ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 26 de janeiro de 2013

FORA O RELVAS… FIM!



Passos Coelho aceitou o pedido de demissão do Secretário de Estado da Administração Local Paulo Júlio que, quando dirigia a Câmara de Penela terá, eventualmente, favorecido um familiar num concurso. Coisa que levaria Cristo a dizer que quem nunca o tenha feito…
Apesar disso, parece-me bem que tenha pedido a demissão para que as suspeitas que, sobre si, recaem, não afectem um governo que carece da maior tranquilidade para enfrentar os graves problemas do país e a medíocre Oposição que tem. Será substituído, obviamente, pois não há insubstituíveis.
Mas não entendo por qual razão Miguel Relvas se mantém de pedra e cal como ministro, depois de tudo o que com ele sucedeu e de todos os incómodos e problemas que ao governou já causou.
É como se o Governo, já tão curto, se pudesse dar ao luxo de ter menos um ministro que, nem sequer, deixa que a Oposição o oiça no caso da RTP. Em vez disso, dá-lhe umas dezenas de milhões para reestruturar a empresa e… seja o que Deus quiser que saia daquela cabecinha estranha.
Os assuntos que, em princípio, Relvas deveria cuidar têm andado, mais ou menos, ao abandono porque a credibilidade de Relvas se anulou e, até, qualquer coisa que faça, poderá inquinar os propósitos que pudesse ter.
Lembro-me de como o seu modo apressado de indicar Seara como candidato à Câmara de Lisboa criou incómodos e, até, fez temer pela decisão final do candidato anunciado; lembro-me das confusões imensas que a eventual privatização da RTP tem causado e de mais coisas que me levam a perguntar por qual razão Passos mantém o governo coxo quando necessita dele o mais escorreito possível. Poderia aproveitar esta oportunidade para o despachar, também.
Não conheço Relvas de lado algum nem, pelo que tenho visto das suas intervenções, me parece aquele indivíduo sabedor, perspicaz e digno de confiança que um governo deve ter. É a minha opinião que outro valor não tem para além disso…
Mas que alguém se tenha prestado ao que Relvas se prestou para ter para ter um ridículo título de doutor, já é coisa que nem eu nem muito boa gente consegue que lhe passe na garganta.
Por isso me apeteceu parafrasear Almada Negreiros e escrever “fora o Relvas, fim!”

DESTRUIR OU AJUDAR UMA FAMÍLIA?



 
A um casal com poucos meios materiais foram retirados sete filhos, destinados a futura adopção, por uma razão que o Tribunal justifica deste modo: “a decisão que foi tomada funda-se unicamente na existência de perigo concreto e objectivo para os menores, quanto à satisfação das suas necessidades básicas de protecção e de cuidados básicos relativos à sua saúde e segurança”.
Para além de outros argumentos, como o da mãe que acusa o tribunal de a obrigar a laquear as trompas, se de facto existiu, o importante neste caso, quanto a mim, é a conclusão que posso tirar quanto à utilidade dos tribunais em casos como este, a qual pode inferir-se das respostas a estas perguntas:
1 - que problema o tribunal resolveu?
2 – que problemas o tribunal causou?
O Tribunal não resolveu qualquer problema social que, porventura, existisse, porque o único era o do desconforto causado por falta de meios materiais de um casal, mas do qual não existe a mínima prova de, alguma vez, não ter dado aos seus filhos a atenção, o amor e os cuidados que lhes era devidos.
Este problema, quanto a mim, não se resolve retirando aos pais os “encargos naturais” que a vida e o amor lhes deu, mas criando condições para que, dentro dos moldes da solidariedade social a que todos nos obrigamos, minimizar o peso desses encargos e fortalecer a família.
Em vez disso, o Tribunal destrói o que de mais importante existia, os laços familiares fortes que nem as dificuldades abalavam, o que é, no mínimo, bárbaro porque não respeita os valores de uma família.
O tribunal não resolveu nenhum problema e, em vez disso, criou diversos que são a dor dos pais a quem roubaram os filhos e a dor e a desorientação dos filhos a quem, a troco de um pouco de pão, tiraram os pais que eles amam!
Quando as crianças são, cada vez mais, uma preciosidade para o futuro do país e da Humanidade, como será que se pode admitir que o problema, natural e corrente nestes dias de austeridade, o de ter filhos a quem as circunstâncias não permitem dar o bastante, seja motivo para destruir uma família?
A desqualificação da família é um facto desde há muito, desde quando casar não é um acto responsável mas um capricho, quando uma dificuldade não une as pessoas mas as afasta, quando é natural e tão fácil mudar para “outro” como uma “coquete” mudar de vestido ou de sapatos e uma menina mimada mudar de boneca!
Então, em tempos destes que criam mentalidades destas, qual é o problema de destruir uma família em vez de a ajudar? Nenhum, como este Tribunal nos mostrou.
Entretanto, casos há de verdadeiro perigo que não parecem merecer tanta “preocupação” das “técnicas” que aconselham os juízes que fazem coisas como esta e me chateiam!
Para terminar, deixo aqui um pensamento de Victor HUgo: "Quando se decompõe uma sociedade, o que se acha como resíduo final não é o indivíduo mas sim a família." Onde a verdadeira solidariedade existe, acrescento eu!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

