ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

A CASSETE ESTÁ DE VOLTA



O discurso do deputado João Oliveira, do PCP, no debate da moção de censura ao Governo apresentada pelo CDS, mostrou claramente por que o Partido Comunista não mudou nada desde Álvaro Cunhal, não acompanhando os tempos que alteraram as condições de vida e as circunstâncias em que vivemos.
Foi um discurso típico e moldado pelos jamais alterados lugares comuns aos quais, um dia, alguém chamou cassete.
Desaproveitou, completamente, a oportunidade de discutir assuntos da maior importância para proteger o povo que diz defender, ignorando as desgraças cujo sofrimento por muito tempo vai ser sentido, mas não perdeu a oportunidade de atacar a “direita”, persistindo numa divisão política que, dia a dia, as circunstâncias menos justificam.
Os problemas, cada vez mais graves, que a vida nos coloca, exigem atitudes concretas de solução que as ideologias perdem de vista nas aleivosias que praticam quando ignoram a realidade ou, pior do que isso, a tentam disfarçar com promessas de um futuro melhor, mas que jamais permite aliviar o aperto do cinto senão emagrecendo.
As circunstâncias mostram, cada vez mais claramente, os males que o crescimento económico sem sentido mas que sempre tanto almejamos, entre as quais as tragédias que acabamos de viver, são fruto de ganâncias que restringem a capacidade de ver como caminhamos para um precipício profundo.
Perante um país pintado do negro em que se desfez a vida de tanta gente, que se tornou o deserto onde nem miragens conseguem disfarçar o nada em que tanto trabalho se tornou, o PCP enche a boca com o povo e com o que em seu nome reclama, mas ignora o sofrimento que sente.
Por isso votou contra a moção que tinha por objectivo condenar o Governo pelas catástrofes que não soube evitar, fizeram o país mais pobre, por mais baixo que seja o défice que se apregoe.
A morte de mais de 100 pessoas cujos corpos o fogo consumiu, perdas de muitas centenas de milhões de euros em bens que o fogo consumiu, o sofrimento de muitos milhares de pessoas que perderam entes queridos ou perderam tudo o que ao longo da vida conseguiram juntar, tudo isto não bastou para que fosse julgada oportuna uma censura a quem, por incúria, não evitou que tudo isto acontecesse.
O debate mostrou que a cassete está de volta e se tornou o modelo oficial da geringonça quendo tem de falar sem dizer nada.

