ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

VAI SER UM ACORDAR PENOSO

Não é a primeira vez que Portugal sofre com os erros grosseiros dos seus políticos. Pelos sonhos quiméricos de uns, pelas manias de grandeza de outros ou pela imaturidade de outros ainda, ao que se junta a falta de qualidade de todos, Portugal está a caminho da “idade das cavernas”. E não será apenas Portugal que, neste mundo de convencidos que se julgam donos da Terra, tempos bem difíceis sofrerá.
Raramente encontro, na verborreia abundante que por aí se solta, mais do que falar de tricas e nicas, inventar hipóteses, fazer juízos de intenções, revelar expressões de raiva incontrolada. Nunca me dou conta das reflexões profundas sobre as razões de ser de tudo isto, assim como se a saúde de uma planta dependesse apenas do aspecto das suas folhas e não, sobretudo, da raiz que ninguém cuida.
O passado não interessa, o conhecimento da realidade em que se vive não importa e tudo se passa como se a economia se confinasse a uma cápsula dentro da qual tudo acontece à medida da vontade dos que, pela grandeza que atingiram, manobram as marionetas do mundo que, assim, têm de dançar como lhe impõem.
A economia ou, melhor dizendo, este mundo financeiro a que chamam economia, não passa de uma fantasia que, nem sequer, faz jus às origens do seu nome, “tratar das coisas da casa”!
Não da casa mas de si cuidam os que passam os dias a divertir-se neste jogo de monopólio gigante em que a maioria de nós tem a estúpida esperança de, alguma vez, poder participar.
O que me espanta é que as “marionetas” se não rebelem contra as manipulações de que são vítimas e até, a maioria delas, se não aperceberem dos logros sucessivos em que caem. E manifestam-se, fazem greves por quererem de volta o que dizem ser seu, sem jamais entenderem que, sem inteligência, nada têm porque a matreirice dos outros lho levou!
Já repararam bem na formação dos que mandam neste mundo? Entre eles não vejo alguém que da realidade natural alguma coisa entenda! Apenas encontro os que já nem percebem desta irrealidade que criaram, porque já nem a conseguem dominar.



MENINOS BIRRENTOS

Quando as coisas não acontecem como querem, os putos reguilas fazem birras. E, depois de partirem o brinquedo, ficam chorosos e sentam-se a tentar consertá-lo. Mas, seja como for, fica sempre a questão de quem foi a culpa e, no brinquedo, jamais deixarão de ser visíveis os remendos que tiveram de ser feitos.
Por sua vez, os crescidos inteligentes resolvem os seus problemas conversando, negociando. Antecipam as divergências para evitar que cheguem a um ponto difícil de sanar. Não fazem cenas preocupantes porque sempre há a probabilidade de alguém se magoar.
O que se passou na política portuguesa nestes dois últimos dias marcou bem a diferença entre estes dois modos de proceder. Por isso, não podemos evitar de reconhecer que tem sido um governo de “putos reguilas” o que tem tido a responsabilidade de nos tirar deste buraco que parece ficar cada vez mais negro. Foi mais uma daquelas ideias de que o destino do mundo pertence à juventude que deram erradas por não terem em conta a sabedoria acumulada dos mais velhos...
O ministro das finanças resolveu abandonar o Governo reconhecendo erros que praticou e, segundo ele, minaram a confiança que o povo deve ter em quem o governe. E tem toda a razão. Mas isso tornou-se óbvio há muito tempo, quando tardou a “arrumação da casa” que esperou tempo demais para fazer. Deixou demasiado lixo debaixo dos tapetes e muito descuidados aqueles recantos da casa menos visíveis, enquanto exigia esforços demasiados para que o hall e a sala parecessem uns brinquinhos! Para Europa ver. E não entendo como alguém inteligente pode levar tanto tempo a reconhecer um erro tão óbvio...
Portas, alguém que circunstâncias passadas não permitem considerar um pilar seguro seja de qual estrutura for, seguiu-lhe o caminho de perto. Diz-se que por discordar da nomeação de quem substiui Gaspar, mesmo depois de ter concordado com a nomeação de alguém do seu partido na remodelação que foi feita! Mais tarde, alguém, por ele, acrescentaria que estava farto de que o Primeiro-Ministro não tivesse em consideração os seus pontos de vista e as suas razões. Também ele levou tempo demais a manifestar a sua discordância.
Logo me lembrei daquela vez em que, na Assembleia da República, Passos respondeu a uma pergunta que lhe foi feita sobre hierarquias no governo, sobre o que, sem hesitação, considerou Gaspar o número dois. Penso que todos teremos ficado surpreendidos pela falta de habilidade política do Primeiro-Ministro...
Tornou-se evidente a secundarização de Portas que, naturalmente, não podia deixar de sentir o incómodo que tal afirmação não deixaria de lhe causar.
Por isso, as histórias das demissões de Gaspar e de Portas, terão aspectos essenciais que se não contam, que os sábios analistas não abordam mas que, como sempre acontece, constituem as verdadeiras causas para tudo o que sucedeu. Problemas de gente crescida que birras de miúdos não souberam resolver.
Gaspar foi o estratega que errou, Passos Coelho foi quem, sem ideias próprias mas com poder, lhe deu a força para errar e Portas resolveu, com mais uma atitude que o desqualifica, uma questão que não conseguiu evitar com argumentos sérios e óbvios, em sede própria e no momento certo, conversando com o Primeiro-Ministro a quem, firmemente, deveria ter imposto as suas condições nos momentos oportunos!
Enfim, birras de miudos que sempre acabam por estragar o brinquedo! O pior é que o brinquedo somos nós a quem a birra causou lesões graves.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

