ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 21 de outubro de 2017

PESCAR OU NÃO PESCAR SARDINHA!



Gosto imenso de sardinha assada que, se acompanhada com pimentos assados e um tinto saboroso, é um pitéu digno de reis!
Ainda me lembro daquele tempo em que a sardinha era “peixe de pobre” e um pedacinho que a alguém calhasse para colocar num pedaço de pão que, mesmo assim, entranhava aquele gosto delicioso, era como a sorte grande que só sai aos outros.
Depois, dizia-se que era um peixe “raimoso”, palavra que já não encontro no dicionário (pudera, é reimoso que se diz...) mas que significava ter uma gordura não recomendável para a saúde. Hoje sabe-se que é rica em ómega três e, por isso, protectora do sistema cardio-vascular que tantos problemas causa a tanta gente. Por isso, viva a sardinha!
Mas, para além disso, o que me interessa é o sabor delicioso que tem se gordinha e bem assada.
Por isso nem quero imaginar que deixe de o poder apreciar porque a sardinha se extinguiu ou se tornou tão rara que é melhor não a capturar para que não se extinga de todo!
Esta é uma questão do momento em que se começa a temer o pior e, por isso, se tem de dar tréguas à sardinha para que, pelo menos, continue a ser o petisco das noites de Santo António.
Não conheço directamente nenhum relatório do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, sigla inglesa) que terá começado por recomendar uma trégua de 15 anos para que sejam repostos stocks aceitáveis, depois de 1 ano sem pescar nas águas ibéricas, o que deixou pouco agradada a ANOPERCO (Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca de Cerco) que afirma a abundância da sardinha nos nossos mares.
A ICES admite, porém, novos cenários e todos eles "asseguram uma variação positiva da biomassa disponível de sardinha com idade superior a um ano"!
Francamente, fico baralhado com tamanha multiplicidade de hipóteses em que, afinal, sempre se verifica um acréscimo da biomassa da sardinha.
Entre "stocks aceitáveis" e pesca que os não esgota, deve haver uma história  um pouco mal contada, mas se asim é, pronto! Pesquem lá as 23.000 toneladas de sardinha por ano pois eu fico bem com aquela dúzia a que já reduzi o meu consumo de um peixe que, de pobre, passou quase a caviar!
De resto, quem proíbe uma baleia de, numa só bocada, comer mais sardinha do que eu em toda a minha vida?
Seja como for, quem se lixa é a sardinha…

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

AFINAL, ROUBARAM O QUE?



Disse, em tempos, o Ministro da Defesa, José Alberto Azeredo, que “não sei se alguém entrou em Tancos. No limite, pode nem ter havido furto” o que talvez seja consequência da óbvia fraqueza dos mecanismos de vigilância e segurança e a ausência de um sistema de inventário em tempo real.
O que entretanto se ouviu dizer deste episódio que decorreu nos paióis de Tancos, não passa de coisas desencontradas que nos deixam desinformados sobre o que aconteceu.
 Não sabe o ministro, a quem foram entregues as conclusões dos inquéritos dos diversos ramos das Forças Armadas e da Inspeção-Geral da Defesa Nacional encomendados no rescaldo do assalto, se houve furto ou o que foi furtado.
Provavelmente nem aconteceu nada.
O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas afirmou que o roubo em Tancos “representou um soco no estômago”, mas adiantou que o material militar furtado está avaliado em apenas 34 mil euros e tinha sido “seleccionado para abate”.
Coisa sem importância, portanto.
Também li que no dia do furto, se o houve, havia apenas dez militares na segurança dos paióis, com armas sem munições!
Tretas de jornalistas, decerto. Seria lá isto possível?
Outras coisas mais se disseram e agora o material alegadamente roubado aparece em Coruche em condições que parece não ter acontecido mais do que uma mudança de lugar.
Mas de qual material se trata?
Que material foi roubado, afinal?
Diz-se que, no que apareceu devido a uma denúncia anónima, faltam apenas cerca de 1500 munições de 9mm.
Afinal havia quem soubesse o que foi roubado.
Enfim, eu que fui militar em Tancos, ali fiz a primeira parte do meu curso de oficias milicianos, nem consigo imaginar, pensando em como as coisas se passavam no meu tempo, como foi possível entrar numa zona da qual nem cometíamos a leviandade de nos aproximar!
É mais uma daquelas coisas que acontecem nestes tempos em que parece ser possível roubar e queimar tudo porque as nossas preocupações são outras.
Afinal o que não será preciso reestruturar neste país que só cuida do défice?

