ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

FÁTIMA E DEUS



A vinda do Papa Francisco a Fátima não poderia deixar de agitar o país, de ser motivo de conversas, de discussões, de manifestações de carinho e de admiração por um Papa que se tornou muito especial pelo seu modo de ser, pelos valores que privilegia, pelas reformas que faz, pelas lições que nos dá. E, sendo o Papa o representante maior de Deus na Terra, não pode deixar de trazer consigo a questão da existência do próprio Deus que representa, o que, para o Homem, sua criatura, corresponde a questão de saber a razão por que existe, de qual é o seu papel nesta imensidão do Cosmos que o Big Bang começou e do qual muito pouco se conhece, até do que mais proximamente nos rodeia, bem assim como do destino que terá.
A existência de Deus coloca a questão de querer saber o que Ele seja e quais sejam os seus desígnios, questão à qual apenas a Fé dispensa resposta, como diz Miguel Esteves Cardoso, “A fé é uma desistência de mestria, de domínio, de arrogância. É um acto de humildade que alivia (do esforço escusado de compreender e saber tudo) e que liberta”.
Já para Stephen Hawkings, o famoso físico de Cambrige, Deus não foi mais do que uma cobertura para a ignorância sobre o que nos rodeia e sobre nós próprios, para a razão de tudo o que conhecemos existir sem saber porque ou para que. Por isso ele diz que, sabido como o Universo se criou, a existência de Deus deixou de fazer sentido porque já não explica nada!
Não me parece que seja assim, porque ainda que pareça que a experiência que confirmou a existência do “bosão” de Higgs que mostrou como através dele a energia pura se transforma em matéria, tenha sido a explicação cabal de como foi criado o Universo sem qualquer intervenção de Deus, a verdade é que, em vez de ser a resposta a tudo foi a causa de mais perguntas, de novas hipóteses de teorias que, agora tentaremos demonstrar.
Por exemplo o que será e que significado terá a enorme quantidade de matéria que o Big Bang gerou e coexiste com este quarto da matéria total criada que detectamos à nossa volta? O que se passa com o resto?
Como também disse Hawkings, se construirmos uma teoria e a demonstrarmos até ao fim, então entraremos na “mente de Deus”.
Mas parece que a teoria não tem fim, sendo cada vez maiores os mistérios por esclarecer.
A teoria global vai sendo montada à medida que vamos sabendo mais e dificilmente alguma vez as respostas que encontrarmos não darão lugar a mais perguntas para as quais procuraremos mais respostas.
Além disso, poderemos admitir que o “tempo” teve início no Big Bang? Poderemos dizer que foi um acaso e, por isso, nada o determinou?
Foir há cerca de 15 mil milhões de anos que o Tempo começou?
E que se terá passado antes do Big Bang?
Por mim, tenho muita dificuldade em desistir de procurar saber qual a minha razão de ser, de tentar saber qual será o meu destino final, qual é o todo do quel faço parte. 
Por isso me não conformo apenas com ter Fé, o que me livraria de tais preocupações, do mesmo modo que, se fosse ateu, me libertaria também.
Entretanto e como também diz Miguel Esteves Cardoso, “Comigo a fé veio do reconhecimento da minha incapacidade, por muito que eu lesse e estudasse, para compreender o que se passava à minha volta. Do "quem sou eu para saber?" veio a consciência de um Deus que sabe. Não uma pessoa, precisamente: um Deus”. 
Eu continuo a procurá-lo na Sua obra que sou eu e tudo o mais de que me dou conta e muito mais de que me não dou conta que é tudo o que me faz sentir que Ele existe.



