ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

GATUNOS!



Apesar das manifestações sucessivas que situações de muita carência e ansiedade possam justificar, não me parece que sejam os que nelas agora são vaiados, aqueles que um dia se sentarão no banco dos réus para que sejam avaliados os seus actos de gestão.
Não será, portanto, justo que se transforme o que a democracia permite, a manifestação, numa mostra de má consciência que se não dá conta do logro em que tantos acabam por cair.
Como muitos, manifestei a minha discordância por coisas que foram mal feitas, tal como por outras que devendo ter sido feitas o não foram e, por isso, tornaram mais duras as medidas de austeridade que já quase nos sufoca.
Mas não posso concordar com as manifestações de desrespeito grosseiro que, sei lá por quem instigados, tantos portugueses andam por aí a fazer. É desagradável e não resolve problema algum proceder desta maneira. Bem pelo contrário, poderá acarretar mais problemas se uma crise política se instalar, apenas para servir os interesses daqueles para os quais quanto pior melhor.
Uma sondagem, da qual muitos nem sequer souberam ler os resultados, logo levou o PCP a reclamar por um governo de maioria de esquerda! Seremos todos loucos?
Enfim, não me faz sentir confortável a possibilidade de uma situação que, em vez dos sacrifícios que esta já me trás, me faça passar por outros ainda bem maiores.
Reclamar sim, mas nos modos que o respeito exige. Ou será que nas liberdades democráticas cabe a má educação e o insulto?

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O TOP 20 DO NOSSO DESCONTENTAMENTO



A notícia é que, num estudo da Allianz - Global Wealth Report que faz o balanço dos rendimentos financeiros médios por habitante nos diferentes países europeus, Portugal ocupa o 19º lugar à frente da Finlândia. No topo encontra-se a Bélgica com quase 70.000 euros anuais por habitante, mais do triplo dos cerca de 20.000 de Portugal. A Espanha, este colosso aqui do lado, onde os salários são mais do que duplos dos nossos mas tão falido como nós, nem sequer entra neste grupo.
É um modo de ver as coisas este de as analisar considerando diversos parâmetros, entre os quais o rendimento médio anual por habitante.
Mas a média não é um valor significativo em si próprio, pois não passa de uma referência em relação à qual há que considerar os desvios dos valores estatísticos dos quais resulta. Nem será um parâmetro perfeitamente seguro de comparação entre estatísticas, por isso dos países a que os rendimentos médios deste estudo dizem respeito.
A notícia, tal como a li, não faz referência a esses desvios dos valores mais elevados e dos valores mais baixos em relação à média o que, para além das diferenças brutais entre estas, pode significar, para os de menores rendimentos, uma miséria enorme que o estudo esconde.
Sabendo como em Portugal esses desvios são enormes, decerto entre os maiores da Europa, como o comprova, sem a menor dúvida, este estudo que coloca entre os 20 mais ricos um país onde a remuneração do trabalho é das mais baixas deste continente, poderemos concluir ser aos rendimentos mais avultados que o governo deve ir buscar aquilo de que necessita para endireitar as suas contas. E ainda lhes sobejaria muito.
Além desta conclusão em consequência de um Top 20 no qual, se incluíssemos as ditas “economias emergentes”, continuaríamos integrados, o resultado mostra bem o estado da economia mundial que os economistas insistem em querer reconduzir a níveis de uma abastança que, afinal, nunca existiu, tal como mostra bem a miséria de um mundo em que milhões morrem de fome!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O FUTURO DO SPORTING E A LINHAGEM DOS GATOS PINGADOS

