Pode usar-se a tradicional e abstracta expressão que diz que “as sondagens valem o que valem” ou, até mesmo, dizer que não têm qualquer valor, mas a verdade é que se acumulou já experiência bastante para as tornar razoavelmente credíveis e, por isso, as considerar como uma base de informação que os políticos não devem desprezar.
Quer as amostras utilizadas quer os questionários dos quais dependem as margens de erro e a clareza dos resultados, são já fruto de um saber que ao longo do tempo se foi acumulando, mas não é fácil, numa conjuntura como a que vivemos, quando tudo é desconfortável e as perspectivas de futuro são demasiado escuras, responder às questões que uma sondagem coloca.
Acabo de ver publicados os resultados de uma que mostra que, em relação à anteriormente feita, a “maioria” continua a existir e até se reforçou um pouco, que o PSD continuaria a ser o partido mais votado e que, tal como o CDS, viu reforçadas as intenções de voto, enquanto o PS perde um pouco nessas mesmas intenções.
Apesar destes resultados positivos, o Governo da Maioria continua com uma pontuação muito negativa, tendo abaixo de si apenas os Juízes e o Ministério Público.
Pode causar estranheza que, com a maioria a subir e com o PSD a continuar a ser, potencialmente, o partido mais votado e com melhor resultado do que na anterior sondagem, o Governo esteja a ser tão mal pontuado. Mas não me parece que seja de estranhar que assim aconteça. As razões que encontro são, essencialmente, duas: a maioria dos portugueses não confia nos socialistas para governar o país, por um lado e, por outro, não são capazes de considerar bom um governo que os obriga a viver uma austeridade dura, tão dura como a realidade que a impõe.
Estamos num período que coloca demasiadas incertezas quanto ao futuro, mesmo quanto ao mais próximo, com a esperança em melhores dias minada por tanta descrença que as análises de tantos especialistas diariamente alimentam.
Mas, aos poucos, vai germinando a ideia de que nada voltará a ser como antes e que um novo modo de viver terá de surgir em consequência da “desalavancagem” que toda a economia terá de sofrer, pois terão de acabar as dívidas, o que colocará as economias mais “prósperas” ao nível das suas reais potencialidades e a viver dos recursos próprios.
Muitas questões se colocam quando pensamos no futuro. Poderão, por exemplo, os Estados Unidos continuar a aumentar uma dívida que já ultrapassa 200% do seu enormíssimo PIB? Poderá a China continuar a ser uma economia próspera com mais de dois terços da sua população a viver em níveis de pobreza? Teria o Brasil o superavit de 20 mil milhões de dólares se desse à sua população um nível médio de vida igual ao dos portugueses? Poderão as “economias emergentes” continuar a crescer quando as “economias evoluídas” que as fizeram crescer cada vez menos lhes comprarão? E sei lá quantas questões mais…
Por aqui, ainda não me parece tarde para apreciar o trabalho do Governo que, diz a Troika, está a cumprir as obrigações assumidas no acordo de resgate. Mas, para além disso, é necessário um enorme “trabalho de sapa” cujos efeitos não são rápidos a manifestar-se, por mais que a nossa impaciência os reclame.
Este ano será decisivo em todos os aspectos. Não apenas veremos se somos capazes de sanear as nossas finanças, como saberemos como o próprio mundo vai reagir às dificuldades que, inevitavelmente, a situação de carência global a que chegou lhe vão colocar.
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sexta-feira, 16 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
CRITICA-SE O ARTISTA NÃO NA SUA CARA MAS PERANTE A SUA OBRA
Há quem preste bons serviços ao país quando diz o que pensa, se o faz de um modo sério, se fala de coisas concretas e importantes para todos nós, fazendo do que crê ser a verdade a sua batalha em prol de um melhor futuro. Mas outros há, porém, que fazem da TV o seu meio para tentar não desaparecer de um palco onde muito poucos, por vezes nenhuns, louvaram o papel que já lá desempenharam.
É o que me apetece dizer quando vejo Santana Lopes, para mim um falhado da política, aparecer a debitar sentenças como esta de dizer que “criticar Sócrates é bater em que já não está”, acrescentando que o Presidente da República deveria esperar o final do mandato para dizer o que disse no já muito célebre prefácio que tanta celeuma levantou!
