ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

terça-feira, 20 de junho de 2017

PESSOAS, NATUREZA E ANIMAIS!



Quando li o programa deste novo partido, PAN, com uma introdução que eu, com todo o prazer assinaria, julguei que, finalmente, alguém na política tinha acordado para os verdadeiros e mais importantes problemas que a Humanidade enfrenta e, depois de conseguido um deputado, uma voz na Assembleia da República se faria ouvir acerca do que os políticos normalmente e alguns até deliberadamente ignoram.
Falaria de questões essenciais para a sobrevivência e prosperidade de um país do qual a alma mirra depois de quase ter dominado o mundo inteiro.
Depressa me apercebi, infelizmente, que se ficou por certos aninais fazendo do não abate de cães vadios e da luta contra as toiradas, entre outras coisas do mesmo tipo, as suas primeiras grandes causas!
No início, duas ou três referências na comunicação social onde apenas coisas menores são referidas e, depois, a total ausência nos grandes momentos em que o futuro do Homem está em causa, é para mim prova de que ainda não foi desta vez que alguém é capaz de levantar a sua voz e defender as suas convicções contra os crimes que farão da Humanidade a sua vítima.
Agora, que tragédias graves acontecem em consequência da falta de cuidados e de acções que eu esperaria que o PAN defendesse desde a primeira vez que entrou na AR, onde está ao PAN?
O que pensa sobre isto? Que críticas faz ao que está a acontecer? Que sugestões faz?
O PAN desapareceu?
Onde estão os que escreveram, entre outras coisas que:
“Tudo está a mudar muito rapidamente à nossa volta. O que esperamos hoje do futuro é significativamente diferente daquilo que esperávamos há quatro anos.
As evidências científicas dizem-nos, de forma cada vez mais enfática, que nos encontramos num momento crítico e decisivo para a manutenção e equilíbrio da bioesfera, pelo menos tal como a conhecemos.
A actividade antropogénica está a comprometer as gerações futuras e a sobrevivência das várias espécies, incluindo a humana.
Vivemos um período que é já descrito por muitos cientistas por Antropoceno, que resulta da intensa actividade humana que está a ter um impacto significativo no clima da Terra e no funcionamento dos ecossistemas.
Portugal está no "top ten" dos países europeus que serão mais afectados pelas alterações climáticas e pelos eventos extremos associados, como a erosão costeira, a falência dos solos, as inundações ou o stress hídrico…”
Alguém vê o PAN por aí?

E AGORA? O COSTUME, NÃO É VERDADE?



Dentro deste carro estavam pessoas aflitas, amedrontadas, adultos e crianças que, desesperadamente, tentavam escapar do inferno em cujo fogo acabaram por ser consumidas!
Não são nem podem ser lisonjeiras as apreciações que lá fora se fazem a propósito do que acontece em Portugal no período dos incêndios florestais.
A Tragédia de Pedrógão deixou todos profundamente impressionados e mostrou ao mundo a nossa incapacidade para enfrentar estes acontecimentos, por mais esforçados que sejam os homens que lhes fazem frente e, até com risco da própria vida, tentam defender outras vidas e os seus bens que as chamas, impiedosamente, vão consumindo.
A “riqueza” que estes incêndios consomem a cada ano que passa é enorme, mas, sobretudo, os danos que causam às suas vítimas humanas são demasiado pesados, muitas vezes deixando na miséria absoluta quem por eles é afectado.
Ano após ano se criticam as causas destes infernos a que tanta gente é condenada em vida, se fala de planos e de preparação que não permitam que tudo, de novo, se repita, mas parece que os primeiros pingos de chuva que Setembro ainda continua a trazer-nos e apagam os últimos fogos, lavam, também, a lembrança daquilo que tantos sofreram e tudo continua na mesma.
Desta vez a crítica alargou-se ao mundo inteiro que fala de  "inoperância e alarmante falta de recursos do Estado luso para fazer frente aos incêndios florestais, um flagelo que o assola todos os anos".
No conceituado diário espanhol El Mundo, alguém escreve que "É inaceitável que, no século XXI, um incêndio num país da União Europeia provoque tantas fatalidades. Tendo em conta, sobretudo, os incidentes dos últimos anos. Este terrível episódio prova que Portugal não está pronto para enfrentar o fogo. Não tem realizado o trabalho de prevenção adequado, nem tem um dispositivo ideal para controlar, delimitar e extinguir os incêndios, o que revela não só a ineficácia dos seus equipamentos, como uma preocupante falta de meios".
Não é o primeiro ano que críticas deste tipo nos são feitas.
Não sei o que sucederá ainda mais este ano com os níveis de secura em que Portugal, um país territorialmente desorganizado, se encontra e com os fenómenos meteorológicos variáveis que um Verão quente e seco nos promete.
Aliás esta será mais uma das consequências das alterações climáticas às quais se não presta a atenção devida e até o que dizem ser o “homem mais poderosos do mundo” considera uma invenção.
A Humanidade está, infelizmente, entregue ao governo de homens sem o conhecimento e a inteligência que as dificuldades crescentes exigiriam para serem superadas.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

POR QUÊ?



Aproveito a pergunta que o jornal "O Público" faz na sua primeira página, por ser aquela que me parece a mais adequada nas circunstâncias que vivemos e se tornaram já notícia em todo o mundo.
A tragédia de Pedrogão Grande é, sem dúvida uma das maiores que vi acontecer em Portugal ao longo da minha vida, sempre ouvindo falar no que é preciso fazer para evitar que coisas destas aconteçam, pelo menos desta maneira, mas jamais dando conta de que alguma coisa se faça, para além dos bons negócios que alguns fazem.
A propósito desta desgraça, Marcelo, o Presidente andante, disse que este incêndio “atingiu os portugueses de quem menos se fala”, o que não é verdade porque vejo os políticos a falar neles constantemente, nos pobres e nos marginalizados, nas preocupações que por eles dizem ter, nas promessas que lhes fazem quando precisam do seu voto e nas migalhas que, uma vez por outra, lhes dão mas pelos quais nunca fazem o que, verdadeiramente, necessitam.
Estão naquele interior ignorado que não conta para as estatísticas nem para quase nada e que, pelo andar que as coisas levam, se aproxima perigosamente de um deserto.
Se Marcelo pensasse um pouco mais, talvez dissesse que esta desgraça atingiu aqueles com quem menos nos preocupamos, aqueles que não contam para nada ou contam para muito pouco e de quem apenas nos lembramos em situações como esta para, uma vez mais, lhes prometermos o que jamais faremos!
Não me pareceu, desta vez como já me não pareceu de algumas outras, que o combate ao incêndio tenha sido bem orientado, nem que nele tenham sido empenhados, na melhor oportunidade, os meios adequados às consequências previsíveis em função da exiguidade de água quer no solo quer no ar.
Infelizmente, os políticos não repararam, ainda, nesta realidade que a “economia predadora” que se esforçam por fazer crescer, as alterações climáticas, que nos irão causar sérios amargos de boca.
E a propósito, refiro aqui algo que ouvi alguém citar e resume bem o que já por tantas vezes aqui disse “enquanto os políticos não escutarem a Ciência, a burrice andará sempre por aí”.
Talvez esteja aqui a resposta à pergunta que “O Público” faz!
Voltando ao Senhor Presidente que afirma que está a ser feito tudo quanto seria necessário e possível, digo-lhe que não é verdade porque isso já deveria ter começado a ser feito há muito tempo.