Não sei se um dia, o sportinguistas acordarão para esta dura realidade que é batalha total que têm de travar pela sobrevivência do seu Sporting! Quem sabe preferem não se maçar e acordar, um dia, com o facto consumado de um doloroso final.
Começo a ter dúvidas, tantas são as oportunidades desperdiçadas para mudar o rumo penoso que as coisas têm seguido.
Começo a pensar que lhes é indiferente o modo como o seu Sporting há anos vem sendo esbulhado do seu património, pois não posso crer que ainda acreditem nas fantasias que, a cada dia que passa, mais mostram ser a mentira dos que, à sombra do lema “Esforço, Dedicação, Devoção” foram, aos poucos, consumindo a Glória que a outros tanto custou a alcançar.
Uma certa “linhagem”, como alguém lhe chamou, apoderou-se do Clube fazendo dele mais um dos seus negócios, senão mesmo o seu “negócio”.
Chamam-lhes a CONTINUIDADE que, para uns, manteria o Sporting no patamar mais elevado da grandeza enquanto, para outros, não passam dos que consumiram, no fogo do egoismo e da ambição pessoal, um passado glorioso do qual já não dá mais para viver, fazendo dele uma herança que se esgotou! Por isso lhes chamei e lhes chamo a DESCONTINUIDADE na História do maior clube desportivo português, porque deram à sua História um outro rumo, o rumo do descalabro a que os sportinguistas têm o dever de dar um fim.
Durante muito tempo, por muitos considerados como os melhores adeptos do mundo, capazes de suportar todos os azares sem abrandar no amor e no apoio ao clube do seu coração, hoje a realidade mostra que um enorme comodismo de muitos sportinguistas foi confundido com essa dedicação tão celebrada!
Já não sei se os sportinguistas serão capazes de defender o que é seu ou se vão deixá-lo, definitivamente, nas mãos da tal “linhagem” que o afunda no lodo da humilhação, da dor e da ignomínia.
É já curto o tempo para saber do que os sportinguistas serão capazes.
Cooptarão eles mais senhores da alta linhagem que continuará a perde-lo ou dirão NÃO às manobras que lhe chuparão o resto do sangue que ainda tem?
Veremos. Gostaria de ver os sportinguistas mobilizados para a epopeia de reerguer o Sporting, mas já me vou conformando com a ideia de os ver, uma vez mais, derrotados pelos que, de corpo e alma, são os gerontes que mantêem no trono esta linhagem de “gatos pingados”.

(fotografia do Leão, feita por Ana Catarina de Carvalho, no Krueger Park, Setembro 2012)

sábado, 22 de setembro de 2012

DEPOIS DE UMA NOITADA…



O “comunicado” do Conselho de Estado de ontem foi aquele que poderia esperar-se, do que se pode concluir ter o governo aceite algumas sugestões importantes para minimizar os efeitos de umas apresentações de medidas de austeridade em que o bom senso não foi o que mais sobressaiu.
Depois da barafunda que se gerou e da quase desistência de Passos Coelho, depois de uma atitude sacana de Portas que poucos seriam capazes de lhe perdoar, parecem os ânimos mais serenados e, quem sabe, a Concertação Social da próxima segunda-feira possa encontrar uma alternativa às malfadadas TSU que se tornaram no pomo da discórdia, porque, sempre, algo teria de o ser. Tudo estaria preparado para acontecer o que aconteceu, com políticos, uns a lançarem a confusão e outros a acicatar ânimos, na convicção de ter chegado a sua hora. Pobre país que tem políticos destes que não conseguem ver para além dos seus interesses nem realizar outros planos que não os seus! Como alguém (lamento não lembrar o nome) disse, estes políticos continuam a proceder como se a situação do país fosse normal. Digo eu, como se o país não estivesse amarrado a um protocolo que tem de cumprir sob pena de reacções que lhe causariam danos complicados, como se fosse o tempo das “traquinices” políticas em que se especializaram, do tempo de brincar aos poderes para justificarem os muitos milhões que os “trabalhadores” pagam e, assim, lhes permitirem as vidas que fazem.
Parece que é a altura de repensar a Assembleia da República, de a tornar uma assembleia de representantes do povo em vez de ser coio de oportunistas que custam ao país mais do que o país pode pagar!
Por outro lado, começo a pensar que as manifestações que começaram por ser pacíficas se estão a tornar violentas. Não pelos incidentes patetas que uma vez por outra acontecem, mas pelas palavras de ordem e cartazes que surgem que não são, de todo, de quem quer enviar uma mensagem que o governo escute mas sim insultos com os quais querem provocar a confusão!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A ESPERANÇA RAZOÁVEL



