ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

EXCESSOS OU INCAPACIDADES DA COMUNICAÇÃO SOCIAL



Duas razões concretas, a de ter desenvolvido uma boa parte da actividade profissional na área da investigação e a de não ter já muito cabelo, mesmo sem ser careca, tornaram esta notícia particularmente interessante para mim: “Os homens calvos têm mais probabilidades de sofrer de doenças coronárias, segundo um estudo que cruzou dados de 37 mil pessoas”. 
Eu sei que muitos avanços da medicina se têm iniciado por esta via de investigação estatística, mas uma possível relação entre a quantidade de cabelo e os riscos de doença coronária não é notícia que se dê de qualquer maneira. Por isso me dei ao cuidado de ler o texto que, quanto a mim e apesar de cientificamente simplório, revela que o que se realça não corresponde a uma conclusão aceitável, porque não passa de um pretexto para uma investigação na qual ainda muito há para esclarecer.
Em primeiro lugar, não são seguras as conclusões de uma análise estatística sobre uma amostra que, por certo e por mais gente que envolva, não pode ser considerada representativa da população mundial ou continental sequer, e carece, ainda, de esclarecimentos que só a consideração de outros múltiplos factores pode trazer.
E é, por certo, isso que na investigação desta possível “relação”, entre a calvície e as doenças coronárias, a medicina estará a fazer, através do que poderá ser ou não confirmada.
Não me parece, por isso, que a comunicação social deva dar estas notícias que poderão, sem necessidade, preocupar milhões de pessoas.

A MOÇÃO



Foi a evidência de uma orgia de tempo perdido aquela sessão da Assembleia da República que, mais uma vez, mostrou não ter ideias concretas sobre o que, de facto, causa este mal estar que nos castiga, com discussões, algumas inúteis, sobre soluções que o não são.
Afirmam uns, quanto a mim com verdade, que se não pode regressar ao despesismo que levou a esta situação, enquanto outros criticam duramente os “cortes” que são feitos para o reequilíbrio inevitável das finanças nacionais e clamam contra o que dizem ser a destruição obstinada do Estado Social que, do modo que estava e como sabemos, não era sustentável, estava desorganizado e se prestava a dezenas de esquemas fraudulentos que o prejudicaram em muitas dezenas de milhões de euros.
Em vez de trabalharem em prol do país, andam estes senhores a brincar com coisas sérias como são o bem estar de todo um povo que tem a desdita de se deixar influenciar sempre pelas mesmas cabeças e reage aos estímulos de ideologias caducas cuja representação na AR já não faz qualquer sentido.
Foi uma sessão para mim deprimente porque realçou como, no meu país, se privilegiam os interesses partidários em detrimento dos nacionais que esta classe política parece nem se aperceber de quais sejam.
Continua em aberto como resolver os problemas em Portugal, o que, estou mais do que certo, se não fará com crises políticas provocadas por campanhas demagógicas, manifestações e moções, mas sim com cooperações que uns não desejam e outros nem imaginam o que sejam.
Á semelhança de um "professor" que por aí dá notas depois de fazer palpites, também me apetece dar uma nota bem negativa a esta AR que pagamos sem a contrapartida da defesa do que para todos nós é mais importante.

terça-feira, 2 de abril de 2013

UNS FUMAM E MORREM DAS DOENÇAS QUE O TABACO PROVOCA. OUTROS NÃO FUMAM E MORREM DE FOME!



Quase 60 milhões, foi a queda na quantidade de cigarros vendidos em Portugal desde o passado mês de Janeiro.
Este número é muito importante por duas ordens de razões. Por um lado a protecção da saúde que fumar muito prejudica e, por outro lado, a demonstração de que muita gente trocou o supérfluo pelo indispensável, como é razoável que se faça numa economia sensatamente controlada.
Como ex-fumador, sei bem quanto a abstenção de sobrecarregar os pulmões com fumo contaminado por diversos venenos favorece o bem-estar e alivia os gastos que, só em tabaco, atingiam várias dezenas de euros por mês.
Entretanto, o preço do tabaco quase duplicou e as condições de saúde dos fumadores deterioraram-se na medida em que reforçam as consequências da degradação constante das condições ambientais que a todos prejudicam.
Recordo-me bem de como foram mal recebidas as primeiras leis que controlavam o acto de fumar em locais fechados, as reacções quase patéticas de algumas pessoas que se julgaram coarctadas nos seus direitos de fazer mal a si próprias. Mas nunca ouvi ninguém falar muito dos direitos de quem também suporta esse direito de fumar dos outros, seja pela sua contribuição para a má qualidade do ar que todos respiramos, seja pelos custos nos serviços de saúde dos quais todos somos pagantes.
Mas a notícia continua a dizer que, apesar de tudo, a receita fiscal com a venda de cigarros está a subir. Porém, nos produtos de primeira necessidade baixou.
Tem algum jeito, isto?
Faz algum sentido que haja quem gaste, para queimar e prejudicar a saúde, o que mataria a fome a outro?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

CASA ROUBADA, TRANCAS NA PORTA!



