ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

QUEM ROUBOU, QUEM GOVERNA, QUEM SE LIXA?



Sinto a cabeça a estoirar depois de ouvir, na SIC, uma história de milhões de euros circulantes pelo mundo, em dezenas de nomes entre os quais o de Sócrates não consta, apesar de, supostamente, ser o dono daquilo tudo.
Quem será capaz de entender isto?
Nanja eu!
Foi quase como um resumo de tantas coisas complicadas já ouvidas, de esquemas e mais esquemas, de circuitos esquisitos onde o dinheiro tenta perder-se sem deixar rasto.
Para contar tudo isto, serão já dezenas de milhares as páginas arrumadas em não sei quantos volumes aos quais se juntarão muitos mais com os milhares de documentos ainda por analisar, para além de mais de cinco milhões de ficheiros cujo tamanho não imagino qual seja.
Enfim, uma montanha de supostas provas que a defesa de Sócrates diz serem nada, uma charada imensa a que não é fácil dar respostas ou, se preferirmos, uma trama gigantesca, não sei se digna da mais rebuscada imaginação se de uma sofisticada máfia siciliana.
Depois de ver calar a CMTV, quem sabe se o mesmo acontecerá com a SIC e, depois, com outros que se disponham a continuar o esclarecimento que não é fácil de entender mas que, supõe-se, demorará ainda mais um ano.
Por outro lado, não é de ignorar aquela campanha eleitoral em Chaves com arruadas ruidosas, comícios fervorosos e sugestões de presidência, com Sócrates a reclamar inocência, a dizer que não vale a pena investigar mais uma investigação já feita, condenar mais quem a prisão já condenou, porque o PS já perdeu as eleições!
É a loucura completa num país que parece ser de loucos, onde já se não entende quem ganhou ou perdeu as eleições, quem cometeu os crimes que dizem que Sócrates cometeu, quem vai ou não tomar as rédeas do poder.
Deste jeito, aonde é que isto tudo vai parar?
Afinal, quem roubou, quem governa, quem se lixa?

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

OS ATAQUES JIADISTAS E A SOLIDARIEDADE NA “NOVA MAIORIA”



Mais uma vez, numa situação de emergência, a União Europeia não consegue responder, como um todo, aos ataques e às ameaças que lhe fazem.
Não existe uma estratégia global para enfrentar os perigos de um terrorismo cruel que a ameaça, como a não há em tudo o que seja de interesse comum se, porventura, houver algum interesse que, verdadeiramente, o seja.
Mecanismos de actuação automática não existem e continuam os interesses de cada país membro a sobrepor-se aos que seriam de todos.
Por isso, na falta da resposta imediata e espontânea, para além do requentado "Je suis Paris", que toda a União deveria dar aos atentados cometidos na capital francesa e a outros ainda mais sangrentos que o IL já prometeu, a França invocou o artigo 42.7 do Tratado de Lisboa, assinado em 2007, que reformou os anteriores tratados de Roma e Maastricht, pelo qual em caso de “agressão armada” a um Estado Membro, os restantes Estados da União Europeia têm a “obrigação de ajudar o outro e dar assistência por via de todos os meios ao seu dispor”.
Infelizmente, a União Europeia continua sem por em prática os princípios que a fizeram nascer para lhe dar a força e os meios que garantiriam a paz e o bem estar comum.
Curiosa foi a atitude de “solidariedade” que a visita de membros do BE a Paris deixou bem clara, propondo a resposta que não gostariam que lhes dessem se fossem eles os atacados.
Igualmente, o “solidário” PCP recusa a participação de Portugal na resposta que os ataques jiadistas, quer os já feitos quer os prometidos, devem ter por ser esse o dever que os Estados têm, o de proteger os seus cidadãos dos ataques que sofram ou possam sofrer. E a promessa de tais ataques existe, foi feita.
E é esta uma primeira oportunidade para testar a solidariedade nesta “nova maioria PS/BE/PCP” quanto ao projecto europeu a que Portugal aderiu numa cerimónia presidida por Mário Soares em 1985 e reformulada num tratado assinado em Lisboa quando era Sócrates Primeiro-Ministro.
De resto, não acredito na “solidariedade” que consinta ao PS governar com o seu programa que tanto BE como PCP chamam de “direita”, quando o objectivo de cada um deles é, naturalmente, impor o seu que dizem de "esquerda".


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

NÃO SE MATAM LEÕES COM FISGA…



Como reagir aos actos terroristas praticados e às ameaças de outros ainda mais sangrentos pelos que fazem do terrorismo a sua afirmação, é a grande questão que se coloca aos europeus que sentem grandes dificuldades em adoptar medidas que possam competir com as que contra si são adoptadas.
O terrorismo internacional tem múltiplas facetas que são outros tantos modos de fazer a guerra cobarde que o terrorismo é, não sendo fácil enfrentar todos sem trair alguns dos princípios da liberdade e dos direitos que, no nosso modo de viver, reconhecemos ao Ser Humano.
Não sei se, na perplexidade da situação que vivemos, devemos oferecer a outra face a quem nos agride, se adoptar o princípio de que “quem com ferro mata, com ferro morre”, como Cristo ensinou também!
Será que os princípios atávicos que nos regem têm de ser a nossa perdição por nos imporem que reconheçamos aos outros os direitos que eles, declaradamente, nos não reconhecem a nós?
Será que, por eles, estaremos dispostos a expor os nossos filhos e netos ao horror da submissão à intransigência que nos quer dominar?
Não me façam perguntas a que não sei responder nem pelas quais a minha insignificância não pode ser responsável, mas tudo me diz que alguma resposta eficaz deve ser dada às afrontas dos que fazem dos nossos princípios a sua arma mais eficaz.
Será uma questão de ordenamento de valores ou teremos, apenas, de clarificar a hipocrisia dos que, por comodismo, os invocam sem os praticar?
Seja como for, é evidentemente inútil pensar que a melhor solução seja “caçar leões com fisga e moscas com carabina”!


