ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 4 de março de 2013

NÃO PEÇAS A QUEM PEDIU…



Um “mail” que me enviaram fez-me recordar que, em Fevereiro de 1953, foi assinado o acordo para pagamento da enorme dívida alemã. Dívida que deveria ser eterna pelos prejuízos materiais que causou e pelas muitas dezenas de milhões de vidas que ceifou em duas guerras mundiais que provocou!
Em tempo de dívida para cujo pagamento agora a Alemanha nos exige sacrifícios difíceis de suportar, valerá a pena recordar os princípios definidos então, os quais tinham em vista a recuperação da economia alemã e não o seu castigo!


São eles:
1.   Perdão/redução substancial da dívida;
2.   Reescalonamento do prazo da dívida para um prazo longo;
3.   Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.

Num texto escrito por Marcos Romão, pode ler-se “O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida nao poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %."
"Foi evidente que a grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.
O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situacao de carência durante a qual só se pagaram juros."
Estas foram as condições benevolentes e humanas que mais de 26 países decidiram para que o povo alemão se pudesse reerguer.
Hoje, a Alemanha a quem a Europa estupidamente curva a cerviz, impõe condições draconianas aos povos devedores, exige-lhe sacrifícios desumanos e o simples pedido de mais um ano para que os sacrifícios sejam menos duros é causa de sérias negociações e de respostas mitigadas porque a Srª Merkel tem de ser comedida nas suas atitudes porque tem eleições em Setembro!
Sublinhei propositadamente o ter sido considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida, porque sabiam os credores que não seria uma austeridade cega que permitiria ao povo alemão levantar a cabeça. Um princípio que depressa foi esquecido quando a desgraça bateu a outras portas…
Sei bem que, hoje, as circunstâncias são outras e não seria possível tamanha generosidade. Sei, também, que os excessos cometidos e naquela altura não causavam os danos que hoje causam, obrigam a reduzir o consumo até níveis razoáveis e compatíveis com as disponibilidades. Mas ser humano continua a ser indispensável para que as soluções sejam bem sucedidas.

OS TRABALHADORES DOS TRANSPORTES E OS OUTROS

Um sector que tem nos prejuízos o seu melhor resultado, voltará a criar problemas em consequência dos “plenários” com paralisação de actividades que realizarão durante esta semana.
Depois de milhares de milhões de prejuízos acumulados, mais alguns engordarão a conta que, a crescer deste modo, obrigará, por certo, à tomada de medidas drásticas cujas consequências não sei prever.
Mas mais uma vez os trabalhadores de um sector crítico impõem a ditadura da sua força, impedem que outros trabalhadores trabalhem por se não poderem deslocar, causarão incómodos a muitos milhares de portugueses que não dispõem de transporte próprio e acabarão por nos fazer pagar, a todos nós, mais um pacote de impostos que cubram os prejuízos que causam.
Afinal, qual é o propósito da greve? Que os subsídios sejam integrados no vencimento base e acabe o fim das concessões de que alguns trabalhadores que transitam na CP tinham direito.
Meras reivindicações materiais para as quais o país não tem meios nem o desempenho do sector justifica, assim como não faria sentido que fossem atendidas ao mesmo tempo que outros são fortemente penalizados nos seus rendimentos. Puro egoísmo e propósito de causar perturbação num país que necessita de tranquilidade para resolver os seus graves problemas.
E eu fico a pensar, como muita mais gente ficará também, porque poderão uns fazer estragos, quais meninos mimados, para terem melhores condições do que os demais a quem o combate à dívida pública pede cada vez mais!
Por estas atitudes vejo como são hipócritas certas intenções e porque me não convencem as lágrimas de crocodilo dos que vivam à custa da patetice dos outros que, por ser democrático, lhe dão razão!

