ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 28 de março de 2016

ESCOLHEMOS NÓS OU O DIABO?



Ouvi Francisco Louçã louvar a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa de promulgar o Orçamento de Estado (OE) do Governo de António Costa, apesar dos riscos que comporta, os quais reconhece existirem, interpretando-a como um acto que desilude os que, em vez disso, esperariam uma crise que nos levasse a eleições a curto prazo.
Não me pareceria sensato que, dadas as circunstâncias, o não promulgasse e, talvez por isso, a recente afirmação do próprio Presidente de que o faria não tenha surpreendido ninguém.
Mais do que isso, Louçã considera esta decisão como um passo que define uma linha política da qual ao Presidente será difícil afastar-se no futuro, como se a ele ficasse amarrado para o resto do mandato porque, como afirma, “o passo seguinte depende do anterior”.
Mesmo discordando de que tal passo seja como aquele que define o caminho de que a burrice nunca se afasta ou a impossibilidade de, perante um erro que se detecta, voltar atrás, o que mais me sensibilizou nas declarações de Louçã foi a desvalorização de serem os riscos do OE “apenas” decorrentes de circunstâncias externas, como uma crise na China ou em outro lado qualquer.
O facto preocupante é a crise na China ser já uma realidade no decréscimo profundo do seu crescimento económico e em outras perturbações que se receiam a curto prazo, para além do que se passa nas economias de países do grupo das famosas e tão louvadas “economias emergentes”, tradicionais clientes de produtos portugueses como o são o Brasil e Angola, serem uma realidade  cujos efeitos são já evidentes.
E eu pergunto-me como um OE como o nosso, insignificante perante uma economia global em sérias dificuldades, pode basear-se em previsões optimistas que conduzem à previsão de um resultado que as que se fazem para o resto do mundo não corroboram.
Então, de que valerá esta ilusão de um futuro que poucas hipóteses tem de ser feliz? Vamos mantê-la até que, por si mesmo, se desfaça ou esperar o milagre de que tudo corra bem?
Não sou dos que baseiam as suas previsões soluções milagrosas, pois prefiro o pessimismo que permita prever e evitar os males que possam acontecer.

MUDAR DE DISCO



Como tantas vezes já disse, a “economia” não é uma “ciência” que eu domine. E nem sequer me convence.
Talvez seja melhor dizer que a economia me parece desajustada da realidade, com teorias e técnicas que se não adaptam já às condições em que vivemos.
Desde Smith, Keynes e outros, diversos foram os que contribuíram para o desenvolvimento de técnicas que hoje se revelam inócuas, incapazes de resolver os problemas que era suposto resolverem.
Talvez por isso, há mais de 10 anos que uns aconselham que se faça assim, enquanto outros dizem ser melhor de um outro modo qualquer e até “Prémios Nobel” dão palpites que não resultam nesta economia global que se mantém à deriva.
Onde está aquele polo vigoroso do Pacífico que substituiria o do Atlântico? Onde estão aquelas poderosas economias emergentes que iriam dominar o mundo e já se tinham fortalecido ao ponto de só um enorme cataclismo as poder deitar abaixo? Onde está a riqueza que iria acabar com a pobreza?
Onde está aquela economia próspera que todos esperam?
De vez em quando lá vem um que julga ter descoberto a pólvora e faz um foguete que acaba a rebentar-lhe nas mãos.
O que vale é que haverá sempre quem imprima moeda e mais moeda e a ceda aos mercados ao preço da uva mijona ou até sem preço, como em sucessivas transfusões que jamais resolvem o problema de uma hemorragia que não estanca mais. E lá parece que o “doente” quer arrebitar, mas depressa se vai abaixo, de novo.
O dinheiro, por maior que seja a quantidade que lancem nos mercados, nunca chega para o que dizem ser preciso e, sejam quais forem os esforços desenvolvidos, os protestos continuam, por isto ou por aquilo.
Mas parece-me estranho que, com cada vez mais dinheiro em circulação, os produtores reclamem pelos baixos preços cada vez mais baixos que lhe pagam e não chegam para as despesas que têm, ameaçando não poder continuar com a produção, enquanto ali do lado nos chegam refugos de produções a preços tão absurdamente baixos que nem dariam para os transportar!
Mas os impostos disfarçados de um modo ou de outro vão crescendo e a vida vai atingindo um grau de dificuldade que as promessas incumpríveis que nos fazem já não disfarçam.
Ano após ano, o FMI ou outras entidades quaisquer, daquelas que controlam o mundo financeiro, revêem em baixa as contas que fazem para chegarem à conclusão de que este ano será pior, porque aquele crescimento que se esperava se tornou numa miragem.
Quando será que se convencem que terão de mudar de disco que ajuste a “economia” às condições reais que o tempo foi mudando?
Ou ainda não estarão convencidos de que as coisas mudaram?
Estamos fartos de austeridade. Mas quem sabe se não teremos de nos habituar à penúria!