Pois eu discordo por duas razões. Sócrates meteu o país numa alhada da qual resultam graves problemas para todos nós e, mesmo que a tradicional inimputabilidade dos políticos lhe garanta não ter de prestar outras contas, terá de ser julgado por erros que um Primeiro Ministro não deve cometer. Por isso, o juízo público é inevitável. Depois, não é esquecendo-os que os erros cometidos nos ensinam como fazer melhor, nem evitamos repeti-los no futuro.
Por outro lado, se Sócrates não está é porque decidiu afastar-se de uma cena onde, por certo, não seria bem olhado. Por isso, como parece ter anunciado, foi estudar Ciências Políticas em Paris, qual cirurgião que vai aprender a sê-lo depois de maltratar o doente.
Temos em funções um Governo que, para seu e nosso mal, não pode ser a simpatia que a todos conviria que fosse. E é assim por causas que não devem ser esquecidas, porque mais criticável do que falar de alguém nas suas costas seria fazer pagar o justo pelo pecador. Pelo menos por ora, enquanto a política que está a ser seguida não mostrar os seus efeitos.
Esquecer Sócrates e o seu tenebroso governo seria uma atitude de avestruz, metendo a cabeça na areia para não olhar o perigo!
É o que me apetece dizer quando vejo Santana Lopes, para mim um falhado da política, aparecer a debitar sentenças como esta de dizer que “criticar Sócrates é bater em que já não está”, acrescentando que o Presidente da República deveria esperar o final do mandato para dizer o que disse no já muito célebre prefácio que tanta celeuma levantou!
Pois eu discordo por duas razões. Sócrates meteu o país numa alhada da qual resultam graves problemas para todos nós e, mesmo que a tradicional inimputabilidade dos políticos lhe garanta não ter de prestar outras contas, terá de ser julgado por erros que um Primeiro Ministro não deve cometer. Por isso, o juízo público é inevitável. Depois, não é esquecendo-os que os erros cometidos nos ensinam como fazer melhor, nem evitamos repeti-los no futuro.
Por outro lado, se Sócrates não está é porque decidiu afastar-se de uma cena onde, por certo, não seria bem olhado. Por isso, como parece ter anunciado, foi estudar Ciências Políticas em Paris, qual cirurgião que vai aprender a sê-lo depois de maltratar o doente.
Temos em funções um Governo que, para seu e nosso mal, não pode ser a simpatia que a todos conviria que fosse. E é assim por causas que não devem ser esquecidas, porque mais criticável do que falar de alguém nas suas costas seria fazer pagar o justo pelo pecador. Pelo menos por ora, enquanto a política que está a ser seguida não mostrar os seus efeitos.
Esquecer Sócrates e o seu tenebroso governo seria uma atitude de avestruz, metendo a cabeça na areia para não olhar o perigo!
quarta-feira, 14 de março de 2012
A LUTA TEM MESMO DE COMEÇAR?
Recebi um E_mail que tem por “assunto” que “a luta tem mesmo de começar”. Umas imagens iniciais do 25 de Abril, deixam a ideia de que o princípio de Otelo para uma nova revolução pode fazer carreira se a situação de austeridade se mantiver sem esperança de melhoria e se a sensação de injustiça de serem apenas os mais fracos a pagar a crise não for desfeita por factos exatamente contrários àquele que a demissão do Secretário de Estado da Energia deixa transparecer.
Diz o autor do mail que é tempo de começar a sentir que se faz justiça por atitudes que desmontem interesses instalados, castiguem corruptos, eliminem instituições desnecessárias, façam pagar quem roubou, estenda a austeridade a todos e muitas outras coisas que é perfeitamente justo reclamar.
Isto, na altura em que se diz que um membro do governo se demitiu por perder a luta que travou contra poderosos interesses instalados, é uma forte chamada de atenção ao governo de Passos Coelho para que, completada a primeira fase, a da contenção, passe rapidamente à seguinte que será a de homogeneizar a participação na salvação nacional e de arrumação de uma casa que anteriores manias de grandeza deixaram no caos.
Entretanto, torna-se urgente que as medidas destinadas ao relançamento da economia comecem a manifestar algum efeito e nos devolvam a esperança de um futuro um pouco melhor.
