ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

domingo, 11 de junho de 2017

O "OPTIMISMO IRRITANTE"




Pelo que oiço, nada poderia correr melhor.
A redução do défice, o aumento do PIB, a baixa do desemprego, a confiança dos cidadãos na economia e sei lá que mais o que vai de vento em popa e gera aquele “optimismo irritante” que Marcelo diz ser o de Costa!
Dizem-no as estatísticas, os números que o governo apresenta, a “bolha imobiliária”, o turismo, a construção de hoteis e outras coisas, mas há outras que, mesmo sem o desdizer abertamente, o não confirmam.
Não vejo reduzir o desemprego de longa duração, os empregos para jovens são, sobretudo, estágios não remunerados ou muito mal remunerados pelo que a imigração continua a ser a solução mais procurada.  
Aliás, depois das contracções a que a situação de pré falência a que Portugal obrigou, não são de estranhar alguns dos “crescimentos” tão falados e louvados, pois teria de ser esse o caminho normal depois do controlo a que estivemos obrigados.
Nos hospitais, nas escolas, nos mais diversos organismos como a Justiça, as finanças, as polícias e em outros domínios clama-se a falta de meios.
A situação dos fundos de pensões fazem temer cada vez mais pelo futuro dos pensionistas.
Também as condições de trabalho são contestadas e, a menos a tal confiança que as estatísticas alimentam, o que mais se pode ver é a contracção da despesa, mesmo em gastos essenciais.
Mas é um pouco assim por todo o lado onde se pintam com cores vistosas, quadros que não são, de todo, belos de apreciar.
Mais ainda, tanta coisa boa não chega para nos tirar em vez do lixo?
Talvez não faça grande diferença que lá continuemos pois, sem mudar de rumo, já lá estaremos quando os outros lá chegarem porque esta conjuntura global que parece favorável, em breve mostrará as suas falhas.
Seria bem melhor que o bom senso desse conta da realidade que a Ciência nos mostra, em vez de darmos ouvidos aos disparates de Trump que ainda nem se deu conta que tem filhos….
Mas, se enquanto há vida há esperança, espero que Costa tenha razão no seu optimismo irritante.
Seja como for, não tardará que melhor se saiba se a verdade é a que nos mostram ou se é a Ciência nos diz que será se não formos inteligentes no modo de tratar a Terra.
Por enquanto não para de aumentar a desertificação de todo o interior do país…


sábado, 10 de junho de 2017

OS TESTÍCULOS DA EUROPA



Não é fácil, para quem, habitualmente, percorreu outras andanças, longe do mundo confuso e pouco credível da política, tirar uma conclusão muito elaborada dos resultados das eleições na Grâ-Bretanha, a não ser as que qualquer mediamente atento observador possa fazer.
O anterior Primeiro Ministro, Gordon, perdeu um referendo, com o qual se comprometeu, sobre a manutenção ou não na União Europeia, por uma muito pequena margem.
Sairam-lhe as contas furadas. Mas sem que isso o obrigasse a demitir-se, fê-lo porque ir gerir um processo de saída contra o qual fizera campanha, não faria sentido algum.
Foi então que apareceu a Teresa May de quem julgo lembrar-me como europeísta. Mas deve ser confusão minha…
E porque a margem era mínima, o que dá pouca força a quem precisa de muita nas tarefas que tem pela frente, julgou Teresa que novas eleições lhe poderiam dar outra capacidade que não tinha para as negociações de um Brexit que não vão ser nada fáceis.
Mas sempre houve quem julgou ir buscar lã e sair tosquiado. Também as contas dela se furaram e, agora, nem da magra vantagem que possuía já dispõe.
Sendo Teresa May o rosto do próprio Brexit, que significado terá o resultado que alcançou e apenas lhe vai permitir governar com o apoio de um partido irlandês ultra liberal que duvido a apoie muito nas difíceis negociações?
Parece-me outra geringonça mais desengonçada.
Será benéfico para os britânicos entrar, deste modo, em negociações em que arriscam muito e para as quais os europeus se dizem preparados afirmando que o relógio da contagem decrescente não pára?
Além do mais, a factos sucedem-se factos que parecem virar o mundo de pernas para o ar e, por isso o tornam cada vez mais diferente de como estávamos habituados a que fosse.
Será o melhor momento para tomar decisões destas?
Será mesmo que a maioria dos britânicos está convencida das vantagens de um afastamento?
Talvez pensem poder fazer o papel próprio dos testículos “colaboram mas não entram”, mas não parece que seja o caso.
Tudo depende da Europa, se, finalmente, resolveu ser Europa ou não e a hora não é mais fácil para a Europa das hipocrisias, tal como tem sido.


quinta-feira, 8 de junho de 2017

A PORCARIA POR DEBAIXO DO TAPETE



Pelo que vejo que se passa em Portugal, pouca diferença encontro para o Brasil cujos políticos jamais lhe permitem ser o país do futuro, para o que, com excepção da cambada de corruptos que por lá pulula, tem todas as condições para ser.
Passaram-se anos a louvar ilustres gestores, comentaram-se, até algumas vezes, os baixos salários que auferiam (!) e até foram condecorados alguns dos que agora estão a ser confrontados pela Justiça que sempre encontra muitas dificuldades para provar os seus crimes e para os punir. Pudera, foram eles quem fez as leis!
Depois, fala-se de dois milhões e meio de pobres, uma pobreza que atinge 25% (!!!) da população do país e que não há político que não prometa irradicar!
Dá ideia que quando se baixa de um certo nível de rendimento que, nem sequer, é alto, as pessoas passam a ser coisas que apenas fazem parte de uma estatística, a dos que, mesmo apenas sobrevivendo, continuam a alimentar as fortunas milionárias que os off shores escondem na sua maior parte.
É o que deduzo das notícias que leio, das coisas que se passam, dos estragos produzidos por uma cambada de gestores que, afinal, parece que não passam de artistas da manipulação capazes de fazer inveja ao David Copperfield!
A cada dia que passa novas “caras” se juntam ou se associam ao que parece ser o único processo neste país, o marquês!
A cada dia bancos estrangeiros arrebanham as nossas cada vez mais debilitadas poupanças, até que sejam donos de rodas elas.
Mas o povo português dá mostras de estar feliz. Di-lo o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e mais todos aqueles para quem o regime vai de feição.
É por isso que, cada vez que alguém tem a veleidade de lutar contra os poderes ilegais, mas reais, que mandam neste país, é afastado para não poder fazer estragos, porque as coisas estão muito bem como estão neste corropio de milhões em troca dos quais nos dão uns tostões, com os quais tantos, mesmo assim, ficam felizes!