ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 28 de novembro de 2015

CADA TERRA COM SEU USO…



Pelo que vejo, também na política internacional o cinismo e a hipocrisia são os “dons” maiores dos políticos, pelo que, tal como na política nacional, nada é o que parece ser.
Depois da revanchista e insensata invasão total do Iraque que, segundo George W. Bush, tinha por objectivo "desarmar o regime iraquiano, encerrar o apoio de Saddam Hussein a organizações terroristas e libertar o povo iraquiano", do que o resultado mais evidente foi o reacender dos conflitos irreparáveis entre povos secularmente desavindos, pergunto-me se será a imposição da “democracia ocidental” a solução para a boa convivência entre estes povos ou se, pelo contrário e como a lógica não descarta, é no seu falhanço que melhor se comprova o velho dito “cada terra com seu uso e cada roca com seu fuso”.
Senão, perguntemo-nos se serão hoje os iraquianos mais felizes do que antes eram, apesar do regime que os oprimia. Não sei comparar nem encontro valores em que me baseie numa ou noutra situação, mas que o Iraque não é um país de felicidade, isso não é. Com certeza!
E sê-lo-ão aqueles onde a chamada “primavera árabe” deu lugar à confusão com que, por vezes, se confunde a liberdade? Em qual deles a democracia, de facto, se implantou?
Como sempre acaba por acontecer, um dia começam a revelar-se as verdadeiras intenções com que se fazem as coisas que, assim, começam a ficar mais fáceis de entender.
Depois de tudo o que, desde então, se passou, a Al-Qaeda não se desfez e, pior do que isso, surgiu o movimento jihadista que se considera um estado e tantas atrocidades tem cometido perante a quase indiferença dos que, por interesses que não revelam, desfizeram equilíbrios naturais que séculos estabeleceram, criando situações que não controlam e se tornam, dia após dia, mais perigosas.
Mesmo assim, por que razão os Estados Unidos, a Rússia e a Turquia se não entendem na luta difícil que dizem ser comum e, em vez disso, persistem em diferendos que não permitirão que a vençam?
Entretanto, para ali vão convergindo as suas forças. Só não sei, ainda, se para combaterem, juntos, os mestres da degola, se para marcar a sua posição de força, sabe Deus com que consequências.
Afinal, quem fornece aos jihadistas as armas e as munições que usam mas não fabricam?
Quem lhes compra o petróleo que lhes garante os fartos meios financeiros de que dispõem?
Eu não creio que a Rússia ou os Estados Unidos comprem petróleo do Daesh ou que a Turquia lhes forneça armas a menos que, com os curdos de permeio, tal seja de sua conveniência.
Também não faço ideia de em quais mãos vão cair as armas que os EU e a Rússia para ali enviam...
Vi publicado um mapa da região que mostra onde se extrai e se refina o petróleo, a grande riqueza do “daesh”, as rotas que segue, onde é negociado e os pontos por onde sai da Síria. E constato que, estranhamente, os jihadistas fazem a maior parte dos seus negócios de venda em território dominado pelos opositores ao regime de Al Assad, de onde, depois, segue para a Turquia.
Aí evapora-se ou é a Turquia quem o utiliza?


terça-feira, 24 de novembro de 2015

NO LIMIAR DA FELICIDADE



Agora é tempo de desejar que tudo corra bem e que António Costa possua o segredo do sucesso que nos fará, a todos, felizes, com a maldita austeridade bem longe de todos nós.
Vou recuperar a pensão que me cortaram, deixo de pagar o Complemento Especial de Solidariedade, a sobretaxa do IRS e as taxas moderadoras nos Serviços de Saúde aos quais, naturalmente, recorro cada vez com mais frequência.
Verei, à minha volta, um país feliz e a economia crescer.
Mais carros novos a rodar nas ruas, os restaurantes outra vez cheios, os cinemas e os teatros.
De novo, o dinheiro vai deixar de acabar antes do fim do mês!
E tudo sem aumentar os impostos.
Espero que seja mesmo assim, como prometeram e por muito tempo, senão eu terei a razão que, sinceramente, desta vez gostaria de não ter tido quando disse não acreditar em milagres.
Só ninguém prometeu que a corrupção iria acabar...
Irá? 

