ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 21 de janeiro de 2012

COMO CRIOU DEUS O MUNDO?

(publicado na edição de janeiro 2012 do Notícias de Manteigas)

Diz-se que o Homem põe e Deus dispõe. E calha bem porque, desta vez, altero o meu plano de temas no NM para falar da “partícula de Deus”. É uma questão de oportunidade que uma publicação mensal torna difícil de gerir.
Mas não poderia ignorar a grande excitação do momento no mundo da Ciência que crê encontrar-se no limiar de uma descoberta excecional para o entendimento de nós próprios, das nossas origens e da “realidade” da qual somos parte.
Quando, há quanto tempo já não sei, aqui dei o meu testemunho da existência de Deus, apresentei como um dos argumentos a “fórmula universal” em que Einstein relaciona a energia com a massa através do quadrado de uma constante universal. Não é uma fórmula empírica a que o grande físico nos deixou. Por isso, tal como outras teorias, carece de verificação experimental que, no caso, consiste em esclarecer a transformação que corresponde àquela equivalência.
A Física Quântica, a física das pequenas partículas, permitiu a Higgs, trabalhando ideias que outro físico havia já aflorado, ter a perceção teórica de uma partícula subatómica que, a existir, será a chave de tal questão porque completrá a teoria de relação de forças elementares designada “modêlo padrão”. A essa partícula foi dada a designação de ”bosão de Higgs”, sendo a designação “partícula de Deus” a que os mais espiritualistas lhe deram pelo que seria a sua “função” na “criação” do Universo, no tão falado Big Bang.
Um “bosão” não é mais do que um dado tipo de partícula elementar identificada pelo físico Nath Bose, de cujo nome resulta a designação.
Teoricamente, as partículas materiais não têm massa intrínseca pelo que a que aparentam não passa de um efeito da sua interação com um campo de forças que abrange todo o Universo, denominado “Campo de Higgs”. Quanto mais forte a interação maior a massa, sendo nula a das partículas que, com ele, não interagem. Numa linguagem mais simples, aquele campo será como um filtro através do qual as partículas derivadas da energia pelo aparecimento e decaimento do bosão de Higgs adquirem ou não massa, pelo que um mundo intangível coexiste com este mundo material a que pertencemos. Um outro motivo para cogitação futura.
A existência do bosão de Higgs é o que os cientistas procuram nas experiências que efetuam no Centro Europeu de Investigação Nuclear e são realizadas no “super acelerador de partículas”, subterrâneo e circular com cerca de vinte e sete quilómetros de perímetro, cuja construção, em subsolo francês e suiço, foi alvo de sérias advertências por poder constituir, como alguns temiam, um perigo maior do que o maior conflito nuclear em que o mundo se pudesse envolver ou o impacto de um grande meteoro sobre a Terra. O receio era a possível criação de um “buraco negro” que engolisse o planeta senão, até, todo o Sistema Solar! As experiências já decorrem há tempo bastante para afastar esse receio que, aliás, a maioria dos cientistas contestava.
Consistem os trabalhos em acelerar protões até velocidades muitíssimo próximas da velocidade da luz para os fazer chocar entre si, criando condições semelhantes às do “big bang” e, deste modo, provocar o aparecimento do bosão cuja existência Higgs previu. Este aparece e desfaz-se, originando outras partículas, num espaço de tempo tão ínfimo que torna difícil a sua deteção. Porém, os resultados já alcançados, em particular os mais recentes e anunciados no último mês de 2011, quase permitem a confirmação do que a teoria prediz. Mas a prudência científica não consente a veleidade de a antecipar. Os investigadores esperam que, ao longo de 2012, serão recolhidos dados bastantes para uma conclusão final.
Será um passo imenso para uma melhor perceção do Universo e para o conhecimento de como ele foi gerado e, quiçá, uma alteração profunda no modo de encarar as coisas neste nosso mundo, compreendendo melhor o Todo do qual emana.
Um outro passo que a Ciência procura dar é a eventual descoberta de vida fora da Terra e, mesmo até, da descoberta da existência de outros seres semelhantes aos humanos em qualquer outro planeta na imensidão do Espaço em que o nosso também navega.
Os astrónomos acabam de encontrar um planeta com caraterísticas de temperatura idênticas às da Terra e em zona onde a existência de água líquida é provável. Por enquanto nada mais do que isso. Mas quem sabe o que seguirá se a água é o berço natural da vida?
Pouco a pouco, a Ciência vai-nos revelando factos cuja grandeza ultrapassa a capacidade do entendimento comum mas que, depois de compreendidos, podem fazer surgir outras formas de olhar o mundo e a vida, mas que nunca porão em causa a existência de um Princípio, de um Ser que é a razão de ser de todos os demais!
A Ciência não tem uma visão romântica nem fantasiosa das coisas como a que têm os que interpretam ou descrevem o que transcende o seu entendimento. Mostra factos e situações que, depois, haverá que interpretar com muito cuidado mas sem preconceitos, quantas vezes obrigando a rever “certezas” que antes julgávamos seguras. Por isso, perante o que a Ciência revela, terá de haver um enorme trabalho de interpretação do qual talvez resulte um modo diferente de contar como Deus criou o mundo e, porventura, uma nova forma de entender a nossa relação com Ele.
Em vez de repudiar as novas descobertas da Ciência como sucedeu com Galileu pela sua teoria heliocentrista que levou a Inquisição a condená-lo, há que aceitar o que elas vão revelando porque, pela capacidade de perceção com que nos dotou, Deus vai-nos deixando conhecer a Sua Obra. Assim, através da Ciência, Deus se revela ao Homem.
Nota: Não foi possível, num texto como este, evitar algumas concessões à simplificação da linguagem e da interpretação de factos para o tornar mais acessível sem, contudo, lhe retirar o rigor bastante que a matéria versada exige.
Rui de Carvalho
16 Dezembro 2011