SAPATOS DE DEFUNTO



Rezam as crónicas que quem espera por sapatos de defunto para se calçar, corre o risco de morrer descalço.
Confirmam-se estes ditos pela frequência com que os factos os justificam e mostram ser, como também se diz, saber de experiência feito.
Anda Seguro afadigadamente a preparar-se para governar, não vá uma crise política apanhá-lo desprevenido, tantas são as “bocas” sobre os desentendimentos na Coligação. Tão certo é isso que nem teve medo de dizer que os portugueses iriam ficar surpreendidos com algumas das figuras da sua equipa governativa.
Não seria eu um dos apanhados pela surpresa porque, atento ao que dizem algumas pessoas às quais a TV dá relevo, não me é muito difícil pensar quem poderia sentir que, junto de alguém pobre em ideias, poderia ver as suas, pobres elas também, realçadas.
Não me parece, porém, que este “governo” chegue a sair deste ovo que se partiu antes do tempo, atirado à malvas pelo próprio PS que entende que “o PS tem de fazer muito mais para ser alternativa credível de governo”.
E, deste modo, se gorará, talvez, a segunda passagem de Freitas do Amaral por um governo “social-demagogo” que muito bem se coaduna com uma postura errática que, em classe de turismo, o levou da direita à esquerda.
É evidente que não dá boa conta de si quem for de ideias fixas porque, diz-se, só os burros não mudam de ideias. Mas mudar de princípios é outra coisa.

NEM O PAI MORRE NEM A GENTE ALMOÇA…



Não sei para que servirá esta espera depois de estar decidida uma AGE para que os sócios do Sporting decidam, com toda a legitimidade, se deve ou não continuar esta “linhagem” de incompetentes a (des)governar o Clube ao qual, já sem qualquer pudor, voltam as costas, fazendo dele a sua coutada.
Depois de argumentos estupidamente desesperados que, sem base mínima que os sustente, nem chegam a preocupar alguém, sai a artilharia pesada a terreiro. Godinho encontra numa ou noutra personalidade, daquelas que, sem méritos concretos, a televisão criou, a disponibilidade para fazerem a triste figura de debitarem teorias, sejam da conspiração ou da tragédia inevitável que podem assustar os sócios.
São técnicas bem conhecidas para gerar o pânico para o qual não existem razões efectivas, são figuras tristes que se fazem quando se teme por interesses que se não querem prejudicados.
É a minha vez de perguntar “quem tem mêdo da AGE”?
Lembrando-me de que o povo diz que “quem não deve não teme”, pergunto-me por que será que Godinho tanto teme o que os sócios pensem de si e seja dito na tal Assembleia.
De espera em espera, de indecisão em indecisão, foram-se sucedendo os disparates que lesaram o Sporting como nunca na vida havia acontecido.
De espera em espera, vai-se humilhando o Sporting e tornando ainda mais difícil sair da beira do precipício em que se encontra.
E uma última pergunta se impõe: será que é quem nesta situação colocou o Sporting aquele em quem se pode confiar para o tirar de lá?

A ECONOMIA E A VIDA



Ontem terminei o dia com a notícia de que havia em Angola a primeira mulher africana milionária integrada no grupo dos mais ricos da Terra, com cerca de novecentos milhões de euros, e começo o dia, hoje, a escutar os pedidos da Cáritas que, para este ano, necessitará de um mínimo de mil milhões de euros para acudir às crianças em perigo de vida por esse mundo fora. Da lista dos países mais necessitados lembro-me de ter ouvido que as crianças do país do petróleo e dos diamantes necessitariam quatrocentos milhões!
E não pude deixar de relacionar alguns factos que colocam em conflito a economia e a vida.
Juntam-se fortunas excessivas onde morre muita criança à fome e defende-se a morte rápida dos idosos num dos países mais ricos do mundo, para bem da economia.
Será a Economia o cofre onde o “tio Patinhas” junta dinheiro para sentir o gozo de nele se rebolar e será a Vida apenas algo que faz sentido se tiver valor económico?
Parece-me que vai por esta via sórdida o entendimento das coisas que passou a baralhar todos os valores até colocar a Vida no nível mais baixo de uma escala onde as futilidades e os jogos de poder ocupam os lugares cimeiros.
Lembro-me de tantas coisas que li ao longo de muitos anos, escritas por homens sábios que previram que, um dia, as coisas seriam assim, que a Economia seria o monstro que tudo dominaria e seria ela a própria vida que outro valor não passaria a ter senão o de quanto pudesse comprar.
Uns ganham milhões porque é esse o seu “valor de mercado”, tentam outros sobreviver com as migalhas que caem das mesas recheadas dos que, com fartas iguarias, se empanturram, morrem crianças que a míngua faz doentes e desnutridas, querem matar-se idosos porque, se não produzem, não merecem viver!!!
Que isto tem os dias contados eu tenho a certeza porque um dia sobejará o dinheiro e faltará o que com ele comprar. Que o Homem disso se aperceba depressa, é a única esperança que tenho de que os meus netos e bisnetos possam viver num mundo decente!