ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 2 de abril de 2016

OS CUIDADOS QUE FALTAM E A DOR QUE CAUSAM



A notícia de que “o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) considerou hoje que o último Relatório de Segurança Interna (RASI) confirma que Portugal "continua a ser um país seguro" comparado com outros países da Europa e do mundo” (Notícias ao Minuto), em vez de me sossegar deixa-me preocupado.
Todos sabemos como funciona o terrorismo que se esconde no meio de populações que usam como escudo para que possam preparar, sem levantar suspeitas, os seus actos de agressão, nos quais pessoas inocentes, precisamente as que sem se dar conta o encobrem, serão as principais vítimas.
Nos recentes atentados de Bruxelas que, conforme consta, a pouca atenção dada pelas autoridades belgas a avisos que lhe foram feitos não permitiu evitar, foi num apartamento alugado por alguém que deu um nome português que os explosivos usados nas bombas que mataram tanta gente inocente foram preparados.
Em primeiro lugar a falta de cuidado no acto de alugar, depois o facto de o vizinho do andar de baixo, esse português de facto, ter tentado saber o que se passava no andar de cima de onde escorreram líquidos que inundaram o seu, mas acabou por não se dar conta de nada e não estranhou os fortes cheiros impróprios de uma habitação nem o tempo excessivo para lhe abrirem a porta, só podem dar lugar uma enorme sensação de insegurança que a falta de atenção, de informação e descuidos sucessivos podem provocar!
Por isso jamais haverá segurança enquanto as populações forem o escudo inconsciente e descuidado que encobre o terrorismo, em vez de serem o vigilante atento que o desmascara.
A informação sobre a realidade e a preparação para reconhecer as situações de potencial perigo, deveria fazer parte das funções dos que têm a seu cargo a segurança do país contra o terrorismo que o pode atacar.
É por isso que ouvir afirmar a segurança de um país onde nenhum de nós faz ideia ou se preocupa com o que se passa à sua volta, apenas me pode deixar preocupado.
Mas quando algo acontecer, então todos ficaremos sabendo!


quarta-feira, 30 de março de 2016

É POSSÍVEL SER SANTO NO INFERNO?



Não conheço, naturalmente, aspectos importantes da política brasileira nem de todas as questões que deram origem a uma situação que profundamente lamento, pelo que tomar partido por uma facção ou por outra seria, simplesmente, um preconceito.
Mas, pelas notícias que me chegam, não me é possível ficar indiferente ao que se passa nesse enorme país, em terras que Pedro Álvares Cabral descobriu e Portugal organizou como território com personalidade própria.
Mas são demasiados os escândalos que se sucedem a um ritmo louco e enchem, como dizem, os bolsos de tantos daqueles que os brasileiros escolheram para os governar, fazer as leis por que se regem ou para controlar o governo e defender os seus interesses.
Jamais vi alguém caminhar à chuva sem se molhar ou através do fogo sem se queimar.
Então como entender o “mensalão” de que Lula se não deu conta enquanto governava ou o “lava jato” que Dilma nem saberá o que seja, mesmo que tudo se passe debaixo das suas “barbas”?
Não serei eu, por certo, quem condenará este ou aquele, mas quando a maioria dos brasileiros quer colocar um ponto final numa situação que, segundo li, o ministro do Supremo Tribunal Federal considera de corrupção generalizada e, sobretudo, quando Lula se pretende refugiar no governo para evitar a investigação de que era alvo porque, diz o povo, “quem não deve, não teme”, apetece-me perguntar se é possível ser santo no inferno!

O IRMÃO FIDEL…



Ainda me lembro daquela situação deplorável de Cuba no tempo em que Fulgêncio Baptista era o ditador e do dia 1 de Janeiro de 1959, quando ele foi deposto pelo Movimento 26 de Julho liderado pelo galego Fidel Castro.
Depois disso, longos tempos de dificuldades os cubanos já viveram, provocados por muitas tropelias em que se incluem a dependência que aceitou em relação à ex-União Soviética que poderia ter provocado a 3ª guerra mundial quando aconteceu a crise dos mísseis que ali estavam a ser instalados para atacar os Estados Unidos. Depois, o bloqueio que, em consequência, os americanos montaram.
Um regime que provocou refugiados, divisões de famílias e uma situação de submissão total que os intermináveis discursos de Fidel provocava, foram algumas das nefastas consequências.
Tenho agora a esperança de poder ver, ainda na minha vida, o fim de um processo deplorável que tornou miserável a maioria dos cubanos cujo nível de vida é dos mais baixos do mundo.
Lamento que um Fidel já decrépito e fora do processo que pode retirar Cuba do isolacionismo que tem vivido, com todas as más consequências que acarreta, rejeite esta aproximação com a sobranceria que recusa a mão que se estende a um povo que dela muito precisa urgentemente. A mão de todo o mundo.
Sentirá ele, a quem nada falta nem alguma vez faltou, as mesmas dores dos que ele catequizou com os discursos de ódio aos americanos que debitou milhares de vezes?
Não sente com certeza e, por isso, afirma que “os cubanos rejeitam as dádivas do Império”!
E o que diz o povo?
Os mais velhos que ele tão bem catequizou, alguns por uma tola convicção e outros pelo medo que ainda sentem pelo não alinhamento obrigatório com as ideias do grande chefe, podem apoiar a tese intolerante e isolacionista do “El Comandante”, mas os jovens, aqueles para quem o futuro é o mais importante, já se não coíbem de denunciar um regime que foi de terror, de práticas que foram desumanas, de uma vida que é dura e complicada e, preferem, claramente, a convivência pacífica e frutuosa que a regularização das relações entre os dois países trará.
E faria algum sentido se não fosse assim?

segunda-feira, 28 de março de 2016

ESCOLHEMOS NÓS OU O DIABO?



