ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ORÇAMENTO DE ESTADO 20 13. O QUE VEM AÍ?

Quanto a mais austeridade, um temor que não há modo de sair do nosso dia-a-dia, aquilo que já podemos saber, e não é tudo, faz-nos pensar em como será duro de passar o próximo ano. Decerto bem pior do que este está a ser.
Não pensava eu que tivesse de ser assim, que tivesse de ser ir tão longe no “apertar do cinto”, nas falências e no desemprego, ainda que soubesse que bastante dureza seria inevitável.
Escrevi, há bastante tempo já que, apesar da mudança de modo de viver que as circunstâncias naturais mostram ser inevitável, esta “economia” esgotada iria tentar sobreviver o mais que pudesse, daria mais umas umbigadas para tentar resistir a um destino fatal e os economistas tudo fariam para que esta fosse mais uma crise que se ultrapassaria com umas quantas receitas que algum Keynes, Friedman ou outro laureado qualquer tenham, em tempos, prescrito. Mas a cada dia é mais evidente que todas as receitas falham e que nem a desvalorização da moeda na já segunda maior economia mundial, a China, nem as injecções maciças e ilimitadas de dinheiro na primeira, os Estados Unidos, evitam o caminho para a recessão global que, tudo o indica, acabará por dominar o planeta, o que, aliás, um mero raciocínio físico não fazia difícil de prever, também.
Aqui em Portugal onde, na sua pequenez territorial, mesmo assim tão mal aproveitada, as coisas deveriam ser mais simples de resolver, deixámo-nos encantar por projectos megalómanos que “nos deixariam muito bem colocados na partida para um crescimento económico imparável”, a leviandade fez-nos cair numa situação de dependência humilhante por dívidas que nem todo o rendimento nacional de um ano inteiro consegue pagar.
Quando do logro nos demos conta, era urgente afastar do poder os que nos colocaram nesta medonha situação e foram afastados; era justificada a esperança num novo governos que tudo fizesse para dela nos livrar, e tivemos esperança; eram inevitáveis medidas duras de austeridade num país que gastou demais e elas foram aplicadas; era de esperar o ”redimensionamento” do Estado esbanjador e ultra benemérito que permitisse poupar recursos escassos, mas tal não aconteceu; era natural que reagíssemos a mais medidas de austeridade que um mau trabalho do governo não permitiu evitar e reagimos; eram de prever novas medidas de austeridade e elas estão a chegar! Faltam já poucos dias para sabermos quais.
E o rosário continuará se, muito rapidamente, não tomarmos consciência de que o mundo está diferente e, por isso, antigas receitas deixaram de resultar e de que da riqueza enorme que julgávamos possuir apenas pouco mais do que cotão nos resta no fundo dos bolsos. Por isso, não poremos fim ao rosário se nos não convencermos de que o Estado Social não é um maná que sempre tem de cair do Céu quando é preciso e, por isso, nos não dispensa do esforço pessoal do qual nunca poderá ser mais do que um complemento. E mais continuará se não regressarmos à iniciativa e ao trabalho que a maioria de nós trocou por empregos que julgou seguros e com direitos que jamais alguém nos poderia retirar.
Sinto a frustração de uma esperança que não vi concretizada e vivo o temor de um futuro que não sei o que nos reserva, tantos me parecem os disparates que por aí se fazem.
Muito cuidado com o que seja feito, com a crise que poassa acontecer, porque as consequências serão terríveis.
Mas que é necessário que nos manifestemos... isso é! 

domingo, 7 de outubro de 2012

O PROBLEMA É O DIA SEGUINTE OU SABER O QUE DELE FAZER?

