ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A ÁRVORE DAS PATACAS!



Naquela leitura que faço todas as manhãs das notícias ao minuto, hoje encontrei sete ou oito situações (pelo menos) em que Marcelo elogia o governo. Por isto, por aquilo, sempre coisas menores, elogios não faltam, o que me parece a antítese do que fazia enquanto comentador e o governo era o do Partido a que pertence.
Até quanto à Caixa, um escândalo maior do que o BPN ou o BES, Marcelo limita-se a dizer que fez bem o governo não ter mudado a lei que o BCE invocou para chumbar alguns nomes que constavam do regimento de nomeados para o “banquete” dos administradores não executivos. Um assunto que talvez mereça uma reflexão mais cuidada.
É pena que, em vez disso, o PR não exija uma análise profunda a tudo quanto se passou no banco de todos nós onde administradores, sem dúvida “competentíssimos”, criaram situações de compromissos sem garantias que puseram o banco de pantanas! Alguns, dos que me constam, são de bradar aos céus.
Quem terão sido eles?
Como é possível o maior banco português cair nesta? Porque é fácil fazer o que nos apetecer ou convier naquilo que, sendo de todos, não é, afinal, de ninguém? Talvez. Durante algum tempo, o que aconteceu faz-me lembrar a imunidade dos diplomatas que lhes permite fazer o que quiserem sem que alguém possa impedi-los.
Quem são os responsáveis pelo crédito mal parado que todos vamos ter de pagar? Como vão ser responsabilizados?
Não vamos ter de pagar os quase 5 mil milhões de que a Caixa necessita? Pois não, devem cair do céu.
Depois dizem que é melhor não falar da Caixa para a não desacreditar?
Tudo está a ser feito para que passem em claro os desmandos cometidos e impunes os que os cometeram.
Depois, aquela piada de que a recapitalização não vai afectar o défice… Mas como, se vai aumentar a dívida externa? Manobras contabilísticas, daquelas de varrer o lixo para debaixo do tapete.
A verdade é que nós não pagamos o défice, pagamos a dívida e essa aumenta ao ritmo de quase um milhão e meio por hora!

SUSPEIÇÕES!!!



É ainda a modos que a medo que se começa a falar de certas coisas e de atitudes de políticos que não podem deixar-nos tranquilos quanto à razão pelas quais são tomadas.
Mas não são já desconfianças, são certezas as que nos permitem algumas que não podem deixar qualquer dúvida quanto ao que significam.
Além do mais, ficou para a História que “à mulher de César não basta ser séria…”, o que bem se pode aplicar a estes “deuses” que tantos veneram.
Por isso acho piada a uma declaração de Marcelo Rebelo de Sousa, o nosso Presidente, como a que acabo de ler que, referindo-se ao caso das viagens oferecidas pela Galp, supostamente uma grande devedora do Estado, a certos políticos para assistirem a jogos da Selecção Nacional no Euro 2016, as considerou como não boas para a política por permitirem suspeições.
Marcelo tem variadíssimas características, até algumas que aos vulgares mortais são vedadas como, por exemplo, ditar duas ou três cartas ao mesmo tempo enquanto escreve um artigo para a página dois do Expresso, dormir metade do que a maioria de nós necessita para se sentir bem, ler dezenas de livros numa semana cheia de outros afazeres de professor, de comentarista, etc, etc… mas ingénuo é que não é!
Ingénuos são os que acreditam na “santidade” de alguns dos que escolhem, ou não, para nos governar.
O Presidente não deve ter lido aquele texto sobre corrupção que dizia ser Portugal o 5º país mais corrupto do mundo! E não terei sido eu nem o meu vizinho, tal como a maioria dos anónimos que, como eu e o meu vizinho, enchem as ruas, quem contribuiu para a estatística portuguesa que tal conclusão permitiu apesar, até, de alguma falta de rigor com que tenha sido feito o divulgado estudo.
Olhe-se só para uma investigação em curso que parece não mais acabar e que, a continuar assim, irá chegar a mais gente de nome do que cabelos ainda conservo na cabeça. Com tantas pernas, não parece um polvo, parece um ninho de centopeias.
Mas há formas mais discretas de fazer as coisas como outros, mais inteligentes, poderão ter feito.
Desde há muitos anos, muitos mesmo, que conheço aquele dito “bom não é ser ministro, é tê-lo sido”.
E a melhor interpretação que conheço deste dito que, tal como outros, resultou do que o povo atento observa, talvez seja a de alguém que aproveita, instantaneamente, uma desgraça que acontece e pela qual alguém jamais o poderiam responsabilizar, para se demitir (!), deixando o ministério sem cabeça quando a situação necessitaria de alguém forte para conduzir as múltiplas acções que a pós-ocorrência impunha, assim como esclarecer as razões pelas quais aconteceu e nunca chegaram a ser oficialmente reconhecidas, num processo ridículo demais. Mas foi assim...
Obviamente que era bem melhor outro cargo, que não o de ministro, onde ganharia não sei quantas dezenas de vezes mais…
Por exemplo!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O ESPÍRITO DA LEI, A IMUNIDADE DIPLOMÁTICA E O CRIME SEM CASTIGO



