ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

QUAL O VALOR DA VIDA HUMANA?




O tribunal norueguês sentenciou Anders Behring Breivik, acusado da morte de 77 pessoas, a 21 anos de prisão. Esta é a notícia de hoje!
De há tempo atrás é a notícia de que um senhor de nome Bernard Madoff, com um “esquema” do tipo Dª Branca, burlou muita gente. Foi condenado a 150 anos de cadeia!
Se um, Madoff, se aproveitou da ganância daqueles que burlou oferecendo vantagens obviamente impossíveis, o outro, Breivik, cometeu um hediondo crime cobarde destruindo o centro governamental de Oslo e matando, com inacreditável sangue frio, muitas dezenas de inocentes, em nome de um ideal que a derrota do nazismo deveria ter enterrado.
21 anos de privação da liberdade em troca de 77 vidas parece-me uma pena ridícula para quem se ri da própria condenação sem mostrar o mínimo arrependimento.
Comparando os dois casos e as duas condenações, fico a pensar quanto vale, afinal, a vida humana.

A RTP E A REGRA DE OURO


Esta questão da RTP de que um jornal de hoje diz ir ser concessionada a privados, é um caso típico de como se fazem as notícias em Portugal e de como os partidos políticos reagem.
Ontem sabia-se o que um jornal ia publicar hoje sobre a privatização da RTP. Antecipa-se uma entrevista ao consultor do governo para as privatizações que admite ser a concessão do canal 1 e a extinção do canal 2, como diz a tal notícia, uma das hipóteses que se encontram em estudo. (aqui talvez eu devesse dizer “que estão em cima da mesa” uma expressão entre diversas de utilização corrente que revelam como é pobre o vocabulário político português).
Fez notar o entrevistado que era mesmo assim, uma entre outras hipóteses, e que lhe não competia tomar uma decisão que apenas compete ao governo quando o estudo estiver concluído.
Desta entrevista não pude deduzir mais do que aquela seria uma hipótese muito provável, mas sem a garantia de que fosse a que vai ser escolhida. Nem sequer me dei conta de que o que nela foi dito pelo entrevistado pudesse ser confundido com um anúncio do governo sobre o que iria ser feito.
Podem as declarações do entrevistado não terem sido ingénuas e pode, até, a notícia de hoje ser mais do que mera especulação jornalística, mas especulativas e oportunistas são, em boa verdade, as apreciações críticas dos comentaristas e das oposições cuja conclusão foi rápida e definitiva: o governo havia confirmado que a RTP1 seria concessionada e a RTP2 extinta.
Custa-me verificar que num país com tanta coisa séria e importante para pensar e para fazer, se desperdice o tempo, tanto tempo porque há dois dias que quase se não fala de outra coisa, do modo como se desperdiça.
Então, sem especular e sem gastar muito tempo, porque não hei-de eu dizer o que penso que o governo deveria fazer com o canal ou canais da Estado que me parece importante que existam para prestar um indispensável serviço público que, quanto a mim, não é o que têm prestado?
Pois penso que deviam continuar no Estado, com uma gestão que, como o primeiro-ministro deseja para o país, deve cumprir uma “regra de ouro”: não ultrapassar o orçamento que for aprovado!
Claro que teriam de escolher um bom gestor. E sério!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

CRÓNICA DE AGOSTO


(Texto publicado no número de Agosto do Notícias de Manteigas)

SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO
Agosto é um mês especial, de férias e, por isso, não vou massacrar os meus leitores com prosas extensas. Vou dividir o texto em pequenas partes, a primeira das quais para dizer que decidi não continuar a utilizar a chamada nova ortografia. Voltarei à que antes adoptava que já nem é a primeira que aprendi. Ainda me lembro de quando escrevia “quási”, “assucar” e outras palavras de um modo diferente do que agora escrevo mas, na altura, pouco me preocupou saber o motivo pelo qual as alterações eram feitas. Disseram-me que era assim e pronto. Mas não foi, por certo, o mesmo que agora se invoca.
Tenho sentido algum desconforto que se acentuou quando me aconteceu ter de escrever certas palavras que, na nova ortografia, me pareceram completamente descaracterizadas e fora das raízes que justificavam a velha escrita, pelo menos como mas ensinaram, assim como certas homografias me chocam mais do que uma simples mudança justificaria. Para além disso, a invocada unificação da língua portuguesa não é alcançada ou porque alguns países ainda não aprovaram o acordo ou, como no caso do Brasil, se mantêm diferenças flagrantes em casos dos quais não abdicaram. Não vejo, pois, uma suficientemente forte razão de ser para esta insistência em tentar manter supostamente igual o que, naturalmente, o tempo tende a tornar diferente!
Não quero, com esta atitude, marcar qualquer posição numa ciência na qual não tenho a menor autoridade. Mas não me parecem, de todo, razões científicas as que ditaram a mudança. Espero que me não levem a mal que não contrarie o que sinto, apenas porque um acordo pretende impor-mo.
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UMA MOÇÃO PARA REDIMENSIONAMENTO DO CONCELHO DE MANTEIGAS
Agradou-me o resultado da “moção” aprovada na Assembleia Municipal para o alargamento do território do nosso Concelho que, como os meus leitores bem sabem, considero amputado de áreas que a mais simples racionalidade, em termos de administração territorial, diz que deveriam estar nele integradas. O que penso neste aspecto, está escrito num texto que intitulei “Um Concelho com futuro ou um Trás-de-Serra ignorado?”.
Apesar de tudo, não esperava ver acolhida deste modo uma convicção que os meus conhecimentos do território e outros também me dizem estar certa. Apesar disso, não me surpreendem as reacções dos autarcas aos quais ela retira território, porque não costuma ser este um país onde as coisas se fazem pelas razões mais certas mas sim por conveniências dos que mais força tenham para as impor. Até mesmo quando o disparate é evidente.
E é evidente o disparate quando alguém diz que “o Presidente da Câmara de Manteigas anda a sonhar acordado”. Mas também não é raro que a política seja feita de arrogâncias tolas em vez de razões sustentadas ou de atitudes sensatas.
Da poética afirmação de que “o sonho comanda a vida” fiz muitas vezes o meu horizonte ou a estrela que me guiou em diversos trabalhos difíceis em que acabei por ser bem sucedido quando tantos já prenunciavam a minha derrota. Por isso sei quanto é preciso persistir no sonho para o tornar realidade.
Também o Concelho de Manteigas merece um sonho grande, o que o seu Presidente ou qualquer outro manteiguense de verdade possa sonhar, porque merece sobreviver, sobreviverá às dificuldades de um futuro difícil e conturbado que outros talvez não tenham tantas condições para superar.
A “moção” que vejo aprovada na AM é mais do que um sonho, é uma atitude de razão que, sem retirar vantagens seja a quem for, as trará para a nossa Terra e para as Freguesias que no nosso Concelho forem integradas, nas condições e pelas razões que a “moção” invoca. Além de outas…
Não pode ser preocupado com o bem-estar dos outros quem deste “sonho” escarneça, porque apenas por egoísmo contrariará o alcance das vantagens que comporta. E se um conselho me é permitido dar aos que não sonham e lutam pelos seus sonhos neste tempo de incertezas, é o de não adormecerem, porque podem ter pesadelos!
Estas missões para fazer as coisas certas levam o seu tempo, tempo demais quase sempre. É por isso que mais necessária se torna a perseverança que, tal como a esperança, jamais deve fenecer.
Iniciou a Câmara de Manteigas um caminho longo e duro que terá de mostrar ser capaz de percorrer no muito trabalho que terá de ser feito para que seja justificado, compreendido e aceite o objectivo a que conduz!
Força Manteigas!
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O DINHEIRO NÃO SE COME...
Por vezes consumimos tempo e palavras demais para dizer o que, afinal, pode ser dito em tão poucas como as de um cartaz da Organização Greenpeace onde se lê:
“Quando a última árvore for cortada,
Quando o último rio for poluído,
Quando o último peixe for pescado…
Vocês vão entender que o dinheiro não se come!”
Foi, afinal, esta mensagem que aqui me esforcei por fazer passar em diversas crónicas que escrevi ao longo de quatro anos, tantas e tão insistentes que corri o risco de me tornar bem chato. Mas vejo agora, com algum ainda que pequeno alívio que há economistas que se começam a aperceber das razões que levam alguns como eu a não acreditar no regresso ao passado pelo qual tantos ainda esperam. Começo a notar que há já economistas internacionais e portugueses vão ajustando a orientação do seu discurso e corrigindo as metas das suas previsões, se não pelas razões mais certas, pelo menos pelas que uma luta que já se tornou inglória acabou por lhes revelar.
Li hoje um texto publicado no jornal o Público, no qual o autor – Dani Rodrik, Professor da Universidade de Harvard - revela uma visão do futuro na qual introduz o conceito de “Nova Economia Mundial” que, como há anos venho aqui dizendo, terá de substituir o regabofe do passado do qual, há várias dezenas de anos, Alvin Tofler realçou a más consequências morais e sociais e o Clube de Roma demonstrou ser responsável pela situação de penúria a que, por imprevidência, acabamos por chegar.
Quando esta crónica vos chegar já não será fácil conseguir o jornal em que foi publicado o texto de Dani Rodrik mas poderão recuperá-lo na Internet, na minha página pessoal do facebook ou no meu blogue http://jornaldegaveta.blogspot.com onde o vou colocar.
Importante para mim, importante para todos nós é que se comece a compreender o que a “gula” e uma ambição desmedidas nos não têm permitido ver, antes que se acabe o pão que nos alimenta o corpo, se esgote a madeira que nos aquece, dá conforto e nos abriga ou se destrua completamente o Ambiente de que necessitamos para manter a vida que, tal como a de tantas outras espécies, também se nos pode acabar!
Rui de Carvalho
26 Julho 2012

