor e o brilho do verde dos campos, chuvas ácidas desfolham extensas áreas de floresta e as explorações mineiras rasgam cada vez mais fundo o ventre da Terra.
A utilização do petróleo acelera todo o processo industrial que este novo combustível tornou mais ágil.
Depressa se notaram os inconvenientes desta cinzenta revolução. Mas a alternativa era, como então se dizia, a miséria. Como se nada pudesse evitar o mal que causavam à “casa de todos nós” que, então, nos parecia imensa, a poluição crescia e nada parecia demover os poderes que permitiam que tal acontecesse, que nada faziam para o evitar em nome do que diziam ser uma cruel mas inevitável dicotomia, “poluição ou miséria”, da qual faziam a razão para aceitar um mundo cada vez mais sujo e insalubre.
Passou muito, muito tempo até que organizações que tinham o ambiente como sua preocupação afrontaram os poderes políticos que, por isso, não puderam continuar a ignorar mais os malefícios da poluição crescente de que uma “economia fulgurante” era a causa.
As questões ambientais foram quase totalmente ignoradas até à década de setenta do Século XX. Porém, muito mal havia já sido feito, bem como muitas consciências haviam já despertado para as consequências de uma atividade cujo objetivo rapidamente passava da satisfação das necessidades humanas para o consumismo puro que sustenta o crescimento económico que satisfaz a ganância de alguns, vai exaurindo recursos e degradando o ambiente de todos.
Apesar de as questões ambientais terem sido integradas nos programas políticos, o consumismo não abranda e tudo vai tornando transitório, num usa e deita fora leviano que se converte num incalculável volume de resíduos que se espalha por toda a parte, se acumula em lixeiras ou se queima para originar mais fumos que lançam na atmosfera uma parte da poluição que contêm.
Atingiram-se níveis excessivos de poluição da terra, da água e do ar, ao mesmo tempo que outros efeitos nefastos que nem se imaginavam, como o efeito de estufa, a destruição da camada de ozono e as alterações climáticas por exemplo, se foram manifestando como problemas críticos, com muitos efeitos que a realidade já não perrmite ignorar.
A segunda revolução industrial, a era atómica e a era espacial, juntamente com o desenvolvimento dos “serviços”, fazem nascer novas indústrias tecnologicamente mais avançadas que levam os países “ricos” a “exportar” as indústrias “sujas” e mais exigentes de mão de obra menos qualificada, instalando-as em países sem regras e sem leis que defendam os trabalhadores ou protejam o ambiente. Depois, importam os bens produzidos a custo mais baixo do que se fossem de sua produção, apesar dos sérios atropelos aos direitos humanos que dizem defender e dos danos cada vez mais descontrolados ao ambiente que dizem proteger!
Fazem-se cimeiras inconclusivas ou cujas resoluções os maiores poluidores se dão ao luxo de não acatar porque prejudicam as suas economias e contornam-se os limites de emissões poluentes comprando quotas de emissão de países sem atividade económica significativa! Exportam-se resíduos tóxicos e perigosos para países pobres que aceitam os perigos de os dispor sem regras e sem cuidados ambientais e de saúde pública, em troca de uns tostões que raramente se destinam a minorar um pouco as carências das pobres populações e, tantas vezes, reforçam fortunas ilícitas.
Mas porque o Ambiente é um todo que não reconhece fronteiras, é fácil entender que as soluções adotadas não passam de ineficazes artifícios que não vão parar o acréscimo de degradação ambiental global que causa problemas sérios que esta nossa forma irresponsável de viver vai acumulando.
Apesar do que o génio humano possa fazer para minorar os danos, já ocorrem consequências que não vamos conseguir reverter e, por isso, vão condicionar o futuro de forma ainda difícil de quantificar, sobretudo no que diz respeito aos desastres ecológicos que, cada vez mais intensos, vão acontecer.
Rui de Carvalho
23 outubro 2011
Não imaginaria Papin, ao reparar como o vapor de água tinha força para levantar a tampa da sua “marmita”, as consequências que teria este seu achado! Foi o ponto de partida para a “Revolução Industrial”, o começo desta corrida louca em que o mundo se lançou, numa velocidade que aumenta a cada passo que dá.
A paisagem vai ficando diferente, mais cinzenta por onde a “revolução” se espraia. Chaminés, cada vez mais numerosas, lançam no céu núvens brancas de vapor de água e fumos negros da queima de madeira ou de carvão. Ao mesmo tempo, as fábricas desembaraçam-se das águas sujas que carreiam resíduos dos processos industriais que se entranham na terra e rios e ribeiras espalham por toda a parte.