Eu sei, já o afirmei vezes sem conta, que a economia não irá recuperar, jamais, o “fulgor” de outros tempos insensatos, quando gastar para crescer era o lema. Sei, também, que não há direitos ou “conquistas” que resistam à falta de meios para os sustentar. Por isso, não vale a pena lutar por um retorno ao desvario de uma economia que se alimenta dos nossos próprios vícios.
Mas que vale a pena lutar por um esforço global justamente repartido, disso não tenho dúvidas!
O pedido de indemnização feito pela Lusoponte “pelo risco de variação nos impostos” que se acrescenta ao que outras empresas privadas já fizeram e parecem totalizar 1,2 mil milhões de euros, são atitudes a que o Estado tem de responder com força, rigor e severidade, porque o esforço para recuperar o país deve ser de todos.
A verdadeira luta será esta que terá de ser travada contra interesses muito fortes que estão habituados a impor-se ao Governo mas que, manda a equidade, devem participar, também,na austeridade que as circunstâncias impõem a todos.
Diz o autor do mail que é tempo de começar a sentir que se faz justiça por atitudes que desmontem interesses instalados, castiguem corruptos, eliminem instituições desnecessárias, façam pagar quem roubou, estenda a austeridade a todos e muitas outras coisas que é perfeitamente justo reclamar.
Isto, na altura em que se diz que um membro do governo se demitiu por perder a luta que travou contra poderosos interesses instalados, é uma forte chamada de atenção ao governo de Passos Coelho para que, completada a primeira fase, a da contenção, passe rapidamente à seguinte que será a de homogeneizar a participação na salvação nacional e de arrumação de uma casa que anteriores manias de grandeza deixaram no caos.
Entretanto, torna-se urgente que as medidas destinadas ao relançamento da economia comecem a manifestar algum efeito e nos devolvam a esperança de um futuro um pouco melhor.
Eu sei, já o afirmei vezes sem conta, que a economia não irá recuperar, jamais, o “fulgor” de outros tempos insensatos, quando gastar para crescer era o lema. Sei, também, que não há direitos ou “conquistas” que resistam à falta de meios para os sustentar. Por isso, não vale a pena lutar por um retorno ao desvario de uma economia que se alimenta dos nossos próprios vícios.
Mas que vale a pena lutar por um esforço global justamente repartido, disso não tenho dúvidas!
O pedido de indemnização feito pela Lusoponte “pelo risco de variação nos impostos” que se acrescenta ao que outras empresas privadas já fizeram e parecem totalizar 1,2 mil milhões de euros, são atitudes a que o Estado tem de responder com força, rigor e severidade, porque o esforço para recuperar o país deve ser de todos.
A verdadeira luta será esta que terá de ser travada contra interesses muito fortes que estão habituados a impor-se ao Governo mas que, manda a equidade, devem participar, também,na austeridade que as circunstâncias impõem a todos.
terça-feira, 13 de março de 2012
A ODIOSA DÍVIDA DAS PPP
Depois de Miguel Relvas ter afirmado que “o orçamento das Estradas de Portugal é a ruína do país”, foi ontem, no programa “olhos nos olhos” de Judite de Sousa e Medina Carreira, o dia de ficar a saber coisas arrepiantes sobre estas Parcerias Público Privadas que, afinal, são, mesmo, o descalabro que o Ministro dos Assuntos Parlamentares diz que são. E devem ser, de facto, porque os números que envolvem são alarmantes e são opacamente medonhos os contratos que as regem.
Francamente, fiquei alarmado com os encargos a que os contratos destas parcerias nos obrigam, quer nos valores obrigatórios que são mais de cinquenta mil milhões até 2050 quer nos que correspondem à parte variável que resulta das negociações para ajustamentos que, de tempos a tempos, são feitas. Enfim, são encargos que a debilidade financeira do nosso país não vai permitir satisfazer, a menos que se estique, ainda mais, a corda da austeridade que ou abranda dentro de pouco tempo ou acabará por ter o efeito das curas que matam!
Mas impressionou-me, de modo incomum, o facto de trinta por cento dos encargos com PPP resultarem de contratos assinados nos últimos três anos dos governos de Sócrates – 2008 a 2011 – quando a chamada crise já tinha mostrado as suas garras! Felizmente que os correspondentes ao novo aeroporto de Lisboa e ao TGV foram ainda travados porque, a não o terem sido, a situação seria de descalabro iminente.