AS RAZÕES SÃO SEMPRE SIMPLES. O RESTO É POLÍTICA.

Há casos que, por mais que se expliquem, nunca ficam bem explicados, como acontece com as demissões de Gaspar e de Portas. E quando são os “analistas de profissão” a fazê-lo, a coisa ainda mais se complica, porque as explicações, mesmo as mais simples, sempre acabam indecifráveis!
Lembram-se de razões que nem ao diabo lembrariam. Conseguem dizer nada de milhares de modos diferentes, encher o tempo com coisa nenhuma e, no final, deixar-nos perplexos com tanta sabedoria!
Depois, aqueles gestos que uns conselheiros de imagem por aí ensinam, conseguem dar ao discurso uma amplitude que não é a que um discurso deve ter, pois mais parecem uma linguagem gestual mal aplicada.
A verdade, porém, é que em todas as causas sejam do que forem, sempre existem dois tempos que são a verdadeira razão por que se faz o que se quer fazer e o pretexto que se encontra ou a explicação que se arranja para dar como se fosse a razão por que se acaba por tomar uma atitude qualquer.
Enquanto as razões de Gaspar são explicadas numa carta extensa que, de um modo geral, é considerada como uma atitude de grande dignidade e muito compreensível, a de Paulo Portas nem existiu, pelo que mais parece uma fuga dissimulada da qual não dá quaisquer explicações, talvez até que o tempo lhe traga a ideia salvadora de uma explicação que ainda não encontrou.
O que na atitude de Portas me parece de menos, parece-me demais na de Gaspar que não precisaria de tanta escrita para dizer que se não demitiu a tempo, no momento em deveria tê-lo feito e, por isso, deveria pedir desculpas.
Já a atitude de Portas me parece mais a de quem ficou sem as razões que o mantinham nos limites os quais prometeu nunca ultrapassar e, por isso, se assustou pelo complexo trabalho que seria o tão anunciado “guião” pelo qual ficou responsável. Uma saída "discreta" foi a solução que encontrou.
E lembrar-me eu de que os tais analistas o deram como o “grande vencedor” na contenda com Gaspar sobre a reestruturação do Estado! Teoria que caiu por terra quando se escapuliu…
Diz-me a experiência de uma vida longa que as boas explicações, as verdadeiras explicações, são sempre simples. Todas as demais são intervenções com objectivos mais ou menos concretos em vista, a preparação para o que há-de vir depois.
Resta-me esperar pela que dará Paulo Portas, a menos que tenha decidido terminar aqui a sua carreira política. Mas coisa boa não sai dali! Aliás, nem admirado fiquei com ela.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A PALHAÇADA QUE SE SEGUE

