ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

UMA CAIXA DE TACHOS



(Wikipédia)

“A Caixa” como é vulgarmente conhecida a Caixa Geral de Depósitos, tem sido, nos últimos tempos, motivo de fortes convulsões que resultam da deplorável situação a que chegou o banco de todos nós de que os eleitos por nós se serviram, sei lá como e para que.
Descapitalizada e mal administrada, a Caixa entrou em evidente decadência que obrigará a uma recapitalização de milhares de milhões de euros.
Mas que, depois de tantas andanças, aconteçam nomeações que o Banco Central Europeu (BCE) rejeita porque não cumprem a legislação portuguesa, é coisa que não lembraria ao diabo!
Menos lembraria a resposta do governo português, dizendo que, então, muda a lei!
Também o excessivo número de administradores não executivos, 19, propostos pelo governo português foi motivo de uma crítica do BCE que o mais vulgar bom senso compreende e aceita para um país cuja banca, em sérias dificuldades, é muito dependente das ajudas do banco central
E como se o que está dito não bastasse para fazer abrir a boca de espanto, as declarações de um membro do PCP mais reforçaram a estranheza de uma situação que ele julga como uma inaceitável interferência externa em decisões próprias da nossa soberania.
Seria assim se pudéssemos garanti-la pelos nossos próprios meios, além de as nomeações não respeitarem as nossas próprias leis.
E, lançando um olhar pelas personalidades em causa, teremos de concluir ser Portugal um país de medíocres onde apenas um pequeno punhado de iluminados têm capacidade para assumir cargos de fantasia e, sobretudo, acumulá-los.



segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ASSUNÇÃO DE MARIA



Neste tempo em que já para pouco mais se tem préstimo do que para passar o tempo, entreter netos, porque a mais parecemos estar já nesta sociedade que nos esqueceu, os dias vão passando iguais quase como se fossem sempre domingo e os feriados para mais não contam do que para, uma vez por outra, quando queremos despachar certas obrigações, logo se acertar num deles quando nos dispomos a cumpri-las!
Foi o que me aconteceu hoje ao tentar ir fazer umas análises de rotina que me prescreveram.
Levantei-me cedo para bater com o nariz na porta! E lá terei de repetir a saga amanhã, porventura com uma bicha enorme dos que chegaram antes de mim, o que atrasa mas me não livra da espera chata e do momento em que aquela agulha penetra a minha veia para me sangrar!
E parece nunca mais chegar a hora do pequeno-almoço.
Mas serviu o equívoco para me lembrar que hoje é feriado porque a Igreja Católica Romana celebra a Assunção de Maria, uma acto pelo qual é assumida na Corte Celestial mesmo sem passar pela morte, porque assim se tornou dogma por iniciativa do Papa Pio XII “pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e em nossa própria autoridade, pronunciamos, declaramos e definimos como sendo um dogma revelado por Deus: que a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, tendo completado o curso de sua vida terrena, foi assumida, corpo e alma, na glória celeste”.
Já os Ortodoxos e Católicos Orientais falam de “Dormição de Maria” que celebram, também a 15 de Agosto.
Os ortodoxos acreditam que Maria teria tido uma morte natural, que sua alma foi recebida por Cristo após a morte, que seu corpo foi ressuscitado no terceiro dia após a morte (depois do túmulo ter sido encontrado vazio) e que ela foi corporalmente elevada aos céus numa antecipação da ressurreição dos mortos geral.
Muitos católicos também acreditam que Maria primeiro morreu antes de ser assumida, mas eles acrescentam que ela foi milagrosamente ressurrecta antes do acontecimento.
Tive a oportunidade de visitar, na Turquia, próximo de Éfeso, a casa onde se diz ter vivido Nossa Senhora os seus últimos dias.
Ali me lembrei da minha querida mãe e honrei todas as verdadeiras mães do mundo a quem manifesto todo o meu mais profundo respeito.
Mas deixo a cada um o seu próprio entendimento do que seja a fraternidade universal, a que advém de sermos TODOS filhos de Deus e irmãos de Cristo, filho de Maria.
No nosso coração encontraremos a verdade. Verdade que será se a procurarmos de mente aberta.
Valerá a pena, nos tempos que vão correndo, prestar atenção a estas coisas? Parece-me que valerá mais do que nunca porque o entendimento de quem somos e de qual seja o nosso papel no mundo cada vez mais se perde, ainda que cada vez mais se torne necessário entendê-lo. A menos que queiramos passar por este mundo como outra espécie qualquer que um dia apareceu para rapidamente desaparecer.