Para que Portugal consiga sair da embrulhada em que o meteram, este contratos têm de ser revistos e os valores que envolvem drasticamente reduzidos, estendendo a estes parceiros do Estado a austeridade e a participação no esforço global para reerguer o país.
Mas também, de algum modo e tendo em conta a parte não pública destes contratos desvantajosos para o Estado e contra os verdadeiros interesses dos seus cidadãos feitos por um governo que detinha todos os poderes e condições para assim proceder sem dar contas a mais ninguém, parece não ser totalmente descabida a noção de “dívida odiosa” como Alexander Sack chamou às contraídas por governos autoritários para objectivos estranhos aos interesses dos cidadãos, do que os credores tinham perfeita noção.
Era longo e quase estridente o coro dos que então clamavam contra os excessos esbanjadores do governo, a quem Sócrates respondia de forma bizarra, ora dizendo sentir-se o único a puxar pelo país ora clamando contra o discurso da tanga dos que, dizia também, não queriam o progresso! Vangloriou-se, mesmo, de ter tido a coragem de aumentar a dívida pública para dinamizar a economia…
Hoje temos um país cheio de auto-estradas que o tráfego reduzido não justifica, sendo Portugal um dos países do mundo com maior densidade deste tipo de vias. Seria esta uma prioridade num país com baixa média salarial e muita pobreza ainda ou seria um interesse das grandes construtoras que dominavam a economia?
A penúria absoluta a que estes encargos, demasiadamente elevados para as nossas capacidades, nos conduzirão, acabará por, a curto prazo, gerar um conflito de gestão dos parcos recursos disponíveis: pagar salários e pensões, sustentar os Serviços de Saúde e de Educação, além de outras obrigações básicas do Estado, de um lado e, do outro, pagar as vultosíssimas verbas que ruinosos contratos impõem contra o interesse real dos cidadãos.
Francamente, fiquei alarmado com os encargos a que os contratos destas parcerias nos obrigam, quer nos valores obrigatórios que são mais de cinquenta mil milhões até 2050 quer nos que correspondem à parte variável que resulta das negociações para ajustamentos que, de tempos a tempos, são feitas. Enfim, são encargos que a debilidade financeira do nosso país não vai permitir satisfazer, a menos que se estique, ainda mais, a corda da austeridade que ou abranda dentro de pouco tempo ou acabará por ter o efeito das curas que matam!
Mas impressionou-me, de modo incomum, o facto de trinta por cento dos encargos com PPP resultarem de contratos assinados nos últimos três anos dos governos de Sócrates – 2008 a 2011 – quando a chamada crise já tinha mostrado as suas garras! Felizmente que os correspondentes ao novo aeroporto de Lisboa e ao TGV foram ainda travados porque, a não o terem sido, a situação seria de descalabro iminente.
Para que Portugal consiga sair da embrulhada em que o meteram, este contratos têm de ser revistos e os valores que envolvem drasticamente reduzidos, estendendo a estes parceiros do Estado a austeridade e a participação no esforço global para reerguer o país.
Mas também, de algum modo e tendo em conta a parte não pública destes contratos desvantajosos para o Estado e contra os verdadeiros interesses dos seus cidadãos feitos por um governo que detinha todos os poderes e condições para assim proceder sem dar contas a mais ninguém, parece não ser totalmente descabida a noção de “dívida odiosa” como Alexander Sack chamou às contraídas por governos autoritários para objectivos estranhos aos interesses dos cidadãos, do que os credores tinham perfeita noção.
Era longo e quase estridente o coro dos que então clamavam contra os excessos esbanjadores do governo, a quem Sócrates respondia de forma bizarra, ora dizendo sentir-se o único a puxar pelo país ora clamando contra o discurso da tanga dos que, dizia também, não queriam o progresso! Vangloriou-se, mesmo, de ter tido a coragem de aumentar a dívida pública para dinamizar a economia…
Hoje temos um país cheio de auto-estradas que o tráfego reduzido não justifica, sendo Portugal um dos países do mundo com maior densidade deste tipo de vias. Seria esta uma prioridade num país com baixa média salarial e muita pobreza ainda ou seria um interesse das grandes construtoras que dominavam a economia?