Depois de tanto ouvir falar da imunidade diplomática, aquela que pode deixar impunes os mais abomináveis actos que os que gozam dela possam praticar, alguma opinião devo ter sobre o assunto.
A primeira coisa que quero salientar é que a lei deriva de uma convenção assinada no tempo da “guerra fria” e tinha (não me enganei no tempo do verbo) como intenção proteger os diplomatas de acusações ou “armadilhas” que, por vingança, contra eles pudessem ser montadas em países onde alguma hostilidade ainda se manifestasse, como seria natural acontecer naqueles tempos de ódios muito frescos ainda. E já lá vão cerca de 60 anos!
Seria, pois, este o “espírito da lei” que, jamais, se pode confundir com o direito de fazer o que lhe der na gana sem sofrer as consequências.
Ontem assisti a um programa televisivo no qual participaram 3 ou ou pessoas com formação jurídica, um ex-diplomata e uma psicóloga e ouvi, desde dizer que, por mais abominável que seja, é a lei que existe e apenas o seu total respeito está certo, até algumas tentativas de humanizar uma lei que terá tido a sua razão de ser numa certa fase da vida do mundo mas que, agora, de razoável nada tem.
Os tempos mudaram. Disso não há a mínima dúvida e ao longo das últimas dezenas de anos, as mudanças acontecem com uma velocidade cada vez maior, pelo que ou a lei se adapta a essas mudanças ou deixa de ser uma lei aceitável.
Apenas as leis naturais são imutáveis e, por mais que os tempos mudem as coisas e o modo de viver, os graves continuarão a “cair para baixo”. Não tem que se aceitar ou não porque é, naturalmente, assim. Ninguém a pode mudar.
Mas não me parece aceitável que uma lei humana como esta é, por possa deixar sem castigo um crime abominável que venha a ser provado e nada tem a ver com o tal “espírito” da lei que defendia os diplomatas de abusos ou de retaliações que o espírito revanchista que se vivia poderia provocar-lhes!
Foram citados diversos casos que me deixaram horrorizado, casos em que houve, em alguns deles, vítimas mortais de atitudes criminosas e a Justiça, simplesmente, cumpriu a lei, não castigando. E tudo isto foi julgado natural.
Alguém apresentou a hipótese de um diplomata que fosse para a auto-estrada conduzir o seu carro de modo descuidado ou, propositadamente, para causar acidentes. Pois houve quem, mesmo assim, continuasse a defender aa primazia de uma lei que, tenho a certeza, não foi feita com esse espírito.
Directamente não ouvi nenhum deles falar do “espírito da lei”, a razão de ser que as leis tentam explicar nos seus preâmbulos e o resultado da conversa foi que o Ministério Público pedirá ao Iraque que levante a imunidade aos jovens ou, se tal não acontecer, estes muçulmanos desrespeitadores da lei de Alá, poderão ter cometido um crime odioso sem que sejam castigados.
E que difícil seria um tribunal como, por exemplo, o Tribunal Internacional de Haia, julgar o caso ou ajustar a lei aos tempos que correm, por mais difícil que fosse fazer aprovar a alteração pelos 190 que, antes, assinaram a anterior?
Chocou-me, profundamente, ouvir defender o crime sem castigo.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

QUANDO O MAU QUE TEMOS PARECE SER O MELHOR



Enquanto lá por fora se olha com desconfiança para Portugal, falando-se já de uma nova crise que tornará dramático o nosso futuro próximo, por cá, aqueles a quem os “geringonços” chamam os “arautos da desgraça” falam dos receios que têm pelo caminho que as coisas levam.
E, de facto, parece não haver duas seguidas que batam certo, mas ainda há quem entenda que vem aí o ano da redenção, de todas as oportunidades que condiciona a se fizermos aquilo que jamais fizemos que é sair do mundo de fantasia em que sonhamos para assentar os pés na Terra onde vivemos.
Esta é uma solução tão óbvia como o é desde há muito tempo. E é por isso que não percebo porque haveríamos de esperar pelo próximo ano para a por em prática, porque este foi já o ano de um novo governo que, em vez disso, me parece andar a coleccionar problemas para no próximo ano resolver. Se for capaz.
Lembra-me aquele idiota que, repetidamente, ia martelando a ponta de um dedo. A dor que sentia era forte, mas gradava-lhe o alívio que sentia nos intervalos!
A recordação dos grandes sacrifícios a que, num passado próximo, um estado de pré-bancarrota inevitavelmente nos obrigou, vai dilatando a esperança nos desejados melhores dias que António Costa prometeu mas ainda não chegaram e continuam difíceis de chegar, pelo que dizem os indicadores do primeiro semestre deste ano.
Talvez por isso a fé no próximo ano e no seguinte, depois, numa espera ruinosa.
Mas tem o Governo as ajudas de uma Oposição inócua que a cada dia lhe oferece, nas intervenções que vai fazendo, tempo e razões para continuar pelo caminho errado que escolheu.
É triste quando o mau que temos parece ser o melhor. É uma condenação!
Mesmo que sejam simples manobras de diversão combinadas as queixas que o PCP e o BE vão fazendo, acusando Costa das fraquezas com que enfrenta a Europa porque, como disse o profético Marques Mendes, a geringonça está de pedra e cal, talvez disso a causa mais certa seja a fraqueza de uma Oposição que ainda não conseguiu fazer o nojo da morte inglória que teve o seu governo nem propõe outras soluções senão aquelas que não trazem esperança e, por isso, fazem de Costa um vencedor.
Dentro de pouco mais de um ano teremos eleições que, para o ex-Primeiro Ministro, podem ser fatais pois não me parece que consiga vence-las com aquele seu estilo certinho que, já o devia ter notado, não convence ninguém, por mais razões que tenha.
Preocupou-me o slogan que ontem vi na preparação da Festa do Avante: fora da Europa e do euro já.
Imagino a farra que será depois.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

OS CONTRASENSOS DA GERINGONÇA



Depois de uma declaração bombástica de Catarina Martins, “todos os dias me arrependo da geringonça”, ainda que afirme que sempre se esforça para que funcione e, também, das críticas acérrimas de Jerónimo de Sousa a diversas atitudes do Governo, achei interessante que Marques Mendes tenha afirmado, na sua intervenção televisiva semanal, que “estas coisas são combinadas” para que os seus apaniguados não pensem que se estão a submeter à vontade do PS, porque nem PCP nem o BE se desejam afastar do poder no qual a tal “geringonça” os integra.
Não tenho como refutar esta afirmação que se integra bem num propósito de poder-sombra que muito bem lhes deve saber depois de tanto tempo dele distantes.
Posso, até, pensar que mais vale estar perto do poder para o poder influenciar do modo que for possível, do que eternamente continuar na posição crítica de oposição da qual nada resulta. Mas até isso me parece ter limites curtos e difíceis de ultrapassar.
Será incontrolável o desejo de ser poder, como sugere Marques Mendes que, por isso, afirma ser esta “coligação” mais forte do que o fora a do PSD com o CDS, mesmo antes do amuo “irreversível” de Paulo Portas e, por isso, se manterá e poderá reforçar-se após as próximas eleições autárquicas.
Talvez Marques Mendes não tenha prestado muita atenção à razão que deu para as manifestações públicas de desagrado que o PCP e o BE vão fazendo porque não me parece possível iludir os seus “adeptos” por todo o sempre, muito menos quando as medidas duras que a degradação da situação económica impõe e às quais Marques Mendes se referiu também, forem inevitáveis e as múltiplas taxas que, para tentar equilibrar um orçamento derrapante, entretanto foram sendo lançadas sobre os mais variados produtos e serviços, se tornarem mais evidentes.