Esta curiosa notícia não podia deixar de me suscitar uma reflexão profunda: “O Congresso das Alternativas juntou duas mil pessoas, em Lisboa. A esquerda uniu-se para mudar o Governo, o País e a História. Dizem que têm a força e a vontade, o que lhes falta mesmo é uma agenda política”.
Insistem os políticos em manter uma estúpida divisão na Sociedade que necessita de um projecto comum para ultrapassar este “Cabo da Tormentas” que nunca será ultrapassado na luta de uns contra outros, mas com a colaboração de todos.
Diz a notícia que “discutiram propostas sobre Economia, Finanças, Cultura, Europa ou o Mundo. Durante dez horas traçaram o destino do País.”
Não sei do que falaram do mundo, mas, decerto, se esqueceram do mais importante, do estado em que se encontra, do Ambiente que as políticas degradaram, dos recursos que exauriram, da Biodiversidade que dizimaram e de tantas outras coisas que, por certo, se não resolvem nem, tampouco, se abordam numa reunião política, nem que dure um ano inteiro. E a razão é simples, a Política sem Conhecimento NÃO É NADA! É preciso conhecer bem o que há para o poder gerir, é necessário conhecer bem os problemas para os poder resolver!
Em conclusão, NÃO SERÃO OS POLÍTICOS QUEM RESOLVERÁ SEJA O QUE FOR, porque não conhecem aquilo de que dispõem para o fazer, desconhecem os limites até onde podem ir e, finalmente, pensam que com uma simples agenda política poderão resolver qualquer coisa quando a mudança do mundo é tarefa longa e árdua para quem saiba, para quem estude a fundo as questões que os políticos apenas tratam pela rama.
Acho  até graça que alguém “quisesse que daquele grupo de homens e mulheres de esquerda surgisse um partido. A consequência lógica deste Congresso seria a criação de uma associação política. Senão, não fizemos mais do que uma conversa sobre o sexo dos anjos".  Como foi...
Esta seria a forma de, derrubado o governo, este não cair na rua porque cairia, direitinho, num colo acabado de aquecer! Como se pode ser tão ingénuo? Ou não foi apenas ingenuidade o que, como é próprio da política, ali esteve?
Acordem senhores, O MUNDO É OUTRO onde as coisas já não podem ser pensadas da mesma maneira, onde a política se não pode fazer do mesmo jeito, porque há novas questões a resolver, novas e maiores dificuldades a ultrapassar, as quais se não encontram identificadas em qualquer manual económico, financeiro ou político que, por isso, não têm as soluções necessárias para mudar o nosso suicida modo de viver!
Reunam-se os HOMENS SÁBIOS DESTE PÁIS e do mundo, sem políticos ambiciosos de poder, para ensinarem aos governos os limites entre os quais terão de se mover e as metas que ninca vão conseguir alcançar. Acabem com os preconceitos de uma esquerda que apenas sabe viver com os meios que ao capitalismo reprovam e dentro dos princípios por ele definidos, mas que a realidade tornou impossíveis, deixando sem meios os grandes projectos que arquitecta . Tomem consciência de que não será com medidas de ocasião que, embora permitam conquistar o poder, não resolvem problemas que apenas têm solução a longo prazo.
Quando forem colocados em causa os princípios desta política que uns senhores dizem querer organizar numa agenda e, em vez deles, for mostrada a necessidade de percorrer outras vias e, até, de aceitar outros destinos, começarei a ter alguma esperança de que o Homem seja capaz de vencer a estupidez que o cega ao ponto de não ver o abismo para que caminha!
OS PRINCÍPIOS JÁ EXISTEM, MAS OS POLÍTICOS DESCONHECEM-NOS.


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

QUE FUTURO QUEREMOS TER?

