ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

ENTRE PRESERVAR O PASSADO E GARANTIR O FUTURO




Mark Miodownik, professor da University College London e um dos especialistas escolhidos para criar, em cada ano, uma lista que integra tanto feitos impressionantes como para lamentar, considera que ocorreu em Portugal um dos momentos científicos mais importantes do ano, porque, ao longo de quatro dias consecutivos, o país foi exclusivamente abastecido por energia renovável, eólica e hídrica.
Na lista publicada pelo jornal britânico The Guardian, este foi considerado a terceiro “momento chave” de 2016 na área da Ciência.
De facto, entre 4 e 7 de Maio, Portugal esteve 107 horas a usar, exclusivamente, energia eólica e proveniente de aproveitamentos hídricos.
Em face da poluição ambiental provocada pela utilização de energias fósseis na produção de electricidade, sobretudo petróleo e carvão, o avanço na produção de energias limpas tem de ser considerado, de facto, um feito científico notável, por mais que haja “ambientalistas” que ainda não tenham percebido que isto tem de ter contrapartidas, aliás como acontece em todas as decisões que se tomam na vida.
Perante os problemas gravíssimos que a poluição tem causado, entre os quais as alterações climáticas que a acumulação de gases de efeito de estufa na atmosfera tem intensificado, justifica que Mark Miodownik tenha afirmado que “substituirmos os combustíveis fósseis por energias renováveis é, certamente, o desafio mais importante da engenharia e da ciência no nosso tempo”.
Todos sabemos como o confronto entre as energias fósseis e as renováveis mexe com interesses estabelecidos difíceis de contornar nesta batalha dura de proteger o Ambiente.
Mas não são mais fáceis os que, em nome de um conservadorismo de minúcia que o desenvolvimento não consente, sistematicamente se opõem ao que se queira fazer, porque teria de se deslocar uma pegada de dinossauro, a linha de um combóio já sem préstimo, de gravuras de valor duvidoso ou, quem sabe, até, de uma caca de um tipo de mosca rara do Jurássico!
É evidente que a preservação do passado é importante.
A questão está na avaliação criteriosa que deve ser feita, em cada caso, entre o valor da conservação intocada e as vantagens futuras das alterações que o progresso e a segurança exijam.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

OS CRIMES AMBIENTAIS QUE VÃO ENEGRECER O FUTURO



Quando se não consegue resistir à prática de erros que acabam por nos causar problemas, por vezes até sérios problemas, é costume dizer que se perdoa o mal que faz pelo bem que sabe!
A Humanidade entrou no tempo de usar tal desculpa todos os dias porque as condições ambientais se vão tornando de tal modo desconfortáveis e perigosas que nem o “bem que sabe” já sabe bem!
A poluição ambiental tornou-se um flagelo sem tamanho, a causar problemas demasiadamente sérios para serem encarados com a leveza da estupidez a que a ambição sempre nos leva.
Quem poderá pensar que essa minoria de gente que conduziu o mundo pelos caminhos que trilhou até à situação em que se encontra, os especialistas em nos impingir o que não necessitamos e, até, o que nos faz mal porque é esse o seu negócio e disso necessitam para que a “sua economia” funcione, se consciencialize dos damos que causa e lhes ponha fim?
Dizem as notícias que “Pequim está hoje coberto por um manto espesso e cinzento, com o nível de poluição dezoito vezes mais alto ao máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde, resultando no encerramento de escolas e voos cancelados.”
Não é a primeira vez que tal sucede. Tornou-se, até, frequente. Mas esta situação que levou as autoridades chinesas a emitir uma alerta vermelho numa região do Norte da China habitado por quase meio milhar de milhões de habitantes, é de enorme gravidade pelos danos que causam à saúde, excedendo todos os limites razoáveis.
A China sofre, frequentemente, das piores vagas de poluição no mundo, devido à alta dependência do país da queima de carvão para produção de energia e produção fabril.
É assim na segunda maior economia do mundo!
Quanto à primeira, depois de uma excessivamente longa resistência ao bom senso que diz ser o Ambiente o factor mais importante para o futuro da Humanidade, não apenas continua a degradá-lo como mais ninguém o faz, como se prepara para agravar os procedimentos poluidores, escarnecendo da Ciência que avisa, cada vez mais insistentemente, que as consequências desta irresponsabilidade vão ter consequências muito sérias, porventura irreversíveis.
O “iluminado” Trump que quer que a América seja grande de novo, propõe-se ignorar o saber e dar atenção ao egoísmo e à predação, podendo tornar-se no maestro de uma enorme orquestra desafinada que tocará a música de fundo de um filme de horror!