sábado, 18 de agosto de 2012

CANTASTE? POIS DANÇA AGORA…


Nunca me passaria pela cabeça que, depois de tudo o que sucedeu e sucede, alguém pudesse considerar Sócrates o melhor primeiro ministro de Portugal.
Mas é verdade como se pode ver no Diário Económico!
Faz lembrar aquele modo de pensar tão português quando a gula supera a razão: “perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe”.
Foi uma festa enquanto os bancos lhe deram o dinheiro que lhes pediu e até os mercados lho recusarem a preço razoável. Distribuiu magalhães, deu dinheiro aos montes, forjou estatísticas que nos colocavam no Céu, permitiu as tropelias que a cada um deu na gana fazer, fez de Portugal uma auto-estrada, fez contratos grandiosos para quem deles se aproveitou, foi o tempo do sucesso dos BPN, dos sucateiros, das fundações para fazer nada, dos Freeport e tantas outras coisas mas acabou por deixar-nos numa situação em que, depois de gozado o fausto da grandiosidade socialista que as nossas posses não conseguem sustentar, nos faz agora sofrer as agruras da realidade que a formiguinha fez ver à cigarra no famoso dito: cantaste? Pois dança agora!
A cura das consequências de tantos desmandos teria de ser, fatalmente, dura e, como diz o povo que disto se não lembra quando se entrega à farra, "quem se cura não se regala"!
Não sei o que dizer da minha terra onde se pensa assim e, por isso, temo que o futuro volte a ser a bagunça que tantas vezes já foi e que os meus filhos e os meus netos pensem, um dia, nas culpas que tive por se encontrarem no meio dela!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A REGRA DE OURO


Colocar na Constituição uma regra que que defina um limite para o endividamento público, depois dos dramas que temos vivido em consequência das políticas despesistas de alguns governos, parece ser uma iniciativa de louvar porque evitará o gasto de dinheiro que não será fácil de repor e acabará por obrigar a mais apertos de cinto como tantos a que já fomos obrigados.
Esta regra, conhecida por regra de ouro, deveria ser aprovada por unanimidade e não contestada, como parece estar a ser pelo Partido Socialista após o discurso de Passos Coelho. Ainda que seja o PS o partido que mais responsabilidades tem nos estados de quase insolvência que Portugal viveu após o 25 de Abril, não creio que para os dirigentes socialistas não seja evidente a necessidade de colocar um travão nos desmandos de que o anterior governo foi um campeão.
Antes, Mário Soares fizera o mesmo com políticas que elevaram a dívida pública de menos de 20% até mais de 60% do PIB, ao que seguiu o célebre “guardar o socialismo na gaveta” e um apertão de cinto como há muito se não tinha sentido.
Acho estranho que se não tenha reflectido sobre o real significado desta atitude que faz deste tipo de socialismo o grande sorvedouro de dinheiro que não existe!
Obviamente, o recurso ao endividamento que permite as decisões eleitoralistas que concedem benefícios, permitem “conquistas” cuja manutenção não garante e dá para fazer obras de fachada que impostos maiores terão de pagar, é mais fácil do que fazer uma gestão cuidada dos recursos financeiros de modo a manter a economia equilibrada e sã, fazendo o nível de vida corresponder às possibilidades reais do país. Nestas condições, terá de ser o trabalho que desenvolvermos e não as "as benesses que conquistámos", a base das melhorias sociais que desejemos alcançar.
Perante tudo isto pergunto-me por qual razão será o PS contrário a uma regra que, por motivos óbvios, parece ser uma garantia dos cidadãos contra os desmandos dos governantes. Será porque, como o passado mostra, a não consegue cumprir?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O DISCURSO DO PONTAL


