ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

EU, EUROCÉPTICO?



Desta vez são as possíveis sanções que o Eurogrupo entende deverem ser aplicadas a Portugal por défice excessivo em 2015 em consequência da polémica questão do Banif, é a possível saída da Gran Bretanha da União Europeia deixando-a amputada de um dos seus mais importantes membros, é a crise dos imigrantes que a invadem às centenas de milhares e são barrados com autênticas muralhas, daquelas que Trump quer construir na fronteira com o México, para além de todos os problemas com que a Europa nasceu e foi ampliando em sucessivos tratados em que não cuidou, como devia, de aspectos que, para uma união de facto, seriam essenciais.
Parece-me que os países menores e mais fracos estão a ser delapidados, destruídos por regras que nunca foram as suas, criando hábitos que os seus meios nunca lhe haviam permitido ter.
A Europa parece um batalhão desarticulado onde coxos tentam acompanhar gente ainda escorreita que mais os não ajuda do que fingindo dar-lhes a mão.
Serei eu um eurocéptico autêntico, alguém que não acredita mesmo na capacidade de a Europa para se unir, pelo menos do modo como os “fundadores” o sonharam, para formar um bloco de dimensão que possa enfrentar os “monstros” económicos que se iam criando e outros perigos que contra si se geram?
Poderá ser uma realidade uma Europa que não consegue resolver problemas individuais nem colectivos porque também nunca se mostrou capaz de, alguma vez, criar uma vontade única perante uma questão que se lhe coloque?
Entendo que não é fácil vergar personalidades fortes como as que guerras ferozes moldaram e tornaram a Europa na manta de retalhos que é, muito menos o sendo quando persistem desigualdades que, em vez de se esbaterem, se ampliam e, como todos notamos também, continua a haver quem manda e a quem não reste mais do que obedecer. Será como que um "confessionário" onde os líderes fracos vão procurar permissão para soluções que deviam discutir com aqueles a quem vão afectar?
E Portugal sofrerá ou não sanções conforme a Srª Merkel o entender.
Esta Europa, prenhe de problemas enormes que não consegue resolver, com membros que começam a procurar fora dela a solução para problemas que dentro dela deveriam resolver, com membros que colocam em causa o interesse de a ela pertencerem, talvez deva ser repensada para ser mais um conjunto de “bons amigos” do que para ser a “família” que, de todo, não consegue ser.
Senão, digam-me lá se não teve a União Europeia já tempo bastante para ser melhor do que é se sê-lo fosse a verdadeira intenção. Afinal, a União Europeia não é nada e menos ainda é quando continuam a ser possíveis a manigâncias que permitem às empresas criar sedes no país que mais lhes convier para pagar menos impostos naquele onde trabalham e geram os seus proveitos.
Obviamente, não me parece que seja fácil desfazer o novelo que tanta manobra estranha tornou um monstro. Mas mais difícil será quanto mais tempo passarmos nestes equívocos que nos criarão problemas sucessivamente maiores.
O que explicará que, numa Europa Unida, a Escócia lute pela sua total independência de Inglaterra, a Catalunha e o País Basco queiram libertar-se do jugo que Castela lhe impôs com os reis católicos, porque tem a Bélgica tanta dificuldade em ser um país, além de tantas outras fricções latentes resultantes de subjugações de outrora?
Não me parece que alguma coisa se resolva sem repensar a Europa até que todos os povos que nela habitam se sintam felizes, com a sua personalidade respeitada e os seus interesses fundamentais salvaguardados.
Creio que o tempo perdido, as incapacidades demonstradas e os autênticos insucessos já alcançados, criarão cada vez mais eurocépticos, aqueles que vão deixando de acreditar em “geringonças”, porque o mundo se está transformando num enorme problema que os burocratas, afinal, não resolvem.
São cada vez maiores os problemas com que a Europa e até o mundo inteiro se não entendem!