O TEMPO DA ESTUPIDEZ



Basta-me o português, um modo de expressão e uma linguagem que muito aprecio, para dizer tudo o que quero, sem necessidade de usar o “endo-crioulo” que se tornou fino de usar, sobretudo entre os que não falam bem o português nem fazem das suas origens motivo de orgulho.
É, por isso, que não chamo “rentrée política” a estas iniciativas belicosas que os partidos têm todos por esta altura do ano.
Por alguma razão, a este tempo em que as acções políticas normais estão interrompidas, há quem chame a “estação da estupidez” (silly season” à qual os alemães chamavam o tempo do pepino, tempo sem notícias ou, como os australianos preferem dizer, “o verão dos cães” (dog days summer) que o calor faz recolher em vez correr e de ladrar.
Mas foi o “silly season” que vingou porque quando nada há que valha a pena dizer… inventa-se, pois poucos possuirão o bom senso de ficar calados, como deveriam, porque ninguém consegue pensar gritando.
Chame-se-lhe o que se lhe chamar, é um tempo que exageradas ou frívolas notícias aparecem como se fossem reais!
E os papalvos comem-nas. Inteirinhas! E ficam com argumentos preparados para as batalhas retóricas que se vão seguir. Pensar não entra neste jogo!
Talvez tenha sido feito para isso o verão que, com este calorão, dilata os corpos e lhes retira a vontade de fazer e, sobretudo, de pensar.
A “rentrée”, como chamam ao momento de recomeçar as lides, não me parece menos estúpida do que o anterior tempo de barriga para o ar, esperando que os infravermelhos e uma adequada protecção contra os perigosos UV, façam o seu trabalho de dar um tom bronzeado sadio às peles que o bafio dos gabinetes rapidamente descolorará.
Não se fala de problemas graves que enfrentamos na nossa casa, muito menos nos solidarizamos com os demais que, como nós, estão sujeitos aos tormentos com que a Natureza “premiará” os ataques que, constantemente, todos lhe fazemos.
Não resolvemos reconhecer os erros feitos e que continuamos a fazer em vez de os corrigir.
É, em vez disso, um plano de defesa/ataque ao poder o que se apresenta, preparando os apaniguados para uma luta que só nos desgastará ainda mais e deixará esquecidas, mais uma vez, as questões que uma política verdadeira deveria abordar para encontrar soluções para os problemas gravíssimos que enfrentamos!
É um digo eu, dizes tu que se não distingue bem do que acontece na lota quando chega o peixe.
O PSD fez a sua reentrada, os outros responderam a condizer e farão, depois, a sua a que o PSD, sem dúvida, responderá também.
No final, tudo bem torcido... não escorre nada.
É isto a época estúpida e sem jeito. De verdade.
Por alguma razão o povo diz que “a ociosidade é a mãe de todos os vícios”!
Disparatar será um vício? Talvez seja, mas começa a parecer-se mais com um hábito.

domingo, 14 de agosto de 2016

E DEPOIS DO INFERNO?




(Fotografia de Notícias ao Minuto)
Agora que mais de cem milhares  de hectares de mata estão desfeitos em cinza, muitos milhões de euros é o valor dos bens destruídos e pessoas morreram, ficaram feridas ou afectadas pelos horrores que viveram, quando metade de toda a área ardida na União Europeia se situa em Portugal, não será demais pensar que nada poderá, no futuro, ser como dantes.
Muito terá de mudar para criar as condições de segurança mínima que numa sociedade evoluída são exigidas.
É de ciência certa que a grande maioria dos incêndios resultam de actos pirómanos, na sua maioria isolados, o que, para além dos que são causados por actos descuidados ou irresponsáveis, deixam uma muito pequena percentagem para os incêndios de origem natural. O que facilmente se aceita dadas as condições em que a combustão expontânea pode acontecer.
São oportunas as conclusões de Filipa Jardim da Silva, Psicóloga da Oficina de Psicologia, sobre as características dos ateadores de incêndios que, diz, “têm uma perturbação de controlo de impulsos, que sofre de depressão, têm algum atraso mental ou dependência de álcool. Alguém pouco enraizado na sua comunidade, que está sozinho, com uma vida precária e que, de alguma forma, desenvolve este fascínio pelo fogo como fonte de prazeres na vida”.
Além disso, chama a atenção para o papel das redes sociais da internet que “para além de darem esse mediatismo mais rápido e acessível, também acabam por ser um canal privilegiado de informação. Hoje em dia, não só nas redes sociais como na internet, conseguimos aprender a atear um incêndio de forma eficaz” (Notícias ao Minuto).
Para além do ordenamento territorial indispensável ao desenvolvimento e ao qual em outra ocasião me referi, há aspectos sociais, políticos, judiciais e educacionais que têm de ser enfrentados e decididos.
A sociedade não poderá apenas queixar-se dos danos sofridos pelas calamidades acontecidas. Terá de prestar atenção ao que nela se passa, procurando minimizar as circunstâncias que dão azo a que os incêndios florestais aconteçam.
Politicamente, há decisões da maior importância a tomar, incluindo a destruição das redes de interesses que sempre se criam nestas circunstâncias e transformam as desgraças que aconteçam em oportunidades de negócio, aproveitando, racionalizando e potenciando meios e organizações estatais existentes.
Por sua vez, a Justiça não poderá continuar a julgar os actos pirómanos como crimes menores, sejam quais forem os seus autores porque, pelas suas consequências, reais ou potenciais, o não são. Que se ajustem as leis e os procedimentos jurídicos à gravidade das consequências dos incêndios florestais que, neste início da época de 2016, atingiu já proporções excessivas, é uma atitude da maior urgência que, há muito, a Assembleia da República, deveria ter encarado.
Às famílias e à Escola cabem responsabilidades que, se descuidadas, tornam a sociedade desorganizada e permissiva. 


