ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

“TODOS, MENOS O SALVADOR”…



Quando há já tantos problemas para resolver e as oposições, na AR e por toda a parte, pegam em qualquer coisa para desviar as atenções das suas fraquezas, da sua incapacidade para se constituírem alternativa a um governo que, deste modo, faz como quer, nomeia-se um secretário de Estado que, por cargos que exerceu, pode suscitar dúvidas ou dar motivos para ser contestado.
Não conheço a pessoa nem lhe aponto qualquer problema, tal como ninguém lhe aponta mas suspeita.
Não acredito que não houvesse, em Portugal, alguém que pudesse servir tão bem ou melhor do que ele para as funções para que foi nomeado. Há, com certeza! Então, porque não ter o cuidado de evitar altercações inúteis, perdas de tempo que cada vez mais escasseia? 
Na vacuidade de ideias que por aí grassa, vai-se usando o tempo em devaneios parolos do diz que diz, do fez que não fez, seja do que for menos fazer o que seja sensato.
Parece-me ser mais uma daquelas atitudes prepotentes do Governo que, se pode fazer, faz!
Será, também, mais uma consequência da notória incapacidade da Oposição que, de tanta contestação que faz, já pouca gente a leva a sério. Oposição que, apesar da urgência de soluções para tantos problemas que temos, mesmo assim se dá ao luxo de dar um exemplo de desnorte e de desunião que, por certo, confirmam a sua incapacidade para governar com competência, como o anterior governo totalmente demonstrou.
Como a arte de governar é, sobretudo, a arte de prevenir para evitar problemas, para secretário de estado deveria o Governo nomear todos menos o Franquelim!

OS PECADOS DOS NOSSOS AVÓS...

Há um ditado que, de tão antigo, parece que muitos o já esqueceram. Diz que “os pecados dos nossos avós, pagamo-los nós”.
Hoje, mais do que nunca, este modo de dizer mostra a sabedoria de quem o ditou. Justifica-se nos mais variados aspectos e domínios.
Num Ambiente degradado onde bem se notam os excessos dos que, sem respeito e sem cuidado, o emporcalharam, destruiram e exauriram, observamos a pesada herança que é o resultado de tudo isto que bem sentimos na poluição do Meio, na destruição de sistemas indispensáveis ao equilíbrio climático e à biodiversidade, na penúria de recursos e, também, nesta austeridade da qual culpamos quem, pela força das circunstâncias, tem de a impor, esquecendo-nos, facilmente, de quem levianamente a causou.
Não me refiro apenas a Portugal que, país territorialmente pequeno e da periferia da Europa, é dos que mais se ressente dos erros antes cometidos pelos que se deixaram enganar por uma política de abundância que não corresponde ao que a Natureza nos pode dar e pelos que, servindo-se da ambição de riquesa e vida fácil que se instalou, nos aliciaram para cometer os erros financeiros que provocaram as crises que ninguém parece ser capaz de travar.
Viu-se o mundo a braços com problemas terríveis, alguns dos quais continua a não querer admitir porque ainda espera regressar ao modo de vida fácil que tantas leviandades lhes consentiram.
Mas já não há leviandades que a penúria consinta fazer quando faltam os meios e as condições, como acontece agora, quando já não há excedentes que permitam cobrir as perdas que a ganância causou.
A situação em todo o mundo é perigosa, nada corre, afinal, como se esperaria que acontecesse e uma recessão global vem a caminho, apesar dos esforços que se fazem para a desviar.
Mas há mais perigos que os políticos não são capazes de reconhecer, aqueles que resultam das agressões bárbaras que fazem à Natureza a que pertencem.
E, no final, em vez de olharmos de frente para os perigos e tomarmos as medidas certas para os evitar, continuamos a reclamar contra a austeridade que a Humanidade a si própria impõe, dizendo mal dos que ainda possam alguma coisa fazer para a remediar.
É o que noto quando observo o que se diz na blogosfera e me dá a medida da ignorância em que tanta gente se encontra quanto à realidade.
Uma sociedade que não consegue identificar os seus problemas, nunca conseguirá resolvê-los. Incluindo cidadãos comuns e políticos que, por sua vez, dão as mais claras provas de uma incapacidade confrangedora.
Enfim, parece que o nosso ideal de vida é fazer os mesmos pecados que os nossos avós fizeram, aqueles em consequência dos quais estamos a penar! Estupidez ou masoquismo?

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O REPTO!



António José Seguro lançou um repto ao Governo: retira das condições o corte de 4,5 mil milhões e colabora na reestruturação do Estado!
A recusa de não participar numa tarefa indispensável e inevitável quando um Estado sistematicamente se endivida até atingir a bancarrota, certamente andaria a fazer comichões num pobre Secretário Geral a quem a vida não corre de feição.
Depois de tanto bater o pé e, ao mesmo tempo, magicar em como poderia sair da alhada em que se meteu, encontrou uma desculpa e… respira fundo com a “malandrice” que acabou de fazer!
Espero que Passos Coelho esteja de acordo porque se for, mesmo, de 4,5 mil milhões o corte necessário de fazer para equilibrar as finanças do país, será esse o corte que terá de ser feito.
De facto, se me meter por um caminho que vai dar a um só lugar, onde raio penso eu que posso ir parar?
Miguel Beleza, economista e ex-governador do Banco de Portugal, membro do “Conselho dos Doze” do qual fazem parte diversos bem conhecidos economistas, diz que se não for este Governo a cortar na despesa, outro o fará ou os impostos aumentarão ainda mais (ver Expresso).
Ainda bem que esta malfadada “crise” conseguiu colocar, finalmente, bom senso na cabeça de alguns economistas que já perderam a esperança de um crescimento sem fim.
É pena que o não tenha conseguido, ainda, nos políticos cujos manuais parecem não ter uma bibliografia para onde remetam os que estejam interessados em saber a razão de ser das coisas, para além do tradicional blá blá com que julgam sempre poder resolvê-las.