A penúria absoluta a que estes encargos, demasiadamente elevados para as nossas capacidades, nos conduzirão, acabará por, a curto prazo, gerar um conflito de gestão dos parcos recursos disponíveis: pagar salários e pensões, sustentar os Serviços de Saúde e de Educação, além de outras obrigações básicas do Estado, de um lado e, do outro, pagar as vultosíssimas verbas que ruinosos contratos impõem contra o interesse real dos cidadãos.
segunda-feira, 12 de março de 2012
DO PREFÁCIO DO PRESIDENTE AO PASTEL DE NATA
Lembro-me de, quando era miúdo, gostar de ler aos sábados as previsões para os jogos de futebol de domingo que os conhecedores da coisa apoiavam em variados e complexos fatores para, na segunda-feira, ler o que os mesmos comentadores diziam depois de não terem acertado na maioria das coisas que disseram. Mas lá iam conseguindo razões ou desculpas para não ter sido como prenunciaram. Como é costume dizer, lá davam a volta ao texto. Então os jogos eram todos ao Domingo e à mesma hora, não havendo jornais desportivos diários como agora há.
Hoje divirto-me também, mas a escutar os comentários e as previsões de outros comentadores que, tão falíveis como aqueles, são, no entanto, mais requintados no seu modo de explicar as coisas, baseados em ciências outrora inexistentes e de tal modo que, quanto menos delas se entender… melhor!
Tenho adotado, ao longo da vida, um princípio que se tem revelado eficaz: quando me dão explicações que a lógica real me não permite entender, logo concluo que têm a maior probabilidade de estarem erradas. Desconfiadamente, fico atento. Quase sempre o tempo acaba por me dar razão.
Nos programas “especializados”, quando se pretende dar mais credibilidade a uma dada interpretação do que se passa na política, são chamados a opinar os constitucionalistas, os politólogos e outros mais desses sábios das ciências convencionais regidas por leis que eles próprios criaram, os quais sempre arranjam o que criticar em nome de princípios que, sem margens para dúvidas, definem e a sabedoria própria dos títulos que ostentam não consente ao comum mortal por em dúvida! Curiosamente, as críticas quase sempre são para dizer que está mal feito algo que devia ser feito melhor, mas que nunca explicam como fariam. E compreendo porque a sua função é criticar e não fazer…
Depois, também me não parece que os preconceitos que não conseguem disfarçar lhes permitam o uso pleno da inteligência que, por certo, possuem, tão grandes são os disparates que, por vezes, dizem em nome do que pretendem ser convicções mas, muitas vezes, não passam de interesses nos jogos de poder que caracterizam a democracia.
Depois da celeuma causada por um célebre prefácio que mereceu as maiores críticas certificadas por "competências incontestáveis", veio hoje o Senhor Presidente da República pedir que se leia, com atenção, o que escreveu e se encontre na Constituição a razão de ser da deslealdade que referiu.
Li e lá me fui recordando dos factos que menciona, sobretudo quando refere as críticas aos excessos de despesa e outras atitudes de gestão que muita gente criticava ao Governo então em funções. Lembro-me de muita coisa que li e que aqui escrevi a dizer que as coisas iam acabar mal. Como acabaram! Éramos os do discurso da tanga, como Sócrates gostava de dizer.
Quanto à “deslealdade institucional” e independentemente do que a Constituição a esse respeito nos possa dizer, acho que não informar o Presidente da República de situações ou de atitudes que possam ter impacto sensível e grave na vida do país é, sem dúvida, altamente reprovável. E foram as circunstâncias e não a Constituição que o vieram provar!
Esta lenga-lenga dos sábios comentadores e dos “engraçados” que a gozar com estas coisas ganham a vida, fez-me lembrar a questão dos pasteis de nata que tanta chacota custou ao Ministro da Economia.
Quando se trata de uma situação de dificuldades financeiras e económicas do tamanho das que vivemos, parecerá ridículo falar do aproveitamento dos pasteis de nata para as superar. Parece mas não é!
Saber ouvir e tirar do que se escuta as conclusões mais próprias, é dom que nem todos têm ou não querem ter, sobretudo quando lhes convém tirar partido da confusão que possam gerar e, assim, descredibilizar quem fale.
