Se fizessem destes programas de “antena aberta”, agora tão em voga, oportunidades para esclarecer, eu poderia ver neles melhores razões para existirem, sobretudo em tempos em que ter noções corretas das coisas, saber exatamente o que se passa muito ajudaria a superar as dificuldades. Porém e já que existem do modo como são, dão para ter uma ideia de como as pessoas os utilizam, umas simplesmente para revelarem o que pensam, mas outras para descarregarem a raiva que certas correntes de ideias lhes sugerem ou a que lhes causa a vida difícil a que as circunstâncias as obrigam.
É óbvio que as diversas “antenas” não fazem destas iniciativas um serviço público, uma participação na valorização do país, mas uma oportunidade para disputarem “tempos de antena” e iniciativas que nada têm de inovadoras porque são iguaizinhas em todas elas.
São monótonas e falhas de imaginação estas televisões generalistas que são quase cópias umas das outras tanto no tipo de programas que apresentam como nas horas a que o fazem, no número crescente de telenovelas que nos impingem e, até, na publicidade que descarregam aos magotes durante intermináveis intervalos que, curiosamente, são coincidentes. Quanto a isto, ainda não percebi por que os que pagam balúrdios por aquela publicidade a granel ainda não se deram conta que, assim tão longos, aqueles são intervalos que todos utilizam para ir ver como está a cozedura das couves e das batatas para o jantar ou, mesmo, para aliviar certos incómodos próprios da natureza humana.
As telenovelas, essas, são a descoberta mais macabra da caixinha mágica. Literariamente pobres, imaginativamente desastradas e formalmente deseducativas, as telenovelas conseguem ser o contrário de qualquer boa narrativa que condensa numa breve descrição de minutos o que se passa em muitas horas, dias ou meses até. São uma fantasia que se alonga ou encurta à medida de interesses de programação, por vezes com sequências que nem a mais fértil imaginação consegue apreender e fazem perder a noção do tempo e do modo, por tanto que confundem e baralham os acontecimentos. As “antenas abertas” não lhes ficam atrás na baralhação que causam. Por vezes, parecem batalhas campais em que se confrontam ideias feitas, por isso inaproveitáveis para conclusões que espelhem qualquer realidade.
Tenho reparado que há interventores crónicos e também que, consoante o tema, sempre aparecem os que tentam fazer opinião e debitam, num chorrilho cuidadosamente decorado, ideias que muito bem conhecemos, deste ou daquele partido, desta ou da outra central sindical.
Quanto ao “convidado”, raramente consegue evidenciar o saber e o distanciamento dos interesses instalados que lhe permitam ser o farol que ilumine a confusão que vai neste país, por enquanto ainda mais ressabiado e oportunista do que democrático.
Hoje estive a ouvir um desses programas que pediam a opinião sobre a iniciativa de o governo proibir a tolerância de ponto no Carnaval e ouvi as coisas mais díspares, ditas das maneiras mais diversas, umas com nexo e outras nem por isso, umas de modo cordato e outras prenhes de azedume e, algumas vezes, reveladoras de uma falta de educação confrangedora!
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
SEMPRE A ETERNA DÚVIDA...
Conta-se que, um dia, alguém chegou ao pé de um amigo a quem a mulher era infiel, contando-lhe o que se passava. Disse-lhe, até, onde os atos de infidelidade tinham lugar e em que dias. Mais ainda, indicou ao amigo de onde os poderia observar e, deste modo, confirmar o que lhe dissera.
Por isso, em dia e hora adequados, o “enganado” ficou de plantão até ver a mulher chegar acompanhada de um homem com quem se dirigiu ao local onde lhe fora dito que as coisas aconteciam. Atento, o homem viu os dois entrarem num quarto, despirem-se e, depois, fecharem a janela! Sem ter conseguido a prova definitiva da infidelidade da mulher, o homem voltou noutro dia e noutro ainda, mas sempre as coisas se passaram do mesmo modo. Desesperado, o homem desabafou: “bolas, sempre a eterna dúvida!” E assim resolveu por termo à investigação.
Foi desta velhíssima história que me lembrei quando ouvi o resultado de um julgamento em que alguém era acusado do rapto do infelizmente famoso Rui Pedro desaparecido há muito tempo, tanto que consumiu a vida de uns pais inconformados mas que poderiam, agora, ver condenado quem, como tudo parecia indicar, lhes desviou o filho e lhes tornou a vida num inferno.
