ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O TIC TAC DA GERINGONÇA



Parece que quanto à questão da CGD, aquela que obrigaria, ou não, a entregar a lista de bens e de rendimentos dos gestores, vai ficar em “águas de bacalhau”, porque a maioria geringôncica assim o decide. E nem a insistência da Oposição para criar uma nova Comissão de Inquérito, uma iniciativa de que as notícias hoje dão conta, dará algum resultado porque, nesta democracia de interesses, vale a razão da maioria e não a maioria da razão. É sempre assim.
A mim parece-me um caso grave demais para ser esquecido. A alguns políticos é o esquecimento o que mais interessa.
Nem sequer é estranho que assim seja, mas toda a gente sabe o que isso quer dizer.
Quem fez o que, quem disse o que, quem teve ou não teve intervenção nesta bagunça de que já todos nos apercebemos e da qual cada um já tirou as suas conclusões, por certo?
Não sabemos é se estarão certas e isso é que uma Comissão de Inquérito a sério deve esclarecer.
Ver um ministro das finanças baralhado, um Primeiro-Ministro fugidio e um Presidente da República sob suspeita, não é situação que nos possa deixar tranquilos.
Mas será que ninguém tem coragem para dizer o que fez?
E fez, com certeza, pois o que se conhece que foi feito, alguém o fez.
E o que poderia não ter passado de um equívoco que facilmente se resolveria, é agora uma baralhada em que ninguém se entende e para a qual a geringonça dá as mais patéticas explicações e do qual Costa foge como o diabo da cruz!
Além disso, o Presidente da República também não deveria esconder-se atrás de um texto feito de palavras cuidadosamente escolhidas, mas que não são bastantes para convencer ninguém que não esteja predisposto a ser convencido.
Seria bom para todos nós saber o que aconteceu à CGD ao longo do último ano e, depois, como foi esta cena da sua administração que a maioria não quer ver esclarecida.
Eu não passo de um vulgar cidadão a quem apenas interessa ver o seu país em boas condições, governado pelo melhor Governo que se possa formar, mas não me sinto bem com este jogo de escondidas que, mais cedo ou mais tarde, as circunstâncias esclarecerão.
Depois, será que o melhor Governo se forma com gente assim?


POLÍTICA HIPÓCRITA



Sorrisos, apertos de mão que fazem aparentar relações magníficas entre os “irmãos” portugueses e espanhóis e, por outro lado, o que “nuestros hermanos” vão fazendo e que nos prejudica ou coloca em risco.
Não foi tão simpática a visita de Filipe VI a Portugal?
Que interessante, um Filipe!
Já aqui escrevi sobre o problema de Almaraz e não vou repetir, pois os textos estão disponíveis para leitura.
Como já o disse aqui também, nunca estivemos atentos, como devíamos para negociar os interesses conjuntos, como é o caso dos rios internacionais, deixando que os vizinhos fizessem os que lhes conviesse para, depois, levemente, protestarmos.
Sempre foi assim. E parece que continua a ser.
Há quanto tempo já sabíamos que Alamaraz estava em fim de vida útil e deveria ser desmantelada? O que fizemos para ter a certeza de que assim sucederia? Esperaríamos que os espanhóis, por sua iniciativa, fizessem o que deviam e, finalmente, acabassem com o susto contínuo que é Alamaraz, com todos os problemas que tem tido ao longo da sua vida e agora, com mais razão de ser, continuará a ter?
Mais, ainda, como é possível haver um projecto de um depósito de resíduos nucleares tão próximo da fronteira portuguesa, nas margens do maior rio ibérico, o Tejo, e só nos apercebermos disso quando tudo está pronto, incluindo licenças, para começar a construção?
Por que é anulada, unilateralmente, uma visita de engenheiros a Alamaraz, sem para isso arranjarem outra desculpa que não seja a de que os portugueses alteraram as suas intenções?
Mas parece que as intenções só poderiam ser a de verificar o estado em que Almaraz se encontra. Qual poderia ser a outra intenção, sabotar a central?
Que anda a fazer a Ordem dos Engenheiros portugueses que, e isso não me admira nada, parece adormecida perante os problemas graves que acontecem e dos quais deveria, também zelar?
Será que os conhece a fundo?
Por fim, para que serve a Europa se não intervém nestas questões entre os seus Estados, quando estão em causa normas estabelecidas e interesses de membros que podem ser lesados?
Andam todos a dormir, pela certa!
Quererá a Europa que aconteça em aqui o que sucedeu em Chernobil ou fukushima? Para não falar em outros acidentes que vão acontecendo por aí e a sorte tem evitado serem tragédias.
Além do mais, a energia produzida em centrais nucleares é a mais cara!!!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