Pareceu-me que o Ministro nada mais quis do que dizer que sem produções em que, pela quantidade ou preço possamos concorrer com países de maiores meios ou socialmente menos evoluídos,deveríamos tirar partido de tantas coisas boas que temos e são muito apreciadas. E é isso que teremos de fazer.
Hoje divirto-me também, mas a escutar os comentários e as previsões de outros comentadores que, tão falíveis como aqueles, são, no entanto, mais requintados no seu modo de explicar as coisas, baseados em ciências outrora inexistentes e de tal modo que, quanto menos delas se entender… melhor!
Tenho adotado, ao longo da vida, um princípio que se tem revelado eficaz: quando me dão explicações que a lógica real me não permite entender, logo concluo que têm a maior probabilidade de estarem erradas. Desconfiadamente, fico atento. Quase sempre o tempo acaba por me dar razão.
Nos programas “especializados”, quando se pretende dar mais credibilidade a uma dada interpretação do que se passa na política, são chamados a opinar os constitucionalistas, os politólogos e outros mais desses sábios das ciências convencionais regidas por leis que eles próprios criaram, os quais sempre arranjam o que criticar em nome de princípios que, sem margens para dúvidas, definem e a sabedoria própria dos títulos que ostentam não consente ao comum mortal por em dúvida! Curiosamente, as críticas quase sempre são para dizer que está mal feito algo que devia ser feito melhor, mas que nunca explicam como fariam. E compreendo porque a sua função é criticar e não fazer…
Depois, também me não parece que os preconceitos que não conseguem disfarçar lhes permitam o uso pleno da inteligência que, por certo, possuem, tão grandes são os disparates que, por vezes, dizem em nome do que pretendem ser convicções mas, muitas vezes, não passam de interesses nos jogos de poder que caracterizam a democracia.
Depois da celeuma causada por um célebre prefácio que mereceu as maiores críticas certificadas por "competências incontestáveis", veio hoje o Senhor Presidente da República pedir que se leia, com atenção, o que escreveu e se encontre na Constituição a razão de ser da deslealdade que referiu.
Li e lá me fui recordando dos factos que menciona, sobretudo quando refere as críticas aos excessos de despesa e outras atitudes de gestão que muita gente criticava ao Governo então em funções. Lembro-me de muita coisa que li e que aqui escrevi a dizer que as coisas iam acabar mal. Como acabaram! Éramos os do discurso da tanga, como Sócrates gostava de dizer.
Quanto à “deslealdade institucional” e independentemente do que a Constituição a esse respeito nos possa dizer, acho que não informar o Presidente da República de situações ou de atitudes que possam ter impacto sensível e grave na vida do país é, sem dúvida, altamente reprovável. E foram as circunstâncias e não a Constituição que o vieram provar!
Esta lenga-lenga dos sábios comentadores e dos “engraçados” que a gozar com estas coisas ganham a vida, fez-me lembrar a questão dos pasteis de nata que tanta chacota custou ao Ministro da Economia.
Quando se trata de uma situação de dificuldades financeiras e económicas do tamanho das que vivemos, parecerá ridículo falar do aproveitamento dos pasteis de nata para as superar. Parece mas não é!
Saber ouvir e tirar do que se escuta as conclusões mais próprias, é dom que nem todos têm ou não querem ter, sobretudo quando lhes convém tirar partido da confusão que possam gerar e, assim, descredibilizar quem fale.
Pareceu-me que o Ministro nada mais quis do que dizer que sem produções em que, pela quantidade ou preço possamos concorrer com países de maiores meios ou socialmente menos evoluídos,deveríamos tirar partido de tantas coisas boas que temos e são muito apreciadas. E é isso que teremos de fazer.
sábado, 10 de março de 2012
SERÁ QUE VÃO ACABAR AS COSTELETAS?
A alimentação de uma população cada vez mais numerosa - sete mil milhões e a crescer... - é um dos graves problemas do nosso mundo. Este problema pode ser, a par dos que se verificam com outros recursos também, uma ameaça ao futuro e à sobrevivência da Humanidade.