Deu o Tribunal como provado que o acusado aliciou o rapaz e o transportou no carro para ir ter um encontro com uma prostituta cujo depoimento, contudo, foi julgado de credibilidade duvidosa, talvez pelo modo como ela ganha a vida, porque o rapaz que lhe foi trazido poderia ser um outro qualquer que não o Rui Pedro!!!
E, deste modo, o Tribunal considerou insuficientes as provas contra quem estaria envolvido no desaparecimento de um miudo de 11 anos por quem os pais choram há quase 14 anos!
Parece-me uma história fantástica, mas foi assim que a ouvi.
Por isso, em dia e hora adequados, o “enganado” ficou de plantão até ver a mulher chegar acompanhada de um homem com quem se dirigiu ao local onde lhe fora dito que as coisas aconteciam. Atento, o homem viu os dois entrarem num quarto, despirem-se e, depois, fecharem a janela! Sem ter conseguido a prova definitiva da infidelidade da mulher, o homem voltou noutro dia e noutro ainda, mas sempre as coisas se passaram do mesmo modo. Desesperado, o homem desabafou: “bolas, sempre a eterna dúvida!” E assim resolveu por termo à investigação.
Foi desta velhíssima história que me lembrei quando ouvi o resultado de um julgamento em que alguém era acusado do rapto do infelizmente famoso Rui Pedro desaparecido há muito tempo, tanto que consumiu a vida de uns pais inconformados mas que poderiam, agora, ver condenado quem, como tudo parecia indicar, lhes desviou o filho e lhes tornou a vida num inferno.
Deu o Tribunal como provado que o acusado aliciou o rapaz e o transportou no carro para ir ter um encontro com uma prostituta cujo depoimento, contudo, foi julgado de credibilidade duvidosa, talvez pelo modo como ela ganha a vida, porque o rapaz que lhe foi trazido poderia ser um outro qualquer que não o Rui Pedro!!!
E, deste modo, o Tribunal considerou insuficientes as provas contra quem estaria envolvido no desaparecimento de um miudo de 11 anos por quem os pais choram há quase 14 anos!
Parece-me uma história fantástica, mas foi assim que a ouvi.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
A VISITA DA TROIKA
Nesta terceira visita da Troika voltam a levantar-se vozes sobre a dureza do acordo celebrado e algumas até exigem que a Portugal seja concedido mais tempo para cumprir o que lhe foi imposto em troca do auxílio financeiro.
Dos partidos mais à esquerda apenas se poderiam esperar as críticas que sistematicamente fazem e que nada nem condições algumas alteram. Porém, do partido Socialista que negociou o acordo com a Troika e com ela definiu as condições do seu cumprimento, esperar-se-ia muito mais do que um discurso demagógico e bizarro que pode soar bem aos ouvidos dos que sofrem a austeridade mas não pode enganar os que não se deixam iludir por fantasias que, todos sabemos, não passam disso e nos podem sair muito caras.
Decerto sabe Seguro que não se concedem bónus a quem, antes, não demonstre merece-los. Depois sabe, com certeza também, que se não negoceiam alterações de acordos como este pressionando quem ajuda, mas sim convencendo quem o faz! Não se alcançam proveitos com manifestações de protesto contra os que nos podem virar costas e, simplesmente, dizer: governem-se!
Fomos um país leviano no modo como tentámos dar um passo maior do que a perna, vivendo muito além do que estava ao nosso alcance. Tivemos um governo cujo primeiro ministro teve a ousadia de publicamente se vangloriar de ter tido a coragem de aumentar a dívida e, depois, levou para além do momento razoável o pedido de ajuda do qual disse não necessitarmos!
Pela segunda vez um governo do partido socialista expôs Portugal à voragem dos mercados, pelo que, pela segunda vez e em consequência de uma miragem inalcançável, o socialismo, fomos parar às portas da bancarrota!
Não se sai de uma situação como a nossa apenas com austeridade e até talvez seja necessária uma ajuda suplementar, mas não teremos mais ajudas enquanto nos não mostrarmos dignos dela.
Os dados publicados pelo Banco de Portugal sobre as dívidas dos sectores não financeiros públicos e privados, dão-nos conta da situação a que chegámos e dizem-nos de onde vieram os meios financeiros que nos fizeram julgar ricos, para os devaneios sociais que nos fizeram ficar preguiçosos, exigentes de mais benefícios e descuidados, assim como para as “conquistas” que agora o governo se vê forçado a anular. São oriundos dos empréstimos contraídos e hoje constituem a dívida monstruosa que nos atola.
