ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

O PESADÊLO QUE VIVEMOS



Não me parece que o mundo siga por bons caminhos.
Dia a dia, maiores são os problemas criados, maiores as dificuldades que enfrentamos e menos são os meios de que dispomos para os resolver, para evitar que sejam mais e maiores, ainda.
Até, mesmo, aquilo que julgávamos afastado para sempre, a guerra em grande escala, parece querer acontecer, desta vez com meios que dela podem fazer a última.
Infelizmente e como se tornou hábito, passamos do oito para o oitenta, da cómoda sensação do deixar andar, na esperança de que o tempo resolva, para a precipitação de que podemos resolver tudo de uma assentada, julgando que, depois, tudo ficará bem, apesar das vezes que, até bem recentemente, a realidade nos mostrar não ser assim. Pelo contrário.
A Humanidade que tanto invoca o “meio” onde, diz, está a virtude, parece não a conhecer de facto e, muito menos, a sabe praticar.
Não fico admirado que, depois de tantos excessos praticados neste mundo de dor onde, diz a Bíblia, expiamos o “pecado” da desobediência a que a ambição nos levou, a exiguidade que os excessos causaram não poderia deixar de causar um clima de tensão entre os que vêem o seu “muito” reduzir-se e querem recuperá-lo e aqueles que, por nunca o terem, se julgam no direito de o ter, também.
O que agora se passa no mundo faz-me pensar nas barbaridades de que a História me falou dos tempos de outrora, os quais começam a perecer-me dias dourados perante as monstruosidades de que, todos os dias, me dão notícia.
É por tudo isto que temo os horrores das duas guerras que nos poderão trucidar, a que travamos contra a Natureza que não respeitamos e a que nos pode lançar uns contra os outros, numa demonstração de estupidez de que qualquer outro ser vivo não é capaz!
É próprio do tempo que vivemos o diálogo subtilmente violento de Trump que diz que a América deve reforçar a sua capacidade nuclear até o resto do mundo ganhar juízo e de Putin que lhe mostra o maior míssil balístico de todos os tempos, capaz de destruir um país do tamanho da França!
Se Trump mostrou que estava decidido a quebrar os compromissos de contenção nuclear assumidos, Putin mostrou que já os havia quebrado.
É um autêntico Armagedão em marcha.
Mas quem sabe se a inteligência do Homem ainda será capaz de, finalmente, se impor aos disparates que pratica, salvando-nos do castigo que, pelos erros que praticamos, sem dúvida merecemos.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

ABUNDÂNCIA OU DESPERDÍCIO?



A televisão tem modas. Como as tem a “moda” que se exibe em passerelles com o que ninguém em seu perfeito juízo ousaria vestir na sua vida diária.
Por exemplo, não imagino alguém a passear-se no Rossio, sentada à mesa de uma casa de chá ou, mesmo, na recepção de uma Embaixada, exibindo as mamas apenas cobertas apenas por um tule bem transparente…
Mas, como diria a Teresa, isso agora não interessa para nada! Nem mesmo falar daqueles outros programas mais ousados e de não mais qualidade do que as “janelas de Amesterdão”, dos quais ela foi percursora em Portugal.
Prefiro falar daquela moda tão na moda que são os programas de culinária que, apesar de vindos de todo a parte do mundo, todos mostram a mesma coisa, comida confeccionada do mesmo modo, uma cozinha internacional, cara e perdulária, com a qual creio que ninguém se alimenta todos os dias e menos de 1% da população mundial alguma vez provou ou provará.
Dias há, nos quais até parece não haver canal que não esteja a exibir um programa desses.
Fazem-me lembrar os que, talvez por não terem uma vida que valha a pena, através das revistas cor-de-rosa se embriagam com o que nelas se diz da suposta vida de outros e daqueles que já não há cirurgia estética que remende.
Programas de fantasia que não ensinam nada de bom, seja a quem for.
Mas nestes programas de ilusão, onde se vêem despensas cheias do que muita gente no mundo nunca viu ou raramente vê, o que deve ser a doença mais grave deste mundo, a fome absoluta, uma epidemia que atinge milhares de milhões de seres humanos e, por isso, é a maior causa de morte em todo o Planeta, eu sugiro que, à semelhança do que foi determinado para os maços de tabaco que tão mal fazem à saúde, também num canto desses programas fossem exibidas imagens que nos lembrassem o crime que cometemos com tantos desperdícios que poderiam evitar o horror da fome a tanta gente!
Lá no cimo sugiro uma.


quinta-feira, 30 de março de 2017

AS LEIS DE TRUMP. PRIMEIRA: SE É DISPARATE, FAZ!



