ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

COM O QUE SE PREOCUPAM OS AMBIENTALISTAS?



É natural, na medida em que somos cada vez mais e, sobretudo, porque a economia não pára de querer crescer, que a actividade humana cada vez mais interfira nos processos naturais, nos quais pode provocar efeitos perigosos para o delicado equilíbrio que, neste momento da vida da Terra, permite a nossa existência.
As alterações ambientais provocadas pelo Homem estão a transformar o Planeta, os continentes e os oceanos, numa autêntica lixeira, ao mesmo tempo que destrói habitats e condições de ocupação do solo dos quais dependem fenómenos que interferem nas condições climáticas no mundo.
São fenómenos de grandes dimensões cujo controlo é cada vez mais difícil ou até já impossível em diversos casos.
A devastação de enormes áreas de floresta, seja pelo uso imoderado de madeira seja para recuperação de terras para criação de gado são um flagelo neste mundo cada vez mais massacrado por um modo de viver predador, daí resultando alterações cada vez mais profundas nos ciclos biológicos e na dinâmica atmosférica, fenómenos que acabarão por alterar profundamente as condições de vida.
Porque jamais serão os políticos ou os economistas a preocuparem-se com estas questões porque tal significaria abdicarem de si próprios, dos princípios e das elaboras teorias que criaram, esperaria eu que os ambientalistas o fizessem na dimensão que a necessidade e a urgência de soluções impõe.
Em todo o mundo apenas o Movimento Greenpeace rema contra a maré, agora já um tsunami que ameaça destruir o habitat humano.
Os outros não passam de oportunistas que se servem de causas da maior importância para o Homem para, depois, se envolverem na política onde justificam, com avulsas e raras pequenas causas, a sua permanência.
Quem já os ouviu abordar os graves problemas ambientais que podem por em risco a própria Humanidade?
Porventura nem os conhecem tão embrenhados estão em outras causas às quais aderiram para lhes disfarçar um pouco a cor!
Pescar, surfar, estar na praia, além de várias outras actividades que pressuporiam limpeza, são cada vez mais feitas no meio do lixo!
É este o mundo para que caminhamos?

 

terça-feira, 17 de maio de 2016

E COMO DIRIA LA PALISSE…



Na sua participação na Conferência sobre o futuro do Sector Bancário, o Presidente da República considerou que, a manter-se, o impacto da actual conjuntura externa nas exportações portuguesas, pode afectar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 e, em consequência, obrigar à revisão das previsões económicas.
Será um recado que me soa ao tal “plano B” tão falado mas sempre desmentido ou o acordar para a realidade que a vivência das coisas provoca, depois dos sonhos que a imaginação viveu?
Seja o que for, não passa de uma afirmação digna de La Palisse no melhor da sua fama de pensador de evidências.
Só os distraídos não sabiam que a “conjuntura mundial”, aquela que faz a crise permanecer apesar dos enormes esforços para a esconder, não apenas se manteria como, pior do que isso, se agravaria e, assim, as “contas” optimistas de Centeno não passariam de um exercício de faz de conta que tudo vai correr pelo melhor, que a recuperação da economia europeia e mundial aconteceria e nos arrastaria consigo!
Mas tal não acontece e o fim do túnel ainda está tão longe que a luzinha que, de vez em quando, se diz estar já a vista, não passa de uma miragem.
Aliás, os conhecedores da realidade deste mundo finito em que vivemos alertam, há muito, que uma mudança drástica terá de acontecer para evitar o descalabro que nos ameaça.
Marcelo disse, ainda, que "a economia portuguesa está a proceder a uma reconversão particularmente atenta às exportações, mas que é uma reconversão necessariamente dependente dos mercados de destino". Mercados que têm os mesmos motivos para se adaptarem às novas condições que as podem fazer sair da crise que, tal como nós, também vivem. 
Então, estamos a preparar-nos para que?
Sabe Marcelo, com certeza, que qualquer transformação requer muito tempo para se fazer, que é um fenómeno excessivamente lento perante a rapidez das alterações ambientais que acontecem e vão obrigar a adaptações, por vezes dolorosas, do nosso modo de viver.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