Todos somos, de um modo geral, culpados de uma situação complicada, mas não se pode deixar de dizer que falharam os governos – sejam eles quais forem – porque permitiram os desmandos que até esta situação nos levaram e muito mais falharam os que para o aumento da dívida contribuíram.
É óbvio que mais um ano no prazo para reequilibrar as contas poderia significar algum alívio e, a ser possível, não será o governo a desprezá-lo, com certeza. Pode até acontecer que esteja previsto, mas mandam a prudência e o bom senso que tudo se faça de modo discreto e ponderado, não sendo de esperar que tal aconteça sem as provas seguras que Portugal ainda terá de dar.
Dos partidos mais à esquerda apenas se poderiam esperar as críticas que sistematicamente fazem e que nada nem condições algumas alteram. Porém, do partido Socialista que negociou o acordo com a Troika e com ela definiu as condições do seu cumprimento, esperar-se-ia muito mais do que um discurso demagógico e bizarro que pode soar bem aos ouvidos dos que sofrem a austeridade mas não pode enganar os que não se deixam iludir por fantasias que, todos sabemos, não passam disso e nos podem sair muito caras.
Decerto sabe Seguro que não se concedem bónus a quem, antes, não demonstre merece-los. Depois sabe, com certeza também, que se não negoceiam alterações de acordos como este pressionando quem ajuda, mas sim convencendo quem o faz! Não se alcançam proveitos com manifestações de protesto contra os que nos podem virar costas e, simplesmente, dizer: governem-se!
Fomos um país leviano no modo como tentámos dar um passo maior do que a perna, vivendo muito além do que estava ao nosso alcance. Tivemos um governo cujo primeiro ministro teve a ousadia de publicamente se vangloriar de ter tido a coragem de aumentar a dívida e, depois, levou para além do momento razoável o pedido de ajuda do qual disse não necessitarmos!
Pela segunda vez um governo do partido socialista expôs Portugal à voragem dos mercados, pelo que, pela segunda vez e em consequência de uma miragem inalcançável, o socialismo, fomos parar às portas da bancarrota!
Não se sai de uma situação como a nossa apenas com austeridade e até talvez seja necessária uma ajuda suplementar, mas não teremos mais ajudas enquanto nos não mostrarmos dignos dela.
Os dados publicados pelo Banco de Portugal sobre as dívidas dos sectores não financeiros públicos e privados, dão-nos conta da situação a que chegámos e dizem-nos de onde vieram os meios financeiros que nos fizeram julgar ricos, para os devaneios sociais que nos fizeram ficar preguiçosos, exigentes de mais benefícios e descuidados, assim como para as “conquistas” que agora o governo se vê forçado a anular. São oriundos dos empréstimos contraídos e hoje constituem a dívida monstruosa que nos atola.
Todos somos, de um modo geral, culpados de uma situação complicada, mas não se pode deixar de dizer que falharam os governos – sejam eles quais forem – porque permitiram os desmandos que até esta situação nos levaram e muito mais falharam os que para o aumento da dívida contribuíram.
É óbvio que mais um ano no prazo para reequilibrar as contas poderia significar algum alívio e, a ser possível, não será o governo a desprezá-lo, com certeza. Pode até acontecer que esteja previsto, mas mandam a prudência e o bom senso que tudo se faça de modo discreto e ponderado, não sendo de esperar que tal aconteça sem as provas seguras que Portugal ainda terá de dar.
A LIÇÃO DA VELHA FÁBULA
No “Novo capítulo do Boletim Estatístico relativo ao endividamento do setor não financeiro”, o Banco de Portugal publicou os valores das dívidas dos sectores não financeiros público e privado e a conclusão a tirar é que somos um bando de gastadores inveterados. Deixámos que as dívidas atingissem valores exorbitantes, muito para além do que as mais elementares regras de bom senso recomendariam.
São dívidas de tal modo elevadas e crescentes ao longo de muito tempo que nem se consegue entender como quer os endividados quer os prestamistas pensariam resolver a situação criada de um modo razoavelmente controlado.
Diz o relatório que “No final de 2011, a dívida não consolidada do setor privado não financeiro situava-se em 479 mil milhões de euros, perfazendo 280% do PIB (281% em 2010). As empresas registavam um nível de endividamento de 178% do PIB (177% em 2010) e os particulares um nível de endividamento de 103% do PIB (104% em 2010). O endividamento dos particulares ascendia, em 2011, a cerca de 121% do rendimento disponível (cfr. quadro K.1.1 do capítulo K do Boletim Estatístico)”.