 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

COSTA, O HOMEM QUE A CHUVA NÃO MOLHA



Jamais me passou pela cabeça que pudesse acontecer, mas aconteceu. Um governo completamente desnorteado e sem saber o que fazer, perante a maior tragédia relativa a incêndios florestais no nosso país é apanhado de surpresa (!!!) e não sabe o para onde se virar. 
Pior do que isso, deixa que aconteça de novo! E a razão para o segundo drama é a suprema estupidez: a época dos incêndios tinha acabado e, por isso, foram reduzidos os meios de prevenção e de combate!!!
Talvez a culpa seja apenas de São Pedro que não mandou chover quando devia… Pois claro!
Inacreditável, mas verdadeiro e profundamente trágico, mostra um governo completamente desapegado da realidade e, pior do que isso, longe dos cuidados que deveria ter para com o povo que se propôs governar, mas em relação a cuja segurança mostrou uma frieza a rondar a indiferença.
Afinal, as chamas não mataram mais do que gente vulgar cujo nome nunca veio nos jornais nem destruiu os bens de gente conhecida.
Os malditos incêndios parecem ter um gosto especial pelo Zé Povinho que vive lá para o Interior cada vez mais deserto e abandonado.
Deslumbrado pelos “números trabalhados”, os quais, perante uma Europa que com montes de dinheiro nos tem comprado a alma, lhe granjeiam elogios, tudo o mais que faz é porque a “geringonça” o vai exigindo em troca do seu indispensável apoio na AR, a isso o obrigam os protestos dos funcionários públicos cujas greves poderiam causar profundas mossas ou os interesses eleitoralistas que jamais se podem perder de vista.
Desta vez foi, também, a pressão do Presidente da República, pela cabeça de quem talvez tenha passado a ideia de dissolver a AR, o que levou um governo assustado a aceitar pacificamente, como se de um caderno de encargos se tratasse, um relatório técnico-científico sobre o qual, deste modo, declina a responsabilidade de decisões que deveriam ser da sua exclusiva competência, pois não me parece que nele se encontre algo que não fosse já sabido e muitas, muitas vezes reclamado.
Ai é assim? Deixa lá ver que eu faço!
Abro uma excepção para o que diz respeito à origem dos incêndios, a propósito do que não entendi se se trata de uma hipótese possível e, por isso, admitida como tal ou se de uma conclusão “científica” que não vejo como a ela se tenha chegado.
As desobrigas cheiram-me a mentiras e aquele pedido de desculpas do Primeiro Ministro, depois de muito instado para o fazer, disso não terá passado.
Mas quem foi de férias foi a ministra que talvez nos pudesse esclarecer de muita coisa acerca do seu pedido de demissão em Junho e sobre as razões da aceitação que, então, não teve, porque não era, decerto, oportuno conceder-lhe uma demissão que, sem explicações daria origem a especulações desagradáveis. Mas isso talvez nunca viremos a saber. Nem nos interessa porque é mais fácil brincar com as férias de senhora!
Mas de uma coisa sei, Costa nunca deixaria que fossem criadas condições para que as culpas pudessem ser-lhe atribuídas!



sábado, 21 de outubro de 2017

PESCAR OU NÃO PESCAR SARDINHA!



Gosto imenso de sardinha assada que, se acompanhada com pimentos assados e um tinto saboroso, é um pitéu digno de reis!
Ainda me lembro daquele tempo em que a sardinha era “peixe de pobre” e um pedacinho que a alguém calhasse para colocar num pedaço de pão que, mesmo assim, entranhava aquele gosto delicioso, era como a sorte grande que só sai aos outros.
Depois, dizia-se que era um peixe “raimoso”, palavra que já não encontro no dicionário (pudera, é reimoso que se diz...) mas que significava ter uma gordura não recomendável para a saúde. Hoje sabe-se que é rica em ómega três e, por isso, protectora do sistema cardio-vascular que tantos problemas causa a tanta gente. Por isso, viva a sardinha!
Mas, para além disso, o que me interessa é o sabor delicioso que tem se gordinha e bem assada.
Por isso nem quero imaginar que deixe de o poder apreciar porque a sardinha se extinguiu ou se tornou tão rara que é melhor não a capturar para que não se extinga de todo!
Esta é uma questão do momento em que se começa a temer o pior e, por isso, se tem de dar tréguas à sardinha para que, pelo menos, continue a ser o petisco das noites de Santo António.
Não conheço directamente nenhum relatório do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, sigla inglesa) que terá começado por recomendar uma trégua de 15 anos para que sejam repostos stocks aceitáveis, depois de 1 ano sem pescar nas águas ibéricas, o que deixou pouco agradada a ANOPERCO (Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca de Cerco) que afirma a abundância da sardinha nos nossos mares.
A ICES admite, porém, novos cenários e todos eles "asseguram uma variação positiva da biomassa disponível de sardinha com idade superior a um ano"!
Francamente, fico baralhado com tamanha multiplicidade de hipóteses em que, afinal, sempre se verifica um acréscimo da biomassa da sardinha.
Entre "stocks aceitáveis" e pesca que os não esgota, deve haver uma história  um pouco mal contada, mas se asim é, pronto! Pesquem lá as 23.000 toneladas de sardinha por ano pois eu fico bem com aquela dúzia a que já reduzi o meu consumo de um peixe que, de pobre, passou quase a caviar!
De resto, quem proíbe uma baleia de, numa só bocada, comer mais sardinha do que eu em toda a minha vida?
Seja como for, quem se lixa é a sardinha…