Fazem-me doer tantas loas que escuto neste 2 de Julho em que quase maldigo a hora em que nasci num país de gente assim. Pensei que o meu país tinha melhor gente. Mas, no fundo, espero que ainda apareça porque adoro o meu país.
Políticos sem qualidade, carreiristas, oportunistas e aldrabões parecem ter-se juntado para nos perder. É a esses que devemos dizer não!
Acaba um governo que não conseguiu compreender o que estava em jogo e outro irá começar sem outro projecto que não seja o de tomar o poder que tanto deseja, porque nenhuma das alternativas de que tenho conhecimento me parecem viáveis.
Depois de tanta contestação que parece ter alcançado, finalmente, os seus objectivos, não me parece que haja condições para que Portugal possa respirar de alívio. Pelo contrário, numa situação de dependência externa, o esboroamento do poder interno que se desfez em pedaços que foram sendo arrancados nas disputas de poder que se prolongaram por tempo demais sem que alguém mostrasse capacidade para assumir o controlo, a desintegração do governo era um risco quase inevitável, sobretudo quando Paulo Portas faz parte do acordo que, como de outras vezes, deixou cair sem sentido de responsabilidade. Em consequência, esgotou-se abruptamente, perante circunstâncias que ninguém se dispôs a clarificar. Seguir-se-á, infelizmente, um outro modelo qualquer que tem garantido o mesmo falhanço e ainda piores consequências perante uma realidade que cada vez mais se afasta das visões miríficas de uma classe política alheia ao que são os verdadeiros problemas que teremos de, em todo o mundo, enfrentar.
Não sei agora contra quem irão ser feitas as greves, contra o que vão protestar as manifestações de rua e nem sei, sobretudo, quem irá informar os portugueses do drama terrível que vão ser obrigados a viver em consequência da irresponsabilidade generalizada de toda uma classe política que deveria ser exilada para Marte!
Agora que ficou claro que o rei vai nu, não sei o que acontecerá por essa Europa fora e por esse mundo que não está imune aos mesmos problemas que por aqui sentimos.
Penso que estamos todos metidos numa enorme alhada da qual não sou capaz de fazer melhores prognósticos que não sejam a de um período de enormes complicações antes de sermos capazes de encetar um outro que nos conduza a uma melhor situação.
Como sempre disse, há duas maneiras de dar conta da realidade. Prevendo-a e preparando inteligentemente as alterações que devam acontecer para com ela convivermos, ou, se o preferirmos, batendo forte com a cabeça contra a parede dura que a realidade coloca no nosso caminho.Então, o brilho das estrelinhas nos iluminará!

EFEITO DOMINÓ. DEPOIS DE GASPAR, SAI PORTAS



A demissão “irrevogável” de Paulo Portas é a bomba que faltava para implodir este Governo ao qual, pelos vistos, faltava traquejo político para a dura tarefa de cumprir a recuperação financeira do país.
Por que razão se demite Paulo Portas? Pela escolha que Passos Coelho fez para substituir Gaspar? Podemos fazer as mais diversas conjecturas, talvez sem acertar em nenhuma mas, mais cedo ou mais tarde, iremos sabe-la. Seja como for, a irresponsabilidade de alguém estará na base de tudo isto e implicaria um julgamento político esclarecedor. Mas isso é coisa de que, neste país, não há o hábito.
Não vejo como a demissão de Portas não implique a queda do governo e que esta queda não dê aso a uma solução política diferente e, por isso, não sou capaz de entender que tenha lugar a posse de um ministro que um governo que, na prática, já não existe!
Esperemos um pouco mais para saber mais sobre o que está a acontecer…