Se a esta dívida privada, de empresas e de particulares, somarmos a dívida pública não financeira, na ordem de 200 mil milhões de euros, teremos o total de uma dívida que ultrapassa, no total, os 400% do Produto Interno Bruto.
Em quaisquer circunstâncias, a dívida total excede o que o país produz em quatro anos completos de atividade.
Duas conclusões poderemos tirar dos números que o Banco de Portugal revela: adotámos um estilo de vida cujos custos são, pelo menos, quatro vezes superiores à nossa produção de riqueza e, por isso, a correção deste desequilíbrio será, inevitavelmente, penosa e longa!
É difícil de compreender como foi possível deixar que as coisas chegassem a este ponto. Por isso será cada vez mais necessário apurar factos e responsabilidades que esclareçam, de vez, o que se não deve repetir!
Em face do valor excessivo da dívida, não é razoável acreditar que o país possa crescer tanto que recupere o “nível de vida” que tinha antes da crise e, por isso, será inevitável passarmos a ter um nível de vida significativamente mais baixo do que o que artificialmente criámos, facto a que muitos chamam empobrecer! Mas é, simplesmente, o adaptar o nosso nível de vida à nossa capacidade financeira. Infelizmente é a lição da velha fábula da formiga e da cigarra: Folgaste? Aperta o cinto, agora!
São dívidas de tal modo elevadas e crescentes ao longo de muito tempo que nem se consegue entender como quer os endividados quer os prestamistas pensariam resolver a situação criada de um modo razoavelmente controlado.
Diz o relatório que “No final de 2011, a dívida não consolidada do setor privado não financeiro situava-se em 479 mil milhões de euros, perfazendo 280% do PIB (281% em 2010). As empresas registavam um nível de endividamento de 178% do PIB (177% em 2010) e os particulares um nível de endividamento de 103% do PIB (104% em 2010). O endividamento dos particulares ascendia, em 2011, a cerca de 121% do rendimento disponível (cfr. quadro K.1.1 do capítulo K do Boletim Estatístico)”.
Se a esta dívida privada, de empresas e de particulares, somarmos a dívida pública não financeira, na ordem de 200 mil milhões de euros, teremos o total de uma dívida que ultrapassa, no total, os 400% do Produto Interno Bruto.
Em quaisquer circunstâncias, a dívida total excede o que o país produz em quatro anos completos de atividade.
Duas conclusões poderemos tirar dos números que o Banco de Portugal revela: adotámos um estilo de vida cujos custos são, pelo menos, quatro vezes superiores à nossa produção de riqueza e, por isso, a correção deste desequilíbrio será, inevitavelmente, penosa e longa!
É difícil de compreender como foi possível deixar que as coisas chegassem a este ponto. Por isso será cada vez mais necessário apurar factos e responsabilidades que esclareçam, de vez, o que se não deve repetir!
Em face do valor excessivo da dívida, não é razoável acreditar que o país possa crescer tanto que recupere o “nível de vida” que tinha antes da crise e, por isso, será inevitável passarmos a ter um nível de vida significativamente mais baixo do que o que artificialmente criámos, facto a que muitos chamam empobrecer! Mas é, simplesmente, o adaptar o nosso nível de vida à nossa capacidade financeira. Infelizmente é a lição da velha fábula da formiga e da cigarra: Folgaste? Aperta o cinto, agora!
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
AS EMPRESAS DE NOTAÇÃO FINANCEIRA
Tendo em conta as circunstâncias, não consigo afastar a ideia de que as empresas de notação financeira, as famigeradas empresas de rating, vão descendo as notações de quem lhes apetece a um ritmo aleatório mas constante, mesmo sem que tenham analisado as circunstâncias como lhes competiria fazer.
Ontem escutei com satisfação o presidente do BPI que, com muita clareza, as desacreditou e deduziu que os maiores prejudicados são os investidores que acabam por ser enganados pelo mau trabalho que elas lhes prestam.
Depois, o Presidente da Câmara de Lisboa passa-lhes, também, o mais claro diploma de incompetência ao fazer notar a incongruência da baixa de notação de Lisboa quando as sua situação financeira tem sucessivamente melhorado ao longo dos últimos anos.