Há muito que se chama a atenção para os perigos de muitos excessos que são cometidos em nome de conceitos de crescimento e de bem estar que não têm nas suas preocupações a satisfação das necessidades básicas essenciais de uma população mundial cada vez mais numerosa e mais carente do que lhe permita uma vida com a dignidade própria de seres humanos. A fome e a falta de higiene são flagelos para muitos milhares de milhões de pessoas.
A OMS diz ter sido atingido o objetivo do milénio que era proporcionar água potável a dois mil milhões de pessoas em todo o mundo, o que, todavia, deixa ainda cinco mil milhões sem acesso a um bem essencial à vida saudável. Também a fome continua a ser o drama maior de outros tantos milhares de milhões, entre os quais muitas crianças que morrem precocemente.
A Humanidade já se deu conta de que não consegue produzir alimentos bastantes, apesar de todos os esforços para melhorar os rendimentos das culturas e a alimentação dos animais, do que, bem se sabe, têm resultado alguns problemas sérios de saúde pública, para além do decréscimo da qualidade dos alimentos produzidos, senão mesmo a sua contaminação por toxinas.
Procuram-se novas soluções como, por exemplo, a que agora se anuncia e diz respeito à produção de carne artificial que, dizem os que preparam tal “alimento”, poderá estar disponível dentro de dez anos. Não sei se a carne que assim vai ser produzida será bife da vazia, da alcatra ou de outro lado qualquer, mas temo que a saborosa costeleta esteja fora de questão neste processo que não deve produzir osso!
Pessoalmente, não creio que a solução para os problemas do Homem, sejam eles quais forem, se encontre fora dos ciclos próprios da Natureza como, desde há já algum tempo, se tem tentado.
Não duvido da capacidade do Homem para ultrapassar os problemas que se lhe deparem mas, para isso, terá de ser a sobrevivência a sua preocupação e não as cotações das bolsas e outras coisas com que se tem distraído...
Há muito que se chama a atenção para os perigos de muitos excessos que são cometidos em nome de conceitos de crescimento e de bem estar que não têm nas suas preocupações a satisfação das necessidades básicas essenciais de uma população mundial cada vez mais numerosa e mais carente do que lhe permita uma vida com a dignidade própria de seres humanos. A fome e a falta de higiene são flagelos para muitos milhares de milhões de pessoas.
A OMS diz ter sido atingido o objetivo do milénio que era proporcionar água potável a dois mil milhões de pessoas em todo o mundo, o que, todavia, deixa ainda cinco mil milhões sem acesso a um bem essencial à vida saudável. Também a fome continua a ser o drama maior de outros tantos milhares de milhões, entre os quais muitas crianças que morrem precocemente.
A Humanidade já se deu conta de que não consegue produzir alimentos bastantes, apesar de todos os esforços para melhorar os rendimentos das culturas e a alimentação dos animais, do que, bem se sabe, têm resultado alguns problemas sérios de saúde pública, para além do decréscimo da qualidade dos alimentos produzidos, senão mesmo a sua contaminação por toxinas.
Procuram-se novas soluções como, por exemplo, a que agora se anuncia e diz respeito à produção de carne artificial que, dizem os que preparam tal “alimento”, poderá estar disponível dentro de dez anos. Não sei se a carne que assim vai ser produzida será bife da vazia, da alcatra ou de outro lado qualquer, mas temo que a saborosa costeleta esteja fora de questão neste processo que não deve produzir osso!
Pessoalmente, não creio que a solução para os problemas do Homem, sejam eles quais forem, se encontre fora dos ciclos próprios da Natureza como, desde há já algum tempo, se tem tentado.
Não duvido da capacidade do Homem para ultrapassar os problemas que se lhe deparem mas, para isso, terá de ser a sobrevivência a sua preocupação e não as cotações das bolsas e outras coisas com que se tem distraído...
sexta-feira, 9 de março de 2012
DE REGRESSO A SÓCRATES
O dia acordou perturbado por um prefácio do Presidente da República no livro Roteiro VI, no qual Sócrates é acusado de falta de lealdade institucional, de falta de diálogo com a Oposição e sei lá mais que coisas que agitaram o PS que, em peso, saiu a terreiro para defender o seu antigo líder.
Tudo muito bem aproveitado pela comunicação social com títulos apelativos e com os célebres programas de antena aberta, onde cada um diz o que lhe vai na alma ou lhe dá na gana, na crista da onda.