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A CRISE DA DEMOCRACIA?

Nota introdutória: a propósito de uma sondagem que indica que apenas 56% dos portugueses ainda acreditam que a Democracia é o melhor sistema político.

Atribui-se a Winston Churchil a afirmação de que “a Democracia é o pior dos regimes, com exceção dos demais conhecidos”. O duro resistente anti-nazi cuja persistência salvou a Europa de uma ditadura desumana e feroz, parecia conhecer bem os podres de um regime que, afinal, se pode prestar aos mesmos abusos de qualquer outro.
Também já, na Antiguidade, Aristóteles dizia, comparando os vários regimes, que todos são bons ou não prestam, dependendo dos seus atores.
Afinal, já todos nos demos conta do poder infernal daquelas cadeiras em que tantas vezes se sentam as melhores intenções que, depois, como que por mistério desaparecem!
Longe de mim generalizar, mas o poder é como a ferrugem que vai corroendo até o aço mais duro e talvez por isso seja tão desejado.
Não deixa de ser curiosa uma comparação entre o que se considera o maior ditador da História de Portugal e muitos dos políticos democratas deste nosso país quando se pensa nas regalias que se auto concederam e na condição financeira alcançada após o desempenho do cargo.
Diz o povo que “não há bela sem senão”, que “dois proveitos não cabem num saco só” ou que “não se pode ter sol na eira e chuva no nabal”. Tantas formas diferentes de expressar o saber de experiência feito que nos diz nada ter mérito completo, só podem querer dizer que foi assim ao longo de séculos, pelo que o é agora também.
A democracia não seguiu os tempos que exigem outros critérios para além dos quantitativos e continua a fazer do ruído, do barulho no Parlamento ou nas ruas, um medidor da razão ou da verdade. Mas a realidade é outra e, por isso, ao não se atualizar, a Democracia envelheceu, desacreditou-se e deixou de ser atraente para a grande maioria que cada vez mais sente que não tem poder algum para entregar a ninguém, porque outros deles se apoderaram. A Democracia tornou-se um jogo que se joga em alturas inalcançáveis ou formas inapropriadas para os comuns mortais.
Mas se é a Democracia que me consente escrever e divulgar isto que penso, terá de ser a Democracia a fazer das ideias a chave para a resolução dos problemas, calando, de vez, os ruídos que a envolvem e, deste modo, a desacreditam.
Vale a pena lutar por uma Democracia que seja a expressão da razão e não o barulho ensurdecedor que não deixa que a razão seja ouvida!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A ESQUERDA DO BOTA ABAIXO