  

quinta-feira, 16 de junho de 2016

UM MUNDO DESEQUILIBRADO E UM PORTUGAL FALIDO




A observação geral do mapa-mundi ali ao lado, mostra os profundos desequilíbrios deste mundo em que vivemos, reflectidos nas enormes carências em vastas áreas do mundo, traduzidas em “pegadas ecológicas” muito pequenas, em comparação com outras, bem menos extensas, onde é consumida a maior parte dos recursos da Terra, mesmo daqueles que já não consegue repor em consequência do enorme défice ecológico global já existente.
No gráfico inferior tornam-se ainda mais evidentes as diferenças regionais que colocam acima do valor médio da pegada ecológica mundial (2,23) apenas os Estados Unidos, o Canadá e a Europa, conjunto a que corresponderá pouco mais de um quinto da população mundial.
É, pois, um mundo muito desequilibrado este nosso e bem sabemos como os desequilíbrios sempre tendem a acentuar-se em vez de se esbaterem.
Como será possível evitar as consequências que de tal, inevitavelmente, resultarão? Ou será que elas já se fazem sentir nas cada vez mais numerosas migrações que procuram as migalhas que caem da mesa dos que comem demais e tão incomodados já se sentem com elas?
Além do mais não acredito que seja possível, sem urgentes e drásticas medidas, evitar o colapso a que o acréscimo acelerado do défice ecológico conduzirá a economia mundial.
De facto, enquanto a área do Planeta ecologicamente produtiva, disponível para cada habitante, tem vindo a diminuir, sendo hoje de apenas 1,8 hag/pessoa, inferior à pegada ecológica média no mundo, esta tem vindo a crescer exponencialmente nos países industrializados, enquanto decresce nas extensas áreas do mundo pobre.
Quanto ao caso de Portugal, a situação é de molde a deixar-nos muito preocupados, não vendo eu como encontrar soluções que não representem sacrifícios enormes para a equilibrar.
Na figura ao lado vemos como a já elevada pegada ecológica de Portugal, muito mais elevada ficou depois do 25 de Abril, chegando a atingir 5 hag per capita que, após um já longo período de austeridade, se situa num valor próximo de 4,3, um pouco abaixo da média da UE, o que, mesmo assim, significa que consumimos mais de 2,5 vezes os recursos que conseguimos renovar!
É, pois, uma situação insustentável, não se compreendendo a euforia dos novos senhores que prometeram o regresso ao passado de abundância que jamais será possível.
Há soluções mas que não são as que os políticos capitalistas (todos os políticos) estão a procurar e que, pelos vistos nos conduzirá ao inferno exactamente onde esperaríamos encontrar o paraíso!

 
  

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O MEU “LADRÃO” É MELHOR DO QUE O TEU…



(reprodução a partir do FB, sem indicação de autor)

Afinal não é só o Brasil que se vê na eminência de ter de escolher entre quem menos danos lhe causa ou, dizendo de outro modo, não é apenas o povo brasileiro tem de escolher entre quem lhe custa menos caro!
Por cá, mesmo sem termos chegado a níveis tão “requintados” que a riqueza que temos nem consentiria, as coisas começam a ficar complicadas também e, como tantas vezes se diz, “ a cada cavadela… minhocas” ou, como  o povo diz também, “quem não rouba nem herda…” como pode ficar rico em tão pouco tempo como alguns ficam?
E são já muitos os ricos em Portugal, um país que talvez seja aquele que inspirou quem, um dia, disse que “em terra de cegos quem tem olhos é rei”, pois andam muitos espertalhões por aí. É o que se ouve e o que se lê do que investigam aqueles que procuram a verdade.
Vi, há pouco, numa dessas rondas que faço pelo Face Book e a propósito do imenso crédito mal parado na CGD que, como se diz também, generosos créditos a "amigos" deixaram em condições precárias, o cartaz que está lá mais acima.
Não me vou perder nas razões de ser de tal piada, não a critico nem a apoio, mas chocou-me a observação que alguém a quem ela, por certo, não agradou, em seguida faz “Porque o Coelho, o Cavaco, o Portas que roubaram todo o Pais ainda não confessaram, porque ?”.
Parece-me o reconhecimento da mensagem do cartaz, ao mesmo tempo que parece exigir outro idêntico mas de outra cor…
Será este o caminho que devemos tentar percorrer ou será olhar bem para as coisas, para os problemas que enfrentamos e tentar encontrar soluções para eles? Falta cada vez mais o tempo para sairmos deste enredo que nos está a conduzir a um buraco imenso de meios e de credibilidade.
Quanto à Caixa nem preciso de revelar a minha opinião porque o Governo que diz já ter encontrado uma solução que “finta” o BCE, não deixará de mandar fazer a investigação que se impõe, ainda que sejamos sempre os mesmos a pagar.