domingo, 27 de março de 2016

A CONFUSÃO OU O FIM?



Uns dizem que os jihadistas do ISIS, perante as perdas sofridas no território do seu “califado”, já mais de 40%, pretendem deslocar o campo de operações para a Europa, enquanto outros afirmam não passarem as operações na Europa de simples manobras de diversão e de amedrontamento que aliviem a pressão que sofrem no que consideram ser o seu espaço que pretendem alargar pela Península Ibérica.
Por sua vez, a Europa não encontra uma via comum para combater o flagelo a que o ISIS a condenou, na invasão de refugiados e nos atentados que fazem, procedendo cada um dos seus membros como bem entenda.
É mais uma oportunidade que demonstra as fragilidades de uma união já antes pouco unida e da qual cada um se serve do modo que melhor defenda os seus interesses particulares, sem dar-se conta de um interesse comum bem maior que apenas em conjunto podem defender.
Depois do descalabro do Euro cujo fim se não sabe, ainda, qual venha a ser, outras razões levam alguns membros de uma União Europeia que nunca chegou a sê-lo, a questionar o interesse de a ela pertencer.
E não há num grupo, seja ele qual for, nada que mais o enfraqueça do que as desavenças internas, a falta de cooperação e de um ideal comum.
Onde está o ideal comum da Europa? Onde está a União deste espaço populoso que foi a luz do mundo?
Não me parece ver, seja onde for desta Europa descontrolada, qualquer interesse forte para fazer dela o que deveria ser, um espaço de bem-estar, de conforto e de paz.
O Reino Unido poderá ser o primeiro membro a deixar este grupo de desencontrados, assim encorajando outros onde, todos o sabemos, os inconvenientes de estar na Europa começam a incomodar cada vez mais gente que veria com bons olhos uma saída também.
E será esta a vitória maior do ISIS que, apenas lançando a confusão num espaço já confuso, destruirá a única força que, no mundo, o poderia enfrentar!

