ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

CORTA-SE A CABEÇA À MINISTRA?



Quando um grave acidente acontece, logo há que clame por cabeças, normalmente de governantes, como se tal fosse a solução mágica para castigar culpados e, como é natural que se deseje, que tal não volte a acontecer. E o ministro da Administração Interna é quem está, muitas vezes, na berlinda.
Alguns acabam por sair outros não, mas jamais me parece que essa seja uma atitude que resolva o problema criado, ou minimize o mal causado ou, sequer, explique o por que de ter acontecido.
Desta vez pede-se a cabeça da ministra e, francamente, a não ser como uma atitude sem sentido, não vejo a razão de ser.
Recordo-me, a propósito, daquele outro terrível acidente que foi a queda da Ponte Hintze Ribeiro (Entre os Rios), outro acidente que causou a morte a muita gente e se não pode imputar a uma pessoa concreta e única mas sim a erros técnico/institucionais graves que, no fim, ninguém invoca nem esclarece.
Enquanto, desta vez, a ministra entende, a meu ver bem, que deve continuar e contribuir para a solução dos problemas, naquele outro caso, ainda não tinha terminado a viagem que fazia quando ouvi a notícia e já o ministro se demitia!
Lembro-me de me ter perguntado por que razão o faria, se fugia de responsabilidades que não tinha ou se por qualquer outra razão ou interesse, talvez aquele que leva a dizer que “o que é bom não é ser ministro, mas tê-lo sido”.
As consequências responderam-me.
Continua a atribuir-se a causa do acidente a deficiências estruturais que, numa estrutura já velha e carente de manutenção, é fácil presumir que existissem, mas não foram elas a causa próxima do que aconteceu.
Essa foi outra que, oportunamente, esclareci, mas não serviu para nada neste país onde se procuram as razões no blá-blá-blá e em “evidências” que a realidade, depois, não confirma.
Não vejo como atribuir aos ministros as culpas em qualquer dos dois casos. Vejo, apenas, atitudes diferentes em circunstâncias em que a demissão não resolve coisa alguma.
Melhor seria atentar nos verdadeiros culpados…

E AGORA AS DESCULPAS



Nos meus tempos de estudante do Liceu, começávamos a estudar francês logo no primeiro ano. E tal como me recordo da Dª Lucília, a professora, cuja exigência nos levava a chamar-lhe “a fera”, também me recordo daquele texto em que o estouvado Pedro dizia à sua mãe, a cada vez que esta o repreendia: “demain, demain je serai sâge!” (amanhã terei juízo).
É isto, mais ou menos, que oiço dizer desde há dezenas de anos quando, nesta altura do ano, os incêndios levam uma boa parte da nossa floresta, destroem bens que são, tantas vezes, o produto do trabalho de uma vida inteira daquela "gente de quem menos se fala" e de quem menos se cuida, ceifam vidas ainda com uma vida inteira para viver.
Alguém será capaz de imaginar o desespero, a dor e o sofrimento de ver a morte aproximar-se para fazer de si e dos seus um churrasco!?? Foi o que, desta vez, aconteceu a muita gente.
Ao longo de dezenas de anos fomos andando, fingindo que tomávamos juízo, tomando a serenidade de alguns anos como a prova dos grandes passos que havíamos dado, dizendo, até, estarmos preparados para quaisquer eventualidades que surgissem.
Mas, afinal, não era assim. Foi o que mostrou a tragédia de Pedrógão, falada nos quatro cantos do mundo como a prova mais provada da incúria, do desleixo e da incapacidade que nem a presença quase constante do Presidente da República e do Primeiro-Ministro conseguiram disfarçar.
E como se tal não bastasse, a enorme confusão gerada pelas desculpas com que os responsáveis por isto e por aquilo agora se afadigam para nos fazer crer ter sido uma eventualidade terrível e imprevisível a causadora disto tudo que, apesar da diligência e da competência dos comandos, da oportunidade da intervenção, bem como da excelência dos meios urlizados, pelas suas não conseguiram conter.
Apesar do esfoço, não conseguem evitar as contradições em que caem quando se explicam, como não evitaram nem evitam os disparates que disseram quando, no início e numa insensata intenção de acalmar as possíveis vítimas, lhes garantiam que tudo o que é necessário e possível estava a ser feito.
Depois de tudo isto fiquei sem saber se o SIRESP funcionou ou não, se o incêndio teve o seu início antes ou depois da “trovoada seca” que aconteceu, na qual muitos descansam a sua obrigação de encontrar os motivos, se foi desleixo ou maldade que causou esta desgraça.
Agora chovem as propostas para constituição de “comissões” para estudar soluções para o futuro.
Os políticos ainda não encontraram outro modo de não fazer as coisas que julgam resolver-se com palavreado.
É mais uma repetição de muitos disparates que já vi fazer e que, em tempos gerou o dito: se a intenção é não fazer, nomeia uma comissão.
Deixem-se de comissões e entreguem a quem sabe a responsabilidade de propor soluções.
Creio que entregar um estudo aprofundado a uma entidade respeitável em vez de a uma comissão preconceituosa nomeada pela AR, seria a melhor solução.
Eu sugeriria que ao Instituto Superior Técnico e ao Instituto Superior de Agronomia fosse dada a incumbência de dizer aos políticos como fazer! Por exemplo.
Não sei é se os políticos seriam capazes de a pôr em prática, tais são os condicionamentos que os espartilham. Os mesmos que os fazem estar ali.