Mais uma vez a Páscoa nos trouxe motivos de tristeza nos demasiados acidentes rodoviários e nas mortes que causaram, sobre o que se manifestou o Presidente do Automóvel Clube de Portugal, o Sr Carlos barbosa.
A minha impressão sobre este Barbosa já não era, por diversas razões, a melhor. Mas fico com mais uma para julgar a publicidade das suas intervenções como algo que nada de positivo acrescenta neste lago de estupidez em que vivemos.
Disse este senhor que “quando chove há menos mortos e os acidentes são menos graves, o problema que se coloca é que as pessoas não sabem guiar". Leio e releio e não consigo muito bem relacionar o facto e a questão que ele liga na mesma frase.
Mas deixando de lado este pormenor de uma simples frase desconchavada que até pode ser uma gralha do jornal de onde a tirei (DN), é nesta altura que o presidente do Automóvel Clube de Portugal repara na tragédia em que se pode tornar o viajar nas estradas portuguesas?
Diz barbosa que "os exames em Portugal não são rigorosos, as cartas de condução são quase oferecidas através das escolas e dos centros de exames. Enquanto a legislação não mudar e os exames não forem mais rigorosos vamos continuar a ter esta matança nas estradas".
Há quanto tempo já todos sabíamos que multiplicar as cartas de condução era uma condição essencial para o comércio automóvel sem o crescimento do qual a “economia” sofreria um grande rombo?
Agravam-se as coimas, impõem-se níveis de alcoolémia cada vez mais baixos, definem-se limites de velocidade por vezes ridículos sem que, apesar disso, os acidentes de viação se reduzam a um nível aceitável. A solução costuma ser voltar a aumentar as coimas…
Quanto aos exames de condução, reconhece Barbosa a necessidade de os tornar mais rigorosos, mas esquece a qualidade do ensino que, sobretudo ela, deveria ser cada vez mais exigente e cuidada, porque é então que se aprende a guiar.
Por que a regra de uma velocidade limitada para os recém encartados foi cancelada, se todos sabemos que é nos primeiros tempos de condução que se cometem os maiores erros e é, também, um complemento de aprendizagem como acontece em qualquer actividade?
Onde fica a exigência de uma melhor fiscalização das infracções que não seja aquela mais cómoda de fazer, na cidade ou na estrada, sem ter em conta as circunstâncias e o perigo que representam?
Onde fica o “exame” a outras condições que o candidato a condutor deveria ter para se não transformar no perigo que pode ser?
A questão do combate à sinistralidade envolve problemas numerosos e muito sérios que vão bem além do rigor dos exames de condução.
Apenas serão resolvidos quando os valores sociais e morais se impuserem aos financeiros e à suposta economia nacional, se alguma vez o conseguirem.
Entretanto, continuarão festas de família como a Páscoa e o Natal a ceifar vidas que deviam ser felizes!

COM GASPAR AO COLO E RELVAS NA ALGIBEIRA!



Eu nem sei se a casmurrice de que, infelizmente, o Chefe do Governo tem dado provas, vai permitir ou não um refrescamento deste elenco governamental que, a par de coisas inevitáveis de fazer, outras fez que deveriam ter sido evitadas. 
Sobretudo, este Governo não teve a arte de prever e de preparar as finanças, a economia do país e o povo português, para o que seria o “depois da Troika”.
Não entendeu e, por isso, não soube dizer que, depois, muita coisa seria diferente. Em vez da ideia simplória de empobrecimento, deveria o Governo ter tido a coragem e a sabedoria para dizer ser um inevitável ajustamento à nossa realidade o que teríamos de fazer. Depois, dependeria de nós melhorar.
O regresso ao passado impossível que todos esperam, é o segundo equívoco em que a Europa, ajudada pela Oposição, nos nos faz cair, depois de nos ter levado a destruir a nossa economia tradicional que, agora, haveremos de retomar para sobreviver.
É certo que quem se endivida excessivamente não pode evitar as consequências, sempre graves, das dívidas que acumulou, nem será de um momento para o outro que resolverá a difícil situação em que se deixou cair.
Mesmo assim, há limites para os sacrifícios a fazer, porque nem só ao gastador as culpas podem caber. A ganância e a agiotagem dos prestamistas são, eles também, causas do endividamento em que se deixou cair, atraído pelas ilusões que lhe criaram. Tudo para além das manias das grandezas de alguns...
Não se pode deixar de ter em conta tal realidade e, por ela, defender, oportuna e justamente, os interesses do país, pelo menos impondo mais fáceis e humanas condições para sair da situação em que se encontra. De outro modo, a situação não melhorará e, até, se tornará impossível de resolver um problema matematicamente irresolúvel.
O Governo, ao contrário do que eu esperaria, confundiu-se na encruzilhada a que chegou e seguiu pelo caminho errado.
Só tarde demais fez frente à insensível, impreparada e hipócrita Troika, para alcançar as condições que evitassem esta situação que bem poderá ser o limiar de uma grande e complicada confusão.
Da Oposição, não teve o Governo mais do que o confronto egoista que a disputa do poder sempre gera.
Da Europa, que a Alemanha comanda, nada mais teve do que exigências de austeridade porque é esse o interesse das finanças de um país também ele prestes a cair nas malhas das difivuldades financeiras.
Do FMI, decerto nada mais virá do que as palavras por vezes sensatas de Christine Lagarde que não encontram eco em lado algum.
O que poderá Portugal fazer nesta Europa que o esmaga? Por qual caminho poderá Portugal seguir? Talvez por aquele que não soube construir a tempo e horas. Mas será a hora de o repensar, porque continuar o Governo, mesmo remodelado, com Gaspar ao colo e Relvas na algibeira, será como que mudar o cabo a uma faca romba, esperando que passe a cortar melhor!