Diz a comunicação social que, no Parlamento, a esquerda se uniu contra o acordo laboral assinado, sobre isso dizendo as cobras e lagartos do costume, tal como “é mais um empurrão ao país para o desastre” e coisas parecidas que nunca explicam claramente. Não passam, por isso, de lugares comuns que nem sequer se modernizaram perante as mudanças que a realidade nos mostra.
É uma “oposição fácil” a da demagogia leviana e oportunista quando o governo toma as atitudes que este tem de tomar perante o desastre que uma certa esquerda provocou, a mesma que agora se associa à outra que é de extremos.
Mas não é desta oposição que diz mal sem outras explicações que não sejam as perdas de direitos que, digam-no as vezes que quiserem, a nossa debilidade financeira não pode manter, aquela de que o país precisa.
É de uma oposição consciente e participativa que o país necessita porque todos sabemos que só assim haverá a união que nos dará a força que nos fará vencer este mau momento que estamos a viver.
Ninguém pode repartir o que não tem, nem pode haver direitos intocáveis quando se não podem manter.
Há um velho ditado que sugere “em Roma sê romano” o que, nas circunstâncias em que nos encontramos, significa que não podemos querer remar contra a maré no mundo em que vivemos. Por isso não passam de miríficas as propostas de atitudes de rebeldia contra o modo como as coisas acontecem, contra o que nos é imposto como condição para o auxílio de que necessitamos.
Parece que não se aprende nada com a História e, por isso, se insiste em sistemas que nem os grandes “impérios” conseguiram fazer vingar.
Gostaria de saber, por exemplo, quem ou que percentagem dos habitantes da ex-República Democrática Alemã gostaria que fosse reconstruído o muro de Berlim, aquele que diziam que não pretendia evitar que os orientais fugissem para oeste mas sim para evitar que os ocidentais entrassem e se aproveitassem das regalias que o regime de leste proporcionava!
Só me resta lamentar que, apesar de tão evidentes disparates que são ditos, ainda persistam razões políticas e pessoais que se sobrepõem aos interesses de Portugal.
Quanto ao retrocesso de que Carvalho da Silva fala, eu apenas pergunto: quem, verificando que se enganou no caminho, inteligentemente não volta atrás?
É fácil arregimentar os milhares de desempregados que o socialismo irresponsável fez, sem lhes dizer que, sem as medidas que se impõe sejam tomadas, a crise se tornaria um caos.
A Grécia é a prova.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

EM NOME DA CONCERTAÇÃO...

Falam, falam mas não dizem nada que valha a pena porque ignoram realidades que se não confundem com os preconceitos que lhes ditam os discursos e estão muito para além das suas intenções ou preocupações imediatas.
Entende-se bem que cada um se queixe do que lhe dói, que acredite sinceramente nas razões que apresenta para se queixar mas, apesar da legitimidade que a dor confere, há coisas que devem ser bem pensadas, medidas e pesadas antes de serem ditas, pois cada vez mais é necessária uma análise que vá para além da simplicidade que as questões nunca têm e da superficialidade com que a demagogia as aborda para captar simpatias. Não se alcançará, de outro modo, o conhecimento da verdade.
Cada vez mais a realidade mostra que a ilusão nos conduz por caminhos perigosos, nos leva a situações de austeridade que são a razão de ser das queixas que a dor torna insensíveis às suas verdadeiras causas. É este entendimento que deveria pautar as intervenções dos que, presuntivamente melhor informados ou sabedores, respondem ou comentam o que os movidos pela dor, pelo despeito ou pela raiva possam dizer quando, para isso, lhes é proporcionada ocasião, como acontece nos numerosos “programas abertos” que as televisões agora nos oferecem.
Em consequência do acordo de concertação social conseguido com a habitual ausência da CGTP, central sindical que não se compromete com o que não respeite integralmente a sua “exclusiva verdade”, competiria a esta apressar-se a justificar as suas razões, o que me pareceu ser o propósito num programa do tipo antena aberta na SIC notícias em que o “especialista convidado” foi mais a caixa de ressonância das intempestivas queixas dos intervenientes do que o esclarecido moderador numa questão muito importante como o não pode deixar de ser o que diga respeito às leis do trabalho.
Falou-se das perdas de regalias conseguidas numa luta de sucessivas greves, falou-se, enfim, de um acordo conseguido à custa dos trabalhadores que terão de trabalhar mais por menos. Mas nem por uma vez ouvi alguém referir-se à austeridade que demasiado esbanjamento nos impõe por absoluta falta de meios financeiros que podem deixar-nos sem salários, sem subsídios, sem pensões, como se tudo isto fosse de somenos importância porque o dinheiro sempre acaba por cair do céu.
É uma situação grave a que vivemos e que, por isso, exige esclarecimento em vez da desestabilização para que alguns, em nome de preconceitos ou de mais valias pessoais, contribuem, apesar de saberem que nada nos poderá evitar as penas que, por culpa própria, por algum tempo teremos de sofrer.
Não nos resta muita margem de manobra para corrigir os efeitos dos erros que cometemos, para respeitar os compromissos que assumimos, para cumprir os acordos que assinámos em troca de auxílio financeiro que recebemos e, sobretudo, não temos muito tempo para mudar de rumo, alterar o nosso modo de viver para tornar a vida menos penosa em vez de mais e mais longamente a complicarmos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

QUAL ESTADO SOCIAL?

