ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 28 de janeiro de 2017

MENOSPREZAR TRUMP?



Diz Pacheco Pereira, num extenso escrito sobre o novo presidente americano que “Trump quer fazer o que quer sem qualquer entrave. Não é um democrata, não é um liberal, não é um conservador, nem um fascista, nem um nacionalista, é um demagogo revolucionário, egocêntrico e autoritário, que só ouve a voz do seu próprio sucesso. E, como sucesso não lhe falta, essa voz soa-lhe bem alto. Milhões de americanos já entenderam que com Trump a resistência tem de ser imediata e constante e não pode ser complacente ou adiada. Como Trump tem com ele também muitos milhões, o ambiente político nos EUA é de cortar à faca e vai-se agravar todas as vezes que ele abrir a boca, e vai abri-la todos os dias, porque precisa de um contínuo fluxo para alimentar o seu estilo revolucionário. Menosprezem-no e pagarão um preço bem alto”.
Parece-me que os americanos com bom senso o não estão a menosprezar quando lhe manifestam o seu profundo desagrado e criticam as suas propostas que algo têm de paranóico, ao que Trump tantas vezes responde como é próprio de alguém como o Pacheco Pereira descreve, com grosserias.
Considero um verdadeiro desastre o que se passou nas eleições americanas e nunca me passou pela cabeça que alguém como Trump fosse eleito o que, a partir de certa altura me pareceu que aconteceria perante a adversária que tinha pela frente!
Os Estados Unidos estão, mesmo, divididos a meio, como o que sucedeu na guerra Norte-Sul a propósito da abolição da escravatura.
Não irão, por certo, para o campo de batalha desta vez, mas que um tipo qualquer de guerra civil se perfila… disso não tenho dúvidas.
Será que os próprios republicanos se revêem neste exemplar acabado de chauvinismo que é Trump?
Se sim, então voltarei a rir por aquela anedota que diz que “a diferença entre o olhar de um americano e de uma vaca está no olhar inteligente da vaca”!
Quando ma contaram não achei muita piada e continuo a creditar que não passa de uma anedota e prefiro pensar que os americanos serão capazes de evitar os males que uma Adminstração Trump lhes pode causar e a todo o mundo também.



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

DESEQUILÍBRIOS PERIGOSOS



Não me parece que 2017 seja um ano muito calmo na política portuguesa.
São de duas ordens os motivos que causam esta preocupação, a instabilidade de que a Geringonça começa a dar sinais e as exigências externas para que o governo tome novas medidas para garantir o sucesso de um Orçamento de Estado que a muita gente parece cheio de alçapões.
De facto, as medidas mais imediatas e mais simples foram tomadas neste primeiro ano de governação, no qual seria natural os partidos mais à esquerda darem uma certa margem de manobra num período de adaptação para medidas mais extremas onde as divergências vão ser profundas.
É um estado de coisas que aquelas frases de circunstância como “a Direita tem de compreender que esta Câmara deixou de ser uma caixa de ressonância do governo”, não disfarçam.
As divergências vão ser cada vez maiores, à medida que PCP e BE exigirem as medidas que os seus princípios ideológicos impõem e o PSD já mostrou que não está disposto a substituir os aliados de ocasião do PS, como aconteceu com a descida da TSU.
Deste modo a margem de manobra do PS fica muito reduzida para os acordos que um governo minoritário não pode deixar de fazer.
Por outro lado, ficou evidente que o limite do défice foi atingido porque medidas excepcionais o permitiram, o que significa que as finanças nacionais ainda não estão equilibradas e que, em próximos Orçamentos poderão ser necessários artifícios que garantam que as metas definidas sejam atingidas.

UMA RECORDAÇÃO



Tinha os meus vinte e muito poucos anos quando vi a Simone cantar pela primeira vez. Creio mesmo que terá sido a sua primeira apresentação pública num festival da canção realizado no ex-cinema Império, no qual actuou como convidada.
Assisti à estreia desta sala de cinema e frequentava-o muito porque ficava ali quase a meio do caminho da minha casa para o Técnico onde estudava.
Lembro-me bem desse festival em que actuaram os nomes maiores da canção de então e recordo-me de quanto me impressionou a “Senhora da Nazaré” que o malogrado Tristão da Silva cantou.
Uma oração que hoje mesmo valeria a pena dizer tais são os perigos que nos espreitam.

