ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

AFINAL QUEM VAI VENCER? EU JÁ ESCOLHI!



Ainda não será desta que deixarei de cumprir o dever cívico de votar que exerço há mais de quarenta anos.
É verdade! Votei enquanto outros o não faziam porque estavam longe, deixando nas mãos de poucos o dever de se mostrar e de dizer presente, sem necessidade de perguntar ao vento o que se passava por aqui!
Não fui um mártir da PIDE. Fui, apenas, um que, votando, afirmava da minha vontade. Como outros o foram também.
Não votarei desta vez com a esperança com que o fiz em outras ocasiões, quando pensei que o meu voto poderia ajudar a mudar alguma coisa, mas vou faze-lo, para evitar aquela sensação desagradável que a abstenção me deixaria, a de perder a minha voz e abdicar de afirmar a minha vontade.
Mas tenho vontade e tenho voz, uma voz que não vai longe mas que é a que eu sempre quero ouvir, avaliar, comentar, criticar e corrigir para que seja, sempre, a voz da minha da minha consciência, da minha verdade, aquela que o meu entendimento das coisas construiu, não copiada de ninguém e ainda menos imposta à fraqueza do meu espírito pela lenga-lenga dos ambiciosos que se aproveitam da minha estupidez.
Não me afectam chavões e, ainda menos, a vontade indisfarçável que, em discursos inflamados que não me convencem, alguns mostram que apenas querem ser alguém.
Apesar do pouco interesse que me despertou a campanha que fizeram, não deixei de ouvir, aqui e ali, o que diziam os candidatos à mais alta magistratura da nação, a ser aquele que, na cena internacional, é o mais significativo representante de todos nós, cuja palavra deve ser escutada com respeito e jamais vítima do sarcasmo, como tantos humoristas sem graça o fazem por aí. Quando não está fácil de ganhar a vida, até o ridículo serve. Mas mesmo assim…
Mas, curiosamente, sobra a cena internacional, como se que o que se vai passando no mundo nada tivesse a ver connosco, pouco ou mesmo nada ouvi. Penso, até, que disso nem nada alguns saberiam.
Foi de uma pobreza fransciscana tudo quanto disseram. Porque não souberam dizer mais ou porque o não quiseram dizer. Foi preciso ler por outras linhas.
E vou votar em quem, então?
Sem me esquecer daquele velhíssimo ditado que diz “em Roma sê romano”, ou por este princípio que defini para orientar as minhas decisões “não deixes que te impinjam o que tu não queres”, vou votar Marcelo que me parece ser o que melhor saberá adaptar-se às circunstâncias difíceis que se aproximam, sem os preconceitos que outros não conseguem disfarçar e com os quais jamais as enfrentariam.



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

UM LAR DE IDOSOS COM VISTA DE MAR



Estou convencido de que já não é a chamada coisa pública a preocupação de quem governa ou finge que o faz, tantas são as questões importantes que os políticos ignoram nas decisões que, dia a dia, tomam como se estivessem a salvar o mundo que, pelo contrário, parece desmoronar-se à sua volta.
Para os problemas que a Ciência aponta como graves, capazes, até, de exterminar, em prazo geologicamente já muito curto, a própria Humanidade que tem o seu tempo no tempo em que muitas outras espécies também tiveram o seu, os políticos não têm respostas, adiando sucessivamente o que, de vez em quando, dizem que vão fazer em função das decisões que vão tomando conferência a conferência, cimeira a cimeira que, desde meados do século passado fazem aqui e ali sem resultados práticos que se possam considerar mais do que atamancamentos de uma situação complexa e potencialmente letal que não tem solução na via por que continuam a desenvolver as suas políticas.
Não tentam mais do que compatibilizar o incompatível, tirar da cartola o coelho que já lá não está.
O tempo do ilusionismo acabou, chegou ao fim e é a realidade nua e crua, aquela que vemos e não há contas que valham para a iludir.
Comecei a minha vida quando todo o mundo, mal saído de uma guerra cruel a que chamaram a 1ª Grande Guerra Mundial, se preparava para uma outra bem mais violenta, tão violenta que matou muitas dezenas de milhões de pessoas e levou ao genocídio mais hediondo de que a Humanidade tem notícia.
O “diabo” que se julgava nascido para dominar o mundo acabou regado com gasolina, queimado e enterrado num buraco frio, sem a dignidade a que qualquer pobre mortal teria direito.
Vivi tempos de euforia económica a que se seguem tempos de grandes preocupações por desgraças anunciadas pelos que, olhando o mundo como deve ser olhado, previram o “apocalipse” que, tudo faz crer, que se aproxima mais rapidamente do que a inteligência que o pode evitar.
Segundo uma das últimas previsões de que ouvi falar para a terra onde nasci, é bem provável que acabe os meus dias no asilo para idosos mais ensolarado do mundo que muitos consideram como o melhor para viver a reforma e alguns economistas vão entendendo ser esse o melhor futuro que pode ter uma terra onde fazer nada é o sonho da maioria dos que lá vivem!
Com os cuidados que os cada vez mais intensos raios UV recomendam, a coisa pode até nem correr muito mal porque, afinal, mais cedo ou menos cedo, a vida tem de acabar.