A LÓGICA DO PENSAMENTO CURTO



Podemos fazer as contas que quisermos, os orçamentos que mais jeito derem ou prometer as benesses que conquistem mais votos porque de nada vale, nada dará certo sem levar em conta os efeitos das alterações climáticas cuja realidade já não se discute.
O tempo é já o de fazer contas sobre o que significarão as alterações já tão evidentes, até onde elas irão enquanto os políticos e os economistas continuam a pensar que não se passa nada, que as alterações visíveis são coisa passageira, com a qual não vale a pena ter grandes preocupações. Contam que haverá, por certo, uma solução qualquer como sempre houve no passado.
E por que não há-de haver se já houve? É a lógica do pensamento curto que leva a pensar que num copo cheio ainda cabe mais uma gota. Mas não cabe!
Modifica-se o tempo, perdem-se colheitas, ilhas ficam submersas, as cheias e as secas tornam-se mais frequentes, a fauna e a flora sofrem duros efeitos e, para não morrerem, tentam adaptar-se a novas condições de clima que parecem variar com uma rapidez não esperada porque os aumentos de temperatura média global se aproximam perigosamente dos que não quereríamos exceder até ao final do século.
Os registos feitos mostram, em termos de média global, que o mês de Abril último foi o mais quente desde que há registos comparáveis.
Os cientistas começam a falar em clima de emergência e afirmam não haver tecnologia que arrefeça o Planeta sobreaquecido.
Entretanto, os governos continuam alheios a tão terrível problema que não influencia os seus projectos políticos.
Quem tomará, então, as providências que atenuem o rápido decréscimo de qualidade de vida nesta Terra que sobreexplorámos e vamos deixar exaurida aos nossos descendentes?

sábado, 14 de maio de 2016

A REVOLTA DA NATUREZA



Na conferência de abertura do 10.º Literatura em Viagem (LeV), no salão nobre da Câmara Municipal de Matosinhos, Pacheco Pereira abordou, entre outros temas, a questão da linguagem 'orwelliana' (decerto leu “O triunfo dos porcos de George Orwell) para lembrar que "quem controla a linguagem controla o poder".
Por isso afirmou, diz a notícia que li, que “a ideia de “ajustamento” tem um lado filosófico subjacente de uma perspectiva “orwelliana” que pretende dizer que é possível voltar a um estado natural da economia que é a pobreza”!
É possível, digo eu que não sou historiador, não tenho 5 km de biblioteca e sinto mais o gosto de olhar para a frente tentando descobrir aonde o passado que vivemos nos poderá conduzir, não apenas pela linguagem que, naturalmente, deve ser adaptada às circunstâncias para que faça sentido, mas por uma realidade natural que temos tentado controlar sem, contudo, alguma vez a conseguirmos dominar.
É certo que passo mais tempo a pensar do que a ler que é mais fácil desde que, na escola, me ensinaram como se fazia.
A pensar é que nunca alguém me ensinou.
Não desdenho a importância do que se aprende quando se lê, desde que não esqueçamos de que é passado que o futuro não repete. Mas, sobretudo, realço o que somos obrigados a pensar quando lemos ou ouvimos, se é que lhe prestámos uma verdadeira atenção.
Retive desta conferência de Pacheco Pereira a ideia de “ajustamento” que, pretende o historiador, será um modo de dizer que é possível voltar a um estado natural da economia que é a “pobreza”.
Quanto ao “ajustamento” que Pacheco Pereira toma por uma novidade “orwelliana” de domínio do poder pela linguagem, porventura substituindo a “austeridade”, creio que o historiador não encontrou nos seus livros nada que lhe dê uma ideia, pálida que seja, de como ele se tornou necessário depois das tropelias que o “crescimento económico” fez, tentando alterar a Natureza cujas mudanças, historicamente lentas, acelerou ao ponto de o Homem se não entender mais com as alterações bruscas que provocou.
Diz Pacheco Pereira que o “ajustamento” será o regresso à economia natural que é pobreza!
Eu não diria isso do “ajustamento” que as circunstâncias nos impõem depois de termos tentado dar um passo bem maior do que a perna que temos.
Diria que é uma imposição da própria Natureza de que somos uma ínfima parte e que jamais dominaremos pelos pecados que, contra ela, sem pudor temos cometido.
A sua “revolta” está aí para nos dizer como são as coisas e qual é o caminho que apenas será de pobreza se a inteligência nos continuar a faltar ou, o que é o mesmo, a estupidez nos continuar a conduzir para uma luta que jamais venceremos.
Mas creio que estará para breve a maior descoberta de todos os tempos, a de que é de todos o barco em que viajamos e, por isso, convém não o afundar na tempestade que criamos e na qual nem o mais hábil nadador se salvará.
É por isso que se torna indispensável “ajustar” o nosso modo de viver ao que o barco pode aguentar.
Faltou falar da pobreza, do que, de facto, ela é. Mas já vai longo o escrito. Ficará para outra vez.
Mas adianto, desde já, que o empobrecimento não é, necessariamente, o destino porque tenho a esperança de um dia entenderemos o que é o socialismo, a fraternidade.



