ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

CRITÉRIOS DE ILUSIONISMO



O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, ouvido na comissão de Orçamento e da comissão de Trabalho e Segurança Social, no Parlamento, diz que a actualização das pensões vai custar 200 milhões de euros.
Falava da actualização das pensões a fazer em Janeiro de 2017 e que terá por base a inflação e irá ser aplicada às pensões até aproximadamente 840 euros. Para as pensões entre os 840 e até aproximadamente 2500 a actualização corresponderá ao acréscimo da inflação menos 0,5 pontos percentuais, o que, na realidade, prolonga o sistemático decréscimo real destas pensões, disfarçando-o de aumento que não é. Pior ainda é que a inflação tomada por base é inferior à real, bem menor do que aquela que sentimos quando o dinheiro compra cada vez menos!
Mas é assim que se aumenta a justiça contributiva, como diz o deputado Tiago Barbosa Ribeiro!
É de rir o que se ouve naquela AR, onde se diz que os deputados ganham mal, mas que a mim até parece bem demais pelos disparates que dizem e  pelo tempo que perdem a dizer mal uns dos outros, em vez de trabalharem juntos para o país!
O que haverão de dizer os pensionistas que, ao longo de uma longa vida de trabalho descontaram para que fossem garantidas as suas necessidades de velhice, mas apenas são tratados como um fardo que leva a “esmola” que sobejar das estroinices do Estado?
Assim, sem um plano global do que queremos fazer do país, do nível de vida que lhe queremos garantir, sem mais cuidados do que aqueles que à conquista e manutenção do poder digam respeito, sem atender à situação real do meio em que vivemos que cada vez mais se afunda numa "crise entremeada" e sem fim à vista, continua a governação casuística e demagógica, baseada em perspectivas que jamais batem certo.
Depois e como se tornou hábito, corta-se nas despesas o que significa reduzir os meios financeiros destinados ao cumprimento dos deveres do Estado para com a Sociedade,  na educação, na saúde, na mobilidade, na segurança, na Justiça e em outros mais cujas reclamações aumentam com o tempo que passa e vai tornando mais baixa a baixa qualidade de vida do país.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A QUESTÃO DA MANTA CURTA



É entre receitas e despesas que se fazem as contas do défice.
Assim, quando as receitas não são bastantes, a solução está em cortar na despesa.
La Palisse não diria melhor!
É o que está a acontecer porque, apesar dos numerosos impostos indirectos com que o Governo evitou não sobrecarregar, significativamente, os impostos directos, as receitas ficaram bastante abaixo do previsto, o que tornou obrigatório baixar a despesa, para não prejudicar o défice com que se comprometeu.
Aqui se coloca, porém, a questão fulcral da governação, a de decidir onde cortar, em função do que sejam os seus objectivos, sem prejudicar a sua obrigação de proporcionar aos portugueses a melhor qualidade de vida possível.
Será cortando na despesa que que se garante a qualidade de vida? De modo algum pois cortar nas despesas significa prestar menos serviços e, por isso, reduzir a qualidade de vida, o que é uma forma de impor austeridade, inevitável quando o défice se constitui o objectivo a cumprir!
É o problema da manta curta que se tapa os pés deixa os ombros descobertos e não proporciona o conforto que só uma manta maior pode garantir.
É no destapar dos pés ou dos ombros que está a diferença entre o governo anterior e o que, agora, nos governa.
Pelas conversas que oiço, estará fora de questão mudar de manta, para o que uma maior produtividade seria necessária, bem mais elevada do que aquela de que os portugueses têm vindo a revelar serem capazes de alcançar.
De onde vem, pois, a “felicidade” e a euforia de sucesso que os resultados até agora conseguidos parecem gerar? Da ilusão que ter um pouco mais de dinheiro pode dar, ainda que mais depressa se gaste a comprar o que os impostos indirectos tornam bem mais caro.
Não creio que seja deste modo que os portugueses vão encontrar o caminho para a qualidade de vida que as suas potencialidades podem consentir-lhes.
Portugal não é o país pobre em recursos naturais que se faz crer que é.
É por se ter tornado um país pobre em vontade, em iniciativa e em productividade que se tornou no quase indigente que é.
E não será com manobras orçamentais que deixará de o ser, mas com cabeça e trabalho.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

À BEIRA DO EUFRATES



 O que acabo de ler sobre o aumento da tensão entre russos e americanos no conflito da Síria, com o líder russo a pedir a generais e outras personalidades que façam regressar as suas famílias a casa, não me parece de bom augúrio.
Este apelo acontece depois de Putin ter cancelado uma visita de Estado a França, uma atitude que conjuntamente com a colocação de misseis nucleares na fronteira polaca, aconselha a levar mais em conta os avisos de Mikhalil Gorbachev sobre o perigo deste acréscimo de tensão entre as duas maiores superpotências do Mundo.
Uma notícia recente informava, também, que Putin estava a refazer o famoso KGB, atitudes que dão conta das saudades que terá da União Soviética de outrora.
E será altura de, de novo, perguntar qual é a atitude da ONU em circunstâncias tão delicadas. Uma ONU organizada para defender os interesses dos maiores e que assim se tem mantido ao longo de décadas.
Talvez fosse o momento de a ONU mostrar o que, de facto, vale. Mas creio que, infelizmente, vale muito pouco.
Não consigo imaginar até onde poderá ir este jogo de forças em tempo de conturbadas eleições nos Estados Unidos, em que um dos candidatos até parece nutrir alguma simpatia pelo mandão da Rússia.
Mas conservo, ainda, uma réstia de esperança no que restará do bom senso que devem ter os governantes para evitar as consequências dramáticas do que seria uma guerra global e com armas nucleares que, se não destruir por si e de imediato, a vida humana na Terra, acelerará fortemente todos os fenómenos que já se conjugam para que tal aconteça.
E, mais uma vez, tudo parece preparar-se para que, ali junto do Rio Eufrates, se confrontem as forças mais poderosas do mundo que, no Apocalipse seriam de anjos e de demónios, mas agora nem serão de bons nem de maus mas apenas idiotas com interesses mesquinhos e sem qualquer respeito pela Humanidade!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