Ouvi Francisco Louçã louvar a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa de promulgar o Orçamento de Estado (OE) do Governo de António Costa, apesar dos riscos que comporta, os quais reconhece existirem, interpretando-a como um acto que desilude os que, em vez disso, esperariam uma crise que nos levasse a eleições a curto prazo.
Não me pareceria sensato que, dadas as circunstâncias, o não promulgasse e, talvez por isso, a recente afirmação do próprio Presidente de que o faria não tenha surpreendido ninguém.
Mais do que isso, Louçã considera esta decisão como um passo que define uma linha política da qual ao Presidente será difícil afastar-se no futuro, como se a ele ficasse amarrado para o resto do mandato porque, como afirma, “o passo seguinte depende do anterior”.
Mesmo discordando de que tal passo seja como aquele que define o caminho de que a burrice nunca se afasta ou a impossibilidade de, perante um erro que se detecta, voltar atrás, o que mais me sensibilizou nas declarações de Louçã foi a desvalorização de serem os riscos do OE “apenas” decorrentes de circunstâncias externas, como uma crise na China ou em outro lado qualquer.
O facto preocupante é a crise na China ser já uma realidade no decréscimo profundo do seu crescimento económico e em outras perturbações que se receiam a curto prazo, para além do que se passa nas economias de países do grupo das famosas e tão louvadas “economias emergentes”, tradicionais clientes de produtos portugueses como o são o Brasil e Angola, serem uma realidade  cujos efeitos são já evidentes.
E eu pergunto-me como um OE como o nosso, insignificante perante uma economia global em sérias dificuldades, pode basear-se em previsões optimistas que conduzem à previsão de um resultado que as que se fazem para o resto do mundo não corroboram.
Então, de que valerá esta ilusão de um futuro que poucas hipóteses tem de ser feliz? Vamos mantê-la até que, por si mesmo, se desfaça ou esperar o milagre de que tudo corra bem?
Não sou dos que baseiam as suas previsões soluções milagrosas, pois prefiro o pessimismo que permita prever e evitar os males que possam acontecer.

MUDAR DE DISCO



Como tantas vezes já disse, a “economia” não é uma “ciência” que eu domine. E nem sequer me convence.
Talvez seja melhor dizer que a economia me parece desajustada da realidade, com teorias e técnicas que se não adaptam já às condições em que vivemos.
Desde Smith, Keynes e outros, diversos foram os que contribuíram para o desenvolvimento de técnicas que hoje se revelam inócuas, incapazes de resolver os problemas que era suposto resolverem.
Talvez por isso, há mais de 10 anos que uns aconselham que se faça assim, enquanto outros dizem ser melhor de um outro modo qualquer e até “Prémios Nobel” dão palpites que não resultam nesta economia global que se mantém à deriva.
Onde está aquele polo vigoroso do Pacífico que substituiria o do Atlântico? Onde estão aquelas poderosas economias emergentes que iriam dominar o mundo e já se tinham fortalecido ao ponto de só um enorme cataclismo as poder deitar abaixo? Onde está a riqueza que iria acabar com a pobreza?
Onde está aquela economia próspera que todos esperam?
De vez em quando lá vem um que julga ter descoberto a pólvora e faz um foguete que acaba a rebentar-lhe nas mãos.
O que vale é que haverá sempre quem imprima moeda e mais moeda e a ceda aos mercados ao preço da uva mijona ou até sem preço, como em sucessivas transfusões que jamais resolvem o problema de uma hemorragia que não estanca mais. E lá parece que o “doente” quer arrebitar, mas depressa se vai abaixo, de novo.
O dinheiro, por maior que seja a quantidade que lancem nos mercados, nunca chega para o que dizem ser preciso e, sejam quais forem os esforços desenvolvidos, os protestos continuam, por isto ou por aquilo.
Mas parece-me estranho que, com cada vez mais dinheiro em circulação, os produtores reclamem pelos baixos preços cada vez mais baixos que lhe pagam e não chegam para as despesas que têm, ameaçando não poder continuar com a produção, enquanto ali do lado nos chegam refugos de produções a preços tão absurdamente baixos que nem dariam para os transportar!
Mas os impostos disfarçados de um modo ou de outro vão crescendo e a vida vai atingindo um grau de dificuldade que as promessas incumpríveis que nos fazem já não disfarçam.
Ano após ano, o FMI ou outras entidades quaisquer, daquelas que controlam o mundo financeiro, revêem em baixa as contas que fazem para chegarem à conclusão de que este ano será pior, porque aquele crescimento que se esperava se tornou numa miragem.
Quando será que se convencem que terão de mudar de disco que ajuste a “economia” às condições reais que o tempo foi mudando?
Ou ainda não estarão convencidos de que as coisas mudaram?
Estamos fartos de austeridade. Mas quem sabe se não teremos de nos habituar à penúria!