ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO



Desde há muitos anos, dezenas de anos que, tal como outros obviamente, me bato pelo ordenamento territorial como uma base sólida de desenvolvimento. Direi mesmo como o único modo de desenvolver realmente um país ou uma região.
Notei, ao longo do tempo, uma ou outra preocupação nesse sentido mas nenhuma delas teve sucesso, apesar dos estudos evoluídos que, num dos casos, se fizeram e nos quais até participei para, logo de seguida, serem ignorados.
Havia outras preocupações “revolucionárias”.
Poderia ter sido retomado depois. Mas não foi porque outras preocupações e interesses continuaram a sobrepor-se.
Vi o Partido Social Democrata desenvolver estudos e promover eventos sobre “regionalização” de que resultou um “Livro Branco” que a considerava como essencial para o desenvolvimento do país.
O livro branco, talvez pela cor, passou despercebido e até mudou de côr quando os que promoviam a regionalização a esconjuraram e passou o Partido Socialista a ser o seu grande defensor, ao ponto de promover um referendo ridículo, tanto pelas propostas feitas como pelas razões com que foram atacadas.
A proposta socialista fora elaborada numa noite mal dormida, conforme o afirmou o seu autor, e era um verdadeiro desastre! Um improviso sem razões de ser, só o podia ser, naturalmente.
Nos ataques que sofreu a proposta, jamais se ouviram críticas à sua “qualidade” mas apenas razões que demonstraram a enorme hipocrisia dos que imaginaram argumentos fantásticos para que as verdadeiras razões se não notassem.
Depois, a regionalização que a própria Constituição impõe, caiu outra vez no esquecimento e faz-me pena que, em vez dela, não tenham sido outras coisas as esquecidas.
Agora, por causa deste horror que é a vaga de incêndios florestais, o Senhor Presidente da República descobriu a poção mágica que evitará que tal volte a acontecer no futuro: quer o ordenamento territorial repensado!
É o “repensado” que me faz pensar, tentando descobrir o seu significado. Mas seria uma longa e inútil divagação pegar, agora, neste aspecto…
Prefiro imaginar que sabe Sua Excelência o que seja o “ordenamento”, para que serve e quanta informação é necessário trabalhar para poder tomar decisões ajustadas às circunstâncias, porque não existe um manual que diga como ordenar um território nem uma roleta que decida com que objectivos se fará.
Não me apetece entrar em críticas particulares e, por isso, não as faço, nem seria capaz de fazer todas as que a situação merece.
Limitar-me-ei a dizer que o “ordenamento do território” é algo de muito complexo que exige ter definido um objectivo principal ou mesmo um conjunto de objectivos coordenados, ao que seguirá a recolha e análise da informação necessária aos estudos laboriosos que se seguiriam para, finalmente, ordenar.
Além disto, será o Presidente, ou seja quem for, capaz de enfrentar e anular os interesses que se opõem a tal desígnio de por a casa em ordem? Sinceramente, duvido que a bagunça democrática que criámos, em vez da democracia de que necessitávamos, alguma vez o consinta.
Muita coisa escrita sobre o assunto, existe. O que foi feito é que é pior…
E, até não sei que dia em que as coisas terão fatalmente de mudar, Portugal continuará o desarrumo que é, com todas as más consequências que daí decorrem. Até os incêndios florestais que, apesar do horror que são e das desgraças que acarretam nem chegam a ser a consequência pior dos problemas sérios que Portugal enfrenta.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

UM PAÍS DE TAGARELAS!



Obviamente que, hoje, o tema principal das conversas são os incêndios, as suas causas, a sua prevenção.
Ainda que, todos os anos aconteçam incêndios, este ano parece que se excedem todas as marcas e não será difícil imaginar que serão batidos todos os recordes. Talvez por ser ano de Jogos Olímpicos…
Uns colocam a tónica na falta de ordenamento florestal (eu diria que de todo o território), outros falam do modo leve como a Justiça analisa e castiga os criminosos incendiários, mas há muito mais em que pensar, muito mais que fazer se quisermos fazer uma frente mais eficaz aos incêndios florestais que, façamos o que fizermos, sempre podem acontecer.
Eu insisto em que se devem ter em conta as novas condições climatéricas a que as mudanças climáticas conduzem, como é preciso ter em conta as condições de poluição existentes e a ocupação do espaço que se não faz de modo cuidado.
Contudo, achei piada ao que, ainda há pouco, dizia o Presidente da República sobre o ordenamento do território, atitude e necessidade para a qual chamo a atenção há mais de 50 anos,
Mas também não acredito que seja já desta vez que as cabecinhas tontas começam a pensar, porque não estão habituadas!
Por isso Portugal continua um país desordenado, um país pobre que, por desleixo e por incompetência, desperdiça os seus recursos.
Não faz qualquer sentido que as coisas continuem desta maneira, que o país continue a ser administrado por incompetentes que nos aliciam pelo gosto que sentimos pelos confrontos e a quase aversão que sentimos pela reflexão sobre as questões que realmente interessam.
A política deixou de necessitar de palavras mas de acções que os políticos tradicionais desconhecem.
Por isso, continuamos a tagarelar, a dizer o que devemos fazer mas não fazemos!



