ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

DE NOVO A PROPÓSITO DO PNA



Já por diversas vezes dei comigo a pensar numa das maiores desilusões que a actividade política em Portugal recentemente me causou, a constituição de um partido político que tinha nas suas preocupações “Pessoas, Natureza e Animais”.
Seria um partido perfeito o que fizesse deste conjunto de preocupações o seu verdadeiro e completo objectivo.
Dizem-no as circunstâncias que seria, assim como a introdução ao seu programa fazia crer que o fosse.
Elegeu um representante na Assembleia da República onde a primeira medida que apresentou, pelo menos aquela de que me dei conta, foi acabar com o abate dos cães vadios!
Seguiram-se as toiradas, no que não mostrou qualquer atitude inovadora e agora o caso do atropelamento de um cão por um combóio, creio que é disto que se trata, sem que este tenha parado a sua marcha para lhe prestar assistência.
Se eu tiver a pouca sorte de atropelar um cão que se atravesse, subitamente, na frente do meu carro, decerto que pararei para ir ver como ficou e, se tal se justificar, até o poderei deixar numa clínica veterinária para que o tratem.
Mas logo dou comigo a pensar na quantidade enorme de formigas que, no tempo quente, mato porque as piso quando ando na rua ou uso produtos de exterminação para que não tomem conta da minha cozinha. Sei lá se uma proposta do PNA para que preste cuidados num caso e acabe com o extermínio no outro, não virá a acontecer.
O que não oiço é o PNA tomar partido em tantas questões graves para a Humanidade às quais os políticos pouca ou nenhuma atenção dispensam.
Creio que, na incapacidade já revelada de abrangerem todos os aspectos dos seus propósitos iniciais, deveria o PNA passar a PCT (partido de cães e de toiros), deixando as Pessoas e a Natureza para quem saiba cuidar delas, defender os seus interesses.
E bem precisam.

PERDOA-SE O MAL QUE FAZ PELO BEM QUE SABE?



Uma das consequências do intenso aquecimento global médio que os registos de temperaturas tornam cada vez mais evidente e a Ciência, já sem dúvidas, associa à actividade económica humana, é, para além da subida da temperatura média global, a alteração das características dos fenómenos meteorológicos, sobretudo a precipitação e a dinâmica atmosférica.
Como temos notado ao longo dos últimos anos, a evolução climática ao longo do ano modificou-se sensivelmente, tornando-se os fenómenos menos regulares e de extremos mais intensos, quer em secas quer em cheias.
No que diz respeito à temperatura que, na média global, vai aumentando, ocorrem variações severas que causam, ao longo do ano, diversas vagas de frio e de calor que se tornaram mais intensas e frequentes.
As precipitações mais intensas e menos frequentes, cada vez menos correspondem ao Ciclo Hidrológico Natural que há muito se mantinha estável, assim como apresentam características de intensidade, duração e frequência sensivelmente diferentes dos que eram habituais, alteram profundamente o balanço hidrológico.
Das precipitações mais intensas resultam menores infiltrações porque a capacidade de infiltração é menor do que a intensidade da precipitação, o que aumenta a escorrência superficial. Serão, consequentemente, mais intensas as erosões e mais reduzidas as reservas de água no solo.
Também outro “reservatório natural” se está a reduzir sensivelmente, os glaciares, provocando o acréscimo de um outro, o maior de todos, os oceanos cujo nível se eleva, inundando áreas terrestres importantes e fazendo desaparecer muitas ilhas, se o fenómeno do aquecimento global não for travado ou, melhor dizendo, a intensidade da sua evolução reduzida.
A dinâmica atmosférica já se encontra sensivelmente alterada em relação ao que era mais habitual, como pode observar-se nas variações bruscas da intensidade do vento, como as cartas de isobáricas comprovam.
É natural que, todas estas alterações – temperaturas elevadas, secura do solo e rajadas de vento variáveis – concorram para incêndios florestais mais frequentes, mais intensos e, assim, de combate mais difícil, para o que os meios tradicionais começam a ser pouco adequados.
Juntando a tudo isto uma cobertura florestal desregrada e um território globalmente desordenado, será de esperar que, ano após ano, as situações de tragédia sejam mais graves.
Mas não vejo que os políticos entendam esta situação e aceitem as suas causas que preferem não considerar nas suas preocupações em que apenas o que a causa, o crescimento económico, constitui o objectivo que, prioritariamente, prosseguem.
É estranho! Não terão eles filhos?
E nem me parece que seja de aplicar aqui o velho dito “perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe” quando está em causa o futuro da Humanidade.
Nada do que os políticos fazem faz sentido!
Acordem enquanto é tempo.



