ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

AS ESTRELAS MICHELIN




Parece haver uma chuva delas sobre Portugal onde chefes, do tipo daqueles que o Master Chef forma, são com elas agraciados por aqueles mini pratos que confecionam com uma pitada disto, daquilo e daqueloutro e enfeitam com umas verduras cheirosas que trazem nuns copinhos. Acrescentam, depois, um molho feito não sei como e aí está a delícia
Pelo menos é isto que eu vejo nas imagens que a TV mostra e me dizem que a Michelin aprecia.
Bem, mesmo assim não serão tantos os chefes estrelados porque o não serão, também, os que podem pagar as exorbitâncias que esses pratinhos custam e nos deixam, afinal, com a sensação de não ter passado de uma degustação...
E tragam lá, agora, a comida!
Eu continuo a preferir aqueles chefes que confecionam bem a deliciosa cozinha mediterrânica que me deixa satisfeito e, dizem os nutricionistas, bem tratado!
O bacalhau com todos, as sardinhas assadas com pimentos, a feijoada à transmontana, as feijocas à moda de Manteigas, as alheiras de Mirandela, o belo peixe da costa portuguesa que dizem ser o melhor do mundo, o caldo verde, as sopas de legumes, as saladas regadas com bom azeite de oliveira e tantas outras coisas, não merecem distinções gastronómicas, mas são o que eu continuo a preferir.


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A DESCENTRALIZAÇÃO DE COSTA



Falhada a candidatura a Sede do Medicamento na UE, o que, dizem, teve como principal causa a natureza das instalações propostas, o Porto recebeu do Governo de Costa um prémio de consolação.
Sem deixar passar o tempo e, quem sabe, talvez sem consultar ninguém, Costa decidiu transferir a Sede do Infarmed para a “capital do Norte”, o que, como se noticia, apanhou o Próprio Infarmed desprevenido.
Ouvi, depois, Costa dizer que se o Porto tinha condições para albergar a Sede do Medicamento, também teria para lá estar a sede do Infarmed! Tinha mesmo? E que tem uma coisa a ver com a outra?
Diz-se que tal decisão não origina deslocações, mantendo-se as instalações em Lisboa tal como estão, funcionando como uma “Delegação Regional.
Em conclusão, criou-se um elefante branco para adoçar a boca dos portuenses sem, de facto, lhes dar coisa alguma.
Parece que os trabalhadores, surpreendidos, não gostaram da ideia e vão reunir-se para analisar a decisão.
Não imagino o que vão analisar. Se as vantagens de tal mudança, nomeadamente a melhoria da eficácia Infarmed no desempenho das suas funções se os postos de trabalho que vai criar ou destruir? Fico à espera de saber qual será.
Mas de uma coisa, para já, fico ciente, a descentralização de Costa assemelha-se ao jogo dos cinco cantinhos. As coisas mudam de canto sem que sua essência mude e sempre haverá um sem canto que deseja tirar o canto a outro.
E, assim, a modos como acontece com os professores e irá acontecer com outros trabalhadores do Estado que não foram agraciados como os vulgares trabalhadores da função pública o foram, Braga, Coimbra e outras cidades mais que, tal como o Porto, também se julgarão com direito a qualquer coisa, pedirão ao generoso Primeiro Ministro que lha dê. E fica a sede de uma coisa aqui, outra ali e outra acolá.
Digamos que, para além da satisfação do ego do Presidente da Câmara do Porto e dos efeitos eleitoralistas que esta atitude possa ter tido, dos quais Costa bem precisa depois das trapalhadas em que se meteu, este presente vazio não serviu rigorosamente para nada.
Será assim a descentralização que Costa se propõe fazer?
Pois eu preferia que Costa olhasse para as vastas regiões do país onde não há coisa alguma e estão a definhar dia a dia, lhes desse aquilo que deveria dar, atenção e, sobretudo, o direito de cuidarem, elas próprias das questões mais próximas que afectam a sua vida. Em suma, que as deixe desenvolverem-se em conformidade com as suas necessidades e com os seus recursos que saberão aproveitar e gerir como ninguém.
Que as deixe escolher aqueles que as representam na Assembleia da República onde, deste modo, defenderão os seus interesses e não o que aos partidos mais convém.
A descentralização que se diz querer fazer não passa do cumprimento local do que os organismos centrais decidirem, para além de uns presentes vazios como este que Costa deu ao Porto.
Nós, os emigrantes que o centralismo de Lisboa levou a deixar as suas terras, poderemos faze-las reviver de novo e preservá-las das espoliações de que sempre foram alvo, do desprezo a que sempre foram votadas, da morte inevitável a que, deste modo, estão condenadas. Sem com isso prejudicar a unidade nacional, mas antes, assim, mais contribuir para o bem de todos.
Não precisamos das sedes de nada que estejam em Lisboa, apenas desejamos poder tomar as decisões mais próximas, necessárias e urgentes para melhorar a nossa vida, governar-nos com o que é nosso, desenvolvê-lo e fazê-lo crescer, para bem de todos nós.
Isto sim, traria riqueza às regiões do país, acabaria com a desertificação do Interior e tornaria Portugal maior. 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