TARDE PIASTE!



(os incêndios na Ilha da Madeira já colocam em risco o Funchal - foto DN)

Há quanto tempo estão os responsáveis políticos avisados da gravidade das consequências das alterações climáticas?
Saberão eles o que isto significa? Terão noção de que o último mês de Julho foi o mais quente dos últimos 80 anos e que Agosto está a ser ainda mais quente, ou os ares condicionados dos seus gabinetes não lhes permitem aperceber-se desta realidade, assim como de tantas outras das quais não fazem ideia, também?
Há muito tempo que os avisos surgiram e se multiplicaram mas, como sempre, os “inteligentes” da política, aqueles que sempre procuram fazer crer que é o que lhes convinha que fosse, esperam que a realidade que a Natureza determina se deixe levar nas suas falácias e acabe por pensar, ela própria, que as coisas não são como são mas como os políticos querem que sejam.
É a estultícia idiota levada aos píncaros da estupidez!
Apesar do que se passa e revela, nos mais variados aspectos, que as alterações em curso têm consequências graves que devem ser levadas a sério e, por isso, atempadamente prevenidas, preferem os políticos continuar a pensar que os problemas são os mesmos e as soluções também, habituados que ficaram de outros tempos em que  a Natureza podia “encaixar” os seus desmandos nos recursos generosos que proporcionava?
Não conseguem falar em mais do que “reestruturações” que se não fazem porque, nem sequer, dizem quais sejam aquelas que a prevenção do futuro exige.
Tornámo-nos numa sociedade em que as palavras são o único esforço que o Homem faz. Aprendeu com os políticos.
Há quanto tempo estão os responsáveis avisados de que os recursos iriam escassear e as tradicionais soluções de fuga para a frente deixariam de ser solução?
Os estudiosos que, há tanto tempo já, falaram dos “limites do crescimento”, do “choque do futuro” e de outras coisas, avisaram da vida complicada que teríamos se não mudássemos o rumo ao nosso modo de viver. 
Agora, os homens de Ciência, perante as consequências dos disparates que andámos a fazer e que confirmam os receios antes manifestados pelos estudiosos que os antecederam, já nem colocam de lado a hipótese do desaparecimento da Humanidade como simples espécie que, como tantas outras que já habitaram a Terra, desapareceram em consequência da degradação das condições ambientais de que necessita para se manter.
Não passarão estes estudiosos da terra e da Vida de meros idiotas que os políticos, na sua soberba ignorância desdenham?
O que será o próximo futuro da Humanidade se as mudanças que a “política” prepara não passam do refinamento das idiotices que temos vindo a fazer?
Em suma, perante a tragédia imensa que vivemos, será razoável um ministro dizer que se recusa a avaliar a prevenção de fogos em cima do joelho? Ou deveria dizer que ela acontece porque, antes, nem em cima do joelho a fez?