Pareceu-me que Passos Coelho fez o discurso que se poderia esperar e não, como parece que tanta gente desejava, o anúncio do que será o próximo Orçamento do Estado. Por isso, terá sido o “discurso pobre” que o PS já disse que foi, ainda que tenha sido o discurso possível numa “reentrada política” na qual todos esperam muito que nunca acontece.
Contudo, parece-me que três mensagens são de reter do discurso que Passos Coelho fez. Uma delas é a diferença que marcou entre o caminho que segue e o que nos conduziu ao ponto em que nos encontramos, outra em que garante que Portugal sairá desta situação e, finalmente, a de que tal acontecerá com a participação de todos.
Qualquer delas me parece importante, ainda que todas elas possam dar azo a críticas fáceis dos que, sem poderem dizer que as entendem, terão de as criticar e desmerecer porque é esse o seu papel. Mesmo quando o façam com o cinismo próprio de quem faz o mal e a caramunha!
O “tratamento” de tão grave doença nunca seria fácil e, como o povo bem diz “quem se cura não se regala”.
É evidente que o rumo esbanjador do país que o endividou tinha de ser invertido, o que o caminho que agora percorre lhe permite, equilibrando as contas, ainda que de tal resulte um ajustamento do nosso nível de vida à nossas reais possibilidades. Mas é a partir de uma base sã que a recuperação deve ser feita.
Crer na recuperação do país é o mínimo que se pode esperar de um primeiro-ministro que coloca a esperança na capacidade dos portugueses para, todos juntos, a conseguirem.
Será o discurso moralista como os críticos o classificam ou será, antes, o discurso de encorajamento do qual quem tem de enfrentar grandes dificuldades sempre necessita?
Não tenho dúvidas quanto à necessidade de o país passar a viver uma vida equilibrada, mas também quero ter a esperança de podermos preparar o futuro numa base de rigor que nos possa precaver de novos males e permitir tornar melhor o futuro.
Não terá sido o discurso que disse o que a nossa ansiedade gostaria de saber, mas foi o discurso determinado e prudente que as circunstâncias impunham que fosse.

PRIVATIZAÇÕES E DESEMPREGO


 A notícia de que os Estaleiros Navais de Viana do Castelo vão ser reprivatizados, leva os respectivos trabalhadores a protestarem por receio dos possíveis despedimentos que de tal possam resultar.
Esta é mais uma prova das vantagens de se ser funcionário público, a tal desigualdade que o Tribunal Constitucional não conseguiu ponderar em recente decisão que tomou.
Mas a realidade é que os estaleiros estão falidos e o Estado não dispõe de meios financeiros para os recuperar, além de não ser, como todos sabemos, quem melhor pode rentabilizar este tipo de empresas, o que impõe medidas urgentes que a privatização pode promover. Não é função do Estado gerir estaleiros navais, tal como a realidade mostrou e, por isso, a privatização será a melhor atitude a tomar.
Pode a reorganização dos estaleiros dar azo a dispensas de pessoal? Certamente, porque é possível verificar-se a necessidade de reajustamento dos meios existentes, entre os quais os humanos, a par da falta de outros que será necessário garantir.
É este reajustamento de meios humanos que o Estado não tem sabido fazer. Pelo contrário, numa função a todos os títulos imprudente, tem absorvido os excessos de mão-de-obra que uma “economia” cada vez mais capital intensiva e tecnologicamente evoluída tem dispensado, provocando um excesso de meios na função pública e nas empresas que, agora, se vê forçado a dispensar sem modo de poder resolver o gravíssimo problema do desemprego.
O desemprego é um drama que, no estado em que as coisas se encontram, pode atingir qualquer um, porque o emprego tradicional é uma condição que, por muito tempo ainda, continuará escassa. O desemprego de longa duração jamais terá, para os agora desempregados, uma solução satisfatória.
É isto que sabem e temem os trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo quando se manifestam contra a reprivatização que lhes fará perder um benefício que a situação actual do mundo não pode conceder, garantia de emprego em quaisquer condições como acontece, ou acontecia, quando se é funcionário público.
Mas a alternativa ao ajustamento dos meios necessário ao relançamento dos estaleiros é a falência total, a perda total de todos os postos de trabalho!
A realidade mostrou, com a pior dureza, que o Estado não pode continuar a ser o albergue da mão-de-obra que a economia dispensa! Uma atitude que não só não resolve nada como cria problemas graves para os quais, entretanto, se não pensou numa solução!
É tempo de começar a distinguir emprego e trabalho e a fazer o trabalho que o futuro exigirá em enormes quantidades.