ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 19 de março de 2016

UMA OUTRA RENASCENÇA



Pouco se me dá que seja o Sócrates, o Vara, o Lula ou a Dilma ou, ainda, outro qualquer, pois só me interessa que, de uma vez por todas, a Justiça, aqui ou seja onde for, deixe de se entreter apenas com coisas vulgares para se ocupar dos ídolos com pés de barro, pessoas como outras quaisquer, entre as quais vigaristas ou bandidos como outros quaisquer pode haver, ou bem piores até, pelas vantagens que as condições que criam lhes consentem.
Poderemos nós, os cidadãos que pagam os impostos que alimentam o Estado, continuar à mercê de quem decida gastá-los também em seu proveito?
Já é demais o tempo em que dura o medieval hábito de sacar dinheiro ao povo para encher os cofres dos senhores, mas tal tem de acabar.
Basta de tretas, a Justiça tem de renascer com a coragem de enfrentar os que a dominavam, os que, com seus poderes, a amestravam nas práticas de subserviência que os deixava à solta.
Começa a Justiça nobre a irromper pelos “impérios” dos que dela se julgavam senhores, levando em boa conta o que eles próprios disseram na argumentação que faziam na luta pelo poder, nas razões pelas quais convenceram tantos a entregar-lhes as chaves do cofre da fortuna, permitindo-lhes usá-lo como bem entendessem.
Mas a democracia tem regras a cumprir, pelas quais todos devemos zelar em vez de nos deixarmos seduzir pelas migalhas que nos atiram para nos calar. E uma delas é exigir daqueles a quem confiámos a nossa quota parte de poder que dele faça bom uso em nosso proveito e não em proveito próprio, como os factos mostram que muitos fazem ou terão feito.
Depois não me digam que não há coincidências…

terça-feira, 15 de março de 2016

A IMAGINAÇÃO BARALHADA



(yronikamente)
Parece que os governantes portugueses ainda não entenderam que não estão sós no mundo e que o que se passa neste cantinho pouco ou nenhum efeito terá no futuro que aí vem e nos mostrará como, de facto, as coisas são mais difíceis quando temos a veleidade de corrigir erros com erros ou como fazemos figura de idiotas chapados quando nos convencemos de que descobrimos a pólvora!
Estranho é, também, que as novidades não passem de reposições requentadas de outras que não foram felizes como esta da diferença de preço dos combustíveis em relação a Espanha, um erro crasso que teve de ser corrigido.
Mas será que nunca aprendemos nada com os erros que cometemos? Como será possível se é com os erros que mais se aprende?
Será por falta de inteligência? Não me parece porque, tantas vezes o demonstrámos, não somos menos do que quaisquer outros.
Por que será então? Imaginação baralhada... 
E quem diria que seria por um pedido patético de “sejam patriotas não vão meter gasolina a Espanha” que não sairá muito dinheiro do país e os impostos que os demais pagam não chegarão para compensar as perdas que de tal resultam?
Portugal tornou-se na forma acabada e incurável da “doença da pele curta”, quando não adianta puxar daqui pois logo a pele falta num outro lado qualquer.
E está prestes a tornar-se na anedota da Europa quando o ministro da agricultura pensa que as manifestações de quem sente a sua vida acabar, crê ser em seu apoio que acontecem. Não sei se pelo que outrora já fez se pelo que agora tenta fazer e não passará de deixar morrer os que menos resistência têm, se alguém a tiver, para sobreviver à concorrência dos refugos de leite e de carne que nos impingem a preços que não podem, de modo algum, pagar a produção.
Não gostaria de voltar a um novo resgate que obrigará a mais austeridade do que aquela que vivemos pois redução alguma aconteceu ainda e, para mal dos nossos pecados, não acontecerá.

segunda-feira, 14 de março de 2016

ADEUS NICOLAU




Acabei de ouvir, na radio do meu carro e como notícia de última hora, a morte de Nicolau Breyner.
Fiquei especialmente triste por se tratar de um actor que muito apreciava pelo seu variado e especial talento.
E veio-me à memória o modo como o vi pela primeira vez.
Foi na visita da Raínha Isabel II de Inglaterra a Lisboa, em 1957.
As ruas assinaladas para o percurso real através de Lisboa estavam apinhadas e dificilmente alguém mais atrasado arranjaria, em qualquer passeio, um lugar a partir do qual se pudesse ver a Magestade.
Foi, então, que me dei conta de um grupo de rapazes uns anitos mais novos do que eu, entre os quais um se distinguia pela sua exuberância.
Na tentativa de nos chegarmos à frente para poder ver qualquer coisa, o moço desapareceu e voltou, pouco depois, gritando para os outros: “afinal não passa aqui, passa ali na outra rua…” e começou a correr para lá, no que foi imitado por muita gente.
Ficaram livres muitos lugares, de um dos quais me aproveitei, pois a cara gozona do rapaz não me enganou!
Rapidamente ele apareceu também e, na primeira fila, vimos passar a Rainha.
Num livro que escreveu, li que “mais vale viver alegre do que triste” (estou a citar de memória) e creio que foi o princípio que adoptou na vida que viveu e na qual, mesmo quando nos queria fazer rir, na sua faceta de actor cómico, jamais me dei conta de recorrer às piadas rascas que são agora a moda em certos “cantinhos” da televisão, onde “merda” é a piada mínima para fazer rir!
Por isso, talvez já não fosse este o seu tempo.
Nesta vida declarou-se crente numa outra vida que, para além desta, viveríamos. Que Deus o tenha consigo.