quinta-feira, 11 de maio de 2017

A DIREITA E A ESQUERDA



Escrevi, há já alguns anos, no jornal da minha terra com o qual colaborava regularmente, uma crónica em que questionava a razão de ser da Direita e da Esquerda em função da realidade que hoje se vive. E pelas razões que, então, apontei, a conclusão mais óbvia era a de que já não faziam sentido, porque a realidade actual nos obriga, cada vez mais, a olhar os problemas como globais de uma Humanidade em perigo de se destruir a si própria e, por isso, com cada vez menor margem para errar nas decisões que tome quanto ao seu futuro.
Não seria possível prolongar por todo o sempre esta tão louvada alternância política que nada mais faz do que desfazer o que outros fizeram para fazer de novo porque os caminhos que propõem são diferentes, tal como o são, também, os benefícios pessoais, de grupo ou de classe pretendidos, sendo essa a verdadeira guerra travada nas campanhas que fazem.
Os anos passaram, as dificuldades cresceram, as crises sucederam-se apesar dos artifícios com que os políticos as combatem sem conseguirem, de todo, eliminar. E vão, continuadamente, falando numa “retoma” que, por breves instantes, apenas parece acontecer.
Os factos provam-no à evidência e haverão de prova-lo ainda mais na medida em que a “pilhagem” dos recursos da Terra vai dificultando a sua renovação, porque a Terra não é um depósito sem fim, mas um meio em que os recursos necessários à vida se renovam por ciclos naturais que não há como alterar sem causar condições que tornam difícil ou impossível viver.
Mas os políticos recusam esta realidade para a qual a Ciência continuadamente chama a atenção, porque tal seria a morte desta política de interesses divididos que jamais fizeram do bem das sociedades e da Humanidade em geral o seu objectivo, a sua preocupação.
Eu terei de concluir que o Homem é pequeno demais para entender o seu destino que cada vez mais parece ser a sua própria destruição por um dos tantos meios que, para tal, ao longo do tempo preparou.
Não sei se acabaremos desfeitos pelos milhões de armas destruidoras que construímos, se intoxicados pela poluição que causámos ou envenenados pelo que comemos, mas o risco, seja qual for o modo, fica, a cada dia, maior.
A euforia de outros tempos em que o que mais contava era o nível de vida e, por isso, a miséria de que parecia livrar-nos valia bem a poluição cada vez maior que causava e as disputas que fomentava, transformou-se em louvores a coisas menores como o tão martelado “défice”, a artificial baixa do desemprego, o enganador aumento do poder de compra e outras coisas que exigirão uma imaginação cada vez maior para que continue a haver quem acredite nelas como solução para os problemas que mantêm a crise e a vão tornando maior. Mesmo que, às vezes, até nem pareça.
E, num constante puxa daqui e dali, a Direita e a Esquerda lá vão rasgando a manta que está quase em pedaços.
Os eleitores começam a dar-se conta de que não será esta disputa que nos livrará do destino que nos espera e vão fazendo desparecer uma e outra que dão lugar a outras que não sei bem o que são.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

A CAÇA E O HOMEM



Sempre, mas sempre, senti um profundo horror pela caça como prazer lúdico, por esse gosto anormal de matar por matar, pelo prazer de acertar em algo que vive e, por isso, se mexe!
Recordo, ainda, arrepiado, aquele dia já muito distante em que, pela primeira vez peguei numa pequena espingarda, uma flaubert (talvez tenha acertado na escrita…), e disparei sobre um pardalito que, feliz, cantava numa árvore, no galho que escolhera para fazer o seu recital.
Atirei sem grande esperança de acertar porque nunca o fizera antes. Mas tive a pouca sorte de ter pontaria e o pobre ser, ferido de morte, caiu quase aos meus pés, tremendo, sem um pio sequer e, quando o peguei para o acarinhar, talvez, para lhe dizer do meu arrependimento e lhe pedir desculpa pelo “crime” que cometi, senti o seu calor, o seu coração que ainda batia mas depressa parou. E o pardalito, para quem o dia tinha começado feliz, morreu ali nas minhas mãos.
Passadas tantas dezenas de anos, sinto ainda aquele arrepio de horror que as desculpas não apagaram para sempre.
Acabou enterrado numa cova que fiz, num lugar que, com o tempo, já terá desaparecido.
Por isso não posso senão apoiar os que exijam para este “desporto” da caça regras mais exigentes que evitem o matar por matar e defendam as espécies em risco e de outras que, sem saber o mal que fazemos, envenenamos para que não usem a sua parte dos recursos alimentares deste mundo que também é seu.
Já são sentidas as consequências nocivas deste procedimento e mais serão sentidas no futuro, quando maiores desequilíbrios se sintam.
Não vejo onde esteja o prazer de exibir um animal, antes altivo e com a sua função própria neste ambiente em que vivemos, para, depois, o abandonar sem utilidade alguma.
Mas isto discutem os entendidos e aqueles para quem cumprir regras e ir à confissão livra de pesos a consciência.
Eu gostaria de ver defender, para além dos outros seres que, connosco já formaram um conjunto harmonioso que a nossa estupidez já quase destruiu, o ser que, apesar de ser o maior responsável pelos desequilíbrios que acontecem, corre severos riscos de desaparecer também.
Parece que disso o PAN não faz grande ideia…