Apesar de considerar estes programas um jornalismo negativo porque mais desinforma do que informa, vou-lhes prestando alguma atenção porque, assim, vou-me dando conta do nível de confusão e de desinformação em que este país se encontra.
Poucas vezes ouvi chamar tantos nomes a alguém, desta vez a Cavaco Silva que, entre muitas coisas, desde desleal, mentiroso, incompetente e, até, insano, foi aconselhado a tratar-se se, porventura, não se sentir bem.
Não morro de amores pela pessoa que, de algum modo, tem culpas neste cartório por, quando governante, ter prestado mais atenção aos aspectos materiais do que aos aspectos sociais nesta sociedade que acabou arruinada por sonhar com grandezas que jamais poderia ter. Mas, mesmo assim, soaram-me a excessivas as atitudes de repúdio por seja o que for que tenha dito ou feito, sobretudo quando são tomadas por quem mais culpas tem neste folhetim de horrores que estamos a viver.
A exaltação de Sócrates também não podia ter faltado da parte dos que continuam a considera-lo um excelente Primeiro Ministro que fez o país prosperar, ao longo de cujo governo vivíamos muito melhor do que com esta governação que temos agora e que corta salários, acaba com benefícios, aumenta impostos.
Estou de acordo que se vivia melhor no tempo do governo de Sócrates do que no tempo deste governo de Passos Coelho que, sendo assim, perde no confronto com o antigo líder socialista. Terei mesmo de dizer, sentidamente, que este é um mau governo que, nem sequer, deveria existir! E não existiria, por certo, se o de Sócrates não tivesse existido antes.
Este critério de julgar governos faz-me recordar uma anedota em que dois bêbados caminhavam pela avenida abaixo dizendo que “um bom governo poria o vinho a pataco e de borla as sardinhas para acompanhar...”, além de outras coisas parecidas até que, de tantos tropeções um no outro, acabaram por se estatelar. Seguia-os um outro bêbado muito interessado na conversa que logo comentou: “estava a formar-se um governo tão bom e já caiu!”
Tudo muito bem aproveitado pela comunicação social com títulos apelativos e com os célebres programas de antena aberta, onde cada um diz o que lhe vai na alma ou lhe dá na gana, na crista da onda.
Apesar de considerar estes programas um jornalismo negativo porque mais desinforma do que informa, vou-lhes prestando alguma atenção porque, assim, vou-me dando conta do nível de confusão e de desinformação em que este país se encontra.
Poucas vezes ouvi chamar tantos nomes a alguém, desta vez a Cavaco Silva que, entre muitas coisas, desde desleal, mentiroso, incompetente e, até, insano, foi aconselhado a tratar-se se, porventura, não se sentir bem.
Não morro de amores pela pessoa que, de algum modo, tem culpas neste cartório por, quando governante, ter prestado mais atenção aos aspectos materiais do que aos aspectos sociais nesta sociedade que acabou arruinada por sonhar com grandezas que jamais poderia ter. Mas, mesmo assim, soaram-me a excessivas as atitudes de repúdio por seja o que for que tenha dito ou feito, sobretudo quando são tomadas por quem mais culpas tem neste folhetim de horrores que estamos a viver.
A exaltação de Sócrates também não podia ter faltado da parte dos que continuam a considera-lo um excelente Primeiro Ministro que fez o país prosperar, ao longo de cujo governo vivíamos muito melhor do que com esta governação que temos agora e que corta salários, acaba com benefícios, aumenta impostos.
Estou de acordo que se vivia melhor no tempo do governo de Sócrates do que no tempo deste governo de Passos Coelho que, sendo assim, perde no confronto com o antigo líder socialista. Terei mesmo de dizer, sentidamente, que este é um mau governo que, nem sequer, deveria existir! E não existiria, por certo, se o de Sócrates não tivesse existido antes.
Este critério de julgar governos faz-me recordar uma anedota em que dois bêbados caminhavam pela avenida abaixo dizendo que “um bom governo poria o vinho a pataco e de borla as sardinhas para acompanhar...”, além de outras coisas parecidas até que, de tantos tropeções um no outro, acabaram por se estatelar. Seguia-os um outro bêbado muito interessado na conversa que logo comentou: “estava a formar-se um governo tão bom e já caiu!”
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