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO



Desde há muitos anos, dezenas de anos que, tal como outros obviamente, me bato pelo ordenamento territorial como uma base sólida de desenvolvimento. Direi mesmo como o único modo de desenvolver realmente um país ou uma região.
Notei, ao longo do tempo, uma ou outra preocupação nesse sentido mas nenhuma delas teve sucesso, apesar dos estudos evoluídos que, num dos casos, se fizeram e nos quais até participei para, logo de seguida, serem ignorados.
Havia outras preocupações “revolucionárias”.
Poderia ter sido retomado depois. Mas não foi porque outras preocupações e interesses continuaram a sobrepor-se.
Vi o Partido Social Democrata desenvolver estudos e promover eventos sobre “regionalização” de que resultou um “Livro Branco” que a considerava como essencial para o desenvolvimento do país.
O livro branco, talvez pela cor, passou despercebido e até mudou de côr quando os que promoviam a regionalização a esconjuraram e passou o Partido Socialista a ser o seu grande defensor, ao ponto de promover um referendo ridículo, tanto pelas propostas feitas como pelas razões com que foram atacadas.
A proposta socialista fora elaborada numa noite mal dormida, conforme o afirmou o seu autor, e era um verdadeiro desastre! Um improviso sem razões de ser, só o podia ser, naturalmente.
Nos ataques que sofreu a proposta, jamais se ouviram críticas à sua “qualidade” mas apenas razões que demonstraram a enorme hipocrisia dos que imaginaram argumentos fantásticos para que as verdadeiras razões se não notassem.
Depois, a regionalização que a própria Constituição impõe, caiu outra vez no esquecimento e faz-me pena que, em vez dela, não tenham sido outras coisas as esquecidas.
Agora, por causa deste horror que é a vaga de incêndios florestais, o Senhor Presidente da República descobriu a poção mágica que evitará que tal volte a acontecer no futuro: quer o ordenamento territorial repensado!
É o “repensado” que me faz pensar, tentando descobrir o seu significado. Mas seria uma longa e inútil divagação pegar, agora, neste aspecto…
Prefiro imaginar que sabe Sua Excelência o que seja o “ordenamento”, para que serve e quanta informação é necessário trabalhar para poder tomar decisões ajustadas às circunstâncias, porque não existe um manual que diga como ordenar um território nem uma roleta que decida com que objectivos se fará.
Não me apetece entrar em críticas particulares e, por isso, não as faço, nem seria capaz de fazer todas as que a situação merece.
Limitar-me-ei a dizer que o “ordenamento do território” é algo de muito complexo que exige ter definido um objectivo principal ou mesmo um conjunto de objectivos coordenados, ao que seguirá a recolha e análise da informação necessária aos estudos laboriosos que se seguiriam para, finalmente, ordenar.
Além disto, será o Presidente, ou seja quem for, capaz de enfrentar e anular os interesses que se opõem a tal desígnio de por a casa em ordem? Sinceramente, duvido que a bagunça democrática que criámos, em vez da democracia de que necessitávamos, alguma vez o consinta.
Muita coisa escrita sobre o assunto, existe. O que foi feito é que é pior…
E, até não sei que dia em que as coisas terão fatalmente de mudar, Portugal continuará o desarrumo que é, com todas as más consequências que daí decorrem. Até os incêndios florestais que, apesar do horror que são e das desgraças que acarretam nem chegam a ser a consequência pior dos problemas sérios que Portugal enfrenta.