ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

REQUINTES DE MALVADÊS

Num documento legal sobre limitações de mandatos aprovado na AR e promulgado pelo Presidente da República, ao tempo Jorge Sampaio, aparecia a referência a “presidentes de Câmara” e “presidentes de JF”, aparecendo depois, mas como ou porque alguém saberá, um “da” em vez de “de, no texto que foi publicado!
As leis são isto mesmo, armadilhas que um vírgula ou a troca de um “e” por um “a” desvirtuam. É disto que vive o comércio da Justiça…
Agora, quando era necessário que fosse bem claro que se soubesse se o conceito de não recandidatura é para a função de presidente ou para a câmara presidida, andam todos a discutir o que já não vale a pena.
O princípio do “in dubito, pro reu”, aplica-se agora e vão lá os meninos candidatar-se às câmaras que desejarem – melhor: que o Partido escolha – porque não haverá maneira de dizer que não é legal.
Menezes e Seara, entre diversos outros, têm o seu problema resolvido e tanto poderão candidatar-se ao Porto ou a Lisboa, como à presidência de uma câmara que nem conheçam…

A GRANDOLADA!



Parece ter pegado a moda de cantar a Grandola Vila Morena aos ministros que, pelo país fora, tentam fazer o seu trabalho de esclarecimento, o que todos deveríamos estar dispostos a escutar para podermos, em bom juízo, formar uma opinião sobre a bondade ou a maldade do Governo que temos e que, com mais ou menos sucesso, tenta afastar a “crise” que veio para ficar!
Ainda que fora dos locais próprios para as manifestações deste tipo, nada demais, apesar disso, se terá passado que pusesse alguém em perigo ou evitasse, definitivamente, que a missão fosse cumprida, a menos o que se passou com Miguel Relvas.
De facto, este Ministro ao qual competiriam funções da maior importância dentro da função governativa, pouco mais tem sido do que um peso morto ou mesmo um fardo pesado que Passos Coelho não quer ou não tem como evitar.
A sua falta de habilidade e de tacto político foi já amplamente demonstrado em variadíssimas ocasiões e a má vontade que em si concentra não lhe permite as condições em que as funções que lhe são próprias sejam bem desempenhadas.
Muito se fala de como Relvas terá refém Passos Coelho ou, mesmo até, todo o governo que, assim, dele se não consegue livrar. Nisso, parece que a habilidade de Relvas fica clara e bem demonstrada.
Mas, para além de tudo isto que, sem dúvida, me preocupa, fico ainda mais preocupado com a resiliência de alguém ao ambiente hostil que lhe foi criado sem, em consequência, reagir do modo como se esperaria que alguém nessa situação reagisse. Não compreendo como a situação lhe não seja penosamente desagradável nem que a percepção de tamanha contrariedade o não leve a tomar a única atitude sensata  que é afastar-se de um mundo que não o deseja.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O PORTO DE LISBOA



Era cada vez mais evidente a necessidade de alterações profundas no Porto de Lisboa.
Para além do reencontro de Lisboa com o seu Tejo e do desmantelamento da muralha inestética que dele a separa, há outras razões que comprometem a vida de uma cidade que o turismo internacional elege como um destino apetecível. 
As infra-estruturas portuárias existentes não se adequam ao bom funcionamento de um porto de carga comercial nem oferecem boas condições aos navios de cruzeiro que a demandam, o que constitui um duplo prejuízo para uma economia que se não pode dar ao luxo de desperdiçar oportunidades.
Este projecto hoje anunciado pelo Ministro da Economia já não é novo e, curiosamente, recordo-me de um mini cruzeiro no Tejo em que se falou da necessidade de alterações profundas num porto que não poderia mais crescer com os graves inconvenientes que causava e para o qual, curiosamente, fui convidado pelo então presidente da JSD, hoje o principal responsável pelas alterações anunciadas.
Quantos anos se passaram sem que o problemas fosse reequacionado e, muito menos, decidida a solução que, obviamente, nunca poderia agradar a todos.
Mas há factores importantes e decisivos para a escolha feita, como a profundidade das águas e as condições de acesso terrestre.
Ficará por resolver a situação do Terminal de Alcântara que, um dia não distante, terá de ser resolvido também porque perderá razão de ser.
Considero o projecto anunciado como uma contribuição importante para a recuperação da economia nacional e, por isso, o louvo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

OPORTUNIDADE OU OPORTUNISMO?