Nascem aglomerados urbano-industriais onde as condições sanitárias se degradam à medida que crescem. As linhas de água naturais que os atravessam transformam-se em cloacas pestilentas. A ânsia de produzir mais e mais, de fazer rápida fortuna, não deixa tempo para pensar em mais. Aos poucos, as águas perdem transparência e a pureza natural, o ar perde a leveza que era saudável respirar, o brilho do Sol esmaece filtrado pelos vapores e poeiras que chaminés vomitam, cinzas caídas do céu matam a cor e o brilho do verde dos campos, chuvas ácidas desfolham extensas áreas de floresta e as explorações mineiras rasgam cada vez mais fundo o ventre da Terra.
A utilização do petróleo acelera todo o processo industrial que este novo combustível tornou mais ágil.
Depressa se notaram os inconvenientes desta cinzenta revolução. Mas a alternativa era, como então se dizia, a miséria. Como se nada pudesse evitar o mal que causavam à “casa de todos nós” que, então, nos parecia imensa, a poluição crescia e nada parecia demover os poderes que permitiam que tal acontecesse, que nada faziam para o evitar em nome do que diziam ser uma cruel mas inevitável dicotomia, “poluição ou miséria”, da qual faziam a razão para aceitar um mundo cada vez mais sujo e insalubre.
Passou muito, muito tempo até que organizações que tinham o ambiente como sua preocupação afrontaram os poderes políticos que, por isso, não puderam continuar a ignorar mais os malefícios da poluição crescente de que uma “economia fulgurante” era a causa.
As questões ambientais foram quase totalmente ignoradas até à década de setenta do Século XX. Porém, muito mal havia já sido feito, bem como muitas consciências haviam já despertado para as consequências de uma atividade cujo objetivo rapidamente passava da satisfação das necessidades humanas para o consumismo puro que sustenta o crescimento económico que satisfaz a ganância de alguns, vai exaurindo recursos e degradando o ambiente de todos.
Apesar de as questões ambientais terem sido integradas nos programas políticos, o consumismo não abranda e tudo vai tornando transitório, num usa e deita fora leviano que se converte num incalculável volume de resíduos que se espalha por toda a parte, se acumula em lixeiras ou se queima para originar mais fumos que lançam na atmosfera uma parte da poluição que contêm.
Atingiram-se níveis excessivos de poluição da terra, da água e do ar, ao mesmo tempo que outros efeitos nefastos que nem se imaginavam, como o efeito de estufa, a destruição da camada de ozono e as alterações climáticas por exemplo, se foram manifestando como problemas críticos, com muitos efeitos que a realidade já não perrmite ignorar.
A segunda revolução industrial, a era atómica e a era espacial, juntamente com o desenvolvimento dos “serviços”, fazem nascer novas indústrias tecnologicamente mais avançadas que levam os países “ricos” a “exportar” as indústrias “sujas” e mais exigentes de mão de obra menos qualificada, instalando-as em países sem regras e sem leis que defendam os trabalhadores ou protejam o ambiente. Depois, importam os bens produzidos a custo mais baixo do que se fossem de sua produção, apesar dos sérios atropelos aos direitos humanos que dizem defender e dos danos cada vez mais descontrolados ao ambiente que dizem proteger!
Fazem-se cimeiras inconclusivas ou cujas resoluções os maiores poluidores se dão ao luxo de não acatar porque prejudicam as suas economias e contornam-se os limites de emissões poluentes comprando quotas de emissão de países sem atividade económica significativa! Exportam-se resíduos tóxicos e perigosos para países pobres que aceitam os perigos de os dispor sem regras e sem cuidados ambientais e de saúde pública, em troca de uns tostões que raramente se destinam a minorar um pouco as carências das pobres populações e, tantas vezes, reforçam fortunas ilícitas.
Mas porque o Ambiente é um todo que não reconhece fronteiras, é fácil entender que as soluções adotadas não passam de ineficazes artifícios que não vão parar o acréscimo de degradação ambiental global que causa problemas sérios que esta nossa forma irresponsável de viver vai acumulando.
Apesar do que o génio humano possa fazer para minorar os danos, já ocorrem consequências que não vamos conseguir reverter e, por isso, vão condicionar o futuro de forma ainda difícil de quantificar, sobretudo no que diz respeito aos desastres ecológicos que, cada vez mais intensos, vão acontecer.
Rui de Carvalho
23 outubro 2011
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