O PS, ANTÓNIO COSTA E OS EQUÍVOCOS DO SOCIALISMO



Já um dia aqui me dediquei a reflectir sobre “o equívoco do socialismo” que, afinal, se revela nos efeitos de uma política conduzida por chavões e onde a realidade não conta.
Não admira, pois, que António Costa diga agora, pois tarde o percebeu, que o PS não está mal e que tem um problema de afirmação…”.
Ambos dizemos a mesma coisa, afinal!
Mas há uma diferença fundamental, abissal no seu tamanho, entre as razões por que o dizemos. Ele pode julgar-se capaz de alterar a situação, de fazer a vida andar para trás na convicção de uma abundância que não existe, enquanto eu sei que ela não tem retorno porque a exiguidade natural sempre faz das benesses com que os socialistas convencem multidões, a força que nos arrasta para os buracos onde, sempre, dolorosamente. acabamos por cair.
Esta é a prova que a História já fez, mas que os socialistas pretendem fazer esquecer com a conversa que sabe bem a quem julga poder ter a “dolce” vita” de emprego sem riscos, de direitos apenas conquistados na luta política mas sem o trabalho que a luta pela vida impõe e tantas coisas que o crédito despesista consentiu, mas depressa se esquece do trabalho de sobrevivência a que a vida nos obriga, porque é essa a nossa condição de seres que fazem parte de uma realidade finita. 
Tudo porque é mais fácil usar o que é dos outros do que, com trabalho, procurarmos alcançar o que desejamos.
Daí não poder o PS afirmar-se para além dos compromissos que um seu governo assumiu por não poder continuar a política “socialista” que arruinou Portugal.
Sem influências obscurantistas, facilmente reconheceremos que não será possível prosseguir um caminho de conquistas que apenas se estende por um enorme deserto de meios e de ideias.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A RESISTÊNCIA DOS SEM-ABRIGO



Quando não há mais para dizer, qualquer porcaria serve para fazer a caramunha e lá vamos assistindo a tristes figuras naquele Parlamento transfigurado em ringue de box falado.
Desta vez foi o presidente do BPI o alvo cruxificado por uma frase que disse e da qual, estou certo, todos perceberam o sentido que resolveram perverter para lhe dar o sentido contrário do da intenção que a ditou.
Disse Fernando Ulrich que “se até os sem-abrigo aguentam, porque não havemos nós de aguentar?” numa situação de austeridade inevitável para reequilibrar as finanças do país.
Não encontro nada de pejorativo no que foi dito numa frase que tem mais de idiomático do que de literal. Não encontro qualquer falta de respeito pelos sem-abrigo que, pelos vistos, revelam uma resistência que a maioria de nós não tem e deveria ter para superar este momento difícil que vivemos.
O que mais me custa no meio de tudo isto é que também tenha de pagar o espectáculo de baixo nível que nos oferecem os que, havendo tanto trabalho para fazer neste país a precisar do empenhamento de todos, perdem o tempo a discutir minudências sem interesse e a debitar frases de fazer chorar as pedrinhas da calçada...

O CARRO VASSOURA



Considerando as correntes originais do BE esgotadas, Louçã e outros fundadores do Bloco propõem agora uma nova via, o socialismo.
Esta atitude faz-me lembrar o “carro vassoura” que, nas corridas de ciclismo, vem lá atrás para recolher os que se atrasam demais.
Também há aqueles que nunca mudam porque nem sabem para onde mudar porque a sua inspiração há muito que desapareceu e ficaram, qual um vagão abandonado na linha porque a locomotiva descarrilou, à espera de nada ou de qualquer ajuda que não vem. Enfim, já estão no carro vassoura, mesmo que o não saibam, e deixaram para o BE o lugar do último que, um dia, o atirará para ali, também.
Uns e outros, são os que se não dão conta de que o mundo muda, que para além da truculência política existem outras coisas e razões que fazem parte do universo de considerandos a que devemos atender para pensar o futuro.
Vai o BE converter-se a uma ideologia que o tempo mostrou não passar de uma visão de um mundo que na Terra não existe. De uma utopia irrealizável.
Abraçarão, tão só, a social-demagogia que leva tantos a pensar poder existir um paraíso na Terra onde a sobrevivência apenas se consegue com muito esforço e trabalho.
Nada nos é garantido. Por tudo teremos de lutar. Mas se o quisermos conseguir, teremos de lutar a luta certa. Não a das visões miríficas das conquistas políticas que apenas a Constituição garante, mas a da sustentabilidade de uma vida digna num meio que lhe é cada vez menos favorável em consequência de tanto esbanjamento que a leviandade causou.
Aliás e fazendo jus ao título que escolhi, mostram os factos que não há sobredotados. Parecem-no os que fazem a batota que leva o corpo a dar o que não deve mas, depois, faz muita falta.
Uns dopam-se e vão lá na frente à espera de um sucesso que acabará por não o ser, outros sonham com milagres e vão lá na cauda à espera do carro-vassoura que já não vem longe.