sexta-feira, 11 de março de 2016

A DIFERENÇA



Todos se afadigam a tentar saber se Marcelo será e, se for, como o será, diferente de Cavaco!
E lá vêm os opinadores do costume, aqueles de quem bem se lhes conhece a opinião, de tal modo que quase seríamos capazes de, por eles, escrever o discurso que, a propósito, fazem.
Salvo uma excepção ou outra, todos sacrificam o homem de Boliqueime que, pouco dado a originalidades para além daquela “rodagem” casual que fez à Figueira da Foz em tempo de Congresso, talvez tenha feito o que muitos outros fariam, outros nem sequer seriam capazes de fazer mas, mesmo assim, criticaram o que consideraram ser seus erros que jamais disseram como não os cometeriam.
Não sou, mais uma vez o digo, um fã incondicional de Cavaco, mas ainda sou menos dos palavrosos que dão razão a quem diz que “quem sabe faz, quem não sabe comenta”.
Este país original, onde qualquer “poeta” é um sábio, tem a pouca sorte de apenas se interessarem pela política os “incapazes” porque os que seriam capazes de fazer bem feito preferem a irresponsabilidade de ser comentadores.
Ora, acontece, que, desta vez, é Presidente alguém que também foi comentador. Mas não só…
Mas foi um comentador especial que umas vezes me pareceu bem, outras nem tanto e, outras ainda, me fez dele discordar. Mas que foi diferente, foi.
Uma diferença que agora mais se nota e notará porque decidiu fazer, não se coibiu de ser o mais alto magistrado quando o país corre sérios riscos e o mundo se encontra à beira de uma mudança profunda. Creio que Marcelo sabe disso e rapidamente se aperceberá do que não sabe ainda.
Naturalmente, será diferente de Cavaco, muito diferente.
Tão diferente que surpreenderá quem dele espera o que não vai fazer porque, a mim, profundamente me desiludiria se o fizesse!

quinta-feira, 10 de março de 2016

NO PRIMEIRO DIA DO NOVO PRESIDENTE, A VELHA QUESTÃO DO (des)ACORDO ORTOGRÁFICO



No EXPRESSO CURTO que Nicolau Santos hoje publicou, no primeiro dia de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República Portuguesa, pode ler-se, entre diversas outras coisas:

Marcelo tem mantido uma posição ambígua sobre o Acordo Ortográfico, mas escreveu um artigo de opinião para o Expresso, já depois de ter sido eleito, com a ortografia anterior ao AO, e o livro do fotógrafo Rui Ochôa sobre a sua campanha presidencial, que ele próprio prefaciou, chama-se “Afectos” e está igualmente escrito na ortografia pré-acordo.
Quer isto dizer que o novo Presidente vai reabrir a questão do Acordo Ortográfico? Pelo menos é o que desde já lhe pede o presidente da Academia de Ciências de Lisboa, Artur Anselmo e que lembra que há “coisas incompreensíveis e inaceitáveis” no Acordo Ortográfico e que não “não há afecto mais forte do que o da língua”. Do além, Vasco Graça Moura muito lhe agradeceria, ele que batalhou incessantemente contra este Acordo Ortográfico, que para ele significava “a perversão intolerável da língua portuguesa”.
Eu acrescentaria aqui Fernando Pessoa que, um dia, afirmou, "a língua portuguesa é a minha Pátria" e não gostaria de a ver maltratada!

Há muito que não leio o que Marcelo escreve porque os tempos do “página dois” do Expresso há muito que já lá vai.
Agora, é mais ouvi-lo e, assim, seria difícil aperceber-me de pormenores que me revelassem que não havia abdicado da evolução normal da língua portuguesa e, por isso e tal como eu faço, não cedeu à tentação idiota de abastardar o português!
Foi um autêntico insucesso o “acordo” e não só isso!
Do que Nicolau Santos escreveu apenas não entendi o “ambígua”, para mim não aplicável a quem, decididamente, não aplica o (des)acordo ortográfico sem nexo que umas cabecinhas tontas inventaram.
Assim, é com gosto que venho crescer o número dos descontentes com uma palhaçada sem sentido e ficaria feliz se reabrisse um debate em que, definitivamente, o povo português, em vez dos investigadores da vírgula do Ministério da Educação, dissesse se quer ou não desvirtuar a sua escrita e, porventura até, o sem modo de falar.
POR ISTO FIQUEI COM UMA LEVE ESPERANÇA DE QUE MARCELO CONTRIBUA PARA UM ACTO DECISIVO QUE DESATE ESTE NÓ QUE DERAM NA LÍNGUA!
Seria uma óptima notícia.