Continuo a não ouvir, do Governo, do Presidente da República, do líder da Oposição, nem hoje do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa nas comemorações do 5 de Outubro, uma palavra sequer sobre o que será o futuro de Portugal. Não me refiro à chamada Extrema Esquerda porque, perdoem-me por isso, já não sou capaz da paciência que tantos disparates me esgotaram.
António Costa aposta numa atitude de rebeldia que ninguém nos consentirá, seja a Europa, o FMI ou o BCE. Concordo que sermos, apenas, bons alunos é muito pouco e que um país tão antigo como Portugal terá, sem dúvida, mais para dar à Europa do que subserviência. Mas não vejo como este país, pequeno naqueles parâmetros que hoje definem a grandeza dos países, pode obrigar a Europa a deixar a via de declínio pela qual enveredou. A menos que a mensagem seja no sentido de mostrar que temos força para a empurrar ainda mais.
Por isso, será num contexto de inevitável mudança que teremos de encontrar um lugar que seja o nosso, que teremos de adoptar uma atitude que possamos manter em vez de reclamar contra o que nos impõem. Em suma, temos de decidir sobre o país que queremos ser. E se quisermos ser o país que a realidade mos permite que sejamos, teremos de dela começar a tomar consciência, no que, a via do conhecimento que o Presidente da República apontou será indispensável. É indispensável conhecer melhor o mundo em que vivemos para melhor nele podermos viver. O que os economistas dão mostras de desconhecer...
A primeira coisa a fazer é tomar consciência de que houve uma via de crescimento que acabou e, com ela, uma atitude consumista que não poderá continuar. São razões físicas, naturais que a isso obrigam. Então porque a estultícia de querer regressar a tempos e atitudes impossíveis se serão outras a vias para um crescimento diferente e outra a riquesa que podemos alcançar?
Mas todos os projectos apontam no sentido do regresso ao passado que nos trouxe até aqui, toda a austeridade tem como objectivo esse regresso impossível e, por isso, terá de ser cada vez maior, assim como todos os protestos reclamam o regresso à “comodidade” daquele mesmo passado em que trocámos a iniciativa própria e o trabalho pelo emprego onde podemos conquistar direitos e aliviar as obrigações.
Continuam todos, como enquanto esperávamos pelo D Sebastião, à espera de um milagre que não pode acontecer porque fomos longe demais numa via que tinha limitações que deveríamos conhecer.
Daríamos outra grande lição ao mundo se arrumássemos a casa para passarmos a ser o que podemos ser, em vez de continuarmos a ser o Portugal Pequenino que sempre terá de fazer o que outros lhe impuserem que faça.
Há outros caminhos que podemos percorrer ou, mesmo, voltar a percorrer até fazermos do mundo que demos ao mundo, aquele que será o melhor para viver.
Os dois discursos que hoje escutei, no dia em que se comemora a implantação da República em Portugal, bem foram merecedores do modo como a Bandeira Nacional foi içada!

SPORTING CLUBE DE PORTUGAL: NÃO SE CURA UM FURÚNCULO ARRANCANDO A CROSTA MAS EXTRAINDO O PUS

 Sempre foi e será assim quando as coisas se pensam a um nível rasteiro como é este de despachar o treinador que não consegue resolver, no campo e no balneário, os problemas que, a outros níveis, se vão gerando.
É por demais evidente a situação de descalabro que se vive no Sporting, onde uma direcção que já nem consegue disfarçar as suas mais pequenas preocupações, quanto mais os enormes problemas de sobrevivência com os quais diariamente se debate e são as causas profundas do clima de intranquilidade que não permite aos atletas a calma e o discernimento indispensáveis às boas prestações. Porque os atletas não são autómatos nem máquinas a quem se pede para ir, sem ter de ser dito por onde nem para onde!
Por isso, parece que mais uma vez se tentará resolver os problemas arrancando a crosta ao furúnculo em vez de lhe extrair o pus.
O erro do Sá Pinto, um sportinguista que não merece os enxovalhos por que o fazem passar, a menos algumas declarações que um certo desnorteamento lhe inspira, foi ter deixado que o seu coração de leão falasse mais alto do que a sua inteligência que, certamente, lhe diria que, para além do choque psicológico que sempre surte alguns efeitos, nada mais resultaria da substituição de Domingos.
Sá Pinto sabe, com certeza, que sem um projecto claro e determinado de futuro, um projecto que, dos pés à cabeça, reestruture o Sporting, o nosso Clube jamais recuperará a grandeza de outrora, aquela que, por ser tão grande, ainda lhe consegue granjear um lugar que os actuais méritos não justificam.
Mudou a alma sportinguista, mudou a chama que a aquecia, esgotou-se o orgulho de ser e a alegria de vencer! Só pode ser outro o Sporting que resulta de tanta coisa que mudou.
Agora é um Sporting de palavras e não de feitos, este que, apesar de tudo, continuamos a trazer no coração. Mas é um Sporting doente e conformado este que, desde há anos, os seus “donos” continuam a desejar que seja!
Não se deram conta, ainda, de que o seu tempo passou, de que as práticas bondosas do João Semana já não bastam para manter vivo o doente e, menos ainda, se aperceberam de que há, também, quem se aproveite do seu Sporting.
As evidências são tais que já não há, para além de mentiras, argumentos que possam justificar que seja mantido o estado comatoso em que o Sporting se encontra.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