domingo, 3 de março de 2013

POR QUE SERÁ QUE SEGURO …

Que perigo verá Seguro na participação do PS na reforma do Estado que, já se sabe, inevitavelmente obrigará a reduzir despesas que as nossas receitas não possam suportar?
Receará ter de concordar com o inevitável ou teme deixar-se convencer por razões que não são as suas?
Penso e volto a pensar e não entendo a razão que sempre adianta que é a de não se querer ligar a um processo de destruição do Estado Social!
E é nisto que os meus receios se centram, se tornam maiores, mais temerosos porque me dá e entender não ser Seguro capaz de impor as suas razões, se as têm, no confronto com outros que parecem ter razões diferentes.
Ou, apenas, terá medo do princípio democrático de ser a discussão e o confronto de ideias o caminho para as melhores soluções?
Não vejo como sem participar poderá salvar-se da acusação de deixar destruir o Estado Social sem nada fazer para o impedir.
Aliás, nas cartas que enviou ao Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e à presidente do FMI Christine Lagarde, Seguro manifestou os seus receios, aqueles que aos quatro ventos apregoa, e recebeu de ambos a mesma e óbvia resposta, a de que esperam que participe na indispensável reforma do Estado, importante para o futuro do país, em vez de à margem dela se manter. A fazer campanha eleitoral, digo eu!
Falta, ainda, uma resposta às cartas que enviou. A do presidente do BCE que, quase juraria, o deverá aconselhar no mesmo sentido de participar em vez de  dificultar a reforma de que Portugal carece para ter futuro.
Se as coisas não são assim, afinal o que é democracia? Um sucessão de pequenas ditaduras em que ninguém cede ás razões que outros possam ter?
E será que poderá, na escassez a que tanta cegueira deixou que chegasse, o mundo continuar a viver de projectos de curto prazo, do faz e desfaz a que a alternância dá lugar, sobretudo quando a maior prova de afirmação é dizer que os outros estão errados e desfazer o que fizeram?

EMPREGOS OU TRABALHO?

Naturalmente, João Salgueiro merece o meu respeito, o que não significa que tenha de estar de acordo com tudo o que diga, com todas as soluções que defende para superar a “crise”. De um modo geral até nem estou! Nem com ele nem com a maioria dos economistas que ainda não entenderam que não jogam com o baralho todo! É verdade, faltam-lhes cartas que nem imaginam que existam. Como vão, assim, poder ganhar o jogo?
É certo que em tempo de guerra não se limpam armas, nem caem os parentes na lama a quem faça o que for necessário fazer para que a vida corra melhor, até que juristas, engenheiros, médicos, arquitectos, sejam que for, vão limpar matas para as tornar menos vulneráveis em tempo de incêndios...
Mas é este um falso entendimento das coisas. É o entendimento de quem nunca precisou da mata senão para madeira e pasta de papel. É o entendimento de quem nem imagina o que uma mata nos pode dar, razão pela qual não entende por que limpar matas é, agora, um custo e não um proveito.
As matas são uma riqueza imensa que, como bem vi na minha juventude, davam tanto do que necessitávamos, coisas que, agora, não prestam para nada e, por isso, por lá ficam até arder.
Que não há falta de emprego em Portugal, como também diz Salgueiro, é outra enormidade com que não concordo também. Ainda se ele dissesse que há muito para fazer em Portugal...
Mas empregos é outra coisa, é ter direitos sem as responsabilidades que os garantam, é ter garantido um rendimento mesmo que se não mereça, é deixar para os outros o dever de prevenir o futuro! Por isso, empregos vão sendo coisa cada vez mais rara.
Quando começarão a aparecer por aí a dizer a verdade, os que saqbem que o futuro se não irá conquistar nem garantir com disparates como estes? Que o futuro se garantirá com trabalho e não com empregos!

A VIDA DE VOLTA OU UM FUTURO COM VIDA?

Depois dos italianos cujos resultados eleitorais mostram bem a baralhação em que a “crise” tem lançado o mundo, são agora os franceses que se mostram desiludidos com o que fora a sua grande esperança para revigorar a França e, dizia-se também, aliviar a Europa do jugo Germânico.
Tão pouco tempo depois, dois terços dos franceses consideram que Hollande falhou, segundo a sondagem de “Le Parisien”. É uma queda enorme que muito poucos julgariam possível, mas que as verdadreiras causas da situação da França e do Mundo tornaram inevitável.
Em Itália, Monti sofreu o desgaste do trabalho duro que realizou para evitar que o seu país resvalasse ainda mais na beira do precipício em que se encontrava e da qual não muito se afastou.
Uma coligação de Centro-Esquerda venceu, mas não o bastante para ter maioria absoluta e foram, dizem os comentadores, dois “palhaços” que o seguiram, só depois vindo quem voltara a fazer da Itália um país credível.
Em França, Hollande disse ter novas ideias, mobilizou o povo, mas a crise não se acomodou nem às ideias nem ao entusiasmo que geraram.
Na Holanda, o Governo prepara-se para cortar cerca de 4,5 mil milhões de euros na despesa para reequilibrar as finanças, certa de que há que cercear os gastos de modo a conformá-los com aquilo de que se dispõe.
Parece terem chegado à mesma conclusão que aqui insistimos em recusar.
De um modo geral, a Europa está em recessão e não dá indícios de que tal situação se inverta a curto prazo.
Mas se olharmos para fora da Europa, a situação não é melhor. Em muitos países a “crise” antecipou-se e fez profundos estragos e, em outros, a crise permanente nem lhes permite distingui-la de uma situação normal porque é assim que vivem permanentemente. As economias emergentes descobriram tarde demais este mercado global sem ética e sem regras em que os direitos humanos se não respeitam e as economias se afundam.
Parece que ninguém sabe, ao certo, o que fazer.
Enquanto uns se esforçam para conter os efeitos de numa “crise” que, afinal, já não oiço “prémios Nobel” dizer que é como esta ou como aquela e que os mesmo remédios deveriam ser adoptados, outros desesperam, manifestam-se e “querem a sua vida de volta”! Aquela vida artificial que não há condições para fazer voltar.
Anda louco o mundo, creio eu. E louco continuará até se dar conta de que terá de trilhar novos caminhos.
Se as manifestações de ontem, estrategicamente aproveitadas pelas oposições que, no mais puro estilo de uma democracia leviana, pretendem a queda do Governo e nada mais reclamam do que a vida que havia de volta, então não serviram para nada, porque a vida do futuro será outra bem diferente!

