ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

domingo, 11 de setembro de 2016

11 DE SETEMBRO DE 2001



Quando, em 2004, visitei o “Ground Zero”, tive dificuldade em controlar os efeitos das recordações da tragédia que os media profusamente mostraram e descreveram, os horrores sentidos, as vidas ceifadas, as ilusões destruídas, os actos de bravura contrapostos à loucura de uns quantos embriagados pelos ideais terríficos que algum louco lhes incutiu como sendo a vontade de Deus, como se algum Deus houvesse capaz de tamanha crueldade.
Era difícil imaginar que naquele lugar, agora tranquilo, ocorrera um drama sem nome e tão grande que chocou todo o mundo.
Alguns resquícios e imagens distribuídas pelas pareces eram as únicas provas do horror que uma paz aparente quase escondia.
Recordo uma das muitas descrições que, em 2001, se fizeram nos meios de comunicação de todo o mundo, a propósito do atentado cometido por elementos da organização fundamentalista islâmica Al Qaeda que Bin Laden dirigia.
Na manhã daquele dia dezanove, terroristas sequestraram quatro aviões comerciais de passageiros. Os sequestradores colidiram intencionalmente dois dos aviões contra as Torres Gemeas do complexo empresarial do World Trade Center na cidade de Nova Iorque, matando todos a bordo e muitas das pessoas que trabalhavam nos edifícios. Ambos os prédios desmoronaram duas horas após os impactos, destruindo edifícios vizinhos e causando vários outros danos. O terceiro avião de passageiros colidiu contra o Pentágino, a sede do Departamento de defesa dos Estados Unidos, no Condado de Arlington, Virginia, nos arredores de Washington DC. O quarto avião caiu em um campo aberto próximo de Shanksville na Pensilvânia, depois de alguns de seus passageiros e tripulantes terem tentado retomar o controle da aeronave dos sequestradores, que a tinham reencaminhado na direcção da capital norte-americana. Não houve sobreviventes em qualquer um dos voos.
Quase três mil pessoas morreram durante os ataques, incluindo os 227 civis e os 19 sequestradores a bordo dos aviões. A esmagadora maioria das vítimas eram civis, incluindo cidadãos de mais de 70 países.
Não era a primeira vez que as torres eram alvo de um atentado para as destruir, pois já em Fevereiro de 1993 as “torres” foram alvo de um atentado através de um camião carregado de explosivos que explodiram num parque de estacionamento da torre norte visando destruí-la e, na sua queda, destruir, também, a outra torre.
Não terá sido bem interpretada esta tentativa que marcou o local mas não o modo como a destruição aconteceria. Foi quase uma manobra de diversão na qual, distraídos por ela, tantos caíram.
A história do avião que se despenhou sem atingir o seu objectivo que se supõe seria o Capitólio em Washigton, DC, merece ser contada de um modo mais completo para evidenciar e homenagear a bravura dos seus ocupantes que, ao se aperceberem das intenções dos terroristas, os assaltaram e o brigaram o avião a sair da rota para abortar a sua missão.
Mas não me parece que o mundo tenha aprendido tanto assim com o que aconteceu. 
A Torre da Liberdade que se ergue já naquele local não é, de modo algum, a resposta que o acto merecia, pois mais importante me parece teria sido uma avaliação completa do que sucedeu, das suas motivações e intenções finais que se não cumpriram naquele odioso acto.
Pelo contrário, ele não passou do fermento para tantas coisas que já se passaram depois disso e continuam a passar, sem que me pareça haver, ainda, uma ideia clara do fundamentalismo que alastrou e se tornou na “fuga” para muitas frustrações de quem nada tinha a ver com aquela “fé” desviada, mas encontrou nela o modo de fugir da vida em que esta civilização abastardada o fez afundar!
A ideia inicial de Bin Laden transformou-se e, agora, a estratégia é bem outra, a de provocar o caos no mundo inteiro e, como sempre esteve nas suas intenções, lançar irmãos contra irmãos.
E estão a consegui-lo perante a distracção e a passividade típica dos políticos que, como se tornou hábito dizer, não enxergam para além do próprio umbigo nem se preocupam com mais do que o poder que ambicionam!
Por isso não se dão conta de que o pânico generalizado começa a ser uma realidade latente. E todos podemos imaginar os efeitos que terá quando não puder ser mais contido.
Por fim pergunto-me como é possível que 15 minutos depois do primeiro impacte nas torres gémeas, um avião sequestrado, dos quatro de que não seguiram as rotas previstas e ainda em vôo, pudesse dirigir-se à outra torre para a destruir, sem nada que o impedisse?
A minha profunda homenagem a todas as vítimas deste cruel acto terrorista e, com ela, a que presto a tantos que, com abnegação e coragem ajudaram tanta gente.

 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A PRAGA QUE A METEMÁTICA NOS LANÇOU

Todos sabemos que o Estado, pelo menos nas condições de membro da União Europeia, não tem mais dinheiro do que o que cobra nos impostos, directos ou indirectos, e consegue nos empréstimos que faz no mercado, aos juros que este lhe imponha, tanto mais elevados quanto maior for a dívida.
O tempo de “fazer” dinheiro já lá vai e, mesmo então, era “dinheiro falso” porque fazia baixar o valor da moeda nas transacções internacionais e fazia cada vez maior o défice da nossa balança comercial.
Entretanto, todos sentíamos ganhar mais, ganhando menos!
Mas agora, se são aumentados salários ou repostos os anteriores mais elevados, tanto dá, se são reduzidas taxas que o anterior governo tinha criado, se é reduzido o horário laboral dos seus funcionários aos quais, depois, terá de pagar mais horas extraordinárias ou reduzir os serviços prestados aos cidadãos, como em diversos casos já acontece e, outras coisas mais do mesmo tipo que custam mais dinheiro, apenas uma conclusão podemos tirar, a de que terá o Estado de receber o que gasta a mais nas alterações que fez, em impostos, sejam eles quais forem e do modo que for, porque aumentar a dívida externa é cada vez mais difícil.
Ontem constou que, numa manobra que não mexeria nas taxas dos impostos, o Governo aumentaria os limites inferiores dos escalões a que tais taxas se aplicam.
Até pode acontecer que, com este modo de proceder, o valor global dos impostos arrecadados nem se altere significativamente, o que permitirá ao ministro da economia afirmar, sem mentir, que “as famílias não pagarão mais impostos directos”.
Quanto aos impostos indirectos, o IVA e outras taxas que são lançadas, de modo mais ou menos dissimulado, em variadíssimos produtos e materiais, esses aumentarão inevitavelmente, o que o ministro não negou nas declarações que, já hoje, fez.
Contas feitas, pagaremos mais impostos, inevitavelmente.
E se já o sentimos bem na carteira quando pagamos as compras de bens essenciais que fazemos, em relação ao que pagávamos há não muitos meses ainda, mais o sentiremos depois do próximo orçamento!

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A HORA DA VERDADE



Gostava de me sentir mais confiante no futuro que se segue, sem a desconfiança que promessas incumpríveis não podem deixar de me causar e as artimanhas com que se procura iludi-las tornam mais claras.
Pelas necessidades óbvias que as circunstâncias vão impondo e depois do modo, mais ou menos disfarçado, como o Governo as tem vindo a satisfazer, aumentando o custo de tantas coisas básicas ou de grande consumo como os combustíveis, acabaremos por chegar chega à hora da verdade, aquela que acabará com todas as dúvidas quanto à promessa de não reduzir salários nem pensões e, também, não aumentar o IRS.
Uma eventual, mas mais do que provável, alteração dos limites mínimos dos escalões do IRS, fará crescer muito o valor dos impostos arrecadados, o que desequilibrará mais a já enorme diferença que se verifica.
É ou não um agravamento de impostos que Costa prometeu não fazer?
Por enquanto serão 55% os portugueses residentes que não pagam impostos e 15% os que pagam cerca de 65% do total. As alterações que se prevêem farão subir para 60% os que deixam de contribuir para os encargos do estado e, em consequência disso, recebem subsídios, enquanto 10% serão responsáveis por 80% do que o Estado cobra às pessoas singulares!
Não pode o Estado deixar de cobrar impostos aos cidadãos, mas levar-lhes o coiro é outra coisa a que estes não podem deixar de se opor.
Não me parece que seja deste modo que o país recuperará emprego, fomentará o investimento, evitará a fuga aos impostos e de capitais e, sobretudo, fará crescer a economia.
Mas sendo uma via com fortes limitações que as taxas já muito elevadas de impostos impõem, não será por muito tempo que tais iniciativas resolverão os problemas do país.
O que, depois, se seguirá, eu não sei, mas nada de agradável será. Com certeza.
Desde o Brasil, onde se encontra para a abertura dos jogos paralímpicos, o Primeiro-Ministro não respondeu à pergunta de se os impostos iriam ou não ser aumentados. Limitou-se a dizer que o Governo tem cumprido com aquilo que se comprometeu, mas não disse à custa de que o fez ou vai fazer! 


VENHA O DIABO E ESCOLHA!



Não falo de Trump nem de Clinton porque, na verdade, não sei bem o que pensar e, menos ainda, o que dizer.
Como não sou americano e não terei de votar, não sou, por isso, tido nem achado nesta questão complicada que os americanos têm para resolver.
Por isso, não me tenho esforçado para apreciar melhor o que se passa. Mas sempre que me acontece ouvir o que se diz, o mais natural é ver algum adversário de Trump a chamá-lo mentiroso compulsivo ou outra coisa qualquer e dizer, da ex-primeira dama, que se trata de uma mulher politicamente desgastada e sem ideias, assim como de uns e_mail quaisquer que ela terá de explicar muito bem…
Já vi outras campanhas eleitorais americanas, mas nenhuma como esta da qual os meios de comunicação social me mostram apenas o que querem de que me dê conta, porventura as excentricidades de Trump e a figura apagada de Clinton, em vez de fazerem uma cobertura mais esclarecedora como aconteceu noutros casos.
De Trump, dão-me a imagem de um louco inconstante, de alguém capaz de qualquer coisa e do seu contrário também, de cujas atitudes dificilmente se saberá o que vai sair, de alguém para quem a temperança não é um dom muito apreciado.
De Clinton, deixam-me a imagem de uma figura apagada, de uma dama desgastada que só a onda republicana ainda mantém à tona e que faz do nome do marido, um bom presidente que os Estados Unidos tiveram, a sua principal bandeira.
Mas não sei se isto será, mesmo, assim porque são, apenas, as impressões de alguém pouco informado.
A verdade é que as eleições nos Estados Unidos, a maior economia mundial e com as forças armadas mais potentes de todo o mundo, são importantes para o mundo inteiro porque o afectarão com as decisões que tomarem.
Mas a poucos dias da eleição daquele que será o 58º Presidente americano, resolvi ir ver o que pensam os americanos e, deveras, fiquei surpreendido porque aquele de quem dizem ser louco e jamais teria condições para ser eleito, se bate cada vez mais próximo daquela de quem me parecia ouvir dizer ser, como escolha, “do mal o menos”, sendo até Trump o que é julgado mais capaz para resolver algumas questões importantes como a do emprego e da luta contra o ISIS, por exemplo.
Também dizem os inquéritos feitos que os  americanos pensam que nenhum dos dois será um bom presidente!
Por isso, venha o diabo e escolha!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O “CARTEL DO FOGO”?



O tempo quente continua e as tragédias provocadas pelos incêndios florestais também.
A propósito desta calamidade nacional que destrói bens de valor inestimável, por vezes tudo quanto alguém amealhou ao longo de toda uma vida e ceifa vidas humanas, são elevadíssimos os custos que a sociedade, através do Estado (todos nós), tem de pagar.
Num interessante caderno de investigação do Correio da Manhã de ontem pode ter-se, para além de outras informações interessantes, uma noção dos prejuízos causados por estes incidentes que, sabe-se já, se devem, na sua grande maioria a descuidos e a acções deliberadas de pirómanos ou, quem sabe, de alguém que de tais actos tire vantagens.
Regista-se que, desde 2002 já arderam mais de 1,5 milhões de hectares.
Se atendermos a que a superfície total de Portugal Continental é da ordem de 8.9 milhões de hectares, teremos a noção de que cerca de um sexto de todo esse território já foi pasto de chamas em 14 anos apenas!
Terão ardido mais 300.000 ha de pinheiros bravos, quase tanto de eucaliptos, mais de 70.000 ha de sobreiros, mais de 25.000 há de carvalhos e mais de 35.000 ha de outras espécies como azinheiras, pinheiros mansos e castanheiros.
E quantas culturas ficaram destruídas, para além dos animais que não conseguiram escapar com vida?
Em apenas um ano, o de 2003, arderam mais de 425.000 ha e no ano que decorre a área ardida já ultrapassa os 100.000 ha, mais do dobro da área ardida no ano passado.
A investigação revela que a média dos custos ds Estado (de todos nós) nos últimos 12 anos, foi de 68,5 milhões de euros por ano, dos quais 60% em meios aéreos.
A estes custos devem acrescentar-se uma verba de 20 milhões de euros anuais gasta na prevenção.
Deste modo e desde 2005, o Estado (todos nós) gastou mais de 820 milhões no combate a incêndios, dos quais quase 500 milhões em meios aéreos, aos quais deveremos juntar as despesas com prevenção que serão da ordem de 220 milhões no mesmo período.
É, francamente muito dinheiro o que o Estado (todos nós) gasta para combater os incêndios e não me custará afirmar que muitíssimo mais do que isso é o valor do que neles se perde como habitações que ardem, gado que morre, culturas destruídas, árvores ardidas, equipamentos inutilizados, etc, sem contar com o que não tem preço, como as vidas humanas que se perdem, os horrores que se vivem, o desespero de quem se sentem em perigo e dos que tudo perdem.
E a investigação termina falando do “cartel do fogo” que, como diz, em 10 anos transferiu mais de 821 milhões de euros de dinheiro público para o bolso de privados, verba que deve estar abaixo da realidade que será mais elevada se tivermos em conta a prevenção.
Parece-me natural que acontecimentos destes, envolvendo tantos valores se tornem apetecíveis a grandes negócios em que o Estado (todos nós) é, como é hábito que seja, explorado.
Aliás, todos sabemos, pelo que nos informam, como o Estado (todos nós) tem sido explorado em centenas de negócios que tem feito, como o resgate financeiro a que fomos obrigados revelou!
A uma frase eu prestei particular atenção por me parecer uma síntese notável da intervenção do Estado neste problema tão sério: “O ESTADO DERRAMA DINHEIRO PARA CIMA DOS FOGOS E LAVA AS MÃOS”!
Qualquer coisa, muita coisa aqui não bate certo e quando, depois de tanto tempo, os responsáveis vêm agora falar de ordenamento do território e de que é urgente fazer isto ou aquilo, tomar estas ou outras medidas, a minha raiva explode e apetece-me perguntar o que andaram cá a fazer este tempo todo?
Como foram castigados e investigados os responsáveis pelos incêndios, como foram ressarcidos dos seus danos aqueles que a incapacidade do Estado não protegeu como era seu dever?