Ridículo é o menos que se pode dizer deste hábito de anunciar os disparates que se propõe fazer.
Como se fossem as “pedras da lei”, Trump exibe os seus disparates com o orgulho de quem chegou para salvar a América.
Já estamos habituados a que os justifique com outros ainda maiores, com argumentos que fazem parte do ideário de um idiota que julga todos os demais incapazes.
Desta vez, Trump propõe-se levar por diante a decisão de fazer tábua rasa de tudo o que a racionalidade e o mais elementar bom senso lhe proporiam quando se trata de questões tão graves como esta que põe em perigo a própria Humanidade, as alterações climáticas que poderão modificar de tal modo o Ambiente que este poderá não ser mais aquele que permite a vida humana.
Trump prefere a tese da cabala chinesa para prejudicar a productividade americana e, deste modo, lhe retirar a primazia na economia mundial.
E fala de “carvão limpo” e de outras coisas que nem lembrariam ao diabo.
Por isso rasga compromissos de Estado a nível mundial, como o foi o Acordo de Paris sobre o Ambiente, apesar do muito pouco que este foi perante as urgentes necessidades para travar as mudanças que podem tornar o mundo mais rapidamente insuportável para a vida de todos nós, do que o “poderoso” Trump e toda a sua descendência também são parte.
Ufano, faz questão em exibir e mandar registar para a posteridade, o fruto da boçalidade de que damos conta em quase tudo o que diz e faz e mais uma vez me pergunto como é possível que isto esteja a acontecer na espécie mais inteligente que a vida já criou na Terra.
Parece-me mau demais para ser verdade!
Mesmo assim, não me dou conta das reacções que estas atitudes deveriam causar por todo o mundo. E nem admirado fico.

terça-feira, 28 de março de 2017

A CIMEIRA DA EUROPA DOS SESSENTA ANOS



(1957 - assinatura do Tratado de Roma)


A ideia de uma “Europa” como um todo que superasse as divergências que, constantemente, nela geravam conflitos e, ao mesmo tempo, lhe pudesse trazer vantagens económicas, nasceu, decerto, das melhores intenções de um punhado de “Homens de Estado” com visão do futuro que não tiveram dúvidas quanto à necessidade de fazer dela um espaço geo-político que pudesse competir com os “monstros” que a Segunda Guerra Mundial criou e se envolveram, logo de seguida, numa guerra fria que, a qualquer momento, a poderia envolver, com consequências maiores do que o passado já tivera.
Mas, em vez de se unir, a “Europa” foi crescendo sem controlo, avançando por caminhos que ia deixando esburacados e hoje, perante os diversos bolcos criados no mundo, a Europa continua a “manta de retalhos”, sem regras que a unidade impõe para que o seja, sem o espírito de cooperação que faça uma “União” existir, sem superar os traumas vindos do passado nem entender a diversidade dos povos que a habitam.
Não é este um lugar para falar da génese de uma Europa que não consegue sê-lo mas à qual as circunstâncias vêm mostrando que tem de se decidir a sê-lo ou a soçobrar perante outras forças que a dominarão.
Foi por isso que, a propósito do 60º aniversário do Tratado de Roma que foi o seu começo, os vários chefes de governo se reuniram e chegaram à conclusão de que a Europa teria de se fortalecer ao longo dos próximos 10 anos!
Como tantas vezes se diz, gostaria de ter sido mosca que por ali pudesse andar para escutar os lugares-comuns debitados em tão magna reunião que, pelo comunicado a que deu lugar, em tudo se parece com tantas “cimeiras da terra” para a livrar dos males da degradação ambiental que a “civilização” cada vez mais produz e que bem pode encaminhá-la para o seu fim.
E no habitual “retrato de família” dos “poderosos” reunidos em Roma, são bem visíveis os sorrisos alvares de quem quer mostrar ter salvo a Europa com um comunicado idiota que mais não fez do que entrega-la à sua triste condição de um grupo de “comadres hipócritas” que, fingindo cooperar, cada uma defende, o melhor que pode, os seus interesses.
Por isso melhor será reter a imagem dos que, cientes das dificuldades do futuro, tentaram que a Europa se preparasse para ele.
São eles que merecem passar à História, mas não tiveram, nem têm, continuadores  que valham a pena.

sábado, 25 de março de 2017

O VELHO TRATADO DE ROMA E A UNIÃO EUROPEIA



Quando as maiores dúvidas sobre o futuro da Europa se acumulam, quando a Europa se vê cercada por perigos diversos que põem em causa a sobrevivência da União Europeia, quando são cada vez mais divergentes as propostas dos vários membros sobre o que deve ser o seu futuro, os líderes europeus reúnem-se na capital italiana para celebrar o 60.º aniversário do Tratado de Roma, já sem a presença do Reino Unido.
Propõem-se, nessa reunião, analisar a situação da União, depois do que farão uma declaração sobre o futuro da Europa a 27. Dizem.
Apesar da solenidade do acto e das declarações bombásticas sobre a urgência de decidir o futuro, eu não acredito, de todo, que possa sair desta reunião qualquer decisão que seja capaz de superar as divergências não resolvidas ao longo de mais de mais de meio século de vontades anémicas para o conseguir. E, como é costume nestes casos, sejam europeus ou mundiais, a declaração não passará de um paleio bem enfeitado de palavras ôcas e sem qualquer efeito no futuro, como também é hábito que aconteça.
Retirando os primeiros anos de CEE e considerando os alargamentos sucessivos sem que os anteriores estivessem minimamente consolidados, nada vejo que, ao longo dos últimos anos, tenha sido feito no sentido de uma união que, de facto, faça desta amálgama de países com passados turbulentos e tão diferenciados nos seus propósitos, um espaço em que os seus interesses prioritários se conjuguem, mesmo o de, simplesmente, sobreviver às cobiças dos monstros que pretendem afirmar-se através das suas grandezas e a ameaçam pelos mais variados pretextos.
Na realidade, a União Europeia não existe de facto e, por isso, não tem força para se impor no “concerto mundial desafinado” que bem pode acabar num réquiem pelo seu futuro!