“Senhora da Nazaré rogai por mim,
Também sou um pescador que anda no mar,
Ao largo da vida aproei nas ondas sem fim,
Está meu barquito de sonho quase a naufragar…”

Mas a Simone foi a menina que mais deu nas vistas. Encantou-me.
Envelheceu a par comigo, mas sem nunca nos conhecermos pessoalmente e, dos dois “catraios” que então éramos, somos hoje dois velhos, mas de cabeça erguida depois de carreiras em que cada um fez o melhor que soube.
Oiço-a, agora, numa entrevista em que reconhece que “Portugal é um país de velhos. A população é muito idosa. Mas realmente as pessoas de idade são muito mal tratadas neste país. É um facto. Não estou a falar dos da minha profissão, que também são mal tratados e mal amados. Nós não amamos a nossa gente de idade. É normal que sejam deixados nos hospitais pelos filhos e pelos netos? Não tenho capacidade para compreender como é que se deixa um pai ou uma mãe. Isso dá-me fúrias interiores, raivas interiores.
Tens razão Simone. Apenas te faltou dizer quanto valor e saber se perde neste modo de pensar que despreza a sabedoria dos velhos.
Aliás, tu és uma prova do que digo pelo que ainda fazes.

 

RIDÍCULOS DO DESPORTO



A derrota em Moreira de Cónegos foi, por certo, um crime de lesa Benfica, apesar do modo limpo e até brilhante na segunda parte como os moreirenses venceram o jogo.
Mas por que razão o terá sido, apesar de um resultado que não deixa contestação e de não ser uma derrota, necessariamente, uma humilhação, porque acontece aos melhores? E ontem o Benfica nem foi o melhor! Foi, porventura, apenas a equipa que é, mas que a sorte ou seja lá o que for bafejam frequente e exageradamente, de um modo que não é próprio das vicissitudes do desporto.
Alguma coisa haverá que faz com que seja assim.
Talvez por isso são cada vez mais as pessoas que, por esse mundo fora, se manifestam pela necessidade de fazer o que for necessário para reencaminhar o futebol para o desporto que já foi e tantos interesses sórdidos desviaram do seu caminho.
O futebol movimenta multidões e milhões de euros em cada jogo e, por isto decerto, se tornou tão apetitoso que lhe deitaram ou querem deitar a mão todos os ambiciosos deste mundo.
Não escapa a ninguém a corrupção que o envolve e até bem se conhecem, em factos que a comunicação social relata, os que mais a promovem.
Dando de barato os exageros cometidos, muito ainda fica que nos levam a acreditar ter o futebol deixado de ser um jogo limpo que os erros dos árbitros podem nem o ser, de tal modos são escandalosos algumas vezes!
Por outro lado é bem evidente a resistência do “sistema” à limpeza que precisa e pela qual cada vez mais há quem clame.
Tudo me pareceu ficar ontem bem expresso na atitude do treinador do Benfica que decidiu recusar o cumprimento do treinador vitorioso, vociferando que “está tudo registado”, como quem diz espera pela volta e verás!
Era a altura certa para se conhecer o relatório sobre o desempenho do árbitro, para o comparar com a realidade, assim como a nota que lhe será dada por tão “desastroso” desempenho que fez o Benfica sair derrotado.
Engraçado o que relata um jornal desportivo, demonstrativo de um estado de espírito de arrogante a que uma falsa superioridade dá lugar “Na reta final do jogo, Francisco Geraldes impressionou as bancadas com uma finta que... não deixou Pizzi nada satisfeito. O médio do Benfica dirigiu-se de imediato ao adversário, que estava sentado no relvado, e repreendeu-o, acusando-o de falta de respeito”. Ridículo, não é?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O SALÁRIO MÍNIMO E LAVOISIER



Mas afinal o que decidiram na concertação social? Tirar de um bolso para meter no outro?
Nem mais nem menos, é isso mesmo que acontece seja qual for a contrapartida que o governo oferece aos empresários para que subam o salário mínimo.
No final, seja a contrapartida qual for, descida da TSU ou a redução do PEC, poderemos dizer, como Lavoisier no seu inspirado princípio que “nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”!
Tudo quanto se faça deste modo não passará de um faz de conta porque as empresas não criam, com a sua organização e com a sua productividade, os meios financeiros capazes de pagar salários decentes.
E continuamos neste domínio, como em tantas outros, como a pescadinha de rabo na boca. A productividade é baixa porque é mal recompensada e a recompensa não pode ser melhorada porque a productividade é baixa.
Tenho a experiência pessoal de que os nossos trabalhadores são tão capazes como os melhores.
Numa estadia na Holanda, onde me fui especializar em “docas secas”, visitei os estaleiros da NDSM e da Wilton Feyenord onde trabalhadores portugueses se treinavam para, depois, equipar a Lisnave onde acabou por ser construída a maior doca seca comercial do mundo.
Numa das visitas, não recordo qual, o meu cicerone afirmou-me que se encontravam ali, a ser treinados, 400 portugueses que, assim mo afirmou, eram excelentes trabalhadores e, por isso, alguns acabariam por ficar por lá.
Afinal o que se passa? Será dos ares ou da falta de capacidade dos nossos políticos e empresários que preferem os “joguinhos” ao trabalho duro?
O que, depois, aconteceu à Lisnave é outra conversa…