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O TERRÍVEL MAL DO VERÃO



E, como é costume, os incêndios florestais de Verão voltaram com toda a sua raiva que, hectare a hectare, destrói tudo o que encontra, coisas e vidas, a paz de quem se julgava seguro, o pouco que foi amealhado, para o resto dos dias, ao longo de toda uma vida.
São espectáculos de horror e de desespero todas as que televisões, horas e horas por dia, nos mostram, como se não conhecêssemos ainda, e muito bem, essas imagens trágicas e de beleza sádica, como só o fogo pode proporcionar. Como se não tivéssemos gravados já, na alma, os gritos de desespero daqueles a quem as chamas levam tudo.
Enfim, é o espectáculo do ano.
E, com eles, lá voltam as romarias dos senhores que garantem um futuro mais tranquilo porque, podemos estar seguros, os meios vão ser reforçados para um combate mais eficaz a esta praga anual que trás a infelicidade a tanta gente.
É muito possível que, nos próximo anos, tenhamos mais aviões, mais helicópteros, mais material nas corporações de bombeiros e mais bombeiros até.
Mas não me parece que seja isso que evitará os maus momentos que tanta gente vive, as perdas que tanta gente sofre e que esses meios todos não apagam. E parecem-me ser estes os males maiores que ninguém se dispõe a evitar...
As árvores podem replantar-se, as culturas refazer-se. E todos os outros males não são de considerar?
Não devem ser, porque nem cuidados são de tanta gente que tem, nestes momentos, o seu momento de fama ou, mesmo até, de proveitos económicos que sempre resultam de meios que são tantos e tão caros que, em meu juízo, deveriam ser evitados o mais possível.
Todos os anos as florestas estão mais cheias de material inflamável, ao qual não é difícil pegar fogo. E tanta gente que recebe do Estado sem nada fazer, continua a não fazer nada!
Todos os anos se conclui serem de origem humana, em alguns casos nem sequer criminosa, as origens de, talvez, 90% dos incêndios florestais que acontecem. Mas não se cuida como me parece deveria ser cuidado este aspecto da questão.
São presos incendiários que nem sequer sei que pena pagarão pelo crime hediondo que cometerão. Alguns já o terão sido por mais de uma vez!
Quando será que, em vez de se falar em reforçar os meios, se falará, finalmente, na prevenção, a sério, dos incêndios florestais?
É verdade que dão lucros a muita gente. Enfim, tornaram-se um negócios como outro qualquer, o que, como é evidente, é bom para a economia!!!
É verdade que é e que não contribui assim com tão pouco para as contas que determinam proveitos que se não distinguem dos demais.
O mesmo dinheiro gasto na limpeza de matas, na vigilância atenta e nas obras necessárias para combater melhor os incêndios que, mesmo assim, continuam a acontecer, sem esquecer as acções de formação que evitem os descuidos.
Gostava de transpor para aqui aquilo que, hipocritamente, tanta gente diz das desculpas, gritar bem alto que os incêndios se não combatem, se evitam!
Mas haverá, sempre, incêndios que acontecem porque nem todos se evitam.

 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

E DEPOIS DE TRUMP…



Não sou votante nas eleições americanas e, por isso, não dependerá de mim o resultado que acontecer.
Mas não posso ser ingénuo ao ponto de pensar que o resultado destas eleições será indiferente para mim ou para alguém no mundo, porque dele pode depender muita coisa que possa acontecer.
Aborrece-me profundamente o discurso bacoco de Clinton, os lugares comuns que o fazem, as mentiras vulgares que contém, o nada que é, porque nenhuma mudança trará.
Como disse Obama ela está mais preparada do que ninguém! Digo eu que para fazer coisa nenhuma diferente do que outros fizeram e fez deste mundo a bagunça que hoje é.
Clinton trará consigo a continuidade de uma política previsível e banal que deixará o mundo tal como está, deixará que se pratiquem as mesmas hipocrisias de sempre, fará os mesmos erros que desde Sadam à Primavera Árabe não passaram de disparates que o mito da superioridade invencível sempre pratica. E os resultados são os que se vêem.
Por outro lado, não faço ideia do que será um governo liderado por Trump. 
Mas que será diferente, disso tenho a certeza!
Um repentista descuidado como num ambiente “políticamente correcto” jamais se pode ser, vai deixando escapar verdades que qualquer de nós, algum dia, já teve vontade de dizer e vai revelando sentimentos que mais de meio mundo terá também.
É capaz de dizer e desdizer na mesma frase. Ou assim parece porque nem sempre entendo bem o que ele quer dizer…
Mas o que poderá acontecer se Trump for eleito Presidente dos Estados Unidos?
Eu não faço ideia, tal como a não fazem os milhares de especialistas que, sobre isso, pintam os mais diversos cenários.
Só sei que mexerá com muita coisa, dependendo sei lá de quê, se para acabar com a hipocrisia que no mundo da política se instalou se para lançar no mundo a confusão que levantará muita poeira que, ao assentar, deixará o mundo diferente.
Para pior não será. Com toda a certeza!
Vença Clinton ou vença Trump, tenho a certeza de que um Trump qualquer está a caminho deste mundo que já não faz ideia de como sair das muitas broncas em que se meteu!