ÁGUA, O BEM MAIS PRECIOSO SEM O QUAL NÃO HAVERÁ VIDA



Ontem, no programa Prós e Contras da RTP1, vi pessoas bem informadas falarem dos problemas de falta de água que a provável futura ocorrência de secas frequentes e severas nos proporcionarão e, também, de algumas propostas, sobretudo a nível individual, de atitudes que correspondem a uma adaptação, no modo de viver, às novas condições ambientais a que o aquecimento global nos obrigará.
Foi um programa em que a submissão inevitável às novas condições ambientais foi a nota dominante, sem quase abordar soluções para as causas que a determinam.
Não posso dizer que fiquei chocado fosse com o quer que fosse que ali foi dito, excepto com aquela proposta de guardar as fezes em papel prateado que me não parece fazer qualquer sentido por variadas razões.
Mas não é sobre isso que me apetece reflectir mas sim sobre as grandes atitudes que antes destes pormenores mais ou menos rebuscados de soluções individuais, familiares ou de pequenas colectividades, devem merecer a atenção e a procura de soluções que correspondem, naturalmente, à reversão ainda possível, mas urgente e determinada, das condições que causam a situação de penúria que se crê será cada vez mais frequente.
Por que aceitar a adaptação total e penosa a condições que podemos evitar ou, pelo menos, podemos minimizar?
Em primeiro lugar será a de exigir dos políticos em quem votamos para nos governar que se esclareçam e se consciencializem de que serão os grandes responsáveis pelos males que nos vierem, em consequência das soluções tímidas e sempre adiadas, decisões que (não) tomam nas suas conferências anuais, a um ritmo incompatível com a urgência de actuar.
A redução drástica da produção de gases de estufa está, certamente, em primeiro lugar, seguindo-se a recuperação das condições naturais do ciclo do carbono, nomeadamente no que respeita à intervenção no meio vegetal e nos oceanos, uns criminosamente reduzidos e os outros excessivamente poluídos.
Também a redução da utilização de combustíveis fósseis que Trump, ao invés do resto do mundo, se propõe incrementar “para devolver a grandeza à América” é já mais do que urgente.
Mas nada disto terá efeitos benéficos que valham a pena se as grandes potências que produzem a maior parte da poluição mundial se não dispuserem a adoptar as medidas que, há muito tempo já, são necessárias e correspondem a substituir os gurus de Wall Street e outros iguais por especialistas que cuidem do Ambiente e das atitudes urgentes para o recuperar.
Mas a inutilidade dos políticos neste esforço de salvar a Humanidade (não o Planeta como costuma dizer-se) é por demais evidente na sua submissão aos interesses económicos e nos despiques de crescimento que fazem entre si, persistindo, afinal, na via da desgraça que prosseguimos.
Finalmente, uma nota para educação nas escolas onde o ensino das quatro estações do ano, que já não existem, seja substituído pelo esclarecimento das novas condições em que vivemos e da urgência em melhorá-las ou não as deixar piorar para salvar a Humanidade.
E se reduzir a produção de gases que aumentam o efeito de estufa está entre o mais urgente de fazer, por que, por exemplo e para além da não utilização de combustíveis fósseis, continuar a aumentar as manadas de ruminantes que para isso fortemente contribuem, além de contribuírem para o consumo excessivo de carnes vermelhas que é, reconhecidamente, nocivo à saúde?
Se não desperdiçar água se tornou uma necessidade premente, por que permitir que eucaliptos sejam replantados onde, antes dos incêndios florestais existiam, em vez de reduzir, de modo determinado, as áreas de tais plantações de espécies que exaurem as camadas freáticas que garantem a perenidade das linhas de água?
Enfim, um tema inesgotável sobre o qual a grande maioria dos cidadãos não estão informados e do qual os políticos fogem como o diabo da cruz!