OS CUIDADOS DO PRESIDENTE



Perante as circunstâncias, pelo menos inéditas entre nós, a que os resultados das eleições de 4 de Outubro conduziram, para além do que em campanha eleitoral foi dito e jamais poderia fazer prever o desfecho que Costa agora deseja, parecem cuidados normais os que o Presidente da República toma para formar o juízo que, em consciência plena, orientará a sua decisão final.
É um direito constitucional do Presidente do qual infiro, pelos cuidados de que se rodeia, que se fosse outro o momento do seu mandato dissolveria a Assembleia da República para que, perante as “informações” que a campanha eleitoral não deu e das quais só tardiamente teve conhecimento, o povo ratificasse ou corrigisse o seu voto, como seria de sua competência e constituiria o “tira-teimas” ideal sobre o que, realmente, desejam os portugueses.
A proximidade de eleições não lhe permite esta que seria a atitude que desfaria todas as dúvidas e, por isso, são outros os cuidados dos quais se deve rodear.
Não me parece, pois, que Cavaco Silva exorbite dos seus poderes presidenciais quando tudo faz para esclarecer as coisas e decidir entre as duas decisões que a Constituição ainda lhe permite que tome.
Igualmente me parece despropositada, mesmo sem nexo, a pergunta que, pela primeira vez, ouvi da boca de Constança Cunha e Sá, na TVI, se o Presidente fez a Passos Coelho, quando lhe pediu para formar governo, as mesmas exigências que agora fez a Costa.
Não valerá a pena, decerto, dar-lhe aqui a explicação disto que afirmo porque, sendo ela tão óbvia, cometeria a indelicadeza de desmerecer da inteligência da senhora…

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

FUMO BRANCO, ACINZENTADO OU PRETO?



É notícia que, na conversa com António Costa, Cavaco Silva solicitou ao líder socialista para formar governo impondo, para isso, seis condições que conforme li num artigo de Luis Barra, no Expresso, são:
a) aprovação de moções de confiança;
b) aprovação dos Orçamentos do Estado, em particular o Orçamento para 2016;
c) cumprimento das regras de disciplina orçamental aplicadas a todos os países da Zona Euro e subscritas pelo Estado Português, nomeadamente as que resultam do Pacto de Estabilidade e Crescimento, do Tratado Orçamental, do Mecanismo Europeu de Estabilidade e da participação de Portugal na União Económica e Monetária e na União Bancária;
d) respeito pelos compromissos internacionais de Portugal no âmbito das organizações de defesa colectiva;
e) papel do Conselho Permanente de Concertação Social, dada a relevância do seu contributo para a coesão social e o desenvolvimento do País;
f) estabilidade do sistema financeiro, dado o seu papel fulcral no financiamento da economia portuguesa,
dentre as quais são as duas primeiras as que me parecem mais difíceis de garantir, já que, das demais, disse o PS assegurar o cumprimento absoluto.
Sobretudo a primeira condição, é um autêntico pau de dois bicos para a estranha “maioria de esquerda” da qual uma parte, ao longo do tempo e na campanha eleitoral, incansavelmente acusou o PS de ter práticas de direita!
Há, pois, divergências insanáveis, como o mostram os programas e as práticas das três (ou quatro) partes da “nova maioria, das quais podem resultar conflitos de interesses políticos em muitas das decisões governativas que Costa terá de tomar.
Em diversos casos, decerto inevitáveis ao longo da governação, uma moção de confiança pode originar confrontações delicadas ou, até mesmo, estimuladoras dos conflitos que profundas diferenças ideológicas, interesseiramente adormecidas, não permitirão ultrapassar.
Se tal acontecer, dificilmente serão evitáveis danos irreparáveis para um governo sem uma base ideológica estável.
  

domingo, 22 de novembro de 2015

E QUANDO ESPERO APRENDER QUALQUER COISA…



De “notícias ao minuto:
Em entrevista ao Diário Económico, Nuno Artur Silva, administrador da RTP, admitiu não ver “qualquer virtude na política que foi seguida”. “Estamos pior em quase todos os indicadores e aquilo que melhorou foi fruto de influência externa, ou seja, da acção do Banco Central Europeu”, avaliou.
O que falta é, no seu entender, “ter mais sensibilidade social, sobretudo em relação aos mais desfavorecidos e a problemas como a desigualdade” e “procurar alinhamentos europeus com o intuito de defender uma perspectiva diferente para a Europa que não seja a da austeridade cega”.
Gosto de saber o que dizem as personalidades a quem se confiam cargos importantes pois, logicamente, devem ter a qualidade que os cargos exigem e, como eu nunca os tive, serem pessoas que me possam ensinar alguma coisa. Por isso leio o que escrevem ou o que delas dizem.
Depois, um administrador da RTP jamais pode ser um borra-botas qualquer, enquanto eu apenas fiz o melhor que pude com o mais que procurei saber, além de me esforçar por ensiná-lo, também.
Mas, chegada a ocasião, leio e releio, torço e volto a torcer e sumo, nem vê-lo!
A que indicadores se refere o Sr Nuno Artur Silva? Aos que correspondem a um nível de vida que excedeu já todo o bom senso que o conhecimento da realidade em que vivemos recomenda e não tem como evoluir mais ou aos que nos dão pistas para compreender os problemas que os nossos descendentes vão enfrentar pela nossa falta de cuidados na preservação do mundo onde irão viver?
Depois, a já estafada crítica da austeridade que, perante tudo o que se passa no mundo, também ele não me diz exactamente o que seja nem como se pode evitar e com quais objectivos.
Enfim, foi mais do mesmo o que li, sem qualquer novidade que valha o tempo que perdi pois não me ensinou nada, além de me lembrar das “personalidades” que temos.
Que política deveríamos então seguir, Sr Silva?
Isso é que gostava que me dissesse.