A PROPÓSITO DA DEMISSÃO DE GASPAR



Poderá haver quem julgue que os problemas se resolvem mudando as pessoas que lidam com eles. E até se resolvem, por vezes, se quem vier depois souber melhor como o fazer. Ou não se resolvem, com certeza, se quem tiver de os cuidar não conhecer a sua verdadeira natureza, condição necessária para poder encontrar a solução. De facto, quem pode curar um mal que nem conhece?
O mesmo se pode dizer quando se pensa que melhor os problemas se poderiam resolver se, em vez de um ministro apenas se mudasse de governo! E as mesmas considerações podem ser feitas, porventura até mais simples se, tal como o actual governo, os “candidatos” a constituir o novo também não conseguem identificar as razões da “crise” que se vive. Decerto por isso nem sequer conseguem apresentar alternativas que valham a pena considerar. E o resultado não poderia ser outro que não aquele a que, na gíria, se diz ser passar de “cavalo” a burro”.
Os problemas que afectam Portugal, os quais os políticos cá do cantinho ainda não repararam que já são e cada vez mais serão de todo o mundo, deveriam alertar-nos para a necessidade de os abordar de forma diferente daquela de como ainda os vemos.
Este, penso eu, seria o processo mental lógico se a lógica da política fosse a lógica comum e não a de que, como Salazar bem dizia e me não consta que se tenha alterado, “em política, o que parece é”! Daí que a mistificação seja a via, o rebuscamento de argumentos seja o modo e degradação das condições de vida seja a consequência.
É visível a desorientação com que se olha para o que está a acontecer, é ridícula a maioria dos comentários que por aí se ouvem e quase apetece perguntar como é que tanto sábio não consegue encontrar uma solução, parcial que seja. Em vez disso, porém, os problemas tendem a agravar-se e qualquer crise política que acontecesse tornaria ainda piores.
Na circunstância, a nomeação de Maria Luis Albuquerque para substituir Gaspar é largamente aproveitada por muita gente que até lhe chama a “miss swap”, por causa de uns negócios tóxicos feitos por gestores púbicos no governo do Governo Sócrates que, tal como as consequências dos erros que nos conduziram à austeridade que pretendem transferir para o actual governo. E mais uma vez se toma a nuvem por Juno, se dispersa a atenção esquecendo o essencial e privilegiando o acessório…
Como poderemos, deste modo, melhorar?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

TALVEZ UM EXEMPLO A SEGUIR, UM PROCEDIMENTO A COPIAR



Numa Assembleia Geral que, mesmo em tempo de férias, marcada com a antecedência mínima e para um Domingo quente de verão, realizada dentro de um pavilhão que mais parecia um forno, aconteceu História. Um Clube desportivo em estado comatoso e muitos afirmavam não ter salvação possível, recusou-se a morrer.
Numa Assembleia Geral não electiva que teve uma das maiores participações de sempre, o Sporting decidiu lutar para viver e tudo fazer para regressar aos seus tempos de glória.
Falido e sem crédito, ao Sporting não restavam mais de três caminhos, deixar-se levar pela desgraça, aceitar um PER (Plano Especial de Reestruturação, assim como quem aceita uma Troika) ou decidir-se por um Plano de Reestruturação próprio que, apesar de todos os cortes e redimensionamento que implica, decidiu fazer das suas fraquezas forças para poder sonhar com um futuro a maior ou menor prazo e voltar a ser o Sporting que já foi.
Não foi um milagre o que sucedeu, porque foi trabalho duro e esclarecimento total, a mobilização das vontades indispensáveis à realização de um projecto de restauração do futuro que anteriores gestões comprometeram.
Os sócios do Clube ficaram cientes da situação em que ele se encontrava, do caminho que seguia e do destino que o esperava. Não foi dourada a pílula amarga que teriam de engolir.
Foram escalpelizadas as causas de ser assim para que melhor fossem compreendidas e, depois, entendidas as soluções encontradas e propostas aos associados.
Não se poupou a Direcção do Sporting ao esforço de esclarecer para, assim, mobilizar a força total de que necessita para por em prática um plano que exige sacrifícios, abdicações e paciência até que o sucesso possa acontecer seja amanhã, para o ano ou até hoje, quem sabe?.
E, deste modo, o futuro do Sporting foi colocado nas mãos dos sócios, apenas deles dependendo regressar à grandeza de um passado brilhante
Os sócios compreenderam, ficaram motivados e com menos de 1% contra, muito poucas abstenções e cerca de 97,5% de votos a favor, o Sporting aceitou o desafio de lutar por si!
Não me parece despropositada a comparação com a situação do país, mesmo sabendo das diferenças que entre as duas situações não podem deixar de existir. Mas parecem-me semelhantes os procedimentos que podem analisar a situação, apresenta-la aos cidadãos, esclarece-la, encontrar as mais adequadas soluções e faze-las compreender e aceitar como a solução capaz de conduzir a um futuro melhor!
A Direcção do Sporting não apresentou a solução aos representantes dos sócios. Foi a eles mesmos que falou, foi a eles que esclareceu e pediu o complemento de que o seu esforço carece para levar por diante uma recuperação que apenas com o apoio de todos será possível.
É um outro estilo. A um tempo inovador e democrático, porque esclarecido!