sexta-feira, 13 de maio de 2016

O PLANO B



Antes de mais afirmo, com a convicção que uma longa experiência me deixou, que quem não tiver um plano B para qualquer projecto que pretenda realizar, desafia o destino, corre riscos sérios, pois nada que se planeie pode ser feito com mais rigor do que a nossa capacidade de prever o futuro nos consente. E não é muita essa capacidade de prever que imprevistos sempre atrapalham as previsões que fizémos.
O futuro prepara-se com base no passado, com a experiência que ele nos deu, atendendo às alterações que mudanças próprias do tempo sempre acarretam, além dos tais imprevistos que, obviamente, se não podem prever. Mas que se deve considerar que aconteçam!
Futurologia é, pois, o que quem planeie o futuro terá de fazer, porque os parâmetros a considerar são numerosos, nem sempre bem conhecidos ou, sequer, conhecidos e, por isso, as alternativas a considerar são inúmeras e complexas, muitas delas sem critérios de avaliação definidos.
É por isso que, ao planear, é habitual considerar, para além da mais provável, as hipóteses optimista e pessimista que, supostamente, serão os limites entre os quais a realidade futura se poderá situar.
E, mesmo assim, quem o pode garantir?
Apesar do curto prazo de um Orçamento de Estado, apenas um ano, podem não ser assim tão poucas as incertezas que não consentem as garantias que, politicamente, ele pretende dar.
Serão tantas mais quanto mais agitado estiver o mundo e, com isso, mais forem os parâmetros a considerar nas contas que se façam e mais prováveis os imprevistos.
Então como não ter um plano B, ou diversos até, consoante os níveis de incerteza com que as decisões tomadas se defrontem?
Um pouco de atenção e notaremos os “ajustamentos” já feitos a tantas certezas que nos deram, como se esfumaram garantias, como ficam, a cada dia que passa, mais frágeis as certezas que obrigam a desviar o caminho.
É assim e sempre foi assim. Mas agora cada vez mais.
Por isso são cada vez mais sofisticadas as mentiras com que se tenta encobrir o que não passa de ser natural, porque a política o não é e cada vez menos o será.
Por isso é evidente que existe o Plano B, tantos planos B quantas as necessidades de ajustar as “contas” à realidade.
Não se deixem levar na “cantiga” da infalibilidade das contas sejam de quem for e vão prestando atenção aos impostos que, de forma cada vez mais subtil, vamos pagando, como tudo vai ficando mais caro dia a dia, como a contenção a que chamam austeridade vai passando de necessária a inevitável, como tudo, pouco a pouco, vai ficando diferente.