BRINCANDO AO GATO E AO RATO



Era natural que acabasse assim, com todos a desconfiar de coisas que se tornaram confusas, quase impossíveis de admitir.
Quando o Processo Marquês parecia estar a chegar ao ponto crucial da formulação de acusações, Cavaco Silva vai lançar um livro no qual faz uma verdadeira radiografia de Sócrates, o primeiro-ministro com quem teve uma relação difícil. Alguém se admira?
Foram muitas conversas e muitos assuntos que, sem dúvida, não podem deixar de ter interesse na avaliação do principal arguido num caso em que tenta sair ileso como saiu de outros em que o resultado não convenceu ninguém.
O que nele se esclarecerá sobre a nacionalização do BPN e de outros assuntos polémicos e que saíram caros a todos nós, ainda não sei, mas vou ficar a saber quando comprar o livro.
E como está quase a sair a acusação pela qual Sócrates parece não poder esperar mais, teremos muito com que nos entreter para ficar a conhecer melhor, se isso é possível, uma personalidade incomum que parecer ter vindo lançar a confusão num país que para nada dela necessitava.
Agora a questão da caixa Geral de Depósitos em que, aos poucos vai ficando mais clara a baralhada que uns quantos tramaram, com o habilidoso Costa a tentar escapar de fininho, comprometendo o próprio Presidente da República que, tal como Centeno, não esclareceu nada no que disse.
E, afinal, quer a Mortágua fazer crer que os que criam esta barafunda de meter o nariz onde não são chamados, apenas querem dificultar a recapitalização do banco Público que eu acho muito bem que o continue a ser?
Não, o que quer a Mortágua é que passe em claro uma das maiores broncas da nossa política que o será se a falta de esclarecimento continuar ou poderá nem o ser se, como todos gostaríamos, o esclarecimento, seja ele qual, for vier a ser feito em vez de uma qualquer tramóia ser descoberta, pois não acredito que o gato largue o rato antes de o agarrar, apesar de nem a Comissão de Inquérito da caixa já ter presidente que se demitiu por falta de condições!
Eu gostaria era que, em vez destas desculpas esfarrapadas, depois de uma longa conversa com o Presidente da AR, o presidente demissionário nos dissesse o que se passa mesmo…


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

AFINAL QUEM MENTIU?