 


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

ENTRE PREVENIR E REMEDIAR



A aposta na procura interna, como tem sido a tónica deste governo é um apelo à autofagia se, porventura, lhe não corresponder um aumento de produção nacional que a suporte.
E não corresponderá porque à urgência colocada no seu crescimento para fazer face ao elevadíssimo acréscimo de despesa, cerca de onze mil milhões de euros, que diversas decisões governativas já provocam, não corresponderá, em tempo útil, o aproveitamento de recursos nacionais que o aumento de produção interna requereria para a equilibrar.
Há muito que somos um país de desperdícios, rendido ao encanto do que outros produzem para nos seduzir.
Sem reservas de recursos naturais que nos rendam, de imediato, os proveitos de que necessitamos para prosseguir esta política do gasto fácil em que se tornou a nossa, como os que tem, por exemplo, a Arábia Saudita a quem a venda de petróleo tem permitido comprar tudo o que necessita sem ter de o produzir, será necessário um vasto e trabalhoso aproveitamento de recursos antes de aumentar o consumo interno que, sem isso, nos esvaziará os bolsos até uma nova e próxima falência.
Portugal é o país que é, tem os recursos que tem e o seu futuro depende do modo como os aproveitar.
Não há engenharia financeira que lhe valha se não condicionar os seus gastos ao valor do aproveitamento inteligente dos seus recursos.
Em vez disso parece-me ver apenas negociatas que favorecem alguns em prejuízo de muitos.
Por exemplo, não sei que resultado seria o da conta que se fizesse para comparar os recursos que se perdem a cada ano nos incêndios florestais com os gastos que se fazem a combate-los. Mas duvido que uma política de prevenção não fosse vantajosa pelos empregos que criaria e pelas perdas enormes que evitasse, mas tem como inconveniente, politicamente grave, prejudicar os negócios vultuosos que a política de combate proporciona, de tal modo que, por vezes, dou comigo a pensar quais são as razões que levam tanta gente a atear incêndios, se serão todos pirómanos ou se outros interesses os moverão.
Mas haverá outros domínios em que idêntica alternativa se coloca, a decisão entre prevenir e remediar que, a decidir-se em conformidade com o tradicional bom senso, reduziria drasticamente os custos dos dispendiosos remedeios que, curiosamente, contribuem mais para o PIB do que a prevenção!
E de modo semelhante me surge a ideia de pensar a quem mais aproveitará esta política de aumento brusco do consumo interno, se a quem consome se a quem intermedeia as vendas porque nada me faz crer que estejam planeados os trabalhos de aproveitamento dos recursos nacionais que substituiria as importações que desequilibram permanentemente a nossa balança de pagamentos.