ASSUNTOS NÃO FALTAM



Costumo começar o dia por ver, nas notícias, o que há de novo e dou-me conta que, hoje, assuntos não faltam para encher jornais, programas de televisão, grupos de comentadores, páginas sociais e sei lá mais o que, porque o FC do Porto pode continuar a denunciar os e-mails da pandilha do Benfica, depois de contornado um impedimento que não se entendeu, a PJ investiga no estádio da Luz, na casa de Filipe Vieira e do Pedro Guerra, as armas roubadas de Tancos apareceram quase todas, a ministra da administração interna era, afinal, a culpada pelos incêndios e foi demitida, o processo Marquês produziu acusações que deixam Sócrates e os seus advogados fora de si, o relatório de uma comissão da União Europeia que investigou os “Panamá Papers” parece incluir os nomes de Sócrates e do ex-GES entre os que praticaram desmandos, o Benfica ficou já afastado da Champions, Marcelo repreende Costa e há quem se interrogue o que faltará para o demitir, Hernani Carvalho, um conhecido comentador da SIC, faz sugestões reveladoras de “coisas estranhas” no que chamou a “indústria do fogo” em Portugal, um assunto sobre o qual não há personalidade de topo que se disponha a falar e podemos, ainda, especular sobre o teor das quinze certidões extraídas do processo Marquês e dos novos processos a que poderão dar lugar.
A fartura é tanta que quase damos por nós a pensar na “bronca” que virá a seguir, quem será apanhado em qualquer tramóia, porque parece que a investigação judicial está a mexer muito e os mexericos multiplicam-se.
Se nos lembrarmos daquelas alturas em que para ter “notícias” quase se torna necessário inventá-las, esta quantidade será, sem dúvida, um verdadeiro e rico maná.
Mas no meio de tudo isto há, para além do omnipresente Sócrates, duas entidades preponderantes, o Benfica e o PS, um clube desportivo e um clube político, e é por isso que os assuntos raramente são tratados de modo não influenciado pela paixão que os clubismos sempre geram.
Por isso há muitas “verdades” em vez da verdade, há conflitos em vez da cooperação que a resolução dos graves problemas existentes exigiria, há confusão em vez da clarificação que evite que os problemas continuem ou até se agravem.
A comunicação social e os comentadeiros estão nas suas “sete quintas” e têm material para o tempo que quiserem ou até quando outro assunto mais candente apareça por aí.
O interesse por Trump, pela Coreia do Norte e pela Catalunha perderam fulgor e a té o próprio Sócrates começa a perder interesse pois já poucos duvidam do seu envolvimento em tanta porcaria, quase nem interessando o que a Justiça possa vir a decidir daqui a não sei quantos muitos anos.
Mas talvez como escritor fecundo tenha futuro, porventura um futuro que talvez não possa financeiramente suportar pois do seu segundo livro, com tanta pompa apresentado, não voltei a ter notícias e quem sabe se, para não dar barraca, dele terá de mandar comprar uns quantos milhares como dizem ter feito com o primeiro.
Enfim, tempos em grande estão aí, com primeiras páginas bombásticas e muitas opiniões de permeio.
Problemas resolvidos, desses nenhuns porque, sem problemas, como poderia a má língua viver? E sem má língua como poderiam tantos inúteis sobreviver?
Depois, não dá para andar sempre a inventar. Penso, até, que disso já abusaram demais, de tal modo que já muito poucos os levam a sério nessas atitudes.
Então, meus senhores, é fartar!