sábado, 26 de março de 2016

OS TIM-TIM DE AGORA



Quando era miúdo havia, por semana, um dia em que, religiosamente e ao fim da tarde, subia as escadas até àquele terceiro andar onde se instalavam os “correios” lá da terra e, em bicos de pés para que o “ti” Zé Gaspar, o distribuidor do correio, me pudesse ver, esperava, ansioso, o “Papagaio”.
Eram as aventuras do Tim-Tim a causa da minha ansiedade. Tinha pressa para saber como ia continuar aquela história com personagens tão interessantes como, para além do próprio herói e o seu caozinho rom-rom (há quem lhe chame Milu), o capitão Adhhoc, os gémeos Dupond e muitos outros.
Personagens e histórias que o velho Hergé inventava para os mais novos.
Qual dos rapazes daquele tempo não tentou, alguma vez, imitar o inimitável penteado do Tim-Tim?
Não era fácil de fazer aquela popa, mas, obviamente, vesti calças como as que ele usava e, nos sonhos que tinha, quantas vezes o acompanhei nas suas aventuras, pois o grande sonho era ser como o Tim-Tim e praticar aqueles actos de bravura que ele praticava quando resolvia os pequenos/grandes problemas que se lhe deparavam.
Hoje, na terra de Hergé as histórias são outras.
Parece que os personagens enlouqueceram e que, até, o diabo anda à solta.
Gente que se faz explodir para que outros morram, “mártires” a quem convencem que no céu os esperam 12 virgens para satisfazerem todos os seus caprichos, como prémio dos horrores que praticaram na Terra.
Como tanta coisa mudou ao longo de uma simples vida como a minha, quando desde andar, à noite, em ruas tenuemente iluminadas por umas poucas lâmpadas esparsas, as ruas patrulhadas por ninguém e as portas das casas abertas eram a prova de um modo tranquilo como se vivia.
Apenas me preocupavam as “bruxas” que, diziam, por vezes apareciam para fazer as suas picardias e lançar maus olhados.
Encher o peito de ar, acreditar na força que tínhamos, semelhante à do Tim-Tim e, mesmo assim, evitar passar em certos lugares considerados mais perigosos, eram a solução.
Mas nunca vi nenhuma “bruxa”, então.
Vejo-as agora e a “bruxos” também, que me apoquentam muito a vida e aos quais não vejo como evitar.
E fico a pensar como reagiria o meu heróis de então nestas situações vulgares e de “bom tom” que a “civilização” inventou para tornar o mundo na confusão que é e onde nem fechar a porta a sete chaves nos livra dos assaltos que sofremos! Decerto nem saberia o que fazer.
A única semelhança que encontro nos "heróis" de agora é o penteado que eu nunca consegui fazer. É mais parecido com o que Tim-Tim usava, com aqueles tufos de cabelo lá no alto da cabeça. Nestes, talvez em vez de miolos…
As histórias, agora, também são outras.
Não as escrevem homens como o saudoso Hergé. São mentes maquiavélicas e desprovidas de humanidade quem as planeia, gente sem norte e para quem o gozo será arrastar os demais para o buraco em que se meteram…

quarta-feira, 23 de março de 2016

E QUANDO O MEDO SE INSTALA...



Desde os atentados terroristas de Paris que ouvia dizer que Bruxelas seria um coio dos terroristas do ISIS, porventura um dos quarteis-generais onde, na Europa, se preparam atentados e para onde teria fugido o cabecilha e mentor dos que aconteceram na capital francesa.
Oiço, agora, dizer que a Turquia teria avisado a Bélgica das acções de terror que ali estariam a ser preparadas.
E não posso deixar de me recordar de outras ocasiões em que grandes desastres aconteceram por falta de atenção aos avisos recebidos ou aos sinais que deveriam ter sido bem interpretados como, por exemplo, no ataque a Pearl Harbour que destruiu quase toda a armada americana do Pacífico e matou muitos milhares de pessoas.
A História está cheia de casos em que mais atenção aos avisos e às circunstâncias teria evitado danos a muitos inocentes.
Aquele bairro de Bruxelas, Molenbeek, é, desde há muitíssimo tempo, conhecido pela insegurança e pelo perigo, por isso um lugar propício aos aliciamentos que o ISIS faz.
Então, por que só agora esta acção que, se levada a cabo antes, evitaria mais umas dezenas de mortes e centenas de feridos?
Mas pouco interessará agora lamentar tudo isto porque mais não seria do que chorar sobre o leite derramado.
Importante me parece desmascarar os hipócritas que, fingindo lamentar as desgraças que acontecem, alimentam os que as provocam, fornecendo-lhes os meios de que necessitam para sobreviver, comprando-lhes o petróleo que lhes não pertence e lhes vendem os equipamentos bélicos com que fazem a sua guerra.
É por isso que será longa esta guerra, são centenas de milhares ou milhões os afectados por toda esta bagunça, a Síria não passa já de um montão de escombros e alguns lugares na Europa se tornaram em enormes campos de refugiados ou de escorraçados, não sei bem.
Quanto acordará o mundo deste pesadelo indigno de seres humanos? 
Quando será este o mundo da PAZ pela qual tantos aspiram em vez de ser o mundo assustado que é, tanto que uma simples mala esquecida na zona de Entrecampos perturbou, hoje, a vida de Lisboa ao longo de horas. 
Porque o medo está já por todo o lado.