ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

COMO NO TEMPO DO JOÃO SEMANA?



Os motivos de preocupação quanto ao futuro de todos e de cada um de nós é maior a cada hora que passa, porque não é fácil, no meio de tamanha confusão, entender o que realmente se passa, o que duvido alguém consiga saber.
Atarantado é como eu vejo toda a gente que se arrisca a entender seja o que for que se passe neste país ou no mundo onde cada vez mais acontecem coisas que nem ao diabo lembrariam.
A economia é, já se não podem ter dúvidas, um moribundo em quem já não resultam as técnicas de reanimação e só as máquinas de suporte de vida vão dando a ilusão de, alguma vez, poder ser recuperada nas condições em que vivia.
Por isso, a algazarra com que alguns tentam resolver o irresolúvel vai sendo cada vez mais estridente, vai tomando o aspecto de uma bebedeira colectiva que levante todos contra o inimigo comum que Mário Soares e Seguro elegeram, mas não contra a estupidez que nos fez chegar a esta situação desgraçada.
É desgostante pertencer a um país a que pertence, também, quem não vê para além da ponta do seu nariz e, na sua prosápia empertigada, na sua verborreia irrealista se julga o melhor de todos, o tal que, em terra de cegos se julga rei!
Infelizmente, não foi capaz gente nova de fazer muito melhor do que outros que, antes deles, estavam longe da realidade e se convenciam de que tinham descoberto a pólvora numa democracia que, só por si, resolvia tudo. Mas não é assim porque a democracia é, apenas, o que nós fizermos dela, um conjunto de regras que à realidade em constante mudança se devem ajustar para que continuem a fazer sentido. Mas se não mudaram…
Quando eu era miúdo havia poucas doenças que uma dor aqui ou ali definiam. Como uma dor de barriga, por exemplo, que tantas vezes era mortal! Hoje a dor de barriga pode resultar de muita coisa e cada uma se trata, ou tenta tratar, de um modo próprio, para que seja eficaz.
Então, como podemos ter a pretensão se tratar as doenças da economia de hoje com as mezinhas de outrora? O tempo dos prestimosos João Semana acabaram e Mário Soares deveria sabe-lo.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

DEVEREMOS,SIMPLESMENTE, DIZER À MODA DE VASCO SANTANA “PALERMA, INSULTOS HÁ MUITOS…”?



Tornaram-se moda os insultos em Portugal. Parece que o respeito que tão bem nos distinguia de outros povos passou à História como uma lenda.
Hoje é a frontalidade a mais apreciada característica dos que queiram dizer o que lhes vá na alma, porque isso é genuíno, democrático!
Vai daí e porque os bons exemplos vêm de cima, da Assembleia da República quero eu dizer, os insultos passaram a ser o que define a frontalidade que, em meu juízo, se tornou, deste modo, numa maneira rasca de ser frontal.
A ligeireza com que se chama mentiroso a um governante, palhaço a um Presidente da República, filho de puta, gatuno ou ladrão a um qualquer membro do governo que se saiba vai ali ou acolá onde uma manifestação devidamente organizada logo o espera, é a marca mais recente da democracia em que vivemos.
Tenho pena de que seja assim, de que seja deste modo reles que uma certa classe de democratas se faz notar, mesmo alguns que, estou certo disso, tiveram uma educação em que outro modo de proceder lhe ensinaram.
São estes, sinais de tempos de pouca cabeça, de muitos interesses obscuros e de muita crispação, do que, naturalmente, nada de bom acabará por resultar. E, pelo caminho que as coisas levam, não demorará muito tempo.
O Saber e o bom senso são ponderados, respeitadores e comedidos, pelo que grande admiração não poderei ter por estes que fazem do insulto o seu modo de mostrar a razão que tenham ou julguem ter.

E A SOLUÇÃO ALI TÃO PERTO!