Se a tudo isto juntarmos a lembrança de anteriores “feitos” destas empresas que teimam em querer comandar a economia mundial, como as excelentes notações atribuídas a gigantes falidos, só poderemos pensar que a única solução possível será ignorá-las como, aliás, os mercados também parecem já faze-lo. De facto, mesmo depois de tudo o que têm feito, Portugal conseguiu vender dívida nos mercados a juros que há muito não conseguia.
Há interesses duvidosos nestas atitudes de empresas às quais parece que ninguém consegue tirar o protagonismo que, como tudo parece demonstrá-lo, ganharem sem o merecer.
Ontem escutei com satisfação o presidente do BPI que, com muita clareza, as desacreditou e deduziu que os maiores prejudicados são os investidores que acabam por ser enganados pelo mau trabalho que elas lhes prestam.
Depois, o Presidente da Câmara de Lisboa passa-lhes, também, o mais claro diploma de incompetência ao fazer notar a incongruência da baixa de notação de Lisboa quando as sua situação financeira tem sucessivamente melhorado ao longo dos últimos anos.
Se a tudo isto juntarmos a lembrança de anteriores “feitos” destas empresas que teimam em querer comandar a economia mundial, como as excelentes notações atribuídas a gigantes falidos, só poderemos pensar que a única solução possível será ignorá-las como, aliás, os mercados também parecem já faze-lo. De facto, mesmo depois de tudo o que têm feito, Portugal conseguiu vender dívida nos mercados a juros que há muito não conseguia.
Há interesses duvidosos nestas atitudes de empresas às quais parece que ninguém consegue tirar o protagonismo que, como tudo parece demonstrá-lo, ganharem sem o merecer.
A TERCEIRA TENTATIVA DE HEGEMONIA ALEMÃ
Ainda me lembro de quando Hitler e os seu sequazes puseram a Europa a ferro e fogo e cometeram as mais crueis barbaridades. Foram anos terríveis durante os quais muita gente sofreu às mãos de um povo que não conseguiu, ainda, erradicar do seu ADN a sua original condição de bárbaro.
A Grécia está entre os países mais severamente castigados pelas tropas do III Reich do austríaco paranóico que conseguiu ter consigo mais de 80% do povo alemão e que, estou crente, voltaria a ter se regressasse.
A Segunda Guerra Mundial foi a “obra prima” deste povo que se não conformou com o resultado da sua primeira tentativa de dominar a Europa e, por isso, fez uma segunda.
Mas lá diz o povo que “cesteiro que faz um cesto faz um cento...”. Como se pode acreditar que a Alemanha não o tente uma terceira vez. Já não será com a infantaria da primeira nem a cavalaria da segunda, mas é com o poder económico que os “vencedores” lhe consentiram que refizesse que trava a terceira guerra.
No centro da Europa, a Alemanha fez seus inimigos os europeus de Leste e de Oeste cujos países invadiu, pilhou e obrigou a prestarem vassalagem ao seu poder demoníaco. Ao lado, a França julga-se segura por uma agora imaginária Linha Marginot que, tal como a real, os deixará desprotegidos, disso apenas se dando conta quando for tarde demais.
A Alemanha tornou-se, assim, uma excrescência no Velho Continente, no tumor da própria Europa que agora tenta dominar de novo!
Acreditei em homens que, como Konrad Adenauer e outros, tentaram que a Alemanha recuperasse uma credibilidade que a sua belicosidade constante lhe fizera perder. Mas não acredito nesta senhora que veio da dita “Alemanha Democrática” onde cresceu a ter como referência o espírito bárbaro que ali tudo determinava.
Neste momento tenta, da maneira mais despudorada, humilhar a Grécia. Em seguida fá-lo-á a Portugal que, talvez deslumbrado com os conselhos que a amiga Merkel dava a Sócrates, se deixou cair numa situação de dependência financeira profunda. Outros depois se seguirão até se afirmar como o comandante único de uma Europa que só tarde acordará do pesadelo que vive.
Não pode a Europa submeter-se aos caprichos de um povo com a mania da superioridade e deve superar os seus medos para ser capaz de lhe dizer: alto, na Europa mandamos nós!
A Grécia está entre os países mais severamente castigados pelas tropas do III Reich do austríaco paranóico que conseguiu ter consigo mais de 80% do povo alemão e que, estou crente, voltaria a ter se regressasse.
A Segunda Guerra Mundial foi a “obra prima” deste povo que se não conformou com o resultado da sua primeira tentativa de dominar a Europa e, por isso, fez uma segunda.