terça-feira, 20 de junho de 2017

PESSOAS, NATUREZA E ANIMAIS!



Quando li o programa deste novo partido, PAN, com uma introdução que eu, com todo o prazer assinaria, julguei que, finalmente, alguém na política tinha acordado para os verdadeiros e mais importantes problemas que a Humanidade enfrenta e, depois de conseguido um deputado, uma voz na Assembleia da República se faria ouvir acerca do que os políticos normalmente e alguns até deliberadamente ignoram.
Falaria de questões essenciais para a sobrevivência e prosperidade de um país do qual a alma mirra depois de quase ter dominado o mundo inteiro.
Depressa me apercebi, infelizmente, que se ficou por certos aninais fazendo do não abate de cães vadios e da luta contra as toiradas, entre outras coisas do mesmo tipo, as suas primeiras grandes causas!
No início, duas ou três referências na comunicação social onde apenas coisas menores são referidas e, depois, a total ausência nos grandes momentos em que o futuro do Homem está em causa, é para mim prova de que ainda não foi desta vez que alguém é capaz de levantar a sua voz e defender as suas convicções contra os crimes que farão da Humanidade a sua vítima.
Agora, que tragédias graves acontecem em consequência da falta de cuidados e de acções que eu esperaria que o PAN defendesse desde a primeira vez que entrou na AR, onde está ao PAN?
O que pensa sobre isto? Que críticas faz ao que está a acontecer? Que sugestões faz?
O PAN desapareceu?
Onde estão os que escreveram, entre outras coisas que:
“Tudo está a mudar muito rapidamente à nossa volta. O que esperamos hoje do futuro é significativamente diferente daquilo que esperávamos há quatro anos.
As evidências científicas dizem-nos, de forma cada vez mais enfática, que nos encontramos num momento crítico e decisivo para a manutenção e equilíbrio da bioesfera, pelo menos tal como a conhecemos.
A actividade antropogénica está a comprometer as gerações futuras e a sobrevivência das várias espécies, incluindo a humana.
Vivemos um período que é já descrito por muitos cientistas por Antropoceno, que resulta da intensa actividade humana que está a ter um impacto significativo no clima da Terra e no funcionamento dos ecossistemas.
Portugal está no "top ten" dos países europeus que serão mais afectados pelas alterações climáticas e pelos eventos extremos associados, como a erosão costeira, a falência dos solos, as inundações ou o stress hídrico…”
Alguém vê o PAN por aí?