NAS COSTAS DOS OUTROS LEMOS AS NOSSAS



Deve estar para muito breve a decisão do Presidente da República para a substituição de Passos Coelho no cargo de Primeiro-Ministro, pois não creio que possa prolongar-se por muito mais tempo a indefinição que se vive.
Não me parece que seja outra a decisão senão a escolha de António Costa para formar um governo a partir dos “arranjinhos partidários” que fez, apesar do modo veemente como, no passado, esconjurou tal procedimento.
O que acontecerá depois, eu não sei, mas vale a pena não esquecer os erros do passado para evitar que se repitam.
Os que me parecem mais oportunos de recordar, para além dos que o voluntarismo socialista entre nós já cometeu são, pela situação política que vivemos, os que os gregos cometeram há não muito tempo e os levou à situação em que se encontram, mesmo depois do arrepio a que o Syrisa se viu obrigado, ao ponto de ter de endurecer a austeridade que era seu propósito acabar.
É crescente o desagrado de um povo enganado que mostra nas ruas, numa greve geral contra a austeridade excessiva, o seu profundo desagrado.
Parecia que a euforia que Costa não escondeu pela vitória do Syrisa tinha arrefecido. Mas não, estava a penas adormecida, esperando o momento oportuno para se voltar a mostrar nas promessas que, estou certo, não saberá já como vai cumprir, tantos são os “adoçamentos” que faz nas promessas eleitorais de uma vida mais feliz, logo que o poder fosse seu.
Era uma vitória assim, com uma maioria robusta, a que ele esperava. Mas não aconteceu nem, sequer, depois do “arranjo” pós eleitoral que fez e não lhe dá mais do que uma maioria magra e sobre a qual nunca terá o domínio de um vencedor.
Como irá gerir as tensões inevitáveis que o vanguardismo do BE e o calculismo do PCP lhe vão criar, não faço ideia.
Mas como tentará cumprir as promessas eleitorais que fez de dar um fim à austeridade, penso que também já não saberá, como se deduz dos “amaciamentos” que nelas vai fazendo.
Não será já… é mais tarde; Não será assim… tem de ser diferente; Não será tanto… será menos, para além dos argumentos que prepara para desculpar os erros de cálculo que, tenho a certeza, Centeno cometeu. 
Nunca me dei conta na vida que o dinheiro caia do céu ou que a terra possa dar mais do que os ciclos naturais lhe consentem.
É isto que o que vejo ficar demonstrado por toda a parte onde ao consumismo sucede a temperança e ao esbanjamento a austeridade.
Por que seria diferente em Portugal?
Não recomendaria o bom senso que não esperássemos os milagres que os outros não conseguem e, desse modo, evitarmos os problemas que eles enfrentam?
É velho o dito que avisa “nas costas dos outros lemos as nossas”. Por que não lhe prestamos atenção?



domingo, 15 de novembro de 2015

O CARREIRISMO DE COSTA



Assinei uma petição para que Cavaco não emposse António Costa como Primeiro-Ministro de Portugal.
Mas nem sei bem por que o fiz.
Decerto por um impulso que as atitudes oportunistas deste estranho candidato a primeiro-ministro me ditaram, a preocupação que as suas propostas me causam e não por um acto que a racionalidade me tenha proposto como solução para qualquer coisa, pois sei que não se podem tomar decisões tão importantes como esta em função de petições que, obviamente, outro valor não têm para além de mostrar uma preferência, um descontentamento, uma preocupação de um grupo de cidadãos, cuja grandeza o número de assinaturas recolhidas revela.
Não é comum que estas petições atinjam dimensões bastantes para terem um significado que seja indicador de uma preferência nacional dominante e, por isso, não passam daí.
Mas se, porventura, o número de assinaturas atingisse números significativos, que teriam de ser muitíssimo superiores aos envolvidos numa sondagem, não poderia a petição deixar de ser considerada uma manifestação de querer que, segundo os princípios democráticos, teria, sem a menor dúvida, um valor indicativo digno de ser considerado.
Mesmo assim, as alternativas constitucionais são escassas e pouco aliciantes nesta situação inesperada de um derrotado em eleições reclamar o direito de governar, em função de “arranjos partidários” que tinha publicamente condenado, o que comprova o espírito carreirista que outras atitudes, também “inovadoras”, já tinham revelado, como o afastamento de Seguro da liderança do PS depois de ter ganho eleições, o qual não é, de todo, aquele que um governante empenhado deva ter.
E eu fico a pensar por que razão o “patriótico” Costa se não submete ao teste definitivo de nova consulta popular que confirmaria, ou não, o desejo da maioria em tê-lo como responsável pela governação deste país.
Mas Costa já disse que não está disposto à alteração constitucional que o permitiria, do que, logicamente, retiro a confirmação do carreirismo que o move e que, inevitavelmente, envolve outras manobras futuras que podem fazer de Portugal um país em sérias dificuldades.