UMA INVESTIGAÇÃO SEM FIM À VISTA



O Tribunal da Relação de Lisboa não encontrou razões sérias para afastar Carlos Alexandre do Caso Marquês conforme Sócrates desejava e pediu, em consequência de uma entrevista que o Juiz concedeu e na qual, ao falar de si, disse “sou o ‘saloio de Mação’ com créditos hipotecários, que tem de trabalhar para os pagar, que não tem dinheiros em nome de amigos, não tem contas bancárias em nome de amigos”. 
Não estou bem certo mas creio que, de tantos pedidos que Sócrates já fez, este foi mais um que, como os demais, foi recusado.
E, a menos o início de todo este processo, quando Sócrates foi preso, nunca tanto ele falou, desmultiplicando-se em reuniões, sessões de apoio e eventos similares em que expõe as suas “razões” de inocência, critica a Justiça e os seus procedimentos neste caso em que considera não haver razões nem provas que sustentem as acusações que sugerem mas lhe não conseguem fazer.
Diz ele, alongam o prazo da investigação que, deste modo, não terá fim porque nada têm de que o acusar.
Não é fácil concluir uma investigação na qual parece não terem fim as novidades que trazem ao processo novas razões para ir mais fundo na análise que, porventura, permita esclarecer esta teia complicada que não parece ser feita de acasos e de amizades caridosas, antes sugerindo o que Sócrates tão veementemente nega com explicações que nem um idiota digere.
Além do mais, sabemos como a lei portuguesa dificulta certo tipo de acusações em casos que sugerem corrupção, o que nunca consegui saber por que.
E não será para as questões menores que à Justiça interessa encontrar provas que o Tribunal possa aceitar, quando as evidências de crimes graves parecem cada vez maiores, mas não são fáceis de formular.
Agora vem, de novo, à baila a veia de escritor de Sócrates cujo primeiro livro foi “sucesso” de compras pelo próprio, como foi noticiado na altura.
Agora a notícia é que Sócrates vai lançar outro livro que, diz a notícia também, o autor nem será Sócrates que, segundo suspeitas do Ministério Público, terá pago a outrem para o escrever (Buzztime - Maria Oliveira, 08-10-2016)
Mais uma acha na fogueira que a defesa de Sócrates parece querer apagar com gasolina.
Infelizmente há verdades que ardem depressa...


TÁXIS - O PROTESTO FALHADO



Os taxistas ainda não compreenderam que os tempos mudaram e que uma actividade, como a sua ou outra qualquer, não pode ficar indefinidamente fechada nos mesmos padrões, no mesmo modo de fazer que, neste caso dos transportes tem já muitas décadas.
O tempo cria novos hábitos, outras necessidades, outras solicitações, aos quais devem corresponder modos de os satisfazer que não serão, sem a menor dúvida, os entraves à evolução.
Por isso me parece que os taxistas estão a fazer a guerra errada, a guerra que sempre se perde porque foi ultrapassada, nos seus meios, por outras realidades que novas tecnologias foram criando.
Parece-me que bem melhor fariam se repensassem a sua situação e a adequassem aos novos tempos, em vez de “exigirem” que a evolução não aconteça.
O protesto que ontem fizeram não me parece que tenha causado o efeito que pretendiam, além de que nada lhes saiu como desejavam.
Uma marcha lenta que se transforma num boicote e que, ao fim de 17 horas inúteis, acabou em debandada, sem que, nas conversações com o Governo tenham alcançado os melhores resultados.
Outras formas de oferecer serviços são inevitáveis e o público escolherá as que mais lhe convier.
A guerra a fazer seria outra, a da evolução que os taxistas parecem não conhecer muito bem.
Algum efeito, para lá dos serviços diferentes que oferece, a dita Uber já teve, pois são mais raros aqueles táxis meio emporcalhados e até com cheiro pouco agradável, como acontecia em alguns em que viajei.
O que não vi ainda e de que a manifestação de ontem me não deu sinais, foi o da postura cívica adequada à prestação de um serviço de transporte ligeiro. Isto para além de casos isolados de pouco profissionalismo e até indelicadeza dos quais me poderia queixar.
Foi demasiadamente rasteira nos processos, nos ditos e nas atitudes que, francamente, me deixaram puco agradado do serviço de transporte que, quando necessito, sempre tenho utilizado.
Quem sabe será a hora de experimentar algo diferente!