OS RIDÍCULOS


Procurei nos tempos da minha juventude algo que se adaptasse ao que se passa neste país que, a cada dia que passa, se transforma num barulhento e ridículo folclore de apressados que correm atrás do poder que julgam estar alí já à mão.
As atitudes comedidas parecem ter deixado de ter lugar e a “revolta” contra o infortúnio que nos pudesse tornar decididos e fazer vencedores foi subsituída por uma frente comum contra um “governo de gatunos” que nos retira “conquistas” tão duramente alcançadas e, não contente com isso, nos aumenta os impostos.
Perante uma incompreensível passividade de Passos Coelho que parece desaparecido, desdobram-se os incitadores da revolta que em tudo descobrem as melhores razões para acusar um governo que ainda não atinou com a melhor maneira de desfazer o nó cego que de outros governos herdou.
Num país onde apenas a caridade evita que muitos já morram de fome, a ostentação de riqueza ainda não passou de moda e parece impune aos rigores deste tempo de vacas magras que vivemos, o que faz deles um exemplo óbvio das atrocidade que, por aqui, se fazem.
Além disso, uma comparação entre o que causou as dívidas que permitiram dar ao país uma ideia de riqueza que não existe mas pela qual prometeu o que não podemos ter e até fez tanta obra da qual nem ttínhamos necessidade e aquele que, chamado à pedra pelos credores, tem agora de pagar as dívidas contraídas nesse leviano festim, o antipático e ladrão só pode ser este que tem de nos fazer notar que o tempo das vacas gordas acabou e, em seu lugar, ficou uma dívida enorme cujo pagamento nos exigem!
O que será mais fácil de explicar àquele a quem o Estado pede o que precisa: que está a contribuir para a restauração do país ou que o estão a roubar? A resposta é óbvia e disso muitos pretendem retirar as vantagens que as suas inconcebíveis ideias e propostas lhes não granjeam.
Num país onde quase toda a gente se habituou a não ter de resolver os seus problemas porque "isso compete ao Estado", é fácil chamar gatunos aos que não fazem o que, por absoluta falta de meios, não podem fazer. Tornou-se evidente que fazê-lo, apenas apressa situações de carência como a que vivemos e nos torna mais do que dependentes de uma solidariedade que na Europa não existe e nos país se torna cada vez mais difícil.
Os Ridículos”, um jornal humorístico do qual ainda me lembro dos meus tempos de rapaz, contava estas coisas com muita graça, fazendo do humor a arma mais terrível contra os desmandos praticados.
E puz-me a pensar o que publicariam eles hoje, neste dia em que Francisco Louçã e Jerónomo de Sousa vão aparecer de mãos dadas no Parlamento e com os seus votos que os dedeos do corpo humano quase bastam para contar, vão propor uma Moção de Censura ao Governo, numa atitude patética que uma prática democrática de quase quarenta anos já não deveria gerar.
Entretanto, as questões importantes ficam por tratar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

EQUIDADE NA AUSTERIDADE

Desde que as primeiras medidas duras de austeridade foram tomadas, a equidade tem sido muito invocada. E bem, porque todos, independentemente das suas possíveis culpas, devem contribuir para o resgate de Portugal. Todos, de modo justo e equitativo, porque se algum dolo existiu oportunamente deverá ser julgado da forma que lhe for própria, política ou juridicamente.
Foi na base de princípios de equidade que o Tribunal Constitucional considerou inconstitucional o corte dos subsídios de férias e de Natal apenas a funcionários públicos e a reformados, medida que o governo teve de substituir por outra ou outras que garantissem idêntica arrecadação de receitas ou mesmo mais, porque a "crise" sempre pede mais.
A equitatividade envolve, porém, aspectos mais dos que correspondem aos salários e seus cortes, porque há benefícios específicos, salários médios, estabilidade de emprego, regalias especiais e outros que devem ser consideradas e fazem desta sociedade portuguesa uma manta de retalhos de situações díspares que, num regime democrático não deviam existir. Neste aspecto, há entre os trabalhadores públicos e privados enormes diferenças a considerar, assim como existem, em cargos políticos, benefícios e regalias que, perante as situações de dificuldade da maioria dos portugueses não fazem qualquer sentido ou são, mesmo, afrontosos da dignidade humana que a todos os cidadãos honrados e no pleno uso dos seus direitos deve ser garantida.
Por exemplo, são agressivos da justiça social alguns dos subsídios, as condições de remuneração e de reforma, além de outras regalias muito especiais de que os deputados dispõem, especialmente escandalosos quando se trata dos representantes de um povo sufocado por uma austeridade cada vez mais severa. Onde estão as condições que lhes permitem avaliar a dureza de vida daqueles cujos interesses e direitos devem defender no Parlamento?
São, por demais óbvias as vantagens de ex-governantes que, apenas porque o foram, têm “valores de mercado” que muito boa gente bem mais competente não tem. Serão os governantes, sem qualquer dúvida, os mais competentes deste país? Se, como se diz, pelo fruto se conhece a árvore, nem me parece que sejam.
São injustificáveis as regalias concedidas a ex-Presidentes da República que, reformados, jubilados ou seja o que for, não deviam ter mais do que as que aos cidadãos comuns são devidas e que, em período de austeridade como o que vivem, lhes pagam com enorme dificuldade. Outra situação afrontosa que o cada vez maior número de pobres deste país não consegue entender.
São, inquestionavelmente, excessivos os custos do Governo, da Assembleia da República e da Presidência da República que a racionalidade e o pudor deveriam tornar compatíveis com os já muitos rasteiros rendimentos dos cidadãos em geral.
A crise tornou Portugal num país de meninos de ouro e de meninos de lata que, por isso, a crise não trata de modo equitativo porque, num país que apregoa a igualdade, nem todos são assim tão iguais,
Há, obviamente, muitas questões de equidade que ainda não foram consideradas e o deveriam ser cada vez que se pedem sacrifícios como este "aumento brutal de impostos" que um ministro monocórdico, sem surpresa para ninguém, anunciou.
Por último (e porque não hei-de preocupar-me com o que me dói) porque pode os Estado reter o que lhe não pertence nem alguma vez pertenceu, como o são os descontos reais que os trabalhadores da actividade privada lhe entregaram e deve ser restituído como uma reforma? Onde está a confiança que deveríamos ter na Pessoa de Bem que o Estado devia ser?