sábado, 22 de julho de 2017

E POR FALAR EM RACISMO…



Está na moda falar em racismo, talvez porque um candidato à presidência da CM de Loures resolver falar de ciganos que vivem à custa de subsídios estatais.
Logo os falsos puritanos deste país levantaram as suas vozes contra esta descriminação intolerável, a ponto de um dos partidos que apoiavam o tal candidato lhe retirar a confiança.
Não ouvi o discurso “xenófobo” como se diz que foi e até terá sido. Por isso é reprovável.
Mas quantos mais, não ciganos, recebem os mesmos subsídios do Estado, passam o dia sem nada fazer porque “quando se levantam já têm o dia ganho”?
Então o discurso foi discriminatório. Não referiu um tema importante numa sociedade que os subsídios, concedidos por isto e por aquilo e sem contrapartidas, a muita gente que tornaram preguiçosa e, por isso inútil.
Esse, sim, deveria ter sido o tema que não deveria ter restringido aos ciganos.
Por isso, foi racista e preconceituoso também.
Porém o “racismo” que está na moda e faz muitos hipócritas reagir apenas para dar nas vistas, é aquele que, dizem, envolveu 18 polícias de uma esquadra que terão maltratado uns quantos rapazes daquele bairro “pacífico” que se chama a Cova da Moura.
Mas quem querem enganar esses senhores que nunca tiveram a seu cargo tarefas como as desses polícias que, com razão como factos o provam, temem pela vida quando entram nesse bairro onde os desacatos são frequentes, alguns são assassinados e outros maltratados?
Será uma tarefa fácil a desses polícias?
A pressão a que estão constantemente submetidos permitir-lhes-á manter a calma e o discernimento quando certas coisas acontecem?
Todos sabemos que, por vezes, pequenas coisas, até coisas menores, podem despoletar atitudes de raiva, sobre brancos ou negros, das quais, depois mais seremos, nos arrependemos.
A Cova da Moura não é um bairro qualquer. É um bairro altamente problemático e como tal deve ser tratado.
Mas mantém-se há tanto tempo que, pelas suas características tão especiais, me não admiraria que fosse proposto para património da Humanidade!
Não serão as iniciativas locais generosas e muito meritórias, decerto, que resolverão os problemas que, dia a dia, ali acontecem e deixam os nervos em franja a quem tenha de lidar com eles. A solução tem de ser outra!
Não deveriam ter uma formação especial os polícias a quem compete manter a ordem nessa zona e não deveriam ser periodicamente substituídos, assim evitando situações e estados de espírito que, naturalmente, podem facilmente conduzir a excessos?
E, finalmente, como é possível continuar a haver zonas onde eu não passearia à vontade, tal como o faço no meu bairro, e onde a polícia constantemente tem problemas que a desgastam ao ponto de não saber lidar com eles ou desenvolver más vontades que a saturação mais aumenta?
Depois, os “sábios deste país”, quase sempre os mesmos, falam, em magnas assembleias, de situações que nunca viveram, de relacionamentos que nunca tiveram e afirmam Portugal como um país ultra-racista, de um racismo branco que, jamais o entenderam, é nada perante aquele que muitos negros nutrem pelos brancos.
Não será deste modo hipócrita que o problema da Cova da Moura ou do racismo em geral alguma vez será resolvido.