Referindo-se às manifestações populares contra a austeridade, Passos Coelho disse na Assembleia da República, durante o debate quinzenal, que “não somos cegos nem surdos. Certamente não seremos mudos perante as dificuldades do país”, acrescentando que “é importante que os portugueses saibam que já é reconhecido lá fora, vale a pena explicar agora cá dentro por que razão é preciso continuar”.
Referindo-se à negociações com a Troika, o Primeiro-Ministro classificou-as como muito duras para poder flexibilizar as metas do défice, tal como foi conseguido. Realçou não poder ser inutilizado o “esforço colossal” que o país já fez, o que acontecerá se desistirmos dos nossos intentos de recuperar Portugal.
Quanto à necessidade de flexibilização de metas em consequência das derrapagens que o Orçamento 2012 sofreu, Passos Coelho afirmou que “há dificuldades acrescidas que não foram antecipadas. Não se pode antecipar tudo”.
É verdade que a futurologia que à governação se exige, não é adivinhação. Mas que a crise se alastraria a outros países, tal como a outros ainda se vai alastrar, só não era previsível para os que crêem nada ter mudado, nem as regras em que se baseia em "procedimentos económicos" aos quais a realidade já retirou sentido.
Sem retirar uma vírgula às críticas que fiz a esta governação, em especial a de não terem agilizado as reformas estruturais de modo a alcançar resultados que evitassem castigar ainda mais os já mais castigados até aqui, com prejuízos dos quais já nada os compensará, é bom saber que, finalmente, o governo entende ser necessário um esclarecimento que mobilize os portugueses para a árdua tarefa de recuperar o país. De facto, apenas mercenários se esforçam sem saber porque, desde que lhes paguem.
Até posso admitir uma certa discrição, a falta de informação de que o governo tem sido culpado porque, como todos sabem, o segredo é a alma do negócio. Enquanto as oposições clamavam por negociações para dilatar prazos, era missão do governo não o fazer senão no momento oportuno, antes de possuir créditos que pudesse fazer valer, sob pena de não ser bem sucedido.
Todos, mais ou menos, sentíamos que tal acabaria por ser necessário, alguns até o clamavam bem alto, as oposições e outros que sempre querem dar nas vistas, mas que, apesar disso, não podem reclamar os créditos de uma antecipação ou de uma visão melhor do que a do governo. Foi esta vantagem que Seguro, em meu parecer o grande perdedor nos resultados da recente sondagem, tentou obter quando pretende fazer ver ao Primeiro-Ministro que tinha razão há muito tempo.
Entendo que não pode haver críticas eternas, quer porque os criticados podem, reconhecendo o valor da crítica, introduzir as correcções necessárias, quer porque as críticas perdem razão de ser se consentirmos, indefinidamente, na situação que as justifica. Numa democracia esclarecida só pode ser assim. Ouso, até, afirmar que tem de ser assim.
Creio que, ouvindo o povo como se propõe ouvir, o governo corrigirá os erros que levou tantos a criticá-lo e, esclarecendo, finalmente, as razões dos seus procedimentos, o governo poderá mobilizar os portugueses, como é indispensável que aconteça. Desde que neles faça nascer uma esperança razoável.

PROCURAR EM SACO ROTO



Mais uma notícia, a de que as centenas de milhares de isentos de pagamento de portagem nas ex-SCUT, residentes e empresas, vão perder esse benefício. São cerca de setecentos mil!
Fala o governo em acabar com “descriminações positivas” e como imposições de normas comunitárias. Posso falar eu de um disparate dentro de outro disparate porque as consequências vão reforçar a reduzida utilização que elas já têm e, bem assim, os prejuízos que representam numa economia que, num verdadeiro processo autofágico como este que está a seguir, acabará morta. Se outros custos não houvesse, os de conservação são muito elevados neste tipo de via e não creio que sejam cobertos pelas receitas da fraca utilização que têm!
Porque, desde que foi aberta, já por dezenas de vezes utilizei a A23 que me conduz à minha Região Natal, posso testemunhar a enorme redução de tráfego que, agora, se situa num nível tão baixo que a pergunta mais lógica de fazer será “por que foi feita esta auto-estrada”? Afinal, nunca esta via teve a utilização que, economicamente, a justificasse porque essa seria a que o desenvolvimento em vastas zonas do Ribatejo e da Beira Interior viria a promnover.
Na última vez que a percorri no sentido Sul-Norte, em horas a meio do dia, dei-me ao cuidado de contar as viaturas que, circulando no sentido contrário ao meu, comigo se cruzaram. A menos aquelas cuja contagem perdi durante uma brevíssima paragem na “área de serviço de Abrantes”, contei 23! É quase como viajar no deserto.
Por outro lado, não me dei conta, ao longo de tantos anos, do desenvolvimento do Interior que essa via iria promover. E nem poderia ver porque o desenvolvimento não é um manjerico que se “rega e põe ao luar”! É preciso bem mais do que uma estrada melhor, mas que bem poderia ter sido a IP que extemporaneamente se transformou.
Não cumpriram as SCUT os seus propósitos de aproximação das regiões do Interior empobrecido e despovoado das zonas mais desenvolvidas promovendo, deste modo, o seu desenvolvimento também, tal como as ex-SCUT não cumprirão a intenção de aliviar o Estado das elevadas despesas que delas resultam, por falta de utilização bastante.
Esta atitudes de caça ao já pouco dinheiro que cada um possa ter, na qual se incluem escandalosas caças à multas que vejo por esta cidade de Lisboa a cada dia que passa e se tornaram frequentes em locais concretos onde, por falta de estacionamentos que quem arrecada os impostos na venda de automóveis deveria garantir, algumas áreas proibidas são ordeiramente utilizadas sem prejuízo para o trânsito ou para os peões, faz-me lembrar um dito que ouvia ao meu pai em situações idênticas, “procurar em saco roto”!
Não são atitudes destas que são necessárias para recuperar o país. É necessária outra imaginação.