O dr António Bagão Félix dá-nos hoje conta, na crónica que escreve no Público, dos resultados de uma investigação da University College de Londres, publicada na revista Nature Neuroscience, sobre certos aspectos comportamentais das pessoas, nomeadamente no domínio da mentira e cujos resultados mostram que “quando a desonestidade aumenta, a reacção no cérebro diminui”.
Mais concluem os investigadores, entre outras coisas, que com a repetição, o cérebro adapta-se à desonestidade. Há uma adaptação emocional e, a par da adaptação emocional à mentira, também a magnitude das mentiras aumenta.
É um artigo extenso que os interessados nesta matéria devem ler.
Eu li e apenas verifiquei que a equipa de investigadores concluiu cientificamente aquilo que todos já sabíamos dos mentirosos e que um ditado popular regista deste modo:
Coitado do mentiroso!
Mente uma vez, mente sempre,
E mesmo que diga a verdade,
Todos lhe dizem que mente.
É isso! A mentira torna-se um hábito e, ou se corta pela raiz ou cresce cada vez mais.
Até o mestre Gepeto tinha esta noção ao fazer crescer o nariz do Pinóquio quando mentia.
E eu vou estar mais atento porque me parece que os narizes dos políticos andam a crescer, não sei se porque o homem da câmara a aproxima demais, distorcendo-lhes as feições, se porque têm os investigadores do University College razão nas conclusões a que chegaram. E o mestre Gepeto também.
E não consideraram os investigadores esta cena triste que foi a nomeação da Administração da Caixa Geral de Depois em que as mentiras e os “faz-de-conta” foram ridículos e, talvez porque a actividade cerebral diminui depois da mentira, Presidente da república, Primeiro-Ministro e Centeno, deixaram-se caçar no turbilhão da aselhice que mostrou a toda a gente o que, aos poucos, se tornou evidente, por mais desmentido que fosse.
O Discurso do Ministro das Finanças foi patético e fez-me pena o castigo que lhe impuseram daquela declaração pública mal amanhada.
O António Costa foi tentando passar entre os pingos da tempestade e o Presidente engoliu um sapo, um daqueles bichinhos que adoram estes tempos de borrasca.
Um relatório deste episódio, ainda que vulgar na cena política portuguesa, devia ser enviado aos investigadores, pois é em um caso que merece ser estudado à luz das suas revelações científicas, as quais, decerto, comprovaria.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

CONTUDO, MOVE-SE



Galileu Galilei, considerado o pai da ciência moderna pelo seu método “empírico”, nasceu há 449 anos, em Pisa, Itália.
Cientista em vários domínios do conhecimento, nos quais produziu trabalhos notáveis, será, sobretudo, pelos seus trabalhos em astronomia e pelos problemas que lhe causaram que o seu nome é mais recordado.
Com o telescópio, do qual não é o inventor pois foi patenteado antes por Hans Lippershey, fabricante de óculos, que desenvolveu e utilizou em múltiplos trabalhos científicos de observação, entre os quais os que lhe permitiram confirmar a tese do heliocentrismo de Copérnico que contradiz o geocentrismo apadrinhado pela Igreja Católica, contrariando, assim, a concepção geral do mundo e os princípios teológicos essenciais.
Para os fundamentalistas da Igreja, estas descobertas eram perigosas.
As suas descobertas em Astronomia foram bem aceites por uns mas foram repudiadas por outros que sustentaram, até, a sua inexistência. E ainda que mais tarde rendidos à verdade de Galileu, não evitaram os problemas que veio a ter com o Santo Ofício que, apesar de o não poder desdizer cientificamente, decidiu questionar o seu relacionamento com Cesare Cremonini, um filósofo suspeito de heresia pela Inquisição.
Em 1616, a Inquisição pronunciou-se sobre a teoria heliocêntrica que ele havia confirmado cientificamente, declarando que a afirmação de que o Sol é o centro imóvel do Universo era herética e que a de que a Terra se move estava "teologicamente" errada.
Apesar das iniciativas papais para uma atitude conciliadora que não pusesse em causa, de modo tão frontal, os princípios teologicamente defendidos, Galileu acabou por ser convocado a Roma para ser julgado.
Um julgamento longo e desgastante teve profunda influência num homem doente que acabou condenado a desdizer publicamente as suas ideias, sem o que seria condenado a prisão por tempo indefinido.
Em consequência, os seus livros foram registados no Index, sendo censurados e proibidos de ler, pelo que apenas puderam ser publicados nos Países Baixos onde o Protestantismo já se havia rebelado e, por isso, sem submissão ao Santo Ofício.
À saída do tribunal que o condenou, atribui-se a Galileu a célebre frase “Contudo, ela move-se”, no que se referia à Terra que o geocentrismo considerava imóvel e o correspondia à verdade teológica de a Terra ser o centro do Universo.