ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

domingo, 8 de novembro de 2015

O VERÃO DE S MARTINHO



Apesar das alterações climáticas de que o malfadado aquecimento global é a causa e depois de uns dias de destruidores temporais, eis que aparece, esplendoroso, o “verão de S Martinho”.
Uma temperatura agradável, um Sol brilhante e um céu limpo fazem as delícias dos amantes da claridade que faz mais leve a alma e torna o coração mais feliz.
São assim os dias que me agradam, afastam de mim as más memórias e me despertam um intenso desejo de viver, de a todos desejar boa sorte e muita saúde.
Mas também me faz lembrar, pelo freso que, apesar de tudo, sinto, o calor aconchegante das belas castanhas assadas que nos meus tempos de menino se comiam nos magustos e agora se compram ao passar na rua onde uma fumaça leve se levanta e um cheirinho agradável nos atrai.
O S Martinho modernizou-se como era inevitável nestes tempos em que, em vez de fazer, se compra feito!
Mas continuaria a preferir, se as houvesse ainda, aquelas festas em que nos juntávamos trazendo, cada um, uma malga de castanhas, arrebanhávamos a lenha para fazer uma boa fogueira debaixo da qual assavam para, depois, as irmos comendo enquanto riamos e cantávamos, num jeito que hoje está esmagado pelo peso dos tormentos de uma vida excessivamente ambiciosa, invejosa e de conflitos constantes.
Assim como já me não parece haver aquele espírito de fraternidade que nos leve a partilhar algo que temos a mais com alguém que mais precise do que nós, como o terá feito o bíblico bom samaritano e a lenda conta que o fez, também, S Martinho, o cavaleiro romano que, num dia de temporal, dividiu a sua capa com um infeliz que, quase sem roupas que o cobrissem, sofria as agruras do frio que lhe cortava a pele e se encharcava na chuva abundante que caía.
Depois surgiu o Sol brilhante e quente que, bom seria, o bom senso poderia trazer, de novo, para as nossas vidas.

QUANDO SE VAI BUSCAR LÃ E SE SAI TOSQUIADO


Por mais que me esforce, não entendo a decisão de aceitar uma providência cautelar como a que Sócrates interpôs em relação ao Correio da Manhã e a todo o grupo editorial a que pertence, proibindo-o, sem uma razão que pareça compreensível, de noticiar o que a todos os demais é consentido!
Eu sei que o Direito é uma coisa complexa e até confusa. Pelo menos para mim, habituado à clareza que as leis devem ter para que sirvam de alguma coisa. E, perante as que possam ter as interpretações de que a imaginação for capaz, fico a imaginar um foguetão, cujo destino era a Lua, chegar a Saturno em consequência de um interpretação bizarra das leis em que o cálculo da sua trajectória se baseou!
Como terá havido dentistas que arrancam o dente que não doía, cirurgiões que operaram a vértebra sã e, quem sabe, sapateiros que tenham feito um par de sapatos com os dois para o mesmo pé, também haverá criminosos que se julguem heróis que alguém queira beatificar.
Como é corrente dizer, há gente para tudo. Por isso haverá quem dá tiros no próprio pé ou pense que vai buscar lã e saia tosquiado.
Foi o que me pareceu ter acontecido ontem com uma conferência/comício/apoio, algures no Norte, e um programa “censurado” que, de um modo muito hábil o aproveitou para dizer mais do que aquilo que uma “providência cautelar” o proíbe de noticiar.
Começa a ser difícil não tomar um partido qualquer perante o que parecem ser disparates a mais num processo em que ao arguido mais valera estar calado e à Justiça ter mais cuidado com as controvérsias que algumas suas atitudes possam gerar.
Mas é melhor simplesmente calar e ficar atento para saber se estamos perante uma Justiça baralhada, uma Comunicação Social com excessos delirantes de imaginação ou se de um farsante que merece gravar o seu nome na História Universal como o fizeram outros que, ao longo do tempo, se distinguiram não pelas melhores razões.


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

DEPOIS DE CASA ROUBADA... TRANCAS NA PORTA!