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ENTRE IGNORADOS E INÚTEIS



 Acabo de ler uma notícia que, embora me parecendo ser daquelas para encher espaço e pouco ou nada mais, me despertou muita curiosidade.
Diz a notícia que, depois de Ronaldo ter recebido a Bola de Ouro atribuída pela FIFA, a mulher de Messi, desta vez o segundo, lhe terá deixado uma mensagem nas redes sociais: “Um dia serás apenas uma memória para as outras pessoas. Faz o teu melhor para seres uma das boas [memórias]”.
Pode muito bem ser uma mensagem para Ronaldo ou talvez não, pois não o esclarece.
Pode ser, apenas, um pensamento que as circunstâncias lhe inspiraram, ou as cinco “bolas” ganhas pelo marido no passado lhe sugeriram, pois, de facto, pouco haverá de mais fugaz do que estes momentos de glória e de eudeusamento por razões fúteis, pois delas nada ficará para o bem da Humanidade ou que resolva, sequer, o menor dos problemas que enfrenta e se vão tornando cada vez maiores.
Ao contrário daqueles tantos que a maioria do mundo esqueceu ou nem sequer alguma vez soube da sua existência, estes ídolos não irão muito além de momentos que para o Tempo serão muito breves e para a Humanidade inúteis pelo seu legado vazio, sobre o qual ninguém construirá seja o que for, para além das paixões fúteis e exarcebadas que desperta nos que neles vêem qualidades que, de todo, não possuem. Por isso fazem deles os seus ídolos.
A mensagem da Senhora Messi, que a notícia considera um remoque a Ronaldo pela vitória que “roubou” ao marido, tem, mesmo que a intenção não passasse disso, a sabedoria profunda que distingue o valor das coisas e, por isso, sabe que aquela “bola” e o nome que tem gravado não resistirão muito ao tempo que, ao contrário, conserva coisas que não foram festejadas, que então quase passaram despercebidas e que, aos que as fizeram, valeram muitos sacrifícios e uma vida dura e sem os salários escandalosos que as futilidades proporcionam, para além do esquecimento a que a maioria os vota, não fazendo ideia de quem sejam ou do que tenham feito.
Nomes como Bell, Edisson, Volta, Da Vinci, Galillei, Newtou, Einstein, Gago Coutinho e tantos outros, são os que História preserva, assim como o que fizeram é o que o tempo guarda e melhora para nos proporcionar muito do conforto de que podemos dispor.
Como comparar os legados de Eusébio de Gago Coutinho, por exemplo?

A inutilidade sabe que Eusébio repousa, com todas as honras, no Panteão Nacional. A ignorância nem sabe, sequer, que Gago Coutinho não teve mais do que uma campa rasa no Cemitério da Ajuda!


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O POLVO (OCTOPUS) E OS TACHOS



Há muito já que se ouviu falar neste que é, agora, o grande assunto do dia, o plasma sanguíneo que o Estado Português compra à Octapharma, deitando fora o que resulta das dádivas internas.
Aliás, esta questão do sangue há muito que assumiu foros de um negócio enriquecedor em que a ganância levou a poucos cuidados de que muita gente foi vítima.
Quem pode esquecer os que morreram por lhes ter sido administrado sangue infectado com VIH comprado no estrangeiro e terá sido um bom negócio para alguém?
A Justiça tratou do assunto mas parece não ter encontrado culpados e tudo seguiu como se apenas um pequeno nada tivesse acontecido, um pequeno incidente como tantos que acontecem a cada dia que passa.
Depois falou-se e, em seguida, esqueceu-se ou abafou-se, esta questão do plasma da Octapharma, um caso bem à maneira do que se tornou, infelizmente, um hábito português, o de não aproveitar o que tem para comprar o que outros lhe vendam.
Passaram uns quantos anos e, de repente, como que surgido do nada, aí está mais um caso onde o omnipresente José Sócrates, seja de que modo for, marca a sua presença.
Uma notícia da altura dizia “o Correio da Manhã escreve hoje que "a farmacêutica suíça que contratou José Sócrates facturou, por ajuste directo com o Estado português entre 2005 e 2011, cerca de seis milhões de euros. Quando José Sócrates foi Primeio-Ministro, naquele período, o Hospital Curry Cabral e os centros hospitalares de Setúbal e Coimbra foram os principais clientes públicos da Octapharma, com aquisições de plasma do sangue e derivados que correspondem a mais de 50% do total".
Segundo dados do Portal da Despesa Pública, a Octapharma "fornece plasma do sangue e derivados a praticamente todos, senão mesmo todos, os hospitais públicos portugueses" e segundo o jornal "a farmacêutica suíça terá praticamente o monopólio do mercado português".
Agora, é um corrupio de prisões, uma já vasta lista de gente importante do mundo da saúde, sobretudo onde a política e a saúde mais se envolvem, como nestes negócios que fazem, rapidamente, milionários.
Faltará, agora, fazer a ligação mais de pormenor ao “processo marquês”, o tal que não tem “acusações” como diz o seu principal arguido que, acrescenta, nem nunca terá por mais que novos casos sejam abertos para tentar encontrar matéria para as formar.
Como diz Sócrates, já viram algum processo tão longo sem uma acusação?
Ainda não tinha visto mas já ninguém me tira a sensação de que o caso marquês não passa de uma fossa enorme onde vão parar todos os esgotos!
Qualquer dia nem precisaremos de o continuar. Morreremos apenas com o mau cheiro.
Realmente, já chega todo este tempo de investigação.
Cosam lá o polvo.