Eu não sei se D Carlos Azevedo é ou não é homossexual, se assediou ou não alguém. Não são estas contas do meu rosário e, por isso, não as desfio.
Mas não posso deixar de conjecturar sobre a cronologia dos possíveis factos e, até, dos comentários que se fazem, dentre os quais e uma vez mais, o de D Januário me não surpreendeu e que traduzo no habitual “eu não sei, mas diz-se” que, creio eu, não é próprio de um homem da Igreja.
Mas se o acto de assédio, do qual D Carlos é acusado, aconteceu na década de oitenta do século passado, foi reportado pelo assediado apenas em 2010 e ficou no silêncio até agora que um novo Papa vai ser escolhido e entre os que podem ser escolhidos está o próprio acusado, como haverei de não ficar surpreendido com o que se passa? E mais, ainda, se pessoas como D Januário o sabiam sem saber e nunca, até agora, o denunciaram e nada fizeram, que se saiba, para o esclarecer?
Sem desejar meter a colher em prato alheio, fico-me por estes breves reparos que me fazem uma enorme confusão e me deixam na dúvida – que um indesmentível oportunismo quase desfaz – se algo de real corresponde a tanta coisa que se diz.
Mas que a Igreja Católica está profundamente necessitada de reformas profundas e corajosas, isso é, para mim, uma certeza irrecusável.
Mais esta convicção se reforça com a notícia, hoje conhecida, de um relatório extenso que terá sido entregue ao Papa Bento XVI, dando conta de factos gravíssimos de escândalos sexuais, gastos de dinheiro e conspirações na Curia Romana cuja resolução considerou demasiadamente exigente para as forças que sentia ter. Por isso resignou!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

OS “DONOS” DAS COISAS OU… AS MANOBRAS DA CONTINUIDADE



É certo que Portugal é um país geograficamente pequeno, mas nem tanto para que tenham de ser sempre os mesmos os únicos considerados capazes de fazer certas coisas. A História provou e o presente também o mostra, que em Portugal há, para além deles, muita e boa gente capaz de tudo ou mais de que os outros sejam capazes, com competência para renovar e revitalizar o que a monotonia tornou flácido, permissivo ou até depredou.
Apesar disso, bem sabemos que quando aparece alguém fora de qualquer uma das “capelinhas” que habitualmente marcam território, logo soam gritos de aqui d’El Rei que é um intruso, um vigarista, não percebe nada do assunto e só ali está para encher o saco! E, não raras vezes, conseguem os que o esvaziaram que os incautos pensem que falam verdade.  
É notório o azedume com que os que se julgam donos de certas coisas, sejam lugares ou competências, recebem as “afrontas” dos que se atrevem a disputar-lhas.
É isto que, por vezes, quase eterniza mandatos ou “dinastias” que são defendidos com unhas e dentes para afastar os “invasores”, não se coibindo os “donos” de recorrer a insultos e a mentiras que os desacreditem.
Acontece assim na política, nas corporações mais diversas e, também, no Sporting Clube de Portugal onde a “continuidade” esperneia para evitar que alguém fora dela lhe possa roubar o poder…

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

NEGÓCIOS DE CARNE DE CAVALO



Afinal, a carne de cavalo chega a todo o lado e só estranho que um animal tão especial para o Homem, com um valor social que a vaca, de todo, não tem, se tenha tornado quase numa praga que contamina diversos alimentos pré-preparados que se vendem por ai. Lasanhas e outras coisas.
Até em Portugal já apareceu essa fraude que se diz ter começado na Roménia, passa pelo Reino Unido e pela Alemanha e vai para França…
Enfim, a capacidade fraudulenta começa a ser cada vez mais subtil e sofisticada, aparecendo de onde menos se espera. A Europa impõe-nos uma fiscalização apertada que conflitua até com tradições centenárias, anda por aí a ASAE a tentar evitar que comamos porcarias e agora impinge-nos carne de cavalo, diz-se que com anti-inflamatórios, por carne de vaca?
Estava eu a ver um concurso hípico internacional em que participavam alguns dos melhores cavaleiros internacionais e admirava aqueles magníficos animais que nada têm que se pareça com as pachorrentas e deselegantes vaquinhas, quando a história desta fraude me lembrou e me fez recordar, também, uma antiga anedota que muito me fez rir.
Dois amigos reencontraram-se ao fim de anos de separação. Olharam-se e facilmente deram conta de que a vida não havia sorrido do mesmo modo para os dois. Bem vestido e bem tratado um enquanto o outro tinha ar de algumas necessidades insatisfeitas.
E foi inevitável o diálogo sobre a vida que cada um tinha.
– Como conseguiste o sucesso que me parece teres? Eu trabalho que nem um doido e vejo-me em dificuldades para sustentar a família.
- Olha amigo, para além de sorte, na vida temos de saber escolher negócios e saber faze-los. Eu dediquei-me ao fabrico de pasta de camarão e tenho-me dado muito bem! Ganho muito dinheiro.
- Não sabia que a pasta de camarão dava assim tanto. E também deves ter necessitado de bom dinheiro para investir, porque o camarão não é barato…
- Não foi preciso assim tanto. Eu uso um pequeno truque que consiste em misturar na pasta um pouco de carne de cavalo. Eu uso metade/metade, um camarão, um cavalo!
Hoje como ontem…