Mas lá diz o povo que “cesteiro que faz um cesto faz um cento...”. Como se pode acreditar que a Alemanha não o tente uma terceira vez. Já não será com a infantaria da primeira nem a cavalaria da segunda, mas é com o poder económico que os “vencedores” lhe consentiram que refizesse que trava a terceira guerra.
No centro da Europa, a Alemanha fez seus inimigos os europeus de Leste e de Oeste cujos países invadiu, pilhou e obrigou a prestarem vassalagem ao seu poder demoníaco. Ao lado, a França julga-se segura por uma agora imaginária Linha Marginot que, tal como a real, os deixará desprotegidos, disso apenas se dando conta quando for tarde demais.
A Alemanha tornou-se, assim, uma excrescência no Velho Continente, no tumor da própria Europa que agora tenta dominar de novo!
Acreditei em homens que, como Konrad Adenauer e outros, tentaram que a Alemanha recuperasse uma credibilidade que a sua belicosidade constante lhe fizera perder. Mas não acredito nesta senhora que veio da dita “Alemanha Democrática” onde cresceu a ter como referência o espírito bárbaro que ali tudo determinava.
Neste momento tenta, da maneira mais despudorada, humilhar a Grécia. Em seguida fá-lo-á a Portugal que, talvez deslumbrado com os conselhos que a amiga Merkel dava a Sócrates, se deixou cair numa situação de dependência financeira profunda. Outros depois se seguirão até se afirmar como o comandante único de uma Europa que só tarde acordará do pesadelo que vive.
Não pode a Europa submeter-se aos caprichos de um povo com a mania da superioridade e deve superar os seus medos para ser capaz de lhe dizer: alto, na Europa mandamos nós!
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
RECURSOS NATURAIS CADA VEZ MENOS ABUNDANTES
(Publicado no número de Fevereiro do Notícias de Manteigas)
Depois de uma vida de nómada que o fez vaguear pela Terra para encontrar o que necessitava e, também, para se proteger, o Homem foi-se fixando aqui e ali, onde julgou encontrar condições para um modo de vida mais cómodo, mais seguro e sem carências. Aos poucos, domesticou animais, aprendeu a cultivar plantas e, depois de trabalhar a pedra e a madeira, aprendeu a dominar o fogo, descobriu a roda e utilizou metais para produzir utensílios que lhe facilitassem as tarefas.
Durante dezenas de milénios foi lenta a evolução das tecnologias rudimentares de que dispunha mas que tão úteis foram para a sua proteção, na agricultura e na caça, bem como em muitas outras circunstâncias. Assim, o Homem fez das ferramentas que criou a extensão que tornou mais poderoso o seu braço.
Igualmente lenta foi a evolução da sua atividade económica que se desenvolveu com base nas artes, na agricultura e na pecuária, até que tudo se alterou profundamente com a mecanização e, mais ainda, com o desenvolvimento das técnicas de planeamento e do apuramento de tecnologias avançadas.
Aos poucos, foi-se alterando o modo de viver de um ser que começou em competição com os demais no meio natural onde vivia, mas no qual, pelos poderes que foi adquirindo, se tornou dominante. Desde então, enquanto as outras espécies vivem em harmonia com o seu meio, ao qual se adaptam, o Homem julga-se desinserido da própria Natureza a que, apesar de tudo, não pode deixar de pertencer, crente de que poderá dominá-la e explorá-la sem contenção. Para evitar a incomodidade de adaptação ao meio, o Homem adapta o meio às suas necessidades e, até, aos seus caprichos. Nisto difere de todos os outros animais, o que é um erro tremendo que a Natureza não consentirá por muito tempo mais. Disso, os sinais são cada vez mais preocupantes, pese, embora, a capacidade para descobrir novas vias que substituam as que a natureza finita do mundo em que vivemos vai fechando, mas que são cada vez mais estreitas e mais difíceis de percorrer.
Para além do consumismo que nos torna dependentes de “necessidades inúteis” e vai exaurindo recursos a um ritmo bem mais elevado do que o da sua renovação, tanto mais quanto mais gente a eles vai acedendo, outras questões relacionadas com o número cada vez maior de seres humanos que habitam a Terra são motivo de grande apreensão. Entre elas está a alimentação que em conjunto com o ambiente, outro problema não menor, constitui a base das necessidades vitais.