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A GRANDE CONFUSÃO

Este é um país completamente baralhado, com um governo mudo, com demasiada gente a dizer que está mal feito mas sem dizer como se deve fazer, com um Arménio a percorrer o país inteiro para desinformar e crispar o pessoal e muitos, muitos comentadores a dizer mal de tudo isto, a maioria dos quais se esquece que não estamos sozinhos no mundo e que, por isso, o que se passa lá por fora também tem consequências cá dentro. Mas o morango no topo do bolo é uma dupla fantástica, Jerónimo-Louçã, que, numa de bota abaixo, porque não tem soluções como diz ter, decidiu forçar o caos político. De Seguro nem vale a pena falar porque, por mais que se ponha em bicos de pés, ninguém consegue vê-lo.
São demasiados os assuntos que por aí correm em comentários e, também, em ditos sarcásticos, ou não fossemos nós mais do que a tristeza do fado. Somos humoristas também, ainda que demasiadas vezes de muito mau gosto.
Os tribunais não encontraram nos procedimentos de Relvas ilícitos criminais, mas não disseram ser próprio de alguém que quer ser governante de um país aceitar que o façam doutor às três pancadas. Isso não compete aos tribunais julgar, mas sim a todos nós. Relvas no governo é uma caricatura de ministro e no meio académico não passará, jamais, de um oportunista.
Assunto encerrado como ouvi nos noticiários? Creio que não.
Mas a grande confusão percebi-a ontem no comportamento de uma reputada jornalista que no programa “olhos nos olhos”, onde Medina Carreira já tem o condão de nos baralhar, para além de se repetir e contradizer, teve intervenções verdadeiramente desastradas, inoportunas e reveladoras de uma ignorância de facto, de grandes dificuldades no entendimento da realidade e da péssima qualidade da nossa comunicação social que anda numa autêntica caça às bruxas, pescando aqui e acolá, apanhando tudo pela rama e, em consequência, fazendo a desinformação que muito ajuda o incansável Arménio, mas que pode fazer muito mal à maioria de todos nós.
Este país tem de se acalmar e para isso deve contribuir muito rapidamente o governo que deveria impor-se e mostrar, tal como lhe compete, que tem a situação controlada, tem um projecto de futuro e ideias claras sobre como Portugal vai sair desta barafunda em que está metido.
A não fazer assim, será o Arménio quem o fará, porque lhe é fácil dizer os disparates que diz porque, como o povo muitas vezes comenta, "a mais não é obrigado”, quer pelo seu saber quer pelas suas intenções.
Por isso, é pelo governo que esperamos. Que apareça como é seu dever e que faça o que é suposto que já tivesse feito mas que ainda não fez.