VALHA-NOS O TIRIRICA



Não me parece que as coisas andem bem cá pelo burgo. Nem pelo burgo nem fora dele, mais me dando a sensação de que andam todos à espera de qualquer coisa, da qual não dão sinais de saber o que seja, que os livre da trapalhada em que se meteram mas da qual não sabem como sair.
É o que infiro de tanta coisa que fazem ou que dizem, mas que me não parecem mais do que manobras de diversão que nos distraem de tantas razões e tão sérias para estarmos preocupados com caminho que o mundo leva.
É mais do que altura para olhar os verdadeiros problemas de frente, aqueles que nos afectam onde quer que estejamos, sem distinções de cor de pele, de credos ou de nacionalidades, a única globalização que faz sentido para minorar os mais graves problemas que nos afectam já que resolve-los me parece, depois de tanto disparate, tarefa grande demais para a pequena estatura que acabaremos a reconhecer que temos.
Na governação que por aqui se faz, não me parece que o simples desfazer do que foi feito se afaste do clássico atavismo de julgarmos que todos os demais são burros, talvez por ser o modo de nos julgarmos inteligentes.
E, assim veremos se esta técnica clássica de proceder nos conduzirá ou não, uma vez mais, aos apertos a que a estupidez, por regra, conduz.
E neste país doente a quem tantos já fizeram o diagnóstico, a cura parece difícil quando, dentre tantos já feitos, não parece haver dois que coincidam no tratamento a aplicar!
E não espero que as coisas melhorem com este circo ridículo que tem sido a campanha para as eleições presidenciais em que há quem prometa o que nem estaria ao seu alcance fazer se fosse eleito e há professores que bem melhor fariam se voltassem aos bancos da escola primária, de onde bem melhor se vê o mundo que, das nuvens sobranceiras em quem habitam, mal se vê!
Aconteça o que acontecer e como sabiamente disse o Tiririca, se está mal… pior não fica!
Ou ficará?
Para mim há sempre uma réstea de esperança que algum bom senso pode justificar. Veremos.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E INUNDAÇÕES



(O Rossio, em Lisboa, inundado, atingindo o Teatro Nacional Dª Maria II)

Antes, parecia que estas coisas só aconteciam em outros lugares. Cheias enormes, furacões destruidores e outros desastres a que não estamos habituados.
Porém, agora tudo parece dizer-nos que devemos preparar-nos para a ocorrência mais frequente de fenómenos meteorológicos intensos, uma das alterações profundas que a elevação da temperatura média global provocará, o que as teses de peseudo-cientistas que a gosto da economia predadora que vivemos contrariavam mas já não conseguem desmentir.
Não serão, por isso, as soluções do passado, definidas por condições que as circunstâncias alteraram muito e poderão alterar ainda mais, as que deverão ser agora adoptadas para evitar inconvenientes e perdas cada vez mais graves.
Sobretudo no que diz respeito às águas superficiais urbanas, cujas redes de drenagem costumavam ser dimensionadas admitindo, por uma relação custos/benefícios discutível, que a sua capacidade possa ser excedida, em média, uma vez em cada dez anos, as consequências de uma maior frequência de eventos mais intensos serão desastrosas, como as cheias deste ano o demonstram um pouco por todo o país e, mais ainda o demonstrarão se se repetirem, como o que o facto de estarmos ainda longe do final da época das chuvas o torna bem provável.
As más soluções urbanísticas em muitos aglomerados urbanos, alguns deles situados em plenos leitos de cheia senão mesmo nas próprias linhas de água naturais, como no caso bem conhecido da baixa de Albufeira já este ano vítima de elevados prejuízos, não têm agora soluções fáceis nem baratas.
Não imagino qual será, neste momento, o período de retorno médio de uma cheia como a que submergiu a baixa de Albufeira porque as alterações em curso ainda não permitem definir mecanismos de avaliação e de extrapolação, porque a estatística se tornou instável e não poderá fornecer informações úteis para tomar decisões cada vez mais urgentes.
De pouco ou nada valerão, pois, soluções de remedeio que poderão corresponder a custos insuportáveis pela repetição de ocorrências destrutivas.
Apenas vistas amplas, uma perspectiva séria de futuro e atitudes adequadas e decididas, como foram as de grandes homens cujo nome ficou na História, poderiam ser a resposta a estas alterações que, embora naturais, o Homem acelera com toda a força dos seus dois maiores pecados, a ambição desmedida e a inveja incontrolada!
O futuro próximo o dirá.