Há dezenas de anos que a questão dos recursos naturais preocupa estudiosos e investigadores que alertaram para as consequências perigosas de uma economia devoradora que foi deixando de fazer jus a um nome que se não adequa ao esbanjamento em que se tornou. Dezenas de anos depois, a pequena diferença entre as previsões e a realidade que se aproxima de situações de rutura, é motivo de preocupação que um estudo recente de uma empresa de consultoria americana, a PricewaterhouseCoopers (PwC), confirma num relatório a que deu o nome “bomba relógio”. Nele se afirma que "há muitas indústrias que só agora reconhecem que temos estado a viver acima dos meios do planeta. Novos modelos de negócio vão ser fundamentais para que se consiga responder aos riscos e oportunidades colocados pela escassez de metais e minerais".
Afirma, ainda, o principal autor do relatório que "eu penso que tanto os governos como as empresas devem estar cientes da abrangência, da importância e da urgência da escassez de matérias-primas renováveis e não-renováveis: energia, água, terra e minerais". Chamada de atenção mais firme não poderia ser feita. Infelizmente, outras como esta foram desprezadas por políticos e economistas para quem esta realidade é um problema que não sabem resolver e, por isso, preferem ignorar.
Quanto à alimentação que uma população em crescimento acelerado reclama em quantidades maiores a cada dia que passa, a situação é, porventura, a mais grave de todas. Para além do excessivo número de pessoas para quem a fome é já uma companheira fiel de todas as horas, as técnicas mais modernas para aumento da produção não conseguem atingir as quantidades que as necessidades crescentes exigem, verificando-se, em vez disso, um declínio alarmante. Para além deste aspeto quantitativo, as consequências funestas de certos processos adotados e que foram já causa de graves problemas de saúde pública como a doença das vacas loucas, a gripe das aves, infeções por E coli e outras, criam problemas de segurança que não devem ser menosprezados.
Por outro lado, a qualidade de muitos produtos alimentares está a degradar-se progressivamente, o que se revela na sua decrescente capacidade nutritiva e, ainda, nos elementos tóxicos que contêm em quantidades cada vez mais elevadas.
Numa outra importantíssima fonte de alimentos, o mar, o excesso de pesca reduziu a quantidade de peixe disponível e o perigo de extinção de muitas espécies obriga a uma forte contenção nas capturas, não havendo outro modo de evitar ruturas que teriam as mais terríveis consequências.
A escassez de petróleo, sobretudo a que resulta da ultrapassagem do “pico de produção” a que se segue uma regressão que pela conjugação com o aumento da procura mais se acentua, tornou a produção de energia concorrente da alimentação pela produção de biocombustíveis. A utilização de óleos vegetais mobiliza enormes quantidades de solo para o cultivo de plantas utilizáveis para esse fim, mais se acentuando a escassez da área destinada a culturas para a alimentação e, por isso, mais elevado se torna o preço dos alimentos.
A penúria é inevitável quando os recursos escassos são utilizados como se fossem inesgotáveis.
Esta é mais uma das questões que o futuro nos coloca mas que a “Economia” ainda não compreendeu e para o qual os políticos não olham com a atenção que merece porque não sabem o que fazer com esta preocupante realidade.
Rui de Carvalho
13 janeiro 2012
Depois de uma vida de nómada que o fez vaguear pela Terra para encontrar o que necessitava e, também, para se proteger, o Homem foi-se fixando aqui e ali, onde julgou encontrar condições para um modo de vida mais cómodo, mais seguro e sem carências. Aos poucos, domesticou animais, aprendeu a cultivar plantas e, depois de trabalhar a pedra e a madeira, aprendeu a dominar o fogo, descobriu a roda e utilizou metais para produzir utensílios que lhe facilitassem as tarefas.
Durante dezenas de milénios foi lenta a evolução das tecnologias rudimentares de que dispunha mas que tão úteis foram para a sua proteção, na agricultura e na caça, bem como em muitas outras circunstâncias. Assim, o Homem fez das ferramentas que criou a extensão que tornou mais poderoso o seu braço.
Igualmente lenta foi a evolução da sua atividade económica que se desenvolveu com base nas artes, na agricultura e na pecuária, até que tudo se alterou profundamente com a mecanização e, mais ainda, com o desenvolvimento das técnicas de planeamento e do apuramento de tecnologias avançadas.