 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

EDUCAÇÃO - PROGRAMA PISA



É notícia agradável saber que, pela primeira vez, os jovens portugueses alcançaram classificações nitidamente acima da média da OCDE, que inclui 72 países e regiões, no que respeita a Leitura e a Ciências, mantendo-se na média no que respeita a Matemática, o que significa que, no que respeita a literacia, Portugal descolou, nitidamente, da cauda da Europa.
A este respeito ouvi o Ministro da Educação e uma das “meninas” do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua que, na tv se referiram a esta notícia que nos deveria envaidecer pelo que a educação representa no valor de um país.
Obviamente, o resultado é fruto de anos de trabalho e, talvez por isso e porque é o confronto e não a cooperação que condiciona a evolução deste país, o que foi feito por outros não é para valorizar.
O sr ministro passou pelas boas notícias como gato por brasas, para se deter no facto de em Portugal o número de retenções (leia-se reprovações) continuarem a estar acima da média, o que, para ele, significa a necessidade de aliviar dos critérios de avaliação, para que saiamos desta situação.
Como disparate parece-me excessivo para um ministro da Educação.
Terá de olhar-se para esta situação para que seja corrigida. Obviamente! Mas não me parece que deva sê-lo baixando o nível de exigência de conhecimentos dos que evoluem na carreira académica. Assim ser-nos-á fácil virmos a ser o país com menos "retenções", mesmo baixando nos níveis de conhecimentos em que, agora, nos situamos bem.
Não sei o que esperar, para o futuro, de um ministro assim. Mas é o que temos…
Quanto à Mariana, foi patético ouvi-la desmerecer os resultados que nos colocaram bem na comparação com dezenas de outros países, com especial destaque para os europeus, porque, diz ela, critérios de selecção capciosos terão sido a causa da melhoria anunciada que, assim, não corresponderia à realidade.
Falava, por certo, para os seus “camaradas” que nem saberão o que será este PISA e muito menos como funciona.
Uma deputada ou, como costuma dizer-se, uma representante do povo, contribuir deste modo ridículo para baixar a nossa já baixa auto-estima, é francamente deplorável.
O meu pouco saber nesta matéria levou-me a procurar informação que mais adiante resumo e mostra como os critérios são iguais para todos os países, pois apenas deste modo os resultados podem ser comparáveis.
Para quem esteja interessado em saber do que, realmente, se trata, aqui fica um resumo da informação que recolhi:
O Programa PISA (Programme for International Student Assessment) desenvolvido pela OCDE desde o ano 2000, é concebido para avaliar se os alunos de 15 anos conseguem utilizar os seus conhecimentos ou competências de leitura, Metemática e Ciências na resolução de situações comuns diárias.
Em cada ciclo do PISA, são selecionados alunos de 15 anos, através de um processo de amostragem em duas fases.
No PISA também são recolhidas informações socioeconómicas dos pais, alunos e escolas, a fim de contextualizar os resultados.
O PISA faz, pois, um retrato de cada país e compara-o com os restantes, assim obtendo uma medida da eficácia da educação em cada país, em função dos padrões estabelecidos pela OCDE.
O PISA ocorre de 3 em 3 anos.