A História demonstrou que o socialismo não passa de uma utopia irrealizável que adopta como princípio que existem direitos, consagrados na Constituição, que nada nem ninguém pode anular.
É fácil atribuir direitos e dotar os seus beneficiários de todas as armas para os reclamarem, nomeadamente as greves, mas acautelar o modo de os garantir é outra coisa que exige trabalho e meios em vez de fantasia e presunção.
Tenho por certo que as vantagens de ser parte de uma sociedade organizada, de um país, é a solidariedade que se pode gerar mas que, jamais, poderá ser praticada em condições que a riqueza global não possa sustentar. Por outras palavras, não pode uma Constituição consagrar direitos que o país, pelas potencialidades que possui, não pode garantir.
Quando as circunstâncias mostram não possuir Portugal condições para sustentar o “nível de vida médio” a que se habituou, como se pode sustentar que não podem ser anuladas as “conquistas” que a ele conduziram?
Mas nada mais eloquente do que os factos para clarificarem a realidade. Por isso me pareceu interessante um gráfico que, ainda que de leitura de pormenor pouco clara, mostra como a “filosofia socialista” é devoradora de recursos escassos e conduz a equívocos de que resultam situações dolorosas como as que ora vivemos. Uma leitura simples do gráfico mostra como os governos de Mário Soares e de Sócrates foram pródigos em esbanjar esses meios. O primeiro leva a dívida de cerca de 10% até 60% do PIB e o segundo eleva-a de 50% a 100%. Deste modo qualquer um de nós pode ser o maior socialista do mundo, a gastar sem controlo o dinheiro dos outros. Mas quando o dinheiro acaba...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O MAU EXEMPLO DO BANCO DE PORTUGAL

Acaba de saber-se que o Banco de Portugal, indiferente à austeridade que a todo o país é imposta, não acatou a decisão do governo de cortar os subsídios de férias e de Natal aos seus trabalhadores.
É uma atitude de afronta que nada justifica, sobretudo vinda de uma entidade que deveria ser exemplar na defesa do futuro do país que apenas com a cooperação de todos pode ser garantido.
Decerto pressionado por muita gente, mesmo assim o governador Carlos Costa ficou insensível e preferiu transformar o banco de todos nós numa ilha de sonho no meio deste país em sofrimento.
Não me parece que mereça continuar em cargo tão importante quem se mostrou tão insensível e se negou a participar no esforço de recuperação que a grande maioria de nós, todos com enorme sacrifício e alguns com quase insuportáveis dores, aceita na esperança de um futuro melhor para todos.
O Banco de Portugal coloca-se, deste modo, do lado dos que fazem contra vapor a uma austeridade que nada pode evitar, porque resulta de compromissos que foram assumidos pelo Governo de Portugal.
Não posso deixar de manifestar o meu repúdio por esta atitude inqualificável numa entidade que deveria ser exemplar, bem como o desejo de que quem assim procede seja afastado por má conduta!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA, TEMPO DE SOLIDARIEDADE

Há situações excecionais, tanto na vida das pessoas como na vida dos países que, pelas alterações de comportamentos a que obrigam, se podem considerar de emergência.
Um exemplo que se compreende bem é o de uma situação de guerra em que o esforço concertado e incondicional de todos é indispensável para salvar o país.
Mas de “guerra” é, também, a situação que se vive quando, seja a razão qual for, o país corre o risco de insolvência por não dispor de meios financeiros para honrar os seus compromissos ou até, simplesmente, fazer funcionar a sua economia.
E nem sequer podem restar dúvidas de que é esta a situação que Portugal terá de superar com sacrifícios que só a solidariedade entre todos poderá tornar suportáveis.
Não é fácil de tratar e até é perigosa a situação que vivemos e há exemplos que, pela sua gravidade, nos devem fazer pensar que os não desejamos seguir.
Mas não me parece que sejam de solidariedade algumas atitudes que incitam à revolta e outras que colocam interesses pessoais ou partidários acima dos coletivos, dos nacionais como as situações de emergência exigem. Igualmente não o são os argumentos capciosos com os quais se tenta mascarar uma realidade que é, simplesmente, de penúria.
Começa a instalar-se a discussão que dá razão ao dito que “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.
É evidente que a governação terá de ser criteriosamente controlada, o que, infelizmente, não aconteceu no passado. Mas tal não significa que a tenhamos de a julgar a destempo e, muito menos, assacar-lhe culpas que não tem.
Melhor seria entendermos a solidariedade como aquilo que é e como é indispensável em situações de emergência.