Aos poucos, foi-se alterando o modo de viver de um ser que começou em competição com os demais no meio natural onde vivia, mas no qual, pelos poderes que foi adquirindo, se tornou dominante. Desde então, enquanto as outras espécies vivem em harmonia com o seu meio, ao qual se adaptam, o Homem julga-se desinserido da própria Natureza a que, apesar de tudo, não pode deixar de pertencer, crente de que poderá dominá-la e explorá-la sem contenção. Para evitar a incomodidade de adaptação ao meio, o Homem adapta o meio às suas necessidades e, até, aos seus caprichos. Nisto difere de todos os outros animais, o que é um erro tremendo que a Natureza não consentirá por muito tempo mais. Disso, os sinais são cada vez mais preocupantes, pese, embora, a capacidade para descobrir novas vias que substituam as que a natureza finita do mundo em que vivemos vai fechando, mas que são cada vez mais estreitas e mais difíceis de percorrer.
Para além do consumismo que nos torna dependentes de “necessidades inúteis” e vai exaurindo recursos a um ritmo bem mais elevado do que o da sua renovação, tanto mais quanto mais gente a eles vai acedendo, outras questões relacionadas com o número cada vez maior de seres humanos que habitam a Terra são motivo de grande apreensão. Entre elas está a alimentação que em conjunto com o ambiente, outro problema não menor, constitui a base das necessidades vitais.
Há dezenas de anos que a questão dos recursos naturais preocupa estudiosos e investigadores que alertaram para as consequências perigosas de uma economia devoradora que foi deixando de fazer jus a um nome que se não adequa ao esbanjamento em que se tornou. Dezenas de anos depois, a pequena diferença entre as previsões e a realidade que se aproxima de situações de rutura, é motivo de preocupação que um estudo recente de uma empresa de consultoria americana, a PricewaterhouseCoopers (PwC), confirma num relatório a que deu o nome “bomba relógio”. Nele se afirma que "há muitas indústrias que só agora reconhecem que temos estado a viver acima dos meios do planeta. Novos modelos de negócio vão ser fundamentais para que se consiga responder aos riscos e oportunidades colocados pela escassez de metais e minerais".
Afirma, ainda, o principal autor do relatório que "eu penso que tanto os governos como as empresas devem estar cientes da abrangência, da importância e da urgência da escassez de matérias-primas renováveis e não-renováveis: energia, água, terra e minerais". Chamada de atenção mais firme não poderia ser feita. Infelizmente, outras como esta foram desprezadas por políticos e economistas para quem esta realidade é um problema que não sabem resolver e, por isso, preferem ignorar.
Quanto à alimentação que uma população em crescimento acelerado reclama em quantidades maiores a cada dia que passa, a situação é, porventura, a mais grave de todas. Para além do excessivo número de pessoas para quem a fome é já uma companheira fiel de todas as horas, as técnicas mais modernas para aumento da produção não conseguem atingir as quantidades que as necessidades crescentes exigem, verificando-se, em vez disso, um declínio alarmante. Para além deste aspeto quantitativo, as consequências funestas de certos processos adotados e que foram já causa de graves problemas de saúde pública como a doença das vacas loucas, a gripe das aves, infeções por E coli e outras, criam problemas de segurança que não devem ser menosprezados.
Por outro lado, a qualidade de muitos produtos alimentares está a degradar-se progressivamente, o que se revela na sua decrescente capacidade nutritiva e, ainda, nos elementos tóxicos que contêm em quantidades cada vez mais elevadas.
Numa outra importantíssima fonte de alimentos, o mar, o excesso de pesca reduziu a quantidade de peixe disponível e o perigo de extinção de muitas espécies obriga a uma forte contenção nas capturas, não havendo outro modo de evitar ruturas que teriam as mais terríveis consequências.
A escassez de petróleo, sobretudo a que resulta da ultrapassagem do “pico de produção” a que se segue uma regressão que pela conjugação com o aumento da procura mais se acentua, tornou a produção de energia concorrente da alimentação pela produção de biocombustíveis. A utilização de óleos vegetais mobiliza enormes quantidades de solo para o cultivo de plantas utilizáveis para esse fim, mais se acentuando a escassez da área destinada a culturas para a alimentação e, por isso, mais elevado se torna o preço dos alimentos.
A penúria é inevitável quando os recursos escassos são utilizados como se fossem inesgotáveis.
Esta é mais uma das questões que o futuro nos coloca mas que a “Economia” ainda não compreendeu e para o qual os políticos não olham com a atenção que merece porque não sabem o que fazer com esta preocupante realidade.
Rui de Carvalho
13 janeiro 2012
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