Tornou-se vulgar dizer que a situação piora a cada dia que passa! Renegociar a dívida, voltar aos mercados, cortar na despesa, enfim, seja o que for, parece não serem soluções para nada.
Dizem alguns que se tivéssemos a nossa própria moeda poderíamos fazer assim ou assado… mas nunca nada que fosse, mesmo, solução para qualquer coisa.
A nossa economia, a que, como todas as demais, se tornou na arte de criar falsas necessidades em vez de satisfazer as autênticas, perde força a cada dia que passa. E não é isso nada que se possa achar estranho porque, na verdade, a todas acontece o mesmo.
Estou farto de falar das razões que fazem que seja, inevitavelmente, assim. Para que, então, insistir?
Mas uma coisa é certa, temos de encontrar solução para a pobreza generalizada que, entre nós, se vai instalando. Há gente, cada vez mais gente que, seja pelo que for, não tem condições para viver.
Se as nossas exportações decrescem porque outros têm cada vez menos condições para as comprar, se o rendimento das famílias decresce e, por isso, o mercado interno vai morrendo, eu pergunto, alto e bom som PORQUE SE DESPERDIÇA O QUE TEMOS?
Mais de metade da população portuguesa concentra-se em três áreas metropolitanas, Lisboa, Porto e Coimbra, esta última com uma fraca expressão. Todo o resto do território mais parece um deserto de onde o pouco que lá se produz escorre para essas áreas onde tudo se concentra, deixando ao abandono áreas extensas que outrora eram aproveitadas.
Porque se não estuda, a sério, um plano de colonização interna (pode soar mal mas pior me soam as porcarias que se estão a fazer) que aproveite as potencialidades da maior parte do território?
E somos nós um país pobre? Somos é um país perdulário.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A BAGUNÇA DEMOCRÁTICA


Multiplicam-se as manifestações de má educação inconveniente, nas ruas, nas galerias da Assembleia da República, em reuniões, seja onde for que um membro do Governo apareça. São, por vezes, manifestações de extrema violência verbal, imprópria de democratas que, por definição, não resolvem as suas divergências deste modo.
Desta vez, o Secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, viu-se obrigado a abandonar a conferência "A região metropolitana, a mobilidade e a logística" que se ia iniciar em Lisboa, após ter sido impedido de falar por um grupo de cerca de vinte manifestantes da FECTRANS que gritavam.
Uma democracia em que estas coisas acontecem como sendo democráticas, não passa de uma bagunça que só pode levar a uma bagunçada ainda maior.
Já se não discute, já não interessam razões, já se não atende à realidade e todos os que sofrem as consequências da governação descabeçada de alguém que, em vez de exilado, até tem o direito de vir lançar mais achas numa fogueira que tão violentamente arde, se julgam no direito de insultar seja quem for.
Desordeiros, em manifestações organizadas sejam-no lá por quem for, não dão boa conta de si nem contribuem para qualquer solução porque não resistem aos incitamentos de tantos que por aí andam a sugerir uma solução violenta que nos lance, definitivamente, no maior caos da nossa História.
Afinal a democracia é o que? O direito de ser mal educado, o direito de não ser razoável, o direito de criar distúrbios para atingir um fim qualquer ou o direito à expressão da livre opinião em discussões sérias que conduzam à solução que a todos mais convenha?
Parece-me que a democracia assim se transforma na ditadura de quem de mais bagunça for capaz!

DESEMPREGADOS, POBRES E VELHOS!

Nestes tempos conturbados, de futuro tão incerto, bem procuro, no que diga este ou faça aquele, algum sinal que me aponte um caminho, uma ideia de que, finalmente, alguém viu uma luz no fundo de qualquer coisa e que, por fraca que seja, possa iluminar esta escuridão de pensamento que só me faz lembrar a da Idade Média.
Procuro um Renascimento e não o encontro.
Apenas as costumeiras tricas e nicas de este faz assim porque o outro se verá obrigado a fazer assado, de que pode acontecer assim ou de outro modo se alguém se lembrar de...
É de menos toda esta “inteligência” que nos governa ou nos pretende governar e, bem espremida, não deita nada porque, como a realidade o mostra perfeitamente, não há nela uma centelha de luz, porque nela todos os raciocínios são velhos, gastos e, por isso, não podem conduzir a qualquer outro fim senão aos disparates do passado.
Queremos uma evolução tecnológica que permita reduzir a intervenção humana em tudo o que se faz, montamos sistemas capazes de fazer e de controlar o que, antes, precisaria de dezenas ou de centenas de pessoas para ser feito, temos formas de comunicar que dispensam que nos cansemos a viajar, a não ser por prazer. Enfim, tanta coisa nos aliviou das canseiras que, outrora a vida exigia de nós que, cada vez menos, precisamos de alguém que faça qualquer coisa!
Se para trabalhar as pessoas vão sendo cada vez menos precisas e se nem para pensar elas servem, também... como haverão as coisas de melhorar?
Haverá cada vez mais desemprego e, com ele, mais pobreza cujo alívio, como sabemos, nunca foi uma preocupação de qualquer governo, aqui ou em qualquer ponto do mundo, porque a pobreza não faz parte da economia que é, exclusivamente, o que preocupa estes políticos que nem de economia entendem!
Assim, se como diz um ministro japonês, os velhos devem morrer depressa, os pobres devem morrer depressa também, porque tanto uns como outros prejudicam a economia.
Deve ser este o futuro dos desempregados que, depressa, serão pobres e dos velhos que, maldita ironia, tantos novos agora ajudam!