Passados já vários dias, continua a falar-se muito sobre o drama que foi a cheia que submergiu vastas áreas de Albufeira.
Depois das descrições do que sucedeu, parece ser agora o tempo de fazer críticas e, até, de culpar, de apontar causas e falar de soluções.
Custa-me, deixa-me triste o que oiço, disparates enormes, reparos e exigências tão vagas como “é necessário fazer alguma coisa”.
Eu colocaria a questão de outro modo dizendo que seria melhor não ter feito tanta coisa mal feita, como a ampliação desmedida da área urbana de um centro populacional que nasceu no leito de uma linha de água onde cheias repentinas podem ocorrer.
Quando se levanta a questão de terem ou não sido feitos os avisos desta ou daquela cor que poderiam minimizar os danos acontecidos, eu pergunto o que adiantaria, quanto às perdas materiais em Albufeira, um aviso com pouco tempo de antecedência, o único possível, quando ocorre um fenómeno meteorológico de tal amplitude.
Diz-se que não há memória de uma cheia desta magnitude, o que significa tratar-se de um fenómeno de muito baixa frequência média, tal como cientificamente se pode deduzir das amplitudes das cheias registadas.
É assim que se definem cheias anuais, dos dez anos, dos cem anos, dos mil anos e por aí… que correspondem a “períodos médios de retorno” que, por isso, apenas fazem sentido num período de tempo muito longo, mesmo milhares de anos. É por isso que os conhecedores destas matérias dizem que a cheia dos mil anos pode acontecer amanhã ou, como diria Murphy, “se uma cheia assim pode acontecer, acontecerá”. Não importa quando.
Nem imagino se esta cheia foi a dos quinhentos, dos mil ou mais anos, mas que corresponde a um período de retorno elevado não tenho a mínima dúvida. Mas nada me garante que se não possa repetir ou até ser superada amanhã ou no próximo ano!
Fazer alguma coisa? É preciso estudar bem o que e não atirar disparates para o ar!
E há muito tempo já que é urgente faze-lo.

À ESPERA DO FUTURO



O programa de governo da Coligação que venceu as eleições foi entregue na Assembleia da República.
Agora é deixar correr, ver o que acontece e Deus queira que corra bem, seja da maneira que for, porque, se assim acontecer, esse será o bem de Portugal, o bem de todos nós.
Porém, perante as bases, recheadas de incompatibilidades, em que assenta a solução final que se afigura mais provável, um governo liderado pelo derrotado António Costa, receio que não seja o melhor que aconteça e tenhamos de pagar bem caro por este “golpe” que a Constituição aceita mas que o mais vulgar bom senso repudia perante as incertezas e os perigos que acarreta, além de não corresponder à tradição que procedimentos políticos passados consagraram .
Além disso, não faz sentido que depois de um tremendo esforço de recuperação que começou a dar frutos e que, sejam os propósitos de futuro quais forem, sempre teria de ser feito num mundo onde o isolamento se paga de modo bem sofrido, se prefira uma solução que todos julgam insegura pelos apoios incompatíveis de que depende.
Será interrompido um processo e, muito provavelmente mais do que isso, destruídos os frutos do enorme esforço feito para equilibrar as finanças do país que poderão desequilibrar-se de novo e obrigar a um novo e penoso resgate, se alguém estiver disposto a faze-lo.
Este é um daqueles casos em que, por mais razão que julgue ter, eu gostaria de estar errado, mas não creio que esteja. E não serei o único.
Quanto ao que deverá ser feito depois de consolidadas as finanças e não se assemelha, de todo, ao que os programas da maioria dos partidos políticos define, é uma questão que, muito brevemente, a realidade nos obrigará a enfrentar.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

VINHO EM ENVELOPES!



Escrevi que os políticos cada vez mais me desiludem, mas deveria ter escrito que me não iludem já de todo, porque assim traduziria melhor a realidade.
Felizmente, ainda encontro algumas poucas excepções que, essas sim, me surpreendem por tão raras que são. São aquelas que nestes tempos estranhos e mafiosos que vivemos ainda dão provas de um bom senso que eu já julgava perdido, mas que, sem dúvida, serão da maior utilidade para a reconstrução trabalhosa que teremos de fazer, depois dos danos que o vendaval em formação vai causar.
Eu já sabia, desde há muito, que os políticos são gente com habilidades peculiares, algumas de que nem os mais habilidosos ilusionistas são capazes, daquelas que, como na gíria se diz, nos metem Lisboa pelos olhos adentro.
Deslumbram-nos como nem os melhores actores o conseguem fazer e, tal como Pessoa disse dos poetas, eu digo também que “os políticos são uns fingidores”, não pelas dores que sentem mas pelo ar atarefado e compungido que mostram quando, dizem, tudo fazem pelo país, por todos nós, o que mais se nota quando estão mais ocupados a cuidar de si!
Mas nunca me passaria pela cabeça que, nos seus mais profundos delírios, imaginassem meter garrafas de vinho em envelopes!!!
Vale a pena ler a notícia: