ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

À BEIRA DO EUFRATES



 O que acabo de ler sobre o aumento da tensão entre russos e americanos no conflito da Síria, com o líder russo a pedir a generais e outras personalidades que façam regressar as suas famílias a casa, não me parece de bom augúrio.
Este apelo acontece depois de Putin ter cancelado uma visita de Estado a França, uma atitude que conjuntamente com a colocação de misseis nucleares na fronteira polaca, aconselha a levar mais em conta os avisos de Mikhalil Gorbachev sobre o perigo deste acréscimo de tensão entre as duas maiores superpotências do Mundo.
Uma notícia recente informava, também, que Putin estava a refazer o famoso KGB, atitudes que dão conta das saudades que terá da União Soviética de outrora.
E será altura de, de novo, perguntar qual é a atitude da ONU em circunstâncias tão delicadas. Uma ONU organizada para defender os interesses dos maiores e que assim se tem mantido ao longo de décadas.
Talvez fosse o momento de a ONU mostrar o que, de facto, vale. Mas creio que, infelizmente, vale muito pouco.
Não consigo imaginar até onde poderá ir este jogo de forças em tempo de conturbadas eleições nos Estados Unidos, em que um dos candidatos até parece nutrir alguma simpatia pelo mandão da Rússia.
Mas conservo, ainda, uma réstia de esperança no que restará do bom senso que devem ter os governantes para evitar as consequências dramáticas do que seria uma guerra global e com armas nucleares que, se não destruir por si e de imediato, a vida humana na Terra, acelerará fortemente todos os fenómenos que já se conjugam para que tal aconteça.
E, mais uma vez, tudo parece preparar-se para que, ali junto do Rio Eufrates, se confrontem as forças mais poderosas do mundo que, no Apocalipse seriam de anjos e de demónios, mas agora nem serão de bons nem de maus mas apenas idiotas com interesses mesquinhos e sem qualquer respeito pela Humanidade!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

UMA INVESTIGAÇÃO SEM FIM À VISTA



O Tribunal da Relação de Lisboa não encontrou razões sérias para afastar Carlos Alexandre do Caso Marquês conforme Sócrates desejava e pediu, em consequência de uma entrevista que o Juiz concedeu e na qual, ao falar de si, disse “sou o ‘saloio de Mação’ com créditos hipotecários, que tem de trabalhar para os pagar, que não tem dinheiros em nome de amigos, não tem contas bancárias em nome de amigos”. 
Não estou bem certo mas creio que, de tantos pedidos que Sócrates já fez, este foi mais um que, como os demais, foi recusado.
E, a menos o início de todo este processo, quando Sócrates foi preso, nunca tanto ele falou, desmultiplicando-se em reuniões, sessões de apoio e eventos similares em que expõe as suas “razões” de inocência, critica a Justiça e os seus procedimentos neste caso em que considera não haver razões nem provas que sustentem as acusações que sugerem mas lhe não conseguem fazer.
Diz ele, alongam o prazo da investigação que, deste modo, não terá fim porque nada têm de que o acusar.
Não é fácil concluir uma investigação na qual parece não terem fim as novidades que trazem ao processo novas razões para ir mais fundo na análise que, porventura, permita esclarecer esta teia complicada que não parece ser feita de acasos e de amizades caridosas, antes sugerindo o que Sócrates tão veementemente nega com explicações que nem um idiota digere.
Além do mais, sabemos como a lei portuguesa dificulta certo tipo de acusações em casos que sugerem corrupção, o que nunca consegui saber por que.
E não será para as questões menores que à Justiça interessa encontrar provas que o Tribunal possa aceitar, quando as evidências de crimes graves parecem cada vez maiores, mas não são fáceis de formular.
Agora vem, de novo, à baila a veia de escritor de Sócrates cujo primeiro livro foi “sucesso” de compras pelo próprio, como foi noticiado na altura.
Agora a notícia é que Sócrates vai lançar outro livro que, diz a notícia também, o autor nem será Sócrates que, segundo suspeitas do Ministério Público, terá pago a outrem para o escrever (Buzztime - Maria Oliveira, 08-10-2016)
Mais uma acha na fogueira que a defesa de Sócrates parece querer apagar com gasolina.
Infelizmente há verdades que ardem depressa...


TÁXIS - O PROTESTO FALHADO



Os taxistas ainda não compreenderam que os tempos mudaram e que uma actividade, como a sua ou outra qualquer, não pode ficar indefinidamente fechada nos mesmos padrões, no mesmo modo de fazer que, neste caso dos transportes tem já muitas décadas.
O tempo cria novos hábitos, outras necessidades, outras solicitações, aos quais devem corresponder modos de os satisfazer que não serão, sem a menor dúvida, os entraves à evolução.
Por isso me parece que os taxistas estão a fazer a guerra errada, a guerra que sempre se perde porque foi ultrapassada, nos seus meios, por outras realidades que novas tecnologias foram criando.
Parece-me que bem melhor fariam se repensassem a sua situação e a adequassem aos novos tempos, em vez de “exigirem” que a evolução não aconteça.
O protesto que ontem fizeram não me parece que tenha causado o efeito que pretendiam, além de que nada lhes saiu como desejavam.
Uma marcha lenta que se transforma num boicote e que, ao fim de 17 horas inúteis, acabou em debandada, sem que, nas conversações com o Governo tenham alcançado os melhores resultados.
Outras formas de oferecer serviços são inevitáveis e o público escolherá as que mais lhe convier.
A guerra a fazer seria outra, a da evolução que os taxistas parecem não conhecer muito bem.
Algum efeito, para lá dos serviços diferentes que oferece, a dita Uber já teve, pois são mais raros aqueles táxis meio emporcalhados e até com cheiro pouco agradável, como acontecia em alguns em que viajei.
O que não vi ainda e de que a manifestação de ontem me não deu sinais, foi o da postura cívica adequada à prestação de um serviço de transporte ligeiro. Isto para além de casos isolados de pouco profissionalismo e até indelicadeza dos quais me poderia queixar.
Foi demasiadamente rasteira nos processos, nos ditos e nas atitudes que, francamente, me deixaram puco agradado do serviço de transporte que, quando necessito, sempre tenho utilizado.
Quem sabe será a hora de experimentar algo diferente!

domingo, 9 de outubro de 2016

FOICE EM SEARA ALHEIA



Não vou votar nas eleições americanas, obviamente, mas todos sabemos a importância que estas eleições têm para o mundo inteiro porque os Estados Unidos são a maior potência mundial.
Por isso, é natural que me interesse por elas quanto baste, tal como aconteceu em eleições anteriores, nas quais sempre tive o “meu” candidato preferido!
E já são muitas as eleições americanas de que me lembro, pois era Roosevelt, que foi o 32º presidente americano, aquele que primeiro conheci e o próximo será o 45º.
Por uma vez não tenho candidato e talvez gostasse que não ganhasse nenhum, pois nem Trump nem Clinton me convencem!
Como já ouvi alguém dizer, é estranho que, entre mais de 250 milhões de pessoas, os americanos terem de escolher entre estes dois personagens!
Talvez, apesar de tudo, sejam os melhores já que, quer um quer outro, têm tantos apoiantes e não estão muitos separados nas sondagens.
Além disso, o que tenho ouvido de um e do outro, bem como de algumas figuras públicas que decidiram falar sobre as suas razões, revela-me uma falta de nível verdadeiramente arrepiante.
Fico um tanto sem saber o que pensar quando oiço tais coisas.
Ainda agora, vi as imagens de um actor de quem até aprecio a arte, chamar a Trump os nomes mais sórdidos que uma transmissão de tv consente e afirmar que se o visse lhe daria um soco. O “americano vernáculo” que utilizou seria mais como dizer que lhe daria um soco nas trombas!
E o que dirá a classe média americana da candidata Clinton que, por viver tão bem, nem se lembra do que seja ou dos seus problemas?
Fico preocupado quando me dou conta de uma América assim, numas circunstâncias em que o seu modo de ser melhor se revela.
Mas são isto os Estados Unidos da América?

sábado, 8 de outubro de 2016

UM DIA DE QUALQUER COISA



Há sempre um dia para qualquer coisa.
Mas falta ainda o da consciência pesada!
E seria bom que houvesse um que, em vez destas desobrigas hipócritas em que, por um instante, reconheço que poupar água é um bem para a Humanidade, que cuidar de quem precisa é obra de caridade, me lembrasse dos males que faço e não devia fazer, contribuir para que o mundo não seja isto a que chegou.
Dizem-me que, ontem, foi o dia do sorriso, mas eu não sorri!

Não senti vontade de sorrir,
Não vi quaisquer razões para o fazer,
Porque quase tudo o que vejo acontecer,
Tristeza mais me faz do que sorriso,
Olho em volta e não vejo o paraíso
Que prometeram me iriam dar,
Os que me enganam e, depois de lá estar,
Mais me tiram seja o que for seja por que.
Então de que rio eu? Não sei de que…
Das desgraças que vejo?
Guerras, pobreza, maus tratos de sobejo,
Assaltos, roubos, velhos mal tratados,
Cidades outrora belas feitas em bocados!
Do canalha que sua mulher mata?
Daquele que da sua terra se escapa
Porque ali modo de viver não encontrou?
Dos que este mundo de horrores vai desgraçando?
Dos pedrados que, sem norte, vão andando,
Sem lhes interessar para onde nem por que saber?
De que rirei eu, podem-me dizer?
Da criança descarnada que a fome levou?
Do bêbado que, a cambalear, comigo chocou?
Do infeliz que cumpre o seu fadário?
Daquele que cai no conto do vigário?
Porque neste viver, cada dia mais duro,
Quando viver em paz se tornou inseguro,
Me juram que o défice se vai cumprir?
Francamente!
Não sei do que hei-de rir!