sábado, 1 de junho de 2013

ARITMÉTICA COXA…



Eu compreendo perfeitamente as manifestações que hoje se realizaram contra o “espírito Troika” em diversos países da Europa e apenas poderei lamentar que tenham ganho força tarde demais. São manifestações genuínas, legítimas, inevitáveis. Só é pena certos sindicalistas tentem delas aproveitar-se como, por exemplo, aquele Arménio que hoje se mostrou bem num protesto a que não pertencia, tirando à manifestação a pureza que, sem ele, ela teria!
Nestes protestos as pessoas dizem o que não desejam, o que já não suportam e não lhes compete apresentar soluções. É contestação pura que tem por objectivo chamar a atenção de quem governa para os males que afectam quem protesta.
Pior é quando, como quem quer apanhar a boleia, os políticos se põem a falar e, por exemplo, como Seguro falam de propostas apoiadas em contas de somar e de subtrair que não fazem qualquer sentido, nem numa economia de despensa.
E eu que, como qualquer outro cidadão médio, me queixo e sinto as consequências de tanto disparate que tem sido feito, de tanta estupidez dos que ainda não entenderam que as coisas mudaram e que as velhas receitas já se não aplicam, fico a pensar no que seria de todos nós se Seguro, algum dia, governasse Portugal!
É preciso muito mais para se ser um estadista, ser capaz de raciocínios mais elaborados quando se é candidato a governar um país.
Aquelas contas do tira daqui para por ali, são do mais patético que já vi, do mais vago que se possa pensar, do mais perigoso se possa fazer e do mais trágico que possa acontecer!
Mas quem me garante que não será isto que acabaremos por ter?
Se cada um tem o que merece…

QUE SE LIXE A TROIKA!



Já por toda a Europa ecoa este grito de liberdade perante uma Troika que as circunstâncias por demais já mostraram ser estúpida e inutilmente agressiva!
Não há como classificar de outro modo quem, ao fim de tanto tempo das condições duras que impõe e pelas consequências que têm, ainda não percebeu que vai por um caminho errado. Ou antes… será que vai?
Não serão as circunstâncias que a levam por ali, pelo caminho que não há como deixar de seguir?
Eu penso que sim, porque a minha leitura das circunstâncias e uma simples constatação física me levam a concluir não caber num mundo limitado aquilo que, para sobreviver, não pode ter limites.
Será, por isso, a austeridade que a uns agride na carne e a outros que são muito menos faz temer a perda do muito que acumularam, a consequência inevitável do desajustamento entre as ambições e o espaço que temos para as alcançar?
Não, de todo, porque haverá, por certo, um novo modo de viver sem as desigualdades que este provoca e, sobretudo, sem as carências a que, também, tantos condena.
Não vale a pena continuar a esconder a verdade que é a necessidade de ajustar o modo de viver às condições que a Natureza nos proporciona e encontrar em outros valores o prazer que, agora, apenas o dinheiro parece ser capaz de dar.
Quando deixará de ser a abertura das “bolsas” o evento mais importante no começo de cada dia e o seu sobe e desce a nossa preocupação maior?
Antes de haver “bolsas” já o Sol se levantava no horizonte a cada manhã, sem outro rumo que não fosse atingir o zénite e, depois, baixar até se esconder de novo, não antes de nos deixar a energia indispensável á vida, de nos ter dado a luz que nos consente disfrutar a beleza de uma Natureza única de que somos parte, para, depois, nos permitir o sossego que um indispensável repouso reclama.
A não ser o retomar da velocidade própria da vida, bem menor do que esta a que nos movemos e nos fará despistar na curva apertada em que nos encontramos, e da alternância entre viver e sonhar, sem o qual não haverá equilíbrio, em vez da permanente vigilância dos “mercados”, nenhuma outra solução me parece existir para reencontrar o que, por este caminho de irreais ambições, jamais alcançaremos.
Por isso QUE SE LIXE A TROIKA!