sábado, 2 de março de 2013

É TEMPO DE MANIFESTAÇÃO



O povo, tem, sem dúvida, o direito de se manifestar contra esta austeridade que sofre! Tem o direito de pedir que se faça melhor para a tornar menos pesada e, sobretudo, exigir a solidariedade que se espera de uma Europa que afirma ser essa a razão pela qual existe.
A todos cabe a responsabilidade de manifestar o desacordo por medidas que sacrificam seres humanos como se fossem coisas que, perdidas hoje, se recuperam amanhã, neste gigantesco “jogo de monopólio” que a “economia apressada e egoísta” montou.
A Economia fechou-se em si mesma e deixou cair todos os laços que a poderiam humanizar. Caiu no ridículo mundo do “tio Patinhas” cujo prazer maior é rebolar-se no dinheiro que acumula no seu cofre recheado do que sobeja da vida miserável que leva!
Todos temos o direito de nos revoltar contra a escravidão a que os Gurus das finanças nos sujeitam em nome de valores convencionais a que não corresponde qualquer riqueza de facto. Temos o dever de lutar contra a mentira que nos espolia e faz do que, com trabalho, produzimos, o alimento dos que brincam às “bolsas”, provocam as crises e delapidam os bens naturais que cada vez se tornam mais escassos.
É certo que todos fomos cúmplices, enganados pelas atitudes que conduziram Portugal, a Europa e o Mundo a esta situação de penúria que nos vale esta vida dura que temos de viver. Mas não é culpa que se compare à dos que tiveram a arte de nos fazer entrar no seu jogo de espoliação que desumanamente nos sugou a vida e de tantos e tantos já foi coveiro.
Mas não me esqueço dos que da nossa indignação se aproveitam para melhor alcançarem os fins políticos que têm por meta.Não é a sua manifestação mas aproveitam-se dela.
Por isso apenas me associo ao povo que, serenamente, manifeste o seu desagrado, lute pelo direito de não ser mais espoliado e pretenda, em vez da vida que o perdeu, voltar ao trabalho que lhe possa dar aquilo de que necessita para viver.

sexta-feira, 1 de março de 2013

O DILÚVIO ANUNCIADO



O desporto português tem de estar de luto porque um grande clube desportivo que se conta entre os maiores do mundo, corre o risco de passar à História.
A desgraça que foi a última direcção do Sporting, não poderia acabar de pior modo. Segundo o incontornável Godinho Lopes, quem vier a seguir a ele terá de ter muitos milhões no bolso para fazer frente às necessidades financeiras que o Sporting tem no imediato. E que há o perigo de rescisões, também vai avisando, para que não fiquem dúvidas de que, tal como fizera notar, depois dele viria o dilúvio! O dilúvio que ele próprio causou. Foi profético o seu aviso ou talvez não porque ele lá saberia a trapalhada que fizera!
Tudo isto começa a ser demasiadamente parecido com o que a outros níveis se passa neste país de que alguns se julgam donos, tal como do Sporting!
Não bastaram as chamadas de atenção ao longo do tempo para que os sportinguistas abrissem os olhos de modo a evitar um desastre que tudo levava a temer, como até se culparam os que as fizeram de serem desestabilizadores, de prejudicarem os “negócios” fantásticos que o Sporting tinha em preparação. Uma desculpa sem nexo que qualquer raciocínio primário desmonta.
Depois de ficar sem património, o Sporting ficou sem alma, carências que o colocam no limiar da desgraça que nenhum desportista deste país gostaria de ver acontecer, porque nem a amigos nem a rivais dará prazer que desapareça o que foi o expoente máximo do desporto em Portugal. No desporto a alma é sã, mas nas negociatas a que pode dar azo é mais a corrupção que comanda.
Os resultados, em todos os domínios são devastadores e apenas uma mudança profunda que faça renascer a raça leonina com que os fundadores o dotaram poderá evitar que se desintegre o que foi o mais forte baluarte do desporto em Portugal!