ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

EMBRULHADAS



Tanto tempo depois das grandes embrulhadas que foram a tragédia de Pedrógão e o “assalto” aos paióis de Tancos, não se desfizeram ainda as confusões que provocaram, antes deram testemunho da pouca atenção que os governantes prestam àqueles aspectos que alindam as estatísticas com que pretendem demonstrar o sucesso da sua governação.
É espantado e preocupado que fico a saber que a ajuda da União Europeia relativa aos incêndios de Pedrógão ainda não foi prestada porque ainda não foi pedida!
Neste país onde a solidariedade dos cidadãos, uma vez mais, não tardou a prestar o seu auxílio aos que a tragédia não poupou, o Governo parece continuar alheio, depois de se ter mostrado bem, enquanto vidas se perdiam e bens eram devorados pelas chamas.
Não é, ainda, oportuno recorrer à solidariedade europeia? Sei lá como pensam estas criaturas a quem o poder torna mesquinhas e ambiciosas, insensíveis ao sofrimento de centenas de cidadãos que viram as suas vidas destruídas, talvez mais preocupadas em negociar se as ajudas vão ou não afectar o défice do que a minorar o sofrimento de quem perdeu tudo ou quase tudo!
Também o “assalto” aos paióis de Tancos continua a ser uma história sem pés nem cabeça que só pode convencer os tolos ou os distraídos, sobretudo depois daquela infeliz declaração final de uma prolongada reunião entre o Governo e a Chefia das Forças Armadas que, essa sim, foi um autêntico “soco no estômago” de quem a escutou.
Gostei de ouvir o Major (Coronel?) Vasco Lourenço nos comentários que fez sobre esta tragi-comédia que, sugere-me ele, até pode ser uma mentira, um “roubo” de algo que talvez já nem existisse.
A obsolescência da maioria do armamento “roubado” que não interessaria a terroristas que, por certo, possuem muito melhor, foi outro dos aspectos que referiu!
Depois de alguns descreverem quase ao pormenor como o “assalto” aconteceu, afinal o que se passou?
A notícia de os militares em serviço nos paióis de Tancos usarem armas sem munições, faz-me lembrar algo que se passou comigo quando, um dia e apesar de ser miliciano, era o “Oficial de Dia” numa unidade militar em Lisboa e recebi uma ordem superior para colocar o quartel de prevenção porque poderia vir a ser assaltado durante a noite. Ponto!
Descobri que apenas o Sargento da Guarda dispunha de meia dúzia de cunhetes que dariam para defender o quartel durante dois minutos…
Felizmente nada aconteceu porque a razão de ser desta azáfama estava longe e em alto mar. O Santa Maria tinha sido tomado por um grupo chefiado por Henrique Galvão!

terça-feira, 11 de julho de 2017

G20, A RIDÍCULA DECLARAÇÃO FORJADA



Ontem partilhei na minha página do face book um artigo que fala de mais uma extinção me massa, a sexta de seres vivos no nosso Planeta, tal como diversos cientistas o afirmam e a mais comum sensatez o compreende perante a realidade que mostra as consequências da autêntica pilhagem que o Homem tem feito dos recursos naturais da Terra que, obviamente, não são infinitos.
A sociedade do usa e deita fora, como lhe chamou Alvin Tofler, fez da Terra um chiqueiro, um depósito de restos dos excessos que comete para que a economia se não desmorone como acabará por ser inevitável.
Traduzem-se os danos causados ao Ambiente em diversos efeitos, dentre os quais os das alterações climáticas estão a ser dominantes pela intensificação do efeito de estufa que, para além da elevação significativa da temperatura média na Terra, altera profundamente a dinâmica atmosférica e, assim, as características climáticas a que estamos habituados e interferem com os diversos ciclos naturais, ao que dificilmente nos adaptaremos.
Constata o estudo feito por especialistas da Universidade de Stanford, da Universidade de Princeton e da Universidade da Califórnia que desde há 66 milhões de anos, quando os dinossáurios desapareceram, a Terra não havia passado por uma tão intensa perda de espécies.
A análise, baseada em extinções documentadas de vertebrados, ou animais com esqueletos internos, tais como rãs, répteis e tigres, a partir de registros fósseis e outros dados históricos, não permite, mesmo assim, determinar o ritmo de extinção.
Se a taxa do passado era de duas extinções de mamíferos por 10 mil espécies a cada 100 anos, a “taxa média de perda de espécies de vertebrados no último século é até 114 vezes maior do que seria sem a atividade humana.
Apesar destas conclusões científicas, é difícil de compreender o que se passou na última cimeira do G20 onde, contra o entendimento de todos os demais que consideram a situação irreversível, o Presidente dos Estados Unidos persistiu no afastamento do acordo de Paris, apesar das medidas leves que este prevê em face da gravidade do que nos espera.
Mas para que a cimeira não redundasse num fracasso humilhante, os demais aceitaram a recusa de Trump, aceitando o compromisso de que  os Estados Unidos vão "esforçar-se para trabalhar estreitamente com outros parceiros para facilitar o seu acesso e a utilização mais apropriada e eficaz das energias fósseis e os ajudar a desenvolver energias renováveis e outras fontes de energia limpa".
Nada de mais ridículo do que ao maior poluidor do mundo ser consentido que se torne mais poluidor ainda, pondo em perigo toda a Humanidade pelos danos que causará, porque na Atmosfera não há fronteiras!
Se são aplicadas sansões económicas e outras a outros países que causam perigos menores, porque saem os Estados Unidos beneficiados com os múltiplos acordos comerciais que Trump aproveitou para fazer nesta oportunidade, algumas vezes faltando às reuniões em que deveria estar presente.
Uma atitude hipócrita que suja a reputação destes líderes a quem o bem da Humanidade afinal não interessa.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

CORTES E CATIVAÇÕES



Ainda que sendo coisas diferentes, as cativações, tal tem como têm sido feitas, e cortes de despesa acabam por ter o mesmo efeito, a redução da despesa do Estado em infraestruturas, no domínio social, no investimento...
Os cortes não constam, naturalmente, do Orçamento de Estado, mas as cativações são feitas sobre verbas que dele constam para variados fins, mas que, para que o défice se cumpra, aqueles que deveriam fazer os investimentos aos quais se destinavam, são impedidos de fazer.
Feitas deste modo, as cativações de valores demasiado elevados e sem disponibilização posterior das verbas bloquadas, não passam de um artifício que compõe mas desvirtua o orçamento que, assim, não pode ser cumprido, do que nem todos se apercebem ou só muito tarde o fazem, sobretudo quando se cativam meios necessários para actividades essenciais do Estado, como a segurança, a defesa, a saúde, a educação e outros compromissos assumidos em promessas eleitorais, nas quais se prometia fazer melhor do que até aqui.
Daí os desastres que acontecem por falta de meios ou de acções para os evitar!
Em vez de assumir este artifício de um belo orçamento que não é para cumprir, é mais fácil culpar o anterior governo, seja do modo que for, por todas as desgraças que aconteçam e, tal como numa célebre fábula de La Fontaine, sempre podemos dizer ao cordeirinho que, se não foi ele, foi o pai!
Os males acontecem, as reclamações sucedem-se mas, afinal, de quem é a culpa de não ter sido feito o que foi prometido fazer ou as circunstâncias exigiam que fosse feito?
O governo só não sacode a água do capote porque o tempo tem estado muito seco…
Por isso é melhor ir de férias sossegado porque as estatísticas que as cativações consentem, hão-de bastar para desculpar os malabarismos feitos.
Porque em terra de cegos....