A ECONOMIA DO VÍCIO



(Fonte: WWF)

Utilizado pela primeira vez pelo ecologista canadiano William Rees em 1992, o conceito “pegada ecológica” global significa, em superfície, a quantidade de terra e de água necessária para sustentar as gerações atuais, considerando os recursos naturais, materiais e energéticos, gastos por todos os seres humanos na sua alimentação, habitação, vestuários, transportes, educação, saúde, tempos livres e tudo o mais de que, na sua totalidade, necessita ou exige, por unidade de tempo.
Obviamente, cada ser humano tem a sua própria “pegada”, com uma grande diferença entre a dos que têm nível de vida que lhes permite utilizar recursos em excesso, como lho solicita esta economia alimentada pelo vício de consumir, e a dos que, sem recursos, passam dias sem se alimentar e, para beber, percorrem enormes distâncias para encontrar água que nem para lavar os pés teria qualidade. Deste conjunto de “pegadas” tão diferentes, uma “pegada ecológica média” pode ser calculada.
A “pegada” varia, também, de região para região, de família para família, de comunidade para comunidade, com valores tão distintos como os encontrados nas pegadas individuais.
O controlo da “pegada ecológica” permite avaliar a sustentabilidade do nosso modo de viver e a conclusão que tiramos do modo como utilizamos a biocapacidade da Terra, não nos pode deixar tranquilos.
O quadro apresentado mostra a evolução da pegada ecológica global entre 1961 e 2007, verificando-se que mais do que duplicou neste intervalo de tempo.
Enquanto a capacidade productiva da terra não vai além de 1,8 hectares globais(1) por pessoa, a pegada ecológica média atingiu, em 2007, 2,7 hectares globais, o que significa que consumimos mais 50% do que é a capacidade natural de recuperação dos recursos do Planeta!
O cálculo da “pegada ecológica” não é simples e há que não esquecer que nem todos os recursos têm o mesmo ciclo de recuperação, havendo ciclos tão longos que aos respectivos recursos naturais chamamos “não renováveis” como é, por exemplo, o caso dos hidrocarbonetos que constituem a reserva de milhões de anos de energia solar recebida pela Terra.
A Terra está já, pois, em sobrecarga ecológica que, se este modo de vida continuar, aumentará de tal modo que, em 2030 (daqui a 15 anos apenas!) necessitaremos do equivalente a 2 Planetas para satisfazer as nossas exigências ou, dito de outro modo, a Terra necessitará de dois anos para recuperar o que consumimos em apenas 1.
Insisto nas diferenças entre os ditos países desenvolvidos e os demais que, é fácil deduzir, tendem a ser cada vez maiores, com consequências sobre as quais não vejo os políticos reflectir.
Antes do último resgate financeiro, era de 4,5 hectares globais (!) a pegada ecológica média em Portugal, a qual decresceu até à média europeia em consequência da “austeridade” que lhe foi imposta, isto é, sem medidas que optimizem processos de produção, disciplinem hábitos de consumo ou por substituição de origens energéticas.
Há conclusões que devem ser tiradas desta realidade medonha.
Mas a crónica vai longa e convirá faze-lo com mais calma e cuidado.
Fica para outra vez.
(1) 1 hectare global, (hag) é uma unidade de medida empregada para quantificar a biocapacidade do planeta. Um hectare global é a média da bioproductividad de todos os hectares considerados "produtivos" na Terra. Não são considerados, pois, desertos, glaciares, alto mar, restando as áreas de terra e de água susceptíveis de produzir recursos utilizáveis.


terça-feira, 14 de junho de 2016

PODERÁ A HUMANIDADE EXPANDIR-SE PARA OUTROS PLANETAS?



Foi na segunda metade do Século XIX, quando a Revolução Industrial iniciada em Inglaterra, um século antes, se expandia para e Europa Central que as preocupações com a capacidade de suporte do Planeta começaram, porque se comparou o aumento populacional a que a primeira revolução da Humanidade, a agricultura, havia conduzido, com o acelerado crescimento que, então, se verificava, depois da Revolução Industrial na Inglaterra.
No início do Século XVIII a população mundial não ultrapassaria mil milhões de habitantes, cerca de cinco vezes a existente no já longínquo tempo de Cristo, sendo que no seu final se aproximava já dos dois mil milhões!
O crescimento populacional tornou-se um problema que levou a pensar qual seria a “capacidade de suporte do Planeta”, conceito que correspondia a saber qual seria o número máximo de habitantes a que os recursos naturais poderiam proporcionar uma adequada satisfação das suas necessidades básicas.
Entre uns moderados seis mil milhões e os 42 mil milhões que alguns cientistas estimaram, outros afirmaram ser esta uma falsa questão porque “antes de esgotada a capacidade da terra já a Humanidade se teria instalado em outros planetas que, entretanto, descobriria.
Hoje, com pouco mais de sete mil milhões que resultam da mais do que triplicação da população ao longo de apenas mais um século, considerada a degradada situação ambiental que a actividade humana causou no planeta Planeta reduzindo a sua capacidade de suporte inicial, verificamos como era estulto o optimismo dos que julgavam quase infinita a capacidade da Terra e notamos que já regride a população em algumas regiões do Globo, as que correspondem à metade mais “desenvolvida” e cuja diferença para a metade não desenvolvida corresponde à diferença entre o sobre-consumo de que a economia necessita para se manter e a escassez de alimentos e de água de que cada vez mais resultarão carências e doenças que matarão precocemente as suas populações.
Depois de insistentes mas pouco ou nada profícuas procuras de vida, mesmo primária, ou de condições de habitabilidade em outros planetas do nosso sistema solar, é muito recente, já do Século XXI, a descoberta de planetas mais distantes, fora do nosso sistema solar, com condições que nos podem levar a considera-los simplesmente  “potencialmente habitáveis”.
É notícia actual que acaba de ser descoberto mais um exoplaneta, o Kepler 1647b, o maior de todos os já conhecidos, o qual orbita em torno de duas estrelas e a uma distância delas que o torna “potencialmente habitável”.
Com uma idade geológica sensivelmente igual à da Terra e um tamanho semelhante ao de Júpiter, o Kepler 1647b encontra-se a 3.700 anos-luz de distância da Terra o que, correspondendo 1 ano-luz a cerca de 9,4 biliões (milhões de milhões) quilómetros, o coloca fora do alcance razoável para se tornar solução numa emergência.
Outros menos distantes estão, mesmo assim, demasiadamente longínquos para o mesmo fim num prazo útil que, a cada dia que passa, se torna menor.
Pessoalmente não creio, de todo, que a colonização de outros planetas constitua a solução em que alguns ainda acreditam, mas ainda acredito que, muito brevemente, o Homem despertará para a realidade e reagirá à situação que criou e poderá adaptar o seu modo de vida às condições naturais que o seu Planeta lhe pode proporcionar as quais, por mais que o deseje, não pode alterar.
O recente conceito de “pegada ecológica” permitir-nos-á uma reflexão mais